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Universidade Zambeze

Faculdade de Ciências de Saúde


Curso de Medicina Geral

CIRURGIA
FERIDAS AGUDAS E
CRÓNICAS
Discentes:
Angela Milato
Angelino Angelo
Antónia Vusso
Dercia Miquilisse Docentes:
Faizal Momade Dr. Edson Bicoco
Joel Chagaca Dr. Gomes Ziaveia
Dr. Lazaro Mendive
Leonel Dama
Nercio Feliciano
Vania Bambaijo Tete, 5/27/20
Introdução
 Pode considerar-se que com a historia das feridas
nasce a historia da cirurgia. Desde os tempos
remotos, as guerras obrigaram a descoberta de
técnicas de controle de hemorragias e de manobras
para fechar as feridas.
 As feridas são traumatismos que se caracterizam por
cursar com solução de continuidade na pele ou nas
mucosas. Podem agudas ou cronicas; as agudas
cicatrizam em forma e tempo previsíveis por um
processo de poucas etapas.
Objetivos
 Falar das feridas agudas e cronicas
 Conceituar feridas
 Dar a conhecer a classificação das feridas
 Mencionar os tipos de tecidos que podem ser
encontrados em uma ferida
 Descrever os principais tipos de feridas cronicas
 Falar do tratamento das feridas
 Descrever as complicações que podem advir das
feridas se não correctamente tratadas
Ferida: Conceito
 As feridas são traumatismos abertos que cursam
com uma interrupção na continuidade de
um tecido corpóreo.

Agentes traumáticos

Físicos Biológicos

Químicos
Classificação
Segundo sua
etiologia

Segundo o Segundo o
Classificação
tempo de mecanismo de
das feridas
evolução produção

Segundo o
grau de
contaminação
• Feridas escavadas circunscritas na pele, resultantes de
traumatismos ou de doenças ligadas ao impedimento do
suprimento sanguíneo.
Ulcerativa
• As ulceras da pele são uma categoria de feridas que inclui
ulceras de pressão, de estase venosa, arteriais e diabéticas.
• Feridas provocadas acidentalmente por um agente:
• Mecânico: contenção, perfuração ou corte.
• Químico: iodo, cosméticos, acido sulfúrico, etc.
Traumática
• Físico: frio, calor, radiação.
• Ferida provocada intencionalmente mediante:
• Incisão: quando não há perda de tecido e as bordas são
geralmente fechadas por sutura.
• Excisão: quando há remoção de uma área da pele (ex. área
Cirúrgica
doadora de enxerto)
• Punção: resultam de procedimentos diagnósticos ou
terapêuticos (ex. cateterismo cardíaco, biopsia)
Classificação: segundo a etiologia
Classificação: segundo o mecanismo de produção

Incisa

Provocada por objectos cortantes, como faca, bisturi, laminas, vidros partidos etc.

Tem bordas regulares, geralmente rectilineas. Geralmente há predomínio do
comprimento sobre a profundidade.


O objecto que causa não tem a capacidade acentuada de cortar, a
Corto-contusa ●
força do traumatismo é que causa a penetração do instrumento.
Ex: machado

Perfurante

Causada por agentes longos e pontiagudos como prego, agulha, alfinete, etc.

Pode ser transfixante quando tem um orifício de entrada e outro de saída.
Podem atravessar órgãos, sendo a gravidade dependente da função do órgão.


Os mecanismos mais frequentes são a compressão (a pele é esmagada) e a tração (por

Lacero-contusas ●
rasgo ou arrancamento tecidual).
As bordas são irregulares, com mais de um ângulo, constituem exemplo clássico as
mordidas de cão.

A lesão surge tangencialmente a superfície


Escoriações

cutânea, com arrancamento da pele.


Classificação: segundo o mecanismo de produção

Incisa Lacero-contusa Escoriações

Perfuro-
Perfurante Corto-contusa
contusa
Classificação: quanto ao conteúdo microbiano

Limpas

Feridas em condições assépticas, sem microrganismos.
Provavelmente o único exemplo seja das feridas
cirúrgicas.

Limpas ●
Feridas com tempo inferior a 6h entre o trauma e
o atendimento, sem contaminação significativa
contaminadas

Feridas ocorridas com tempo maior que 6h entre
Contaminadas o trauma e o atendimento, sem sinal de infeção.


