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UFCD 3539

Deontologia e ética
profissional no apoio à
comunidade
Formador: Luísa Lagarto
Duração: 25 horas
Local: Viana do Alentejo Nº de sessões: 5

Início: 21/04/2020

Fim: 29/02/2020

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Objetivos

● Reconhecer e aplicar os princípios fundamentais da


deontologia e ética profissional, na função de
acompanhamento de pessoas idosas.
● Reconhecer e respeitar os direitos da pessoa humana.

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Princípios fundamentais
Existem conflitos éticos nos cuidados que envolvem o contacto com o
próximo, não só na esfera científica ou de investigação. Estes existem no
cuidado dos idosos em situações que vão desde a dinâmica do dia-a-dia como
em situações de maior complexidade.

O termo ética tem origem no grego “ethiké” ou do latim “ethica”, vinda da


filosofia como objetivo o juízo de apreciação que distingue o bem e o mal, o
comportamento correto e o incorreto. Os seus princípios constituem como
diretrizes para os humanos, enquanto sujeitos sociais, com a finalidade de
dignificar um comportamento. Os códigos de ética são, dificilmente,
separáveis da deontologia profissional pelo que é, igualmente, pouco usual
serem utilizados indiferentemente.

A deontologia deriva das palavras gregas “déon, déontos”, que significa dever,
e “logos” que se traduz como discurso ou tratado. Assim, é o tratado do dever
ou conjuntos de deveres, princípios e normas adaptadas a um grupo
profissional. É uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício de uma
profissão.
 
 
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Princípios fundamentais
Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da
responsabilidade de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os
códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e
esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o, no
entanto, às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para
além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e
procedimentos explícitos, para os infratores do mesmo. Alguns códigos não
apresentam funções normativas e vinculativas, oferecendo apenas uma
função reguladora.

Como enfrentar os conflitos éticos nos lares:


 
 

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Princípios fundamentais
No cuidado com as pessoas idosas em lares, surgem conflitos éticos. Alguns
dos que podemos encontrar são, por exemplo, os relacionados com as
diretrizes antecipadas, ou testamento vital, os maus tratos, as restrições
físicas, a tutela, a negação de tratamentos ou indicações terapêuticas e a
oportunidade ou não de persuasão, assim como quanto tem que ver com as
atitudes nos cuidados e a formação adequada dos cuidadores.
 
Os passos aconselhados a seguir para resolver conflitos devem ser:
 
Deliberação
A deliberação é um procedimento de diálogo, um método de trabalho quando
se quer abordar em grupo um conflito ético. Parte-se do pressuposto de que
ninguém é detentor da verdade moral e de uma vontade racional: cada um dá
as suas razões e está aberto a que os outros possam modificar o seu ponto de
vista pessoal.
 
 

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Princípios fundamentais
Algumas condições para que se produza a deliberação:
• Ausência de restrições externas;
• Boa vontade;
• Capacidade de dar razões;
• Respeitar os outros quando se discorda;
• Desejo de entendimento, cooperação e colaboração;
• Compromisso.

Atrás da atitude deliberativa está um modo de conceber o conflito ético não


só como dilema, mas também como problema. Quem vê nos conflitos
somente dilemas, quando dialoga arranca de um ponto de partida fixo
(crenças, preferências…), considera as questões éticas como algo que tem
sempre de ter resposta e para as quais tem sempre de haver uma solução
apropriada, já que formula um dilema entre duas posições, defendendo-se a
que se julga mais correta. Em contrapartida, quem vê nos conflitos éticos
sobretudo problemas e não dilemas, situa-se de maneira aberta no debate
ético, considera que não tem a solução desde o início, que se pode mudar de
ponto de vista, que o ponto de chegada será decisões prudenciais e não
certezas nem soluções únicas (a ética não é matemática).

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Princípios fundamentais

A persuasão
 
Frequentemente, ao cuidar-se das pessoas idosas, é necessário recorrer à
persuasão, particularmente perante as negativas, as indicações terapêuticas e,
de modo especial, quando tal negativa tem repercussões indesejáveis sobre
terceiros ou graves consequências na saúde. Pode acontecer que o caso seja
tão simples como a pessoa idosa não deixar que a ajudem a tratar da sua
higiene pessoal ou não querer comer ou ir ao hospital fazer uma análise ou
exame.
 
