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Inteligência Artificial
Aula: Lógica de predicados
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Sumário

• Representação

• Quantificadores

• Prova
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Limitações da lógica proposicional


• Apesar de ser simples, o cálculo proposicional não
consegue expressar fatos genéricos de modo conciso,
como por exemplo “todo homem é mortal”.
• Precisa explicitar todas as instancias
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Limitações da lógica proposicional


• Seja a sentença declarativa:
• “Todo estudante é mais novo do que algum professor.”

• Na lógica proposicional, a sentença seria único átomo


• p= Todo estudante é mais novo do que algum professor

• A abordagem não captura estruturas mais finas da


sentença, como:
• “ ser estudante”, “ser professor