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Síntese

Unidade 6.2

José Saramago,
Memorial do
convento
Síntese - Unidade 6.2
José Saramago, Memorial do convento

O título – Memorial do convento

Memorial Convento

Convento de
Mafra – edifício
Forma de fixar
que resulta da
algo que se
promessa feita
pretende guardar
pelo rei D. João
na memória.
V, caso a rainha
engravidasse.
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José Saramago, Memorial do convento

O título – Memorial do convento

Ao intitular o seu romance Memorial do


convento, Saramago pretende, acima de
tudo e conferindo-lhe o devido mérito,
tornar memorável e inesquecível o
verdadeiro obreiro da construção do
edifício – o povo anónimo – que a
História ignora, celebrando apenas o
promotor da obra, o rei D. João V.
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 Listagem simbólica de nomes – O narrador apresenta uma


lista de nomes de trabalhadores, ordenada de A a Z, como
representação de todos os que sacrificaram as suas vidas na
construção do convento de Mafra.

 “Odisseia da pedra” – O narrador descreve o transporte


da pedra mãe como um ato heróico dos operários, que
têm de transportar uma pedra gigantesca, num carro
comparado a uma “nau da Índia”, com a ajuda de
duzentas juntas de bois e dos seiscentos homens que a
puxam. O grande protagonista do romance é, assim,
imortalizado através do enaltecimento da sua coragem e
esforço e da denúncia do sofrimento e dos sacrifícios por
que teve de passar.
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As linhas da ação
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José Saramago, Memorial do convento

As linhas da ação

Primeira linha
Promessa de D. João V
de construir um
convento em Mafra

Quarta linha
Sonho do Padre Segunda linha
Bartolomeu Lourenço Construção do
de construir a convento pelo povo
passarola

Terceira linha
História de amor de
Baltasar e Blimunda
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O tempo histórico e o tempo da narrativa

Tempo histórico – aquele que é evocado pela ação e que se circunscreve


a uma determinada época.

Reinado 1711
Século
de D. João -
XVIII
V 1739
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O tempo histórico e o tempo da narrativa

Tempo da narrativa – tempo de duração da ação (28 anos)

1711 1717 1724


• Promessa de D. • Bênção da • Voo da
João V primeira pedra passarola
• Encontro de da basílica
Baltasar e
Blimunda
1729 1730 1739
• Casamento de D. • Sagração do • Condenação de
José com Mariana convento de Baltasar à
Vitória e da Mafra fogueira
Infanta Bárbara
com D. Fernando
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Visão crítica

 Vaidade, prepotência e
 Perseguição religiosa
megalomania do rei

 Má gestão financeira  Hipocrisia religiosa

 Ignorância do povo, que vivia sob


 Falta de produtividade do reino
o controlo da coroa e da Igreja

 Opressão do povo pelos


 Corrupção da Justiça
poderosos
 Negligência do rei face às  Ausência de valores (adultério,
necessidades e fraquezas do povo, incumprimento de votos de
que vivia na miséria castidade, assassínios)
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Caracterização das personagens

D. João V

 Personagem histórica, que reinou em Portugal de 1706 a 1750.

 Casado com D. Maria Ana Josefa, não se coibiu de ter relações adúlteras, das
quais resultaram vários filhos bastardos.

 É o protótipo do rei absolutista, megalómano, prepotente, displicente com a


gestão das finanças e caprichoso.

 Sente-se apavorado com a ideia da morte e, por isso, antecipa a inauguração


do convento, fazendo recair sobre o povo uma maior opressão.
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Caracterização das personagens

D. Maria Ana
Josefa

 Personagem histórica, de origem austríaca, casa com D. João V em 1708 e,


durante alguns anos, revela dificuldades em engravidar.

 Para que a rainha engravide, garantindo a sucessão, o rei promete edificar o


convento de Mafra.

 Negligenciada pelo marido, torna-se extremamente devota e refugia-se em


sonhos libidinosos.
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Caracterização das personagens

Povo

 Personagem coletiva que desempenha o papel de herói da obra,


ainda que possa assumir contornos de anti-herói, sobretudo pelas
características físicas que são apontadas a alguns dos seus membros – marrecos,
zarolhos, manetas – facto que acaba por valorizar ainda mais a sua importância.