Se é verdade que é importante acompanhar um idoso a adotar estratégias
construtivas, adaptativas e favoráveis ao processo terapêutico, também não
nos escapa a dificuldade que tem a persuasão por ter uma relação tão
próxima com a manipulação.
 

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Princípios fundamentais
 
De preferência recomenda-se aos Agentes de Geriatria que evitem a tentativa
de persuadir os ajudados, dando maior importância aos processos de tomada
de decisão autónomos individuais. Caso contrário, está-se a contribuir para o
perigo de criar novas atitudes de dependência relativamente ao ajudante,
alimentando assim a imaturidade psíquica.
 
Na relação entre o agente e a pessoa idosa, há situações em que podemos
falar claramente de persuasão.
 
Está claro que, diante de um paciente que não quer lavar-se, diante de uma
pessoa que não quer abandonar atitudes antissociais, o agente terá de adotar
estratégias de persuasão, mas com alguns critérios, entre os quais os
seguintes:
 
A prudência e a humildade de quem não quer conduzir a vida dos outros nem
se considera dono da verdade;

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Princípios fundamentais

Acompanhamento na tomada de decisões responsáveis e saudáveis para si


mesmo e para os outros;
Promoção do máximo de responsabilidade;
 
Facilitação para que as condutas sejam adotadas por razões que o ajudado
encontre dentro de si como válidas, ou descubra a sua validade, embora
inicialmente venha de fora;
 
O segredo está:
• No peso dos argumentos em si
• Na bondade da intenção
• No modo de induzir o outro (os meios utilizados)
• Nos valores que orientam quem persuade
• No objetivo da persuasão, não centrado na lei nem na norma, mas na
pessoa e as suas possíveis repercussões sobre terceiros.
 

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Princípios fundamentais
 
Aqui, a relação de ajuda tem de entrar em diálogo aberto com as posições
éticas de respeito pela autonomia da pessoa idosa, em possível conflito com
os outros princípios éticos.
 
Convém ter sempre em atenção que, a linha divisória entre a persuasão, a
manipulação e a coerção, é muito subtil. Existe coerção quando alguém,
intencional e efetivamente, influi noutra pessoa, ameaçando-a com danos
indesejados e evitáveis tão severos que a pessoa não pode resistir a não agir, a
fim de evitá-los. A manipulação, pelo contrário, consiste na influência
intencional e efetiva de uma pessoa por meios não coercivos, alterando as
opções reais ao alcance de outra pessoa ou alterando por meios não
persuasivos a perceção dessas escolhas pela pessoa. Finalmente, a persuasão
é a influência intencional e conseguida de induzir uma pessoa mediante
procedimentos racionais, a aceitar livremente as crenças, atitudes, valores,
intenções ou ações defendidas pelo persuasor.
 

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Princípios fundamentais

As pessoas persuasivas geram confiança, segurança e são consideradas


“credíveis” e “desinteressadas” e são, quase sempre, pessoas assertivas, que
sabe mover-se de maneira harmoniosa. Quanto às mensagens “persuasivas”, é
preferível que sejam explicados os motivos que levam aquela recomendação.
Se prevemos oposição ao nosso conselho, tornar-nos-emos mais persuasivos
se começarmos com os argumentos que o apoiam para, no fim, introduzir a
recomendação. Não sendo este o caso, preferiremos iniciar sempre a nossa
intervenção diretamente pelas conclusões e, depois, argumentá-las de
maneira conveniente.
 
Quando a opinião da pessoa idosa é radicalmente diferente da nossa e não
conseguimos convencê-la, a nossa imagem sofrerá alguma desvalorização. O
idoso não pode aguentar a contradição de nos julgarmos melhores que ele (ou
mais bem informados) e, ao mesmo tempo, pensarmos que é ele quem tem
razão. Por conseguinte, ele diminui essa contradição, desvalorizando a imagem
que tinha de nós.
 
 

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Princípios fundamentais
 

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Deontologia e ética profissional

É considerado profissional de Geriatria (adiante designado de Agente de


Geriatria - A.G.) toda a pessoa habilitada desde que legalmente reconhecido
com certificação profissional legalmente reconhecida.
 
