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textual:

Poema
O poema é, um gênero textual que apresenta
características próprias, tal qual os demais gêneros do
universo literário, como o conto e a crônica. Em não
raras situações um texto poético esbarra na
compreensão de seu leitor, que pode não conseguir
aproveitar suas imagens, sua musicalidade e suas
metáforas. Sua estrutura é apresentada em versos,
que podem ou não ter rimas. A tonicidade e o
número de sílabas das palavras podem determinar
ainda o ritmo dos versos. Podem formar um conjunto
de uma ou mais estrofes e podem se dispor de
diferentes formas no espaço.
O poema e a poesia:
Diferente do poema, que existe enquanto gênero textual, a poesia
só existe se percebida – e sentida – pelo receptor. Ou seja, o poema
é um gênero textual, enquanto que a poesia é um estado de
espírito provocado pela apreciação de uma manifestação artística.
ALGUNS TIPOS DE POEMAS
Grandes poetas brasileiros

Os escritores Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Manuel


Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos (da esquerda para a
direita)
Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Esperança
“Lá bem no alto do décimo segundo andar do
Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente
incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos
verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não
esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...”
( Mário Quintana)
Letra de música
Grandes compositores brasileiros
Quase Um Segundo
Cazuza
Eu queria ver no escuro do mundo
Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pelos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Soneto
SONETO DO AMOR TOTAL
Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante 
O humano coração com mais verdade... 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade 

Amo-te afim, de um calmo amor prestante, 


E te amo além, presente na saudade. 
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 

Amo-te como um bicho, simplesmente, 


De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente. 

E de te amar assim muito e amiúde, 


É que um dia em teu corpo de repente 
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Cordel
A mulher que vendeu o marido por 1,99
Hoje em dia, meus amigos Era assim que Damião Pegou uma cartolina
os direitos são iguais (o ex-marido de Côca) que ela havia escondido
tudo o que faz o marmanjo queria viver: na cama escreveu nervosamente
hoje a mulher também faz sem tirar copo da boca com a raiva do bandido:
se o homem se abestalhar enquanto sua mulher "Por um e noventa e nove
a mulher bota pra trás. em casa feito uma louca... estou vendendo o marido."

Não é mais "mulher de Atenas" Estava Côca pensando Nisso chegou uma velha
nem "Amélia" de ninguém na vida quando chegou que vinha com todo o gás
eu mesmo sempre entendi Damião morto de bêbado e disse para si mesma
que a mulher direito tem (nem boa-noite falou depois de ler o cartaz
de sempre só ser tratada passava da meia-noite) "Hoje eu tiro o prejuízo
por "meu amor" e "meu bem". e na cama se atirou! com esse lindo rapaz!".

Também tem cabra safado De manhã Côca acordou Disse a velha: "Francamente!
que não muda o pensamento com a braguilha pra trás Eu estou achando pouco!
que não respeita a mulher deu cinco murros na mesa Por 1 e 99?!
que não honra o casamento e gritou: "Ô Satanás Tome dois, nem quero o troco!
que a vida de pleibói eu vou te vender na feira Deixe-me levar pra casa
não esquece um só momento. vou já fazer um cartaz!" esse meu Chico Cuoco!".
Saiu a velha enxerida
de braços com Damião
a polícia prontamente
dispersou a multidão
e Côca tirou por fim
um peso do coração.

Retornou Côca feliz


pra casa entoando hinos
a partir daquele dia
teria novos destinos...
Com os dois reais da venda
comprou de pão pros meninos!
IV
Epopeia
Meu canto de morte, 
Não vil, não ignavo, 
Guerreiros, ouvi: 
Sou filho das selvas, 
Mas forte, mas bravo, 
Nas selvas cresci;  Meu pai a meu lado  Serei vosso escravo: 
Guerreiros, descendo  Já cego e quebrado,  Aqui virei ter. 
Da tribo tupi. De penas ralado,  Guerreiros, não coro 
Firmava-se em mi:  Do pranto que choro: 
Da tribo pujante, 
Nós ambos, mesquinhos,  Se a vida deploro, 
Que agora anda errante  Também sei morrer.
Por ínvios caminhos, 
Por fado inconstante, 
Cobertos d’espinhos 
Guerreiros, nasci; 
Chegamos aqui!
Sou bravo, sou forte, 
Sou filho do Norte; 
Meu canto de morte, 
Guerreiros, ouvi. Ao velho coitado 
De penas ralado, 
Já cego e quebrado, 
Andei longes terras  Que resta? - Morrer. 
Lidei cruas guerras,  Enquanto descreve 
Vaguei pelas serras  O giro tão breve 
Dos vis Aimorés;  Da vida que teve, 
Vi lutas de bravos,  Deixai-me viver!
Vi fortes - escravos! 
De estranhos ignavos 
Calcados aos pés.
Haicai
Cochilo. Na linha
"

eu ponho a isca de um sonho.


Pesco uma estrelinha."
"Pescaria" de Guilherme de Almeida

"Houve aquele tempo...


(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)"
"Hora de ter saudade" de Guilherme de Almeida

"Na cidade, a lua:


a joia branca que boia
na lama da rua."
"Noturno" de Guilherme de Almeida
Poema Concreto