 São os homens anónimos que Saramago pretende imortalizar (embora alguns


deles, como Manuel Milho ou Francisco Marques, surjam individualizados).

 Ainda que ignorantes, são os verdadeiros obreiros da construção do convento.

 São o espelho da opressão, do sofrimento, do sacrifício e da superação


humana.
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Caracterização das personagens

Baltasar

 Personagem fictícia, embora haja registos de que viveu realmente em Mafra a


família dos Sete-Sóis.

 Foi soldado na Guerra da Sucessão de Espanha, onde perdeu a mão esquerda;


foi o executor do projeto do padre Bartolomeu Lourenço e, mais tarde,
trabalhou nas obras de edificação do convento.

 É um homem simples, determinado, destemido e leal.

 Morre às mãos da Inquisição, queimado numa fogueira.


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Caracterização das personagens

Blimunda

 Personagem fictícia, ainda que possa ser baseada numa figura real da época.

 Apesar de mulher, revela-se um elemento ativo quer na relação que mantém com
Baltasar quer na construção da passarola.

 Em jejum, possui o dom de ver as pessoas por dentro, mas perde


temporariamente essa capacidade quando muda o ciclo lunar.

 Empreende uma procura incessante por Baltasar, durante nove anos, tornando-se
guardiã da sua vontade quando ele morre.

 É astuta, destemida, persistente e pouco convencional para a altura (sobretudo,


em termos da relação amorosa).
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Sete-Sóis e Sete-Luas, in José Santa-


Bárbara, Vontades – uma leitura do
memorial do convento, Lisboa,
Editorial Caminho, 2001.
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Caracterização das personagens

Bartolomeu
Lourenço
 Personagem histórica, de origem brasileira. Sob a proteção
de D. João V, terá mesmo feito voar um balão no paço.

 Na obra, acumula as funções de frade oratoriano, doutor em leis por Coimbra


e funcionário da corte com a idealização e a projeção da sua grande invenção:
a passarola.

 Chega a pôr em causa os dogmas da Igreja; é perseguido pela Inquisição, mas


foge e morre, louco, em Espanha.

 É resiliente, de trato fácil, curioso, ambicioso, sonhador e visionário.


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Caracterização das personagens

Domenico
Scarlatti
 Personagem histórica, de origem italiana, convidado por D. João V para ser o
professor de música da Infanta D. Maria Bárbara e para assumir as funções de
mestre da capela real.

 Bartolomeu Lourenço acaba por lhe confiar o segredo da passarola e, por isso,
torna-se uma presença habitual na abegoaria.

 É ele que, através da sua música, consegue curar Blimunda quando esta entra
num estado de letargia.

 É fiel, sensível e sonhador.


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Relação entre as personagens

D. João V + D. Maria Ana Josefa relação fria, distante e formal

D. João V + Povo opressor/oprimidos

D. João V + Bartolomeu Lourenço +


protecionismo
Domenico Scarlatti
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Relação entre as personagens

relação pouco convencional para a


Baltasar + Blimunda época, de amor puro, sincero e
profundo

Baltasar + Blimunda + Bartolomeu relação de amizade verdadeira


Lourenço (trindade terrestre)

Baltasar + Blimunda + Bartolomeu relação de lealdade


Lourenço + Domenico Scarlatti (partilha do segredo e do sonho)
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Dimensão simbólica

sonho
/
vontade

Força motora que


conduz à evolução
e ao progresso.
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passarola
/
convento

 A passarola constitui-se como um bem  O convento é o mero resultado da


em prol do desenvolvimento humano. vaidade e da prepotência de um rei.