• Respeito pelos direitos e dignidade da pessoa
• Competência
• Responsabilidade
• Integridade
 
A geriatria tem em consideração os aspetos deontológicos da conduta
profissional e do exercício da profissão de acordo com este código, assenta em
quatro princípios interdependentes:
 

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Deontologia e ética profissional

Respeito Geral
 
Os A.G. defendem e promovem o desenvolvimento dos direitos fundamentais,
dignidade e valor de todas as pessoas. Respeitam os direitos dos indivíduos à
privacidade, confidencialidade, autodeterminação e autonomia. No exercício
da profissão o A.G. deve:
• Respeitar a diversidade individual e cultural, nomeadamente, decorrente
da raça, nacionalidade, etnia, género, orientação sexual idade, religião,
ideologia, linguagem e estatuto socioeconómico dos idosos com quem se
relaciona;
• Respeitar o conhecimento experiência de todos os idosos com quem se
relaciona;
• Respeitar a diversidade individual resultante das incapacidades dos idosos,
garantindo assim igualdade de oportunidades;
• Não impor o seu sistema de valores perante as pessoas.
 
 

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Deontologia e ética profissional
Privacidade e Confidencialidade
 
No exercício da profissão o A.G. respeita o direito à privacidade e à
confidencialidade dos idosos. Este tem o dever de manter a confidencialidade,
e fornecer apenas a informação estritamente relevante para o assunto em
questão.
 
Limites da Confidencialidade
 
No exercício da profissão, deve informar os idosos, quando considerar
apropriado, acerca dos limites legais da confidencialidade, divulga informação
dos relatórios a terceiros quando tal lhe seja imposto com legitimidade
jurídica e, neste caso, informa, obrigatoriamente o idoso. No exercício da
profissão o A.G. tem o dever de informar, de forma compreensível para o
idoso e para terceiras partes relevantes, todos os procedimentos que vai
adotar e obter destes o consentimento explícito. Quando a relação com o
idoso for mediada pela terceira parte relevante é a esta que compete o
consentimento informado.

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Deontologia e ética profissional
Autodeterminação
 
No exercício da profissão o A.G. deve:
• Respeitar e promover a autonomia e o direito à autodeterminação dos
idosos;
• Assegurar-se de forma fundamentada que é respeitada a liberdade de
escolha do idoso no estabelecimento da relação profissional;
• Respeitar e promover o direito do idoso de iniciar, continuar ou terminar a
relação profissional;
• Ter em conta que a autodeterminação do idoso pode ser limitada pela
idade, capacidades mentais, nível do desenvolvimento, saúde mental,
condicionamentos legais ou por uma terceira parte relevante. Os Agentes
em Geriatria empenham-se em assegurar e manter elevados níveis de
competência na sua prática profissional. Reconhecem os limites das suas
competências particulares e as limitações dos seus conhecimentos.
Proporcionam apenas os serviços e técnicas para os quais estão
qualificados mediante a educação, treino e experiência;

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Deontologia e ética profissional

• Ter um conhecimento aprofundado e atualizado deste Código


Deontológico.
• Ter uma reflexão crítica contínua sobre a sua conduta e em qualquer
contrato que o A.G. estabeleça, deve ter em conta o preconizado no Código
Deontológico, tendo um conhecimento aprofundado e atualizado da lei
geral, no que concerne na sua prática;
• Fornecer apenas os serviços para os quais está legalmente habilitado e
estando atento as suas limitações pessoais e profissionais, sempre que o
A.G. não tenha necessária competência profissional ou pessoal para
trabalhar com determinados idosos deve, na medida do possível encontrar
soluções alternativas;
• Apenas utilizar métodos e técnicas cientificamente validadas e ter
obrigatoriamente em conta as limitações dos métodos e técnicas que
utilizam, bem como os dados que recolhe, e deve manter-se atualizado a
nível profissional e justificando a sua conduta profissional á luz do estado
atual da ciência;

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Deontologia e ética profissional