Feridas com presença de agente infeccioso no local e

Infectadas com evidencia de intensa reação inflamatória e


destruição de tecidos, podendo conter pus.
Classificação: quanto ao conteúdo microbiano

Infectada Limpa

Limpa-
Contaminada
contaminada
Classificação: quanto ao tempo de evolução

Feridas recentes ou frescas. A cicatrização ocorre


Agudas
dentro do período esperado e sem complicações.
As principais causas são traumatismos, mas
também podem ser feridas térmicas, químicas, por
radiação.

Cronica Feridas que tem um tempo de cicatrização maior que o


esperado devido a sua etiologia ou processos patológicos


pré-existentes ou ainda a complicações no processo
cicatricial, como infeções.

s São exemplos as lesões por pressão, o pé diabético, feridas


infectadas, úlceras varicosas, entre outras.


Tipos de tecidos

Esfacelo: Tecido necrosado de consistência delgada, mucóide, macia e de coloração


amarela. Formado por bactérias, fibrina, elastina, colágeno, leucócitos intactos,
fragmentos celulares, exsudato e grandes quantidades DNA.
Tipos de tecidos
N. De coagulação
N. liquefativa

Necrose: Manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis e representa
um importante fator de risco para contaminação e proliferação bacteriana, além de
servir como barreira ao processo de cicatrização.
Tipos de tecidos

Tecido de Granulação: É o crescimento de pequenos vasos sanguíneos e de tecido


conectivo para preencher feridas de espessura total. O tecido é saudável quando é
brilhante, vermelho vivo, lustroso e granular com aparência aveludada.
Tipos de tecidos

Tecido de Epitelização Novo tecido que é formado com o processo de cicatrização, com
coloração rosada.
Feridas crónicas
 Se definem como feridas que não progrediram
através do processo ordenado que leva a integridade
anatómica e funcional satisfatória. Quase todas as
feridas que não cicatrizam em três meses
consideram-se cronicas.

 Os traumatismos repetidos, a perfusão ou oxigenação


deficiente, uma inflamação excessiva ou todos eles,
contribuem para a cronicidade das feridas.
Feridas crónicas
 Toda a ferida que não cicatriza durante um período
prolongado é propensa a transformação maligna
(úlcera de Marjolin).

 Em pacientes que se suspeite a transformação


maligna é necessário obter uma biopsia dos bordos
da ferida para descartar malignidade. Os canceres
que surgem primeiramente em feridas cronicas
incluem carcinomas tanto de escamosas como basais.
Úlceras arteriais isquêmicas
 Estas feridas devem-se a falta de irrigação e
causam dor quando se formam. Tendem a estar
acompanhadas de outros sintomas de vasculopatia
periférica como claudicação intermitente, dor em
repouso, dor noturna e alterações na cor da pele.

 Geralmente apresentam-se nas porções mais distais


das extremidades.
Úlceras arteriais isquêmicas
 No exame dos pulsos, estes podem estar
diminuídos ou abolidos. A formação do tecido de
granulação é deficiente. É possível identificar
outros sinais de isquemia periférica, como pele
seca, perda de pelos, escamação e palidez. A ferida
é superficial com margens lisas e uma base pálida.

 O tratamento destas lesões é duplo e inclui os


cuidados com a ferida e a revascularização.
Úlceras por estase venosa
 Não há consenso quanto as vias fisiopatológicas exactas que
conduzem a ulceração e a não cicatrização.

 O quadro clinico característico é o de uma ulcera que não


reepitelializa apesar da presença de tecido de granulação
adequado.

 N exame a localização típica em sítios mal perfundidos


(comumente no maléolo interno) combinada a historia de
insuficiência venosa e outras alterações da pele estabelecem o
diagnostico.
Úlceras por estase venosa
 O aspecto essencial no tratamento é a compressão,
embora o melhor método para faze-la desperte
controversas.
 A compressão pode ser feita por meios rígidos ou
flexíveis. O método que mais se utiliza é o uso de
um curativo não elástico, rígido, impregnado com
oxido de zinco.
Úlc
era
s vas
cu l
are
s
Úlceras de decúbito ou pressão
 Uma úlcera de decúbito é uma área localizada de
necrose tecidual que se desenvolve quando o tecido
mole se comprime entre uma proeminência óssea e
uma superfície externa. A pressão excessiva causa
colapso dos capilares e impede o aporte de
nutrientes aos tecidos afectados.

 A formação de ulcera por pressão se acelera na


presença de fricção e humidade.
Úlceras de decúbito ou pressão
 O cuidado compreende o desbridamento de todo
tecido necrótico, manutenção de um ambiente
húmido favorável a ferida, que facilite a
cicatrização, alivio da pressão e tratamento de
problemas do hospedeiro como estados nutricional,
metabólico e circulatório.
Úlceras de decúbito ou pressão

Estágio
Estágio I
II

Estágio Estágio Estágio


III III IV
Feridas em diabéticos
 Cerca de 10 a 15% dos pacientes diabéticos corre o
risco de formação de ulceras. Os principais
contribuintes incluem a neuropatia, deformação do pé
e a isquemia.

