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Filosofia da

arte
A estética no
mundo
Teorias essencialistas
O que é
arte?
Uma das questões mais enigmáticas da arte está
relacionada com a sua natureza. Face a este
problema, os filósofos recorreram, entre outras, às
teorias essencialistas.

Mas o que são teorias essencialistas?


TEORIAS ESSENCIALISTAS
Estas teorias defendem a existência de características intrínsecas nas obras de arte, ou
seja, propriedades integradas na sua essência. Propriedades estas que são exclusivas das
obras de arte e comuns a todas elas.

Nesta apresentação, iremos abordar a arte como imitação, representação, expressão e,


por último, a arte como forma.
Teoria da arte
como Imitação
De Aristóteles e
Platão
A também designada de teoria mimética da arte teve origem na Grécia Antiga, estando
em vigor até ao século XIX.

Platão e Aristóteles acreditavam que o tipo de representação envolvido na produção


artística consistia somente na imitação da realidade.

As suas ideias eram regidas por este princípio...


A arte é a
imitação da
realidade.
Platão Aristóteles
Atribui-lhe um papel social importante, uma vez que
Platão acreditava que a verdadeira essência do objeto liberta o público de sentimentos com os quais viveria mais
encontrava-se no mundo inteligível, ou seja, o das ideias. perigosamente.
Assim, estando ele no mundo sensível, parecia-lhe que, ao
imitar a natureza, pela mera reprodução de objetos, o
artista estava apenas a imitar uma imitação. • A arte é verdadeira e é natural ao ser humano;

• A arte provoca o engano e a ilusão; • A arte é invenção do real;

• A arte é ilusão da verdade; • A arte tem um efeito purificador e uma função


pedagógica.
• Os artistas fabricam imagens fantasma. mm
Porém, Aristóteles decidiu ir mais longe e colocar a seguinte questão:

Em que diferem as diversas obras de arte?

As artes distinguem-se entre si pelos:

★ meios usados para imitar (cor, som, palavras...);


★ objetos que imitam (pessoas, coisas, paisagens...);
★ modo de imitação desses objetos (modo narrativo, dramático...).
Argumentos a Favor
★ Muitas obras de arte imitam alguma
coisa: pessoas, paisagens, objetos…

★ A teoria oferece critérios para


classificar e valorar obras de arte:
imitar e fazê-lo o melhor possível.
Objeções à Teoria Mimética
★ Segundo Hegel, esta teoria reduz a arte a uma caricatura da vida que serve para
mostrar a habilidade técnica do artista e não oferecer um produto criativo e, como tal,
os artistas são apenas vistos como copistas.

★ Considera a arte como uma mera imitação da realidade. Uma vez que se trata de uma
reprodução da natureza, e uma imitação tende a ser mais fraca do que a realidade,
está implícito de que esta teoria defende que o belo artístico é inferior ao belo
natural.
“Vénus de Milo”
por Alexandre de Antioquia

“Vénus de Milo” é um exemplo clássico de


uma obra de arte criada no período da Grécia
Antiga.

Talvez Platão e Aristóteles tomem esta


posição perante a arte, uma vez que a arte que
os rodeava consistia nomeadamente na
representação imitativa de certas figuras
históricas.
A imitação é uma condição necessária,
mas não suficiente, para que algo seja
considerado arte.
A teor
repres ia
entacio
não se nista
cinge a
repres p en as
entaçã à
adotan o imitativ
do um a,
sentido
abrang mais
ente d
repres e
entaçã
o.
Teoria da arte
como
Representação
“Retrato da Duquesa de “Flores num Vaso de
Polignac” Vidro”
de Ambrosius Bosschaert
“Doze Girassóis numa “A Cadeira de Van Gogh
Jarra” com Cachimbo”
de Van Gogh de Van Gogh
Teoria Representacionista da Arte
Entendemos por representação o ato através do qual algo toma intencionalmente o lugar
de outra coisa.

Algo representa outra coisa se, e só se, o emissor tiver a intenção de que algo esteja em
vez de outra coisa, e se o recetor compreender essa intenção.

Esta pode ser:

Não
Imitativa
imitativa
Não imitativa
Vários autores discordam acerca da ideia de que a arte é uma imitação da
Natureza, considerando-a como sendo uma transfiguração do real.