• Estar particularmente atento às limitações físicas e psicológicas,


temporárias ou impeditivas de uma adequada prática profissional. Caso
estas existam, não deve dar início ou manter qualquer atividade
profissional. “Os A.G. estão conscientes das suas responsabilidades
profissionais e científicas para com os seus clientes. A comunidade e a
sociedade em que trabalham e vivem;
• Evitar causar prejuízo e ser responsável pelas suas próprias ações,
assegurando eles próprios e tanto quanto possível que os seus serviços não
sejam mal utilizados;
• Contribuir para o desenvolvimento da disciplina de Geriatria responsável
pela qualidade e consequências da sua conduta profissional e deve
assegurar a manutenção de elevados padrões de integridade e
conhecimento científico e deve trabalhar em instalações convenientes e
locais adequados que garantam a dignidade dos seus atos profissionais e o
Idoso;

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Deontologia e ética profissional

• Assumir a responsabilidade de uma difusão adequada da Geriatria, quando


se dirige ao público em geral e aos média;
• Evitar causar dano ou prejuízo a qualquer pessoa, deve ponderar de forma
sistematizada os prejuízos que a sua ação possa vir a causar, utilizando
todos os dispositivos para os minimizar. Nas circunstâncias em que o
prejuízo seja inevitável, os A.G. devem avaliar de forma fundamentada a
relação custo/ benefício da sua ação.

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Deontologia e ética profissional
Aptidão necessária ao A.G.
 
• Maturidade e capacidade de adaptação (trabalhar para o idoso e não só
com o idoso;
• Empatia e sensibilidade (colocar-se no lugar do outro para melhor
compreender o que ele sente, aceitá-lo e respeitá-lo);
• Amor pelos outros (o idoso é um ser humano global cujo potencial é
necessário conhecer);
• Objetividade e espírito crítico (estas qualidades permitem que os A.G.
tenham uma visão alargada dos problemas ligados ao envelhecimento e á
morte e que possam estabelecer soluções adequadas);
• Sentido social e comunitário (trabalhar de forma a manter a população
idosa no máximo de autonomia facilitando a abolição de atitudes sociais
negativas);
• Flexibilidade e polivalência (ser capaz de se adaptar ao ritmo do idoso e
trabalhar em parceria com profissionais de saúde);
• Criatividade (campo em que cada um deve exercer a sua criatividade).
• Responsabilidade alargada

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Deontologia e ética profissional
 
No exercício da profissão, A.G. é também responsável pelo cumprimento do
presente Código Deontológico por parte daqueles que com ele colaboram,
colegas de profissão hierarquicamente superiores ou inferiores apoiando-os,
nas necessidades deontológicas e profissionais.
 
Resolução de Dilemas
 
No exercício da profissão o A.G. deve ter consciência da potencial ocorrência
de dilemas éticos e da sua responsabilidade para os resolver de uma forma
que seja consistente com este Código Deontológico. No exercício da profissão,
quando confrontado com um dilema ético, o A.G. deve procurar com os
colegas o objetivo de encontrar a melhor solução. Se ocorrer um conflito de
interesses entre as obrigações para com o idoso ou terceiras partes relevantes
e os princípios deste Código Deontológico, o A.G. é responsável pelas suas
decisões. Se estas contrariarem este Código Deontológico, o A.G. tem o dever
de informar os idosos e/ou as terceiras partes relevantes fundamentando a
sua relação.

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Deontologia e ética profissional

Reconhecimento das limitações profissionais


 
No exercício da profissão de evitar situações que possam levar a juízos
enviesados e interfiram com a sua capacidade para o exercício da prática
profissional. O A.G. deve procurar apoio profissional e/ou supervisão para a
resolução de situações pessoais que possam prejudicar o exercício da
profissão.
 

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Deontologia e ética profissional

Honestidade e Rigor
 
No exercício da profissão o A.G. deve:
• Reger-se por princípios de honestidade e verdade;
• Assegurar-se que as suas qualificações são entendidas de forma inequívoca
pelos outros;
• Ser objetivo perante terceiras partes relevantes, acerca das suas obrigações
sob o Código Deontológico, e assegurar-se que todas as partes envolvidas
estão conscientes dos seus direitos e responsabilidades;
• Assegurar que terceiras partes relevantes ou outros (pessoas ou entidades)
estão conscientes de que as suas principais responsabilidades são,
geralmente, para com o idoso;
• Expressar as suas opiniões profissionais de forma devidamente
fundamentada.
 

