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HANNAH ARENDT (1906 - 1975)

A banalidade do mal
Adolf Eichmann

“Não sou o monstro que


fazem de mim”
Eichmann em Jerusalém

Não era um monstro, apenas um típico burocrata que se


limitara a cumprir ordens, com zelo.

Alguém absolutamente normal, mas sem nenhuma


profundidade, incapaz de pensar sozinho (fazer um diálogo
socrático consigo mesmo), incapaz de ter contrição.

Apenas repetia clichês e só se interessava por ascensão


social.

Não era maligno, pois o fazia como um trabalho ou ato


administrativo, ansiando por reconhecimento, ascensão e
sucesso.
O mal radical: no exercício da dominação
totalitária significava a erradicação da ação
humana, tornando os seres humanos supérfluos
e descartáveis.

O mal banal: um mal burocrático, que não tem


profundidade mas pode destruir o mundo em
função da incapacidade de pensar das pessoas.
A banalidade do mal
Como resultado da massificação da sociedade,
se criou uma multidão incapaz de fazer
julgamentos morais, razão porque aceitam e
cumprem ordens sem questionar.

Eichmann, um dos responsáveis pela solução


final, não é olhado como um monstro, mas
apenas como um funcionário zeloso que foi
incapaz de resistir às ordens que recebeu.
Assim, o mal não provém da malevolência ou do desejo de
fazer o mal. As razões pelas quais as pessoas agem de
certa maneira é que elas sucumbem a falhas de
pensamento e julgamento.
Origens do Totalitarismo
Sistemas políticos opressivos são capazes de tirar
vantagem da nossa tendência para tais falhas,
possibilitando que pareçam normais certos atos que
possivelmente consideraríamos "impensáveis".

Regimes como o nazismo e o fascismo foram caracterizados por


uma centralização do poder político, culto a um líder, controle
total da vida pública e privada das pessoas e a eleição de um
inimigo comum da nação (Ex: antissemitismo alemão -
Holocausto). Eleger um inimigo da nação e incutir nas pessoas a
ideia de que, se o inimigo não fosse exterminado, a nação cairia
em ruínas era o modo de operar dos regimes totalitários.
A ideia de que o mal é banal não priva os atos maléficos
de seu horror. A recusa em ver as pessoas que cometem
atos terríveis como "monstros" traz esses atos para mais
perto da nossa vida cotidiana, desafiando-nos a
considerar o mal como algo de que todos somos
capazes.
Sigmund Freud (1856-1939)

O Mal-Estar na Civilização
Na teoria psicanalítica freudiana, a sexualidade é a pedra fundamental na
manutenção e reprodução da civilização.

A civilização só pode existir porque os impulsos sexuais são canalizados


para o trabalho, gerando todos os bens materiais e intelectuais da
civilização. 

“A civilização está obedecendo às leis da necessidade


econômica, visto que uma grande quantidade de
energia psíquica que ela utiliza para seus próprios fins
tem de ser retirada da sexualidade”.
O processo civilizatório é marcado pela renúncia e pelo sentimento de
insatisfação que os homens experimentam vivendo em sociedade.  O
resultado disso é o mal-estar na civilização.

Este mal-estar é produzido pelo conflito irreconciliável entre as exigências


pulsionais e as restrições da civilização.    

A sociedade industrial, a competitividade, o consumo


desenfreado, o desemprego, a violência, a dinâmica
das transformações sociais e dos valores, a
adaptação do indivíduo às exigências da vida são os
principais fatores que produzem o mal-estar na
civilização. 
 
ZYGMUNT BAUMAN (1925 – 2017)

Modernidade Líquida:
O Mal-Estar da Pós-Modernidade:
Em contraste com Freud, Bauman sustentava que a pós-
modernidade se caracteriza, pela desregulamentação.

“Vivemos tempos líquidos.


Nada é para durar.”

A modernidade líquida seria "um


mundo repleto de sinais confusos,
propenso a mudar com rapidez e de
forma imprevisível”.
A modernidade “sólida”:

uma vida enraizada em instituições fortes e


presentes, como o Estado e a família. A confiança
no homem e em sua capacidade de moldar o
próprio futuro.
O ser humano pós-moderno substitui :

. os projetos para o futuro pelo prazer instantâneo,

. a produção pela especulação,

. o conteúdo pela performance,

. a experiência pela flexibilidade e os sonhos pelas ambições.


As “distopias” ganham força – sabe-se apontar problemas e
dificuldades no mundo, mas poucos sabem oferecer
alternativas consistentes a esses problemas e dificuldades.

Criticamos o mundo, nunca estamos satisfeitos, mas


raramente sabemos o que fazer com nossas críticas.

O sistema capitalista aparece para esses homens


pós-modernos como a única realidade possível, posto
que eles duvidam que o ser humano possa criar uma
realidade diferente.
Incertos quanto ao futuro das sociedades, os homens pós-
modernos têm fixado suas esperanças e expectativas no
presente, no instante.

Por todos os lados, os anúncios publicitários e as revistas


conclamam as pessoas a “aproveitar o agora”, “pensar em si
mesmas”.
A sociedade líquida, pouco apegada aos seus
antecedentes, é obcecada pela novidade:

a nova notícia, a nova promoção, o novo carro, a


nova rede social.

Os laços que uniam os


homens ao passado
são cortados, e
vive-se numa espécie
de “eterno presente”.
Sociedade do Consumo
Marcas e grifes se tornam um símbolo de quem somos. Sua
compra também significa um status social, o desejo de um
reconhecimento perante os outros.

"O problema não é consumir; é o desejo insaciável de


continuar consumindo", diz Bauman. Tanto que o descarte do
lixo e um grande problema na sociedade.
Trabalho

Permanente incerteza e medo de ser “descartado”,


posto que a mobilidade e a flexibilidade das
empresas são tamanha que, a qualquer momento,
cortes inesperados e mudanças de planos podem
acontecer.
Nos laços amorosos:
relacionamentos fluidos, inconstantes e
momentâneos caracterizam nossa época, que
consagrou o conceito de “ficar”, expressão da
liquidez do amor.

vínculos humanos têm a chance de serem


rompidos a qualquer momento, causando uma
disposição ao isolamento socia.

Um grande número de pessoas escolhe vivenciar


uma rotina solitária. Isso também enfraquece a
solidariedade e estimula a insensibilidade em
relação ao sofrimento do outro.
As redes sociais
Os laços de uma sociedade agora se dão em rede, não
mais em comunidade.

As redes sociais significam uma nova forma de estabelecer


contatos e formar vínculos. Mas, elas não proporcionam um
diálogo real, pois é muito fácil se fechar em círculos de
pessoas pensam igual a você e evitar controvérsias.

A rede é mantida viva por duas atividades: conectar e


desconectar. O contato no meio virtual pode ser desfeito ao
primeiro sinal de descontentamento, o que denota uma das
características da sociedade líquida.