Através da imaginação, da sensibilidade e da inteligência, o artista transfigura o


real e a perceção imediata, criando novas formas, nas quais se encontra a sua marca
pessoal.

por Marcel Caram,


arte digital inspirada por Salvador Dalí
Neste quadro, estamos perante uma
representação do real, onde a realidade é
transfigurada, podendo observar criaturas
estranhas a cair do que supomos ser o céu.

Ainda que a cor azul do céu possa remeter para


o real, o certo é que os restantes elementos da
pintura parecem convidar-nos a experimentar um
mundo completamente diferente e fantástico.

“Azul Celeste”
de Wassily Kandinsky
“Call Center”
por Joana Vasconcelos
Objeções à Teoria Representacionista

★ Tal como a sua antecessora, é demasiado restritiva, uma vez que há diversas obras de
arte que não têm o intuito de representar a realidade, como algumas músicas,
pinturas, esculturas, etc;

★ De facto, muitas vezes, o objetivo das obras, de acordo com os seus criadores, é de
provocar emoções ou de transmitir certas mensagens.
Teoria da arte
como Expressão
De Liev Tolstoi
Liev acreditava que cada obra de arte
faz com que aquele que a frui
comungue com aquele que a produziu.

Liev Tolstoi Sendo a transmissão de sentimentos


autêntica, também a fruição desses
sentimentos o será.
um defensor da arte
como expressão...
Desta forma, a obra de arte serve
como um veículo de transmissão de
emoções.
Algo é uma obra de arte se, e somente se,
para além de ser um artefacto, exprimir as
emoções do seu criador e contagiar o
espectador com esse mesmo sentimento.
O espectador
Expressa esse
O artista passa a sentir
sentimento através
sente. essas mesmas
de uma obra de arte.
emoções.

Contudo, existem condições:

1. O artista tem de sentir algo autêntico e sincero.


2. Esses sentimentos têm de ser expressados de forma clara.
3. O público deve captar esse mesmo sentimento.
4. Esta transmissão de emoções deve ser intencional.
Contrariamente ao que foi defendido pelas teorias anteriores, para Liev, o valor artístico
de uma obra encontra-se somente na sua capacidade de transmitir as vivências emocionais
do seu criador.

Assim, a arte surge como uma


via para a clarificação
emocional do artista e do seu
público.
“GUERNI
CA”
de Pablo
Picasso
Relembramos também que um artista pode
partilhar as suas vivências, pensamentos ou o seu
modo de ver a vida, através dos mais diversos
meios...

PALAVRAS
SON
S CORES
MOVIMENT
MÁRMORE OS
“Sadness Painting”
de Misty Lady
R.G.
Collingwoo A teoria de Collingwood diverge da
anterior no que toca à razão pela qual as
obras de arte são criadas.

d Para este filósofo, anteriormente à


produção da obra, o artista desconhece a
natureza das suas emoções, possuindo
um defensor da arte
apenas um conjunto difuso e indefinido
como expressão... de sentimentos. Espera assim, através da
arte, descodificar aquilo que realmente
sente.
A excitação emocional que o artista sofre, através da imaginação e do pensamento,
durante a criação artística, clarifica-se de uma forma gradual e é articulada permitindo a
criação de arte propriamente dita.

Desta forma, o autor e os espectadores conseguem unificar e partilhar os seus


sentimentos através de uma só obra.

Em oposição à pseudo arte, o processo de criação da verdadeira arte implica que, durante
o processo criativo, o artista tome consciência dos seus sentimentos.
Argumentos a Favor
★ Vários artistas reconhecem que na origem da sua criação artística estão emoções e
sentimentos;

★ A teoria oferece um critério abrangente para classificar e valorar obras de arte: esta
deve expressar os sentimentos do seu criador e fazê-lo da maneira mais autêntica
possível;

★ Vários espectadores admitem que se sentem emocionados quando analisam uma


pintura, uma escultura ou ouvem uma música, como se estes conseguissem ler a alma
e os sentimentos do artista.
Objeções à Teoria Expressivista
★ Há formas de arte, como o teatro onde no momento de representação, o artista não
expressa as suas emoções, limita-se apenas a interpretar o papel que lhe foi atribuído
reproduzindo as emoções da personagem;