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Deontologia e ética profissional

Franqueza e Sinceridade
 
No exercício da profissão o A.G. deve:
• Fornecer aos idosos e terceiras partes relevante, de forma clara e exata,
informação sobre a natureza, os objetivos e os limites dos seus serviços;
• Tentar, por todos os meios possíveis, minimizar a ocorrência de erro. Se
este ocorrer deve, de forma clara e inequívoca, acionar os mecanismos
para a sua correção;
• Evitar todas as formas de logro na sua conduta profissional.
• Conflito de interesses e exploração
• No exercício da profissão, o A.G. não se pode servir as suas relações
profissionais com os idosos com o objetivo de promover os seus interesses
pessoais ou de terceiros.
 

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Deontologia e ética profissional

Relações entre colegas


 
As relações entre os A.G. devem basear-se nos princípios de respeito
recíproco, lealdade e solidariedade. O A.G. deve apoiar os colegas que lhe
solicitem ajuda para situações relacionadas com a prática profissional. Quando
o A.G. tem conhecimento de uma conduta deontologicamente incorreta por
parte de um colega deve, de forma fundamentada, apresentar-lhe a sua critica
e tentar, com ele, estabelecer formas para a corrigir. Se esta conduta se
mantiver deve informar a instituição dando disso conhecimento ao colega. 
 

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Atos lícitos, ilícitos, legítimos e ilegítimos

O critério de distinção é o de conformidade com a lei, projeta-se esta distinção


igualmente no regime dos efeitos jurídicos do ato, é uma distinção privativa
dos atos jurídicos.
 
A razão de ser desta delimitação reside na circunstância de a ilicitude envolver
sempre um elemento de natureza subjetiva que se manifesta num não
acatamento, numa rebeldia à Ordem Jurídica instituída. Envolve sempre uma
violação da norma jurídica, sendo nesse sentido a atitude adotada pela lei a
repressão, desencadeando assim um efeito tipo da violação – a sanção. Assim,
podemos dizer que:

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Atos lícitos, ilícitos, legítimos e ilegítimos

• Os atos ilícitos envolvem sempre uma violação da norma jurídica, sendo


nesse sentido atitude adotada pela lei a repressão, desencadeando assim
um efeito tipo da violação – a sanção.
• São contrários à Ordem Jurídica e por ela reprovados, importam uma
sanção para o seu autor (infrator de uma norma jurídica).
• Os atos lícitos são conformes à Ordem Jurídica e por ela consentidos. Não
podemos dizer que o ato ilícito seja sempre inválido.
• Um ato ilícito pode ser válido, embora produza os seus efeitos sempre
acompanhado de sanções. Da mesma feita, a invalidade não acarreta
também a ilicitude do ato.
• Os atos legítimos são de ação fundado no direito e na razão, com carácter
legal, valido, genuíno, verdadeiro e justo.
• Os atos ilegítimos são uma ação não fundada na razão, com carácter
inválido, falso e ilegal. 

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Responsabilidade
Responsabilidade define-se como a obrigação que o individuo tem em dar
conta dos seus atos e suportar as suas consequências do mesmo. Diz que
alguém é responsável quando age com conhecimento e liberdade dos atos e
estes possam ser considerados dignos, devendo responder por eles, dentro de
um grupo.

A relação entre o Profissional/Utente resulta na forma como o Agente de


Geriatria deve cuidar do utente, com respeito, como uma pessoa que tem
direito de tomar as suas decisões de ser autodeterminação e que merece a
defesa ou a confidencialidade das suas informações.

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Responsabilidade
Responsabilidade define-se como a obrigação que o individuo tem em dar
conta dos seus atos e suportar as suas consequências do mesmo. Diz que
alguém é responsável quando age com conhecimento e liberdade dos atos e
estes possam ser considerados dignos, devendo responder por eles, dentro de
um grupo.

A relação entre o Profissional/Utente resulta na forma como o Agente de


Geriatria deve cuidar do utente, com respeito, como uma pessoa que tem
direito de tomar as suas decisões de ser autodeterminação e que merece a
defesa ou a confidencialidade das suas informações.