 O tratamento de feridas em diabéticos compreende


medidas locais e sistémicas. É importante obter níveis
de glicemia adequados. Quase todas as feridas em
diabético estão infectadas e o sucesso na cicatrização
demanda erradicar a fonte infecciosa.
Tratamento de feridas
 O tratamento de feridas agudas inicia com a
obtenção cuidadosa dos acontecimentos
relacionados a lesão. Se realiza um exame
meticuloso da ferida valorando a profundidade,
configuração da ferida, a extensão de tecido não
viável e a existência de corpos estranhos e outros
contaminantes.
Tratamento de feridas
 É possível que o exame da ferida exija irrigação e
desbridamento dos bordos, e o uso de anestesia
local facilita.

 Pode ser necessária a administração de


antibióticos e profilaxia para tétano e, no caso de
ferimentos extensos, planejar o tipo e o momento
oportuno em que a ferida deve ser reparada.
Tratamento de feridas
FERIDAS LIMPAS
 Nas feridas limpas, não drenadas, recomenda-se o uso

de curativos nas primeiras 24 horas após a cirurgia. Se a


incisão estiver seca, recomenda-se limpeza com água e
sabão e secagem com gaze estéril.

 Se houver saída de secreção serosa ou sanguinolenta, a


limpeza deve ser feita com cloreto de sodio 0,9%
estéril, repetindo-se quantas vezes for necessário, até
interrupção da drenagem.
Tratamento de feridas
FERIDAS INFECTADAS
 O processo de cicatrização só será iniciado quando o agente

agressor for eliminado e o exsudato e os tecidos desvitalizados


retirados. Fundamental nesta situação é a limpeza meticulosa.

 A limpeza pode ser realizada com cloreto de sódio 0,9% estéril


com auxílio de gaze ou seringa, até o final do processo infeccioso,
e os curativos deverão ser trocados sempre que saturados.

 Antibioticoterapia. o uso de agente antimicrobiano tópico é muito


restrito e deve ser indicado mediante avaliação criteriosa de sua
toxicidade celular.
Tratamento de feridas
Antibióticos
 Deve evitar-se o uso indiscriminado para prevenir o

surgimento de bactérias resistentes a múltiplos fármacos.


 A presença de uma resposta inflamatória constitui infecção da

ferida e justifica o uso de antibióticos. O tratamento deve


basear-se nos microrganismos que se suspeita estarem a
colonizar a ferida.

 Pode iniciar-se com um antibiótico de amplo espetro ou


vários fármacos combinados se há suspeita da presença de
vários microrganismos.
Tratamento de feridas
Apósitos
 O principal propósito de seu uso é proporcionar o ambiente

ideal para a cicatrização da ferida.

 O recobrimento de uma ferida simula a função de barreira do


epitélio e previne maior dano. Ademais, a compressão
proporciona hemostasia e limita o edema. Controla o grau de
hidratação e a pressão de oxigénio na ferida.

 A oclusão de feridas infectadas e muito exsudativas está


contraindicada porque pode estimular o crescimento
bacteriano.
Tratamento de feridas
Substitutos da pele
 Tanto feridas agudas como cronicas podem requerer

substitutos de pele e se dispõe de diversas opções, entre


elas os enxertos convencionais (sejam autoenxertos,
aloenxertos ou xenoenxertos) e os substitutos de pele
obtidos a partir da engenharia tecidual.

 Os substitutos da pele foram desenhados originalmente


para recobrir feridas extensas com disponibilidade
limitada de autoenxertos.
Tratamento de feridas
Tratamento com factor de crescimento
 Crê-se que as feridas não cicatrizam por deficiência de

factores de crescimento no ambiente da ferida. Uma


solução simples seria inundar a ferida com factores de
crescimento necessários, únicos ou múltiplos, para
iniciar a cicatrização e a reepitelialização.

