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Fisiopatologia do edema

 O espaço intersticial é capaz de armazenar grandes


quantidades de água, formando edemas
intersticiais.
 Esses edemas são resultado do desequilíbrio entre a
filtragem (saída de líquido dos capilares sanguíneos
para o interstício) e a drenagem deste líquido.
 O líquido intersticial é renovado constantemente,
pois trata-se de um veículo que conduz os
elementos necessários ao metabolismo das células;
 No estado fisiológico de equilíbrio, quando as vias de
drenagem são suficientes para evacuar o líquido filtrado, não
forma-se o edema;
 No entanto, quando ocorre o desequilíbrio, os tecidos se
enchem de líquido, a pressão intratecidual aumenta e a pele
se distende (edema).
 Os edemas são causados por 2 fatores:
  Filtração elevada
  Fluxo linfático reduzido
 A filtração elevada pode estar condicionada a 3 fatores:
pressão capilar elevada, força coloidosmótica baixa ou
permeabilidade capilar elevada.
a) Pressão capilar elevada:
Refere-se à pressão no interior do capilar sanguíneo
(também pode ser chamada de pressão hidrostática). Quando
a pressão capilar diminui (p.ex. pela elevação das pernas ou
diminuição na ingestão de líquidos), ocorre uma redução na
filtração, sendo que a pressão coloidosmótica permanece a
mesma ( 25 mmHg), já que o conteúdo protéico no plasma se
mantém inalterado. Com isso, a reabsorção torna-se muito
mais significativa que a filtração, o que promove uma ação
antiedema.
 Em oposição, quando há um aumento na pressão capilar,
ocorre um aumento na filtração, que passa a ser mais
significativa que a reabsorção, gerando um aumento na
saída de líquidos para o interstício, e consequente
formação de edema.
 A elevação na pressão sanguínea venosa ocorre
geralmente nos membros inferiores e pode ser causada
por diversos fatores como: doenças venosas, longa
permanência em pé ou sentado, congestionamento venoso
por insuficiência cardíaca ou renal, hipertensão na região
da veia porta, hormônios e/ou medicamentos, os quais
levam a um aumento na reabsorção renal de sódio, e
consequentemente de água.
b) Força coloidosmótica baixa :
 Corresponde à pressão de sucção gerada pelas proteínas do
plasma, que ajudam a reter o líquido no sangue, ou ainda,
que podem atrair o líquido do interstício. A redução na
concentração protéica plasmática (principalmente
albumina, responsável por 85% da pressão coloidosmótica)
diminui a pressão coloidosmótica e aumenta a filtração.
 Esta redução protéica pode se causada por: baixa ingestão
de proteínas pela alimentação, quebra de proteínas
reduzida no intestino (gastrite ou insuficiência
pancreática), baixa absorção de proteínas no intestino
(linfangiectasia generalizada intestinal), síntese protéica
reduzida no fígado (cirrose),
c) Permeabilidade capilar elevada:
 A permeabilidade capilar sanguínea depende de muitos
fatores, alguns em parte desconhecidos.
 Sua elevação leva a um aumento na filtração e na saída de
proteínas para o meio intersticial, gerando a formação de
edemas.
 Essas proteínas são removidas posteriormente pelo
sistema linfático, e por isso só é depressível à palpação
em caso de manifestação intensa.
d) Redução do fluxo linfático:
A diminuição do fluxo linfático é decorrente de insuficiência do
sistema linfático (insuficiência linfostática), seja dos vasos ou
dos linfonodos, gerando uma redução na capacidade de
transporte linfático. Esta insuficiência pode ser causada por
diversos fatores como: fibrose dos linfonodos, espasmos ou
paralisia dos linfangions (decorrentes de toxinas, mediadores
anti-inflamatórios, medicamentos, dores e alterações
eletrolíticas), lesões nos vasos ou nos linfonodos (causadas por
cirurgias, radiações, ferimentos, inflamações, parasitas e
tumores), compressão dos vasos linfáticos (linfostase causada
por: uso de roupas muito apertadas, obesidade mórbida,
compressão por gordura localizada, tumor benigno).
Diagnósticos do edema

 O diagnóstico faz-se por meio de anamnese e exame


físico.
 No exame físico, é importante observar as alterações de
linfonodos (aumento do volume), temperatura da pele,
pulsação nos membros, grau de sensibilidade.
 O edema deve ser palpado para verificar extensão,
turgescência, depressão, espessamento de pregas da pele
e dor.
 A inspeção dos edemas nos membros superiores é feita
com o paciente sentado, e nos membros inferiores, em pé;
deve-se observar a coloração da pele no local do edema
(pálida, vermelha, azulada), modificações cutâneas,
desenho dos vasos, se o edema é simétrico, localizado ou
não, se ocorre em um único membro.
 Edemas ligados ao excesso de aporte líquido (vasculares) clinicamente
apresentam o sinal de Godet ou sinal de cacifo: uma pressão é aplicada com o
dedo na região de edema, deprimindo-a; após a supressão da pressão, a
depressão ainda persiste.
 A maneira mais simples de se fazer a mensuração do
edema é através da perimetria (medida da extensão
transversal) com fita métrica.
 Dependendo da extensão do edema podem ser
determinados 1 ou mais pontos de medição;
 Na perimetria, é importante definir pontos fixos para
possibilitar uma comparação exata das medidas.
 Pode ser feita também uma documentação fotográfica,
principalmente nos casos de edemas graves.
Tipos importantes de edemas na estética

 a) Edema de calor: o calor promove dilatação dos vasos,


aumentando a quantidade de sangue nos capilares
cutâneos, e consequentemente a permeabilidade;
 Isto significa uma maior filtração, o que pode gerar pré-
edemas (pouco visíveis), principalmente nos membros
superiores (mãos: anéis e relógios ficam mais apertados) e
inferiores (pés: sapatos ficam mais apertados);
 Os edemas de calor são mais pronunciados quando a
umidade do ar está mais elevada e a pressão atmosférica
baixa.
 b) Edema pré-menstrual: devido a alterações hormonais
durante o ciclo menstrual, há um acúmulo de líquido, e de
peso (em média 0,6 kg), durante o período pré-menstrual (1
semana a alguns dias antes da menstruação); em casos
extremos de retenção pode chegar a 4L.
 Com a menstruação, o líquido é escoado’’.
 Os sintomas de TPM (tensão pré-menstrual) são
manifestações acentuadas dos efeitos do estrogênio;
 É recomendável uma alimentação pobre em sal e nos
últimos dias do ciclo, prática de atividade esportiva e
drenagem linfática manual.
 c) Edema de gravidez: durante o período gestacional, pode
haver acúmulo de líquido de até 7L, o que corresponde a um
aumento de peso até a data do nascimento de 12 a 13 Kg.
 Esse acúmulo é necessário para que ocorra a troca hídrica
contínua com o feto.
 A retenção neste período é causada pelo nível elevado de
estrogênio, que além de reter o sódio, aumenta a
permeabilidade capilar; além disso, o aumento abdominal
causado pelo feto pressiona os vasos pélvicos, levando a
uma leve linfostase nos membros inferiores.
 d) Edema de sobrecarga ortostática: a permanência por
mais de 8 a 10 horas sentado ou em pé, causa a formação
de edema nos membros inferiores, devido à falta de
atividade muscular, necessária para promover o
escoamento dos líquidos intersticiais.
 Este tipo de edema pode ainda ser reforçado pelo calor, e
regride rapidamente através da movimentação ou
elevando-se os membros inferiores
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 BORGES, F. dos S. Dermato-Funcional: Modalidades
Terapêuticas nas Disfunções Estéticas. 2ª Ed. São Paulo:
Phorte, 2010.
 CASSAR, M. Manual de Massagem Terapêutica. Barueri:
Manole, 2001.
 CLAY, J.M.; POUNDS, D.M. Massoterapia Clínica:
Integrando Anatomia e Tratamento. 2ª Ed. Barueri:
Manole, 2008.
 CONSTANZO, L. S. Fisiologia. 3 ed. Rio de Janeiro:
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 GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional.
3ª Ed. Barueri: Manole, 2002.
 GUSMÃO, C. Drenagem Linfática Manual: Método Dr.
Vodder. São Paulo: Atheneu Editora,2010.