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Segredo profissional (sigilo)
A palavra sigilo está relacionada à ideia de segredo, ou ainda, com algo que
precisa de ser guardado frente a uma verdade. Assim, definido o sigilo
podemos concluir que se procura estabelecer vínculos de confiança. Contudo,
gostaria de apresentar o sigilo não como um imperativo técnico ou moral na
relação que mantemos com o outro, mas sim como uma dimensão ética da
própria relação.

Manter sigilo é silenciar frente a algo que se encontra posto. A partir deste
contexto, podemos entender que o sigilo parece indicar antes de um uso
técnico, uma ação que se prolonga no mundo como espaço para a escuta do
silêncio. Este silêncio torna o homem detentor de uma verdade ao mesmo
tempo que aberto para outras possibilidades de constituir sentido e
significado ao vivido. Do sigilo ao silêncio parece ser a postura esperada.

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Segredo profissional (sigilo)

Portanto, podemos afirmar que constitui obrigação do agente de geriatria:


• A salvaguarda do sigilo sobre os elementos que tenha recolhido no
exercício da sua atividade profissional, porém, se utilizar alguns desses
elementos deverá ter o cuidado de não identificar as pessoas visadas.
• Obrigação de, quando o sistema legal exige divulgação de dados, fornecer
apenas a informação relevante para o assunto em questão e, de outro
modo, manter confidencialidade.
• O sigilo é referido à difusão oral, ou escrita da informação.
• A violação da confidencialidade é o desrespeito por uma determinada
pessoa, é uma irresponsabilidade do profissional, já que o seu papel é
responsabilidade perante a sociedade.
 
Manter o sigilo profissional ajuda o utente a manter a sua própria integridade
moral.
 

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Segredo profissional (sigilo)
Deveres do Agente em Geriatria:
 
1. Exercer com competência e zelo a atividade, no campo que tiver confiado;
2. Observar e fazer observar rigorosamente as leis e regulamentos,
defendendo todas as circunstâncias;
3. Honrar os seus superiores na hierarquia administrativa, tratando-os em
todas circunstâncias com consideração e respeito;
4. Guardar segredo profissional sobre todos os assuntos que por lei não
estejam expressamente autorizados a revelar;
5. Desempenhar, com pontualidade e assiduidade, o serviço que lhe estiver
confiado.
 
Deveres do Agente em Geriatria:
 
6. Respeito e dignidade;
7. Remuneração/horas de trabalho;
8. Promoção da saúde e prevenção da doença.

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Direitos da pessoa humana

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Direitos da pessoa humana e da pessoa idosa,
em particular
Direitos dos Idosos
(Princípios das Nações Unidas para o Idoso, Resolução 46/91 - Aprovada na
Assembleia Geral das Nações Unidas, 16/12/1991)
 
 
INDEPENDÊNCIA
• Ter acesso à alimentação, à água, à habitação, ao vestuário, à saúde, a ter
apoio familiar e comunitário.
• Ter oportunidade de trabalhar ou ter acesso a outras formas de geração de
rendimentos.
• Poder determinar em que momento se deve afastar do mercado de
trabalho.
• Ter acesso à educação permanente e a programas de qualificação e
requalificação profissional.
• Poder viver em ambientes seguros adaptáveis à sua preferência pessoal,
que sejam passíveis de mudanças.
• Poder viver em sua casa pelo tempo que for viável.
 

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Direitos da pessoa humana e da pessoa idosa,
em particular
 
PARTICIPAÇÃO
• Permanecer integrado na sociedade, participar ativamente na formulação e
implementação de políticas que afetam diretamente o seu bem-estar e
transmitir aos mais jovens conhecimentos e habilidades.
• Aproveitar as oportunidades para prestar serviços à comunidade,
trabalhando como voluntário, de acordo com seus interesses e
capacidades.
• Poder formar movimentos ou associações de Idosos.
 