 Actualmente a FDA aprovou o factor de crescimento


derivado de plaquetas (PDGF-BB) para o tratamento do
pé diabetico.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES INICIAIS
 Hemorragia: se deve ao manejo inadequado da

hemostasia, e para evita-la é necessário recorrer a


alguma das técnicas conhecidas como:
 Pressão manual sobre a ferida durante vários minutos com
um apósito estéril;
 Compressão digital da arterial proximal a ferida;
 Elevação do membro afetado;
 Aplicação de um torniquete.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES INICIAIS
 Choque hipovolémico: se deve a uma hemorragia

intensa que leva a uma deficiência de sangue no


sistema cardiovascular que leva a anoxia celular.
 É frequente em politraumatizados, seu diagnostico

deve ser rápido, tendo em conta que nem todos os


sangramentos são clinicamente visíveis.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Hematoma: acúmulo de sangue por debaixo do

epitélio da área lesada, produzindo uma massa


visível e palpável.
 Pode ser devido a hemostasia incorrecta durante o

acto cirúrgico ou a factores predisponentes como


transtornos de coagulação.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Seroma: acumulo de liquido seroso, geralmente, de

vários dias, quando se deixa um espaço debaixo da


ferida (entre a pele e o tecido celular subcutâneo).
 Se manifesta como uma massa flutuante,
translucida e indolor que, ao detectar-se, deve-se
aspirar e aplicar um penso compressivo.
 Tal como o hematoma, pode contaminar e infectar-se de
forma secundária.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Infeção: é a complicação mais comum; os primeiros sinais

aparecem entre o 5º e o 10º dia depois da operação (em caso de


complicação pós-operatória).

 Os sinais incluem febre, mal estar geral, perda de apetite,


debilidade, dor intensa no local, sinais inflamatórios, pontos de
sutura tensos ou saída de secreção purulenta.

 Deve drenar-se todo o material purulento se possível. Pode


aplicar-se um tamponamento de gaze húmida ou colocar-se, por
meio de um dreno, uma solução antisséptica no interior da ferida.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Deiscência: é a abertura de vários planos de uma

ferida que havia sido fechada. Resulta de vários


fatores como:
 Técnica de sutura inadequada; Material estranho na

ferida que provoque resposta inflamatória e infecção;


 Idade acida de 60 anos; Estado nutricional deficiente;

Câncer; obesidade; uso de esteroides, diabete melitos


etc.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Evisceração: pode ocorrer por uma ferida
traumática incisa na parede abdominal ou na
deiscência total de uma ferida cirúrgica abdominal;
cursa com a exposição do conteúdo intraperitoneal.
 O tratamento inicial consiste em cobrir as vísceras

com compressas estéreis humedecidas com solução


salina e encaminhar o mais rápido possível para o
bloco operatório.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Sedose: deriva de uma reação ao material de sutura

não absorvível que termina por formar um abscesso


ou um granuloma de corpo estranho.
 As suturas devem ser retiradas, caso contrario a

reação se perpetua e a cicatrização é retardada por


semanas ou meses.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Contratura: retração continua de uma ferida

durante meses. Quando a cicatriz inclui tecidos que


cobrem parte moveis como pregas de flexão,
pálpebras, articulações, pescoço, axila, etc., a
retração produz deformidade.
Complicações das feridas
COMPLICAÇÕES TARDIAS
 Choque séptico: se deve a uma infeccao grave

geralmente por bacterias gram negativas.


 Caracteriza-se por aumento generalizado da
permeabilidade capilar e perda de liquidos
provenientes do sistema vascular, mecanismos que
contribuem para a hipovolemia. Tambem pode
produzir-se um efeito toxico directamento ao
coracao que deprima o seu funcionamento.
Biblografia
 MARTIN, Rodolfo Marquez; MALDONADO, Guerardo E. M.;
Cirurgia General para el Medico General; 2ª edição; McGraw Hill;
Mexico; 2011.
 BRUNICARDI F. Charles, et al; Schwartz Principios de Cirugía; 9ª

edição; Mc Graw Hll; México, 2010.


 DOS SANTOS, Joseane Brandão; Avaliação e Tratamento de

Feridas: Orientações aos Profissionais de Saúde; s/ed; Porto Alegre;


s/a. Disponivel em:
https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/34755/000790228.pdf
 UNIANARA; Guia de Feridas; Araraquara; 2011. disponível em:

https://www.uniara.com.br/arquivos/file/cursos/graduacao/farmacia/gui
as-de-medicamentos/guia-feridas.pdf
Obrigado!
 Estamos nos 15 dias que definirão o próximo passo
do nosso governo para a contenção da propagação da
COVOD-19, mas estes 15 dias que vivemos só serão
o reflexo do que você e eu fizemos nos 15 dias que
os antecederam (1-15/05).
 Previna-te! Os heróis da atualidade não saem de
casa sem necessidade, e assim salvam um país
inteiro de uma vez só.

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