★ A vivência emocional do artista depende das suas experiências passadas e do


contexto temporal em que se inserem. Assim, devido ao tempo que passa entre o
momento da criação e o momento em que a obra é fruída, por vezes não é possível
discernir as emoções do artista e saber concretamente o que este pretendia expressar,
já que durante o processo criativo este pode ter vivido certas experiências que o
fizeram seguir outro rumo.
TEORIA DA
ARTE
COMO De Clive Bell

FORMA
Teoria Formalista da Arte
No século XX, deu-se uma revolução no mundo da arte. Pintores impressionistas
infringiram as regras do realismo, desvalorizando a proximidade à realidade e passando a
dar somente importância às cores e aos contrastes cromáticos.

Assim, embora não haja uma característica propriamente dita comum a cada obra,
existe uma característica comum a todas as experiências estéticas, a Emoção Estética.
Uma obra é arte
se, e só se, provocar
emoções estéticas.
Segundo Bell, o que define uma
obra de arte não deve ser procurado na
própria, mas sim no sujeito que a
aprecia.

Clive Bell A obra de arte provoca a emoção


estética, não a expressa, pelo que esta
resulta da relação observador - obra.
um defensor da arte
como forma... A arte não é acerca da vida,
mesmo quando parece sê-lo e o único
conhecimento relevante que o
observador necessita é o sentido da
forma.
“A existência de uma espécie particular de emoção não é posta em
dúvida por quem for capaz de a sentir. Esta emoção chama-se «emoção
estética» e, se pudermos descobrir alguma qualidade comum e peculiar de
todos os objetos que a provocam, teremos solucionado o que considero ser o
problema central da estética. Teremos descoberto a qualidade essencial da
obra de arte, a qualidade que distingue as obras de arte de todas as outras
classes de objetos.”
Emoção Estética
As obras de arte fazem-nos experienciar uma emoção peculiar que serve de ponto de
partida para os sistemas de estética.

Esta característica é comum a todas as obras e é despertada através das relações entre
as linhas, as formas e as cores, que são dispostas e combinadas entre si pelo artista e
intuitivamente reconhecidas pelo espectador.

A esta relação entre as linhas, formas e cores que desencadeia a emoção estética
designa-se por...
Forma Significante
A forma significante provoca a emoção
estética e conduz ao êxtase.

O seu reconhecimento e captação requer por


parte do observador sensibilidade e
inteligência.

Assim, a presença ou ausência da forma


significante determina o seu estatuto
artístico.

de Sandra
Gobert
Desta forma, a combinação de cores e
texturas, por exemplo, no quadro A
Noite Estrelada de Van Gogh, provocam
a emoção estética.

“Noite Estrelada”
de Van Gogh
Argumentos a Favor
★ O conceito de emoção estética restringe os sentimentos a sensações provocadas
somente por uma obra de arte, excluindo, por exemplo, a felicidade que sentimos
quando abraçamos alguém, uma vez que um abraço não é considerado uma obra de
arte. Assim, é capaz de resolver certas objeções da teoria da arte como expressão;

★ Embora mais restringente, é também mais abrangente, porque não obriga o público a
sentir aquilo que o artista sentiu ao criar a sua obra de arte.
Objeções à Teoria Formalista
★ Esta teoria apresenta uma definição de arte circular. Explicita que a arte produz
emoções estéticas, mas a emoção estética é uma sensação provocada especificamente
por obras de arte;

★ Também os próprios conceitos usados são alvo de objeções, nomeadamente o


conceito de “forma significante”. Uma vez que todos os objetos têm forma, o que
distingue uma forma significante de uma forma não significante?
CRÍTICA
Após analisarmos,
particularmente, as teorias
apresentadas, chegamos à
conclusão de que estas são
demasiado restritivas e
antiquadas.
Iremos, de seguida, criticá-
las, apresentando o nosso
ponto de vista.
Críticas à Teoria Mimética
Se a arte é a “imitação do real”, então não podemos considerar como arte, por
exemplo, obras que abordam temas míticos ou sobrenaturais, já que não é possível provar
a existência de certas criaturas como anjos ou deuses.