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Direitos da pessoa humana e da pessoa idosa,
em particular

ASSISTÊNCIA
• Beneficiar da assistência e proteção da família e da comunidade, de acordo
com os seus valores culturais.
• Ter acesso à assistência médica para manter ou adquirir o bem-estar físico,
mental e emocional, prevenindo a incidência de doenças.
• Ter acesso a meios apropriados de atenção institucional que lhe
proporcionem proteção, reabilitação, estimulação mental e
desenvolvimento social, num ambiente humano e seguro.
• Ter acesso a serviços sociais e jurídicos que lhe assegurem melhores níveis
de autonomia, proteção e assistência.
• Desfrutar os direitos e liberdades fundamentais, quando residente em
instituições que lhe proporcionem os cuidados necessários, respeitando-o
na sua dignidade, crença e intimidade. Deve desfrutar ainda do direito de
tomar decisões quanto à assistência prestada pela instituição e à qualidade
da sua vida.

36
Direitos da pessoa humana e da pessoa idosa,
em particular
 
AUTO-REALIZAÇÃO
• Aproveitar as oportunidades para o total desenvolvimento de suas
potencialidades.
• Ter acesso aos recursos educacionais, culturais, espirituais e de lazer da
sociedade.
 
DIGNIDADE
• Poder viver com dignidade e segurança, sem ser objeto de exploração e
maus-tratos físicos e/ou mentais.
• Ser tratado com justiça, independentemente da idade, sexo, raça, etnia,
deficiências, condições económicas ou outros fatores.

37
A vida e a morte
Todos os seres vivos, incluindo os humanos, estão sujeitos ou condenados à
morte. Nascer é começar a morrer. Todavia, embora se possa morrer em
qualquer idade e sem aviso prévio, os idosos, sabem com certeza que não lhes
resta muitos anos de vida (segundo a sabedoria popular: quem não vai de
novo, de velho não escapa; hoje com saúde, amanhã no ataúde; contra a
morte não há remédio).

38
A vida e a morte

O que é a morte?
A morte, ainda hoje, é um tabu, a nível pessoal, embora seja exibida em altas
doses nas televisões, jornais, etc. Todo o ser humano, mais cedo ou mais
tarde, confronta-se com esse drama existencial e mais ainda à medida que a
vida vai declinando, assumindo o morrer e a morte não apenas como uma
dimensão biológica (de doença e cuidados contínuos), mas também
psicológica (consciência da finitude e fragilidades da vida) e sociológica
(isolamento do moribundo e outros problemas sociais).
 
Em todo o caso, preparar a própria morte é uma das tarefas mais importantes,
senão a mais importante, de todo o ser vivo pensante e mais ainda o idoso. A
morte deve ser encarada com naturalidade e não como um fatalismo ou
fracasso da medicina. Para além de que a aceitação ou não desta fase terminal
depende, com frequência, do grau com que a pessoa idosa continua a situar-
se em relação à família, aos amigos, à sua comunidade, assim como aos seus
valores e à sua consciência de continuar a ser útil aos outros.

39
A vida e a morte
Apresenta-se mesmo uma perspetiva (positiva, mas não sem algumas
apreensões) quanto à velhice no século XXI, supondo-se que a ansiedade face
à morte pode evoluir positivamente em alguns aspetos mas também
negativamente noutros; por exemplo, no futuro pode-se ter mais medo de ser
vítima de violência e também, a nível mais pessoal, de ficar suspenso entre a
vida e a morte, considerado nem vivo nem morto, dadas as possibilidades da
tecnologia e da medicina. Mas em geral, pode supor-se que o envelhecimento
e a morte se tornarão menos marginais e mais integrados socialmente.
 
Os idosos podem beneficiar com o pensamento consciente sobre as suas
preferências a respeito da qualidade vs quantidade de vida ou sobre o género
específico de tratamento e do contexto que preferem a sua morte.
 
Ainda a respeito do pensamento da morte, os idosos tendem também a fazer
mais seguros de vida, a preocupar-se com o testamento, a fazer (alguns deles)
uma autobiografia ou ao menos a transmitirem oralmente as suas vontades,
para além de outros comportamentos psicossociais, como voltar-se mais para
si mesmos, relativizar certos acontecimentos, etc.

40
A vida e a morte
Medo da morte
O medo da morte relaciona-se na maior parte das vezes com o seu processo, o
facto de ser destruído, de deixar as pessoas mais significativas, medo do
desconhecido, da sorte do corpo.
 
A morte não só bate à porta dos idosos como também dos jovens. É comum a
todas as idades, embora o jovem espere durar ainda muito tempo, enquanto
tal expectativa não a pode ter o velho, a menos que seja insensato; neste
sentido, o idoso encontra-se em melhor situação por já ter alcançado o que
esperou.
 
Uma boa atitude face à morte leva a uma melhor vivência do tempo no
presente: passam as horas, os dias, os meses, certamente os anos; o tempo
que passou já não volta e desconhecemos o futuro; deve cada um contentar-
se com aquela porção de tempo que lhe foi dada para viver. Mais importante
que a quantidade é a qualidade do tempo: o tempo para se viver, ainda que
breve, é suficientemente longo para se viver bem e com honra.

41
O Agente em geriatria e a morte
A aceitação da morte e do luto são processos complexos. Muitas pessoas
estão sós quando se encontram perante a morte. Aqui o agente de geriatria
desempenha um papel fundamental no acompanhamento na morte, ou no
auxílio à ultrapassagem do luto.
 
Estas duas experiências, embora muito dolorosas, podem conduzir o indivíduo
a um estado sereno face à morte ou a um novo período da sua vida no qual se
sente psicologicamente mais forte. A morte é incontornável e as nossas
sociedades devem reintegrá-la, a fim de auxiliar os idosos a partir dignamente.
 
É importante que o agente de geriatria se consciencialize que numa fase em
que a morte está perto, se deve transmitir serenidade e paz interior ao
moribundo. Para o auxiliar a atingir este estado, é necessário que o cuidador
esteja sereno perante a morte e suficientemente equilibrado relativamente a
esta questão.
 

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O Agente em geriatria e a morte
Para que o idoso ultrapasse o estado de angústia e chegue a uma fase de
aceitação, são necessárias muitas horas de diálogo e escuta. É também de
extrema relevância um trabalho de aconselhamento e de apoio aos pais, filhos
amigos, etc.
 
Na maior parte dos casos, o idoso apenas reclama apoio e atenção. Qualquer
que seja a sua forma, o acompanhamento na morte faz parte do direito que
toda a pessoa tem de morrer em dignidade.
 
Etapas do processo da morte e do luto:
 
• Negação: o Idoso não quer acreditar que vai morrer e rejeita a ideia da
morte.
• Revolta: o Idoso indigna-se e questiona-se “porquê eu?”.
• Melancolia: período de tristeza (dita depressiva), o Idoso desliga-se do seu
meio e isola-se.
 

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O Agente em geriatria e a morte
Medo: depois da tristeza vem o medo ligado ao sentimento de abandono, o
medo geralmente manifesta-se por sintomas físicos, angustia ou reações
agressivas.
 
Negociação: o Idoso aceita a morte, mas dá-se conta de que o tempo lhe falta,
que a sua vida está a acabar e tenta ganhar tempo negociando. Ex. “sim, eu
vou morrer, mas falta algum tempo”
 
Aceitação: não é feliz nem infeliz é um estádio da paz e conformismo “a minha
hora vai chegar em breve e estou pronto”.
 
Reajustamento da rede social: o Idoso tenta encontrar outras pessoas fontes
positivas de energia para encher o seu vazio interior.
 
Perdão: o Idoso torna-se capaz de se desligar concretamente de alguém ou de
alguma coisa e de se desprender, o que lhe permite integrar o que vive da sua
experiência pessoal.
 

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O Agente em geriatria e a morte

Meios para reforçar o sentido da vida nos Idosos:


 
• Reminiscência: através de uma discussão orientada, facilitar o exame da
vida passada, de modo a resolver os conflitos latentes, realçar os êxitos/
talentos e transmitir as lições da experiência.
• Compromisso: dar aos Idosos ocasiões de consagrar/ dedicar o seu tempo
e energias a uma tarefa ou a outra pessoa.
• Otimismo: Evocar acontecimentos em perspetiva e manter a esperança de
um futuro melhor. “É olhando para o futuro que se tem melhores
oportunidades de ultrapassar as dificuldades presentes.”
• Religião: encorajar as crenças religiosas e as práticas enriquecedoras.
“Quando tudo está perdido, incluindo a saúde, a faculdade espiritual de
tender para Deus continua a ser um meio eficaz de combater o absurdo da
vida e o desespero.”
 

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Fim!
Obrigado pela atenção
dispensada!

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