 Para a construção da máquina voadora  As obras do convento obrigaram a um


foram necessárias apenas três pessoas, trabalho hercúleo e de sofrimento por
movidas pela vontade e pelo sonho. parte de milhares de trabalhadores.
 Representa, por um lado, o poder da
 É a metáfora da liberdade e poder do
Igreja e o absolutismo do rei e, por
homem.
outro, a opressão do povo.
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Sete-Sóis/
Sete-Luas

Símbolo da união e da plenitude. O primeiro representa o dia, a força


física, o trabalho. A segunda, a noite, a magia, o transcendente, o
mundo onírico. A união de ambos simboliza a perfeição, visível não só
nas alcunhas, como no número sete e nas três sílabas que compõem o
seu nome.
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3
Representa a ordem espiritual e
intelectual. É o número perfeito, a Trindade Terreste, constituída por
expressão da totalidade. Para o Blimunda, Baltasar e Bartolomeu
Cristianismo, os três elementos da Lourenço, três pessoas em perfeita
Santíssima Trindade são o Pai, o comunhão que alcançam um poder
Filho e o Espírito Santo, um só Deus divino.
em três pessoas.
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4
Domenico Scarlatti é o quarto
elemento que completa um grupo
Símbolo da Terra com os seus
de pessoas que concretizam a
pontos cardeais. Representa a
ousada missão de voar e que se
totalidade do espaço e do tempo.
torna imprescindível para a plena
realização do projeto.
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7
Sete homens vêm trabalhar para o
convento, oriundos de sete regiões
Resultado da soma do número do país; sete bispos batizaram a
perfeito (três) e do número da infanta; sete vezes Blimunda vai a
totalidade (quatro), simboliza a Lisboa à procura de Baltasar. O
mudança, a renovação, a totalidade. número sete repete-se também na
data da bênção da primeira pedra
do convento: 17/11/1717.
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9
Depois de desaparecer levado pela
passarola, Baltasar é procurado por
Blimunda durante nove anos. O
Número da procura, da gestação, reencontro de ambos pode ser visto
simboliza o coroar do esforço. como uma recompensa pelo esforço
levado a cabo por Blimunda ao
longo de nove anos de busca
incessante por Baltasar.
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Número de anos que dura a ação do
romance, desde a chegada de
Baltasar a Lisboa, em 1711, até à
Símbolo do final de um ciclo. sua morte, em 1739, altura em que
Blimunda o encontra a ser
queimado num auto de fé – fim do
ciclo da narrativa e da vida do herói.
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Linguagem, estilo e estrutura

Ao longo da obra, Saramago estabelece


relações de intertextualidade com
provérbios, com a Bíblia ou com outros
autores da literatura portuguesa,
nomeadamente, Camões, Padre
Intertextualidade
António Vieira e Fernando Pessoa. Essas
alusões, paródias ou citações funcionam
quase sempre como ponto de partida
para ironizar e ridicularizar outras
situações que estão a ser relatadas.
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Linguagem, estilo e estrutura

Os únicos sinais de pontuação usados


por Saramago são o ponto final e a
vírgula. É através desta e do uso da
maiúscula que o autor marca as falas
Pontuação em discurso direto, sendo que é o
contexto que ajuda o leitor a perceber
quando se trata de uma declaração, de
uma exclamação ou de uma
interrogação.
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Linguagem, estilo e estrutura

Ao longo da obra, o discurso do narrador


evidencia um conjunto de outras vozes
que não a sua: polifonia. É o que
acontece, por exemplo, quando assume
Reprodução do a voz de Sebastiana de Jesus, quando se
discurso no discurso faz passar por um guia moderno do
convento de Mafra ou quando se
esconde por detrás do fidalgo que relata
os acontecimentos sobre o casamento
real a que João Elvas não tem acesso.
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Linguagem, estilo e estrutura


 São visíveis também nas suas palavras os vários modos de relato do
discurso:

Citação “ave-maria cheia de graça”. (cap. I)

“então ouve Baltasar dizer, Não procures mais, não encontrarás, e ela,
Discurso
cobrindo os olhos com os punhos cerrados, implora, Dá-me o pão, Baltasar,
direto dá-me o pão, por alma de quem lá tenhas” (cap. VIII)

Discurso “Veio a viúva do porteiro da maça dizer ao padre que tinha o jantar servido”.
indireto (cap. XIV)

“Pontualmente escrevera o padre Bartolomeu Lourenço quando se instalou


Discurso
em Coimbra, notícia só de ter chegado e bem, mas agora viera uma nova
indireto livre carta, que sim, seguissem para Lisboa tão cedo pudessem”. (cap. XII)

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