Assim, tetos de igrejas ou capelas deixam automaticamente de ser considerados arte, tal
como os poetas que expressam os seus sentimentos através de palavras ou dançarinos que
unem movimentos abstratos com o seu corpo. Toda esta “magia” e “mistério” passa a ser
desvalorizado, uma vez que não imita o “real”, mas sim cria a sua própria realidade.
Como é possível
fecharmos os olhos aos
anos que um poeta
passou a escrever os
seus versos?
As mensagens que nos
são transmitidas não têm
qualquer valor?
Quando ouvimos uma
música que nos deixa com
uma lágrima no canto do
olho, não é este o
verdadeiro significado de
“arte”?
Esta emoção deixa de
ser válida por ser
causada por uma obra
abstrata?
Críticas à Teoria Representacionista
Na nossa opinião, arte é muito mais do que a representação de algo. Acreditamos que um
artista não deve representar algo só pelo bem da representação, mas sim que este deve ter
por detrás um motivo maior, como a transmissão de uma emoção ou a provocação de um
sentimento no observador.

Segundo a teoria representacionista, teríamos de deixar de atribuir o estatuto de arte a


algumas formas de poesia, dança, teatro, animação, etc o que seria pouco razoável tendo
em conta o mundo moderno.
Ao restringirmos o conceito de arte àquilo que representa a realidade estamos,
consequentemente, a desvalorizar a criatividade da mente humana.

Pessoalmente, acreditamos que a arte deve servir como um meio para escaparmos à
realidade, embora obras realistas tenham, igualmente, um importante valor artístico.
Críticas à Teoria Expressivista
★ Como saberemos o que, por exemplo, com a “Noite Estrelada sobre o Ródano”, Van
Gogh pretendia expressar? Como iremos saber o que este pintor sentiu naquele
preciso momento, se ele já faleceu?

★ Se eu estiver zangada, transmitir essa raiva e


as outras pessoas em meu redor sentirem-na,
será a minha ação uma obra de arte?
Críticas à Teoria Formalista
Esta teoria não é adequada já que:

★ o conceito de “forma significante” remete somente para as artes visuais, excluindo,


por exemplo, a música;
★ não é capaz de explicar o conceito de “forma significante” de forma clara e
convincente, sendo este considerado indefinível para muitos filósofos;
★ é elitista, pois, segundo Bell, apenas um número reduzido de pessoas afortunadas
consegue sentir a emoção estética que a obra transmite.

Além disso, existem certas obras de arte não despertam qualquer emoção nos seus
observadores.
Alguns críticos vão contra o que Bell
afirma, defendendo que não existe uma emoção
diferenciada a que se possa chamar emoção
estética, e mesmo que exista, não é consensual
que esta possa apenas ser provocada pelas obras
de arte e não por elementos naturais, como
paisagens, detalhes de flores ou pormenores de
pelagens de animais, por exemplo.

Segundo este ponto de vista, obras como A


Fonte, de Marcel Duchamp, não seriam
consideradas arte, uma vez que não possuem
forma significante.

“A Fonte”
de Marcel Duchamp
Mas então, o que diria Bell se alguém lhe
perguntasse: Um abraço é arte?
Também acreditamos que a noção de arte não tem qualquer relação com os nossos gostos
pessoais, podemos não achar uma certa obra de arte bela mas, por vezes, é difícil avaliar
concretamente se tal obra é ou não realmente arte.

Todas as opiniões são válidas!


Poderão objetar dizendo que como algo é feio, então não pode ser arte, visto que, desta forma
ninguém o apreciará. No entanto, não é por alguém não apreciar um determinado tipo de arte que
este deixa de ser considerado arte. Existe uma diferença clara entre apreciar arte e ser arte.

Em suma, devido às diferentes ideologias, pensamentos e movimentos artísticos que vão


surgindo ao longo do tempo, as teorias têm de ser reformuladas de acordo com o status quo.
Trabalho realizado
por:
Beatriz Martins nº3

Inês Santos nº12

Luísa Guimarães º16

Mariana Coimbra nº19


Patrícia Lopes nº22
11ºB

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