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Screvo meu livro

à beira-mágoa
Fernando Pessoa
Screvo meu livro à beira-mágoa
(esquema interpretativo)

Screvo meu livro à beira-mágoa


Escrevo meu livro à beira-mágoa. Quando virás, ó Encoberto,
Meu coração não tem que ter. Sonho das eras português,
Tenho meus olhos quentes de água. Tornar-me mais que o sopro incerto
Só tu, Senhor, me dás viver. De um grande anseio que Deus fez?

Só te sentir e te pensar Ah, quando quererás, voltando,


Meus dias vácuos enche e doura. Fazer minha esperança amor?
Mas quando quererás voltar? Da névoa e da saudade quando?
Quando é o Rei? Quando é a Hora? Quando, meu Sonho e meu Senhor?

Quando virás a ser o Cristo


Fernando Pessoa, Mensagem
De a quem morreu o falso Deus,
E a despertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?
Screvo meu livro à beira-mágoa
(esquema interpretativo)

Mágoa e tristeza do sujeito poético

Ânimo e atenuação do sofrimento

Crença na vinda do redentor

Guiar os portugueses na conquista do novo Império

Insistência em saber quando chegará o salvador

Atenuação da dor