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Filtração

Filtração

Provavelmente a operação unitária mais


importante na cadeia de processos do tratamento
de água.

Pepper et al., 2006; Richter, 2009.


CONCEPÇÕES DE ETAs
Cloração simples

Filtração lenta

Filtração em linha

Filtração direta

Tratamento
convencional
CICLO COMPLETO
Pepper et al.,
2006
Filtração
Definição:

Processo físico-químico e, em alguns casos,


biológico (filtros lentos) para a separação de
impurezas em suspensão na água mediante sua
passagem por um meio poroso.

Richter, 2009
Mecanismos da filtração
• Ação de “coar” – partículas são capturadas nos espaços
vazios entre os grãos do leito filtrante;
• Sedimentação – partículas são acumuladas sobre os grãos
do leito filtrante;
• Adsorção – quando ocorre atração química entre as
partículas e a superfície dos grãos.
TIPOS DE FILTROS

FILTROS LENTOS
Filtros lentos
1804 - Primeiros filtros lentos – Paisley (Escócia)
Filtros lentos: ação mais biológica do que físico-química!
Camada superficial: schmutzdecke ,“camada suja”,
por algas, fungos, bactérias, protozoários e
composta
invertebrados
pequenos
Taxa: 12 m³/m².dia
Filtros lentos
• Indicação: pequenas comunidades e com água bruta que
apresente as seguintes características:

1. Turbidez menor que 50 UNT


2.Cor muito baixa – nos filtros lentos a remoção de cor é muito
pequena (cor inferior a 20 UC)
• Turbidez + cor < 50 UNT
3. Coliformes NMP/ 100 mL < 2.000
Filtros lentos
Para o tratamento de águas tipo B, ou águas que, após
pré-tratamento, se enquadrem nas desse tipo.

Espessura mínima: 0,90 m;


Tamanho efetivo: 0,25 a 0,35 mm;
Coeficiente de uniformidade: < 3.

N
B
Filtros lentos
Limpeza: ou recuperação da taxa de filtração,
consiste na remoção de 2 a 4 cm da camada superior
à medida que o filtro perder sua capacidade de
produção.

Quando a altura do leito arenoso estiver reduzida a


espessura de 0,60 m, devido às sucessivas operações
de limpeza, deve-se providenciar a reposição da areia
até o restabelecimento da altura do leito original.
TIPOS DE FILTROS

FILTROS RÁPIDOS
Filtros rápidos
Destinados à remoção de partículas em
suspensão após coagulação, seguida ou não de
decantação, ou quando comprovado que as
partículas capazes de provocar turbidez
indesejada possam ser removidas pelo filtro,
sem necessidade de coagulação.

NBR 12.216
Filtros rápidos

Tipos:

• Camada filtrante: simples ou dupla


• Fluxo: ascendente ou descendente

NOTA: Fluxo ascendente: sempre de camada simples!


Como é composto
um filtro?

Leito
filtrante

Camada
suporte

Sistema de
drenagem
Sistema de drenagem
Situado no fundo do filtro e composto por
bocais, placas perfuradas, blocos distribuidores,
tubulações perfuradas (etc), que ora funcionam
como dreno coletor da água tratada, ora como
difusor para a lavagem do filtro através da
inversão do sentido do fluxo.
Camada
suporte
Seixos rolados
• Espessura mínima = 25 cm;
•Material distribuído com
tamanho decrescente
sentido ascendente;
no
•Topo da camada suporte:
grãos de tamanho igual ou
inferior ao da areia.
NOTA: Em filtro fluxo
de ascendente, a
deverá ter,camada suporte
no mínimo, 40 cm!
Filtros rápidos

Areia Areia Antracito


Lmín = 0,45 m Lmín = 0,25 m Lmín = 0,45 m
def = 0,45 – 0,55 mm def = 0,40 – 0,45 mm def = 0,8 – 1,0 mm
U = 1,4 – 1,6 U = 1,4 – 1,6 Umáx. = 1,4
http://ns2.carbocri.co
m.br/site/
Filtração com dupla
camada
Vantagens

• possui taxa de crescimento de perda de carga muito


inferior às proporcionadas por filtros de camada simples;
• produz água de qualidade superior à filtrada por filtros de
camada simples, alcançando valores extremamente baixos de
turbidez e cor e removendo também microorganismos
patogênicos;
• permite o emprego de taxas de filtração maiores que as dos
filtros de camada simples, atingindo valores da ordem de 360
m3/m2.dia;
• adapta-se facilmente a estações de tratamento já existentes.
FILTRAÇÃO

PARÂMETROS DE PROJETO
PARÂMETROS DE PROJETO
• Taxa de filtração (Tf)
• Carga hidráulica disponível (CHD)
• Perda de carga total (Hf)
• Características do material do leito filtrante
TAXA DE FILTRAÇÃO (Tf)

Relação entre a vazão afluente e a área em


planta do filtro. Mesmo que taxa de aplicação
superficial (m³/m².dia).

Q
Tf  A
Carga hidráulica disponível (CHD)

Desnível hidráulico disponível para vencer a


perda de carga (Ht) de forma a obter a taxa de
filtração desejada no filtro.
Perda de carga total (Ht)

Somatório das perdas de carga devidas à


retenção das impurezas, ao meio filtrante e

camada suporte limpos e às tubulações,


conexões, válvulas, aos acessórios e ao sistema
de drenagem.
Características dos
materiais
filtrantes
• Tamanho
• Distribuição do tamanho Elementos essenciais
para o bom
• Forma desempenho do filtro:
• Variação da forma ESPECIFICAÇÃO E
• Peso específico FISCALIZAÇÃO
RIGOROSA!
• Composição química
Normas da ABNT para materiais de
leitos filtrantes

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) estabelece as


condições exigíveis e os métodos de ensaio para fornecimento e recebimento
de materiais para leito filtrante através das normas técnicas:

• NBR 11.799/90 (ou EB 2097) - Material filtrante – areia, antracito e


pedregulho;
• NBR 12.216/92 - Projeto de estação de tratamento de água para
abastecimento público;
• NBR 14.234/98 - Produtos químicos para tratamento de água de
abastecimento – Carvão antracitoso – Especificação e métodos de
ensaio.
Tamanho efetivo e coeficiente de
uniformidade

Especificações
d10: 0,7 mm - 0,8 mm
U: < 2
U = coeficiente de uniformidade: dá indicação sobre a
variedade de dimensões que as partículas de um dado material
possuem: U > 4 a 6, material “bem graduado”, CU = 1, material
“uniforme”, CU < 1, material “mal graduado”.
d10 = tamanho efetivo: 10% em peso do material tem dimensões
inferiores a D10.
Hazen, 1892; Richter, 2009
Tamanho efetivo e coeficiente de
uniformidade

Distribuição granulométrica
• Malhas de
conhecidas;
aberturas
• Quantidades retidas
em cada são
peneira (% de
pesadas
massa retida);

http://www.solotest.com/
Profundidade do leito em função
do tamanho efetivo
Relação entre Profundidade do leito (L) e o tamanho efetivo (d10):

L/d10 = 1.000: para leitos comuns de areia ou de areia e antracito


L/d10 = 1.250: para leitos comuns de areia, antracito e areia de granada
L/d10 = 1.250 a 1.500: para leitos profundos de granulometria grossa (d10 entre
1,2 mm a 1,4 mm)
L/d10 = 1.500 a 2.000: para leitos de granulometria muito grossa (d10 acima de
1,5 mm)
Kawamura (2000)
Profundidade do tamanho do
leito em função do tamanho
efetivo
Em uma importante instalação brasileira, o leito filtrante foi
constituído de uma areia com 2,8 mm de tamanho efetivo. A
profundidade do leito era de 0,70 m, no entanto, deveria ser, pelo
menos,
1.500 x 2,8 = 4,20 m

Ou seja, 6 vezes maior!!!!!


L/d10 = 1.500 a 2.000: para leitos de granulometria muito grossa (d10 acima de 1,5 mm)

Richter, 2009
Massa
específica
Material Massa específica

Areia 2.550 – 2.650 kg/m3

Antracito 1.300 – 1.800 kg/m³

Areia de granada 3.100 – 4.300 kg/m³

Imenita 4.500 – 4.800 kg/m³


Ilmenita
Óxido de Ferro e Titânio
• Velocidade mínima de fluidificação na lavagem
• Duas camadas: areia e antracito
• Três camadas: areia de granada ou ilmenita
• Após a lavagem não pode haver intermescla excessiva dos meios
Esfericidade e porosidade

Forma e porosidade € influência na perda de carga!!!!


Esfericidade
Esfericidade ()
Relação entre área superficial de uma esfera de
volume equivalente ao da partícula e a área
superficial da partícula.

Para uma esfera:


=1
Para o antracito:
 = 0,70
Porosidade

Vv

Vt
Vv = volume de vazios;
Vt = volume total do meio, incluindo os poros.
Propriedades dos meios
filtrantes usualmente utilizados
Propriedades dos meios
filtrantes usualmente utilizados

Porosidade € parâmetro mais importante!


Quanto >>>> a porosidade, maior a capacidade de
acumulação de sólidos, mas exige taxa de lavagem mais
elevada.
Perda de carga em filtros

h  k(1  )  A  2 2

L g  q
V
Onde: ³
k = constante de Kozeny
g = 9,81 m/s²
/ =  = viscosidade
cinemática (m²/s)
 = porosidade
A/V = área superficial do grão por unidade de volume do grão = S = (6/.d); d (m)
q = taxa de aplicação (m/s) ou T = taxa de filtração
L = profundidade do filtro (m) f Lin, 2007
Lavagem dos filtros
€ A maioria dos problemas relacionados à
filtração está relacionada à manutenção do leito
filtrante.
“Um filtro é tão bom quanto a sua lavagem”
Richter, 2009
Flocos
Grão do
leito
filtrante
Lavagem dos filtros

Quando lavar o filtro?


•Alcance de de carga máxima
perda permissível;
•Elevação da turbidez do efluente acima de um
valor máximo permissível.
Lavagem dos filtros

Velocidade de lavagem:
superior a 0,30 m/min
Inferior a VL = 10.d60 para areia
VL = 4,7.d60 para antracito
Fluidificação de meios granulares

Di Bernardo & Sabogal-Paz, 2009


Velocidade de
lavagem
Velocidade mínima de fluidificação

Vmf 


 1136  0,0408Ga 

33,7 d
Onde: 
 = viscosidade absoluta da água (g/cm.s);
d = diâmetro dos grãos (cm);
TAXA DE RETROLAVAGEM
 = massa específica da água (g/cm³); Ao final, multiplica
g = aceleração da gravidade (cm/s²); pelo r
Vmf
de segurançacoeficient
= 1,3
e
Velocidade de
lavagem
Número de Galileo “Ga”
d ³ (  a re i a 
Ga 
)
g
2
Onde:
d = diâmetro dos grãos (cm);
 = densidade específica da água (g/cm³);
areia = densidade específica da areia (g/cm³);
g = aceleração da gravidade (cm/s²);
 = viscosidade absoluta da água (g/cm.s).
Eficiência de um filtro (%)

T fe 100
E
Top
Onde:
Tef = Top – Tlav (m³/m².h) ou (m/h)
Tef = taxa de filtração efetiva (m³/m².h) ou (m/h)
Top = taxa de operação (m³/m².h) ou (m/h)
Tlav = taxa de lavagem (m³/m².h) ou (m/h)
Quadro comparativo - filtros lentos e rápidos
Exercício 1
Serão instalados filtros rápidos em uma ETA após a unidade de
decantação. A taxa de aplicação nos filtros será de 160
m³/m².dia. A vazão a ser tratada é de 0,35 m³/s. A máxima área
superficial por filtro é limitada a 50 m². Determine o número e o
tamanho de cada filtro.
Exercício 2
Um filtro rápido de areia opera a 9 m³/m².h por 46 horas. Após
esta corrida de filtração, cerca de 12.000 L/m² de água são
utilizadas para a retrolavagem do filtro. Qual a eficiência do
filtro?
Exercício 3
Um filtro de camada dupla é composto de 0,30 m de antracito
(diâmetro médio = 2,0 mm), sobre uma camada de 0,6 m de areia
(diâmetro médio = 0,7 mm), com uma taxa de filtração de 9,78
m/h. Assuma que a esfericidade dos grãos é  = 0,75 e a
porosidade é 0,40. Estime a perda de carga do filtro a 15 °C.
Obs.: a 15 °C,  = 1,131x10-6 m²/s

kantracito = 6;

kareia = 5

Dica: Calcular a perda de carga em cada camada e somá-las para


obter a perda de carga total no filtro!
Exercício 4
Estimar a mínima velocidade de fluidificação e a taxa de
retrolavagem para um filtro de areia (d = 0,88 mm) a 15°C. A
massa específica da areia é 2,65 g/cm³.
A 15 °C:
 = 0,999 g/cm³
 = 0,0113 g/cm.s
Respostas
1) 4 filtros (47,25 m² cada);
2) E = 97%;
3) 0,743 m;
4) 0,627 cm/s.