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Hidrologia Aplicada

Precipitação
A precipitação é entendida na hidrologia como toda
água proveniente do meio atmosférico (Tucci, livro, p.
177)
As importâncias da precipitação em uma bacia são:

Disponibilidade hídrica – estudo da disponibilidade


dos recursos hídricos para os mais diversos
aproveitamentos, como abastecimento e irrigação.
Intensidade da precipitação – estudo da ocorrência das
chuvas intensas para a implantação de medidas de
controle de inundações, efeitos na erosão do solo
Formação da precipitação:
Presença de vapor d’água na atmosfera – baixas
temperaturas – condensação – formação de
microgotículas – mantém-se suspensas devido às
forças ascendentes da atmosfera
Microgotícula + vapor d’água + núcleo de condensação
(partículas argilosas, orgânicas, químicas, sais
marinhos) = aglutinação das microgotículas
Massa + ação da gravidade > componente vertical da
turbulência atmosférica = precipitação
Tipos de precipitação
 Chuvas convectivas: Chuvas formadas pela ascensão de massas de ar
quente da superfície, carregadas de vapor d’água. Nuvens
Cumuluninbus
 Chuvas intensas e de curta duração – em bacia pequenas e urbanizadas
pode gerar inundações

Fonte: May (2004)


Chuvas orográficas: quando os ventos quentes e
úmidos soprados geralmente do oceano para o
continente, encontram uma barreira montanhosa,
elevam-se se resfriam adiabaticamente havendo a
condensação de vapor, formação de nuvem e
ocorrência de chuva.

Fonte: May (2004)


Chuvas frontais ou ciclônicas: Provêm da interação de
massas de ar quentes e frias. O ar mais quente e úmido
é violentamente impulsionado para cima, resultando
no seu resfriamento e na condensação do vapor d’água,
de forma a produzir chuvas.
Atinge grandes áreas, intensidade baixa e de longa
duração
Experimento:
Fora da sala simular a chuva sobre os copos que os
alunos trouxeram, monitorar o volume e o tempo da
precipitação.
 Depois os alunos devem medir o volume captado e
determinar a altura de chuva precipitada.
Pluviometria
Altura pluviométrica (P) – é a espessura média da
lâmina de água precipitada que recobriria a região
atingida pela precipitação, admitindo-se que esta água
não se infiltrasse, não se evaporasse, nem se escoasse
para fora dos limites da região. Leitura realizada nos
pluviômetros.
Pluviômetro Ville de Paris
P=V/A

P – altura pluviométrica;
V – volume de água captado em um intervalo de
tempo;
A – área de captação do pluviômetro.
Duração (t) – é o período de tempo em que ocorre a
precipitação. Normalmente medido em minutos ou
horas
Intensidade (i) – é a altura pluviométrica por unidade
de tempo ( i=p/t), expressa normalmente em mm/h ou
mm/min.
Pluviógrafo
Exercício extra:
Sobre volume precipitado
Aula2
Obtenção de séries históricas e informações
climatológicas
www.ana.gov.br –Agência Nacional de Águas
Serviços – informações hidrológicas – sistemas de
informações hidrológicas – Inventário Estações
Pluviométricas e “Hidroweb”
www.emparn.rn.gov.br – Empresa de Pesquisa
Agropecuária do Rio Grande do Norte
Meteorologia
Análise dos dados
Detecção de erros grosseiros

Observar a existência de erros grosseiros, como a


medição em dias que não existem ou a existência de
valores absurdos.
 
 Preenchimento de Falhas

Método de ponderação regional


O método de ponderação regional é utilizado para
preenchimentos de falhas de séries mensais e anuais de
precipitação. Para o preenchimento de falhas de precipitações
diárias não é recomendada a aplicação desse método.

1  x1 x2 x3 xn 
y      ...  . ym
n  x m1 x m 2 x m 3 x mn 
Onde: y é a precipitação do posto Y a ser estimada; x1, x2, x3 e xn
as precipitações correspondentes ao mês (ou ano) que se
deseja preencher, observadas as n estações vizinhas; ym a
precipitação média do posto Y e xm1, xm2, xm3 e xmn as
precipitações médias das estações circunvizinhas, sendo n o
número total de estações vizinhas utilizadas.
Preencher a precipitação média mensal do mês de
Janeiro de 1988 do posto B
Altura das médias mensais do mês de
Janeiro
Ano Posto A Posto B Posto C Posto D
1980 122 169 247 102
1981 123 111 214 192
1982 125 99 145 119
1983 256 105 180 178
1984 101 94 172 157
1985 133 157 147 143
1986 119 153 183 159
1987 111 143 145 164
1988 121 165 108
1989 112 146 127 103

Respost: Pa = 121; Ma=132,30


Mx = 130,78; Pc = 165; Mc=172,5; Pd=108; Md=142,5
Px = 114,61
Método de Regressão linear
 
Consiste em utilizar a regressão linear simples ou
múltipla, onde a precipitação de um posto com falhas e
posto(s) vizinho(s) são correlacionadas.
Na regressão linear simples se utiliza da relação
apresentada a seguir:
Y = A. X + B
Onde são plotados os valores correspondentes dos dois
postos envolvidos e traçada a reta que melhor
representa estes dados, sendo assim encontrados os
coeficientes A e B.
Exercício
1) Verificar qual das estações vizinhas apresenta a
melhor correlação com os dados de CerroCorá e
preencher o dado de chuva anual que está faltando
através do método de correlação linear.
Verificação da homogeneidade dos dados
Na verificação da homogeneidade dos dados se verifica
se houve alguma anomalia da estação pluviométrica,
tais como mudança de local ou das condições do
aparelho ou modificação no método de observação.
Este método consiste em construir uma curva dupla
acumulativa , na qual são relacionado os totais anuais
acumulados de um determinado posto e a média
acumulativa dos totais anuais de todos os postos da
região.
a) Série homogênea, sem inconsistência
b) mudança de declividade

Erro sistemáticos devido às mudanças


nas condições de observações ou a
existência de uma causa física real,
como alterações climáticas no local
provocada pela presença de
reservatórios artificiais.
Para se considerar a mudança de
declividade deve-se considerar a
ocorrência de pelo menos 5 pontos
consecutivos alinhados na nova
tendência.
c) alinhamento dos pontos em retas
paralelas

Ocorre quando existem erros de transcrição de um ou


mais dados ou pela presença de anos extremos em uma
das séries plotadas.
d) Distribuição errática dos pontos

Geralmente é resultado da comparação de postos com


diferentes regimes pluviométricos, sendo incorreta
toda associação que se deseje fazer entre os dados dos
postos plotados..
Exercício
2) Verificar a homogeneidade dos dados de
precipitação em Cerro Corá
Representação dos dados pluviométricos
Variação temporal:
A precipitação varia com o tempo, mas tem uma
tendência média, períodos úmido são
contrabalanceados por períodos secos.
Hietograma: altura pluviométrica com o tempo, dando
informação sobre a intensidade média da precipitação.
Gráfico em forma de barras.
b) Curva de precipitação acumulada: representa as
alturas pluviométricas acumuladas. Cada ponto
fornece a altura de chuva acumulada até aquele
momento.
Sazonalidade das Precipitações - Ano
hidrológico
Semestre Seco: Meses do ano em que as
precipitações médias da série histórica referentes
a esses meses são inferiores à precipitação média
dos 12 meses.
Exercício
3) Apresentar:
a variação temporal da precipitação em Cerro Corá;
a curva de precipitação acumulada;
o hietograma;
o período seco e o período úmido em Cerro Corá.
Variação geográfica:
a) Representação por isoietas
As isoietas são linhas de igual precipitação em uma região

Natal-RN ( Fonte: EMPARN, 2010)


Traçado das isoietas
Usos destes dados
Uso de modelos chuva-vazão;
Simulação para análise do comportamento de um
sistema de aproveitamento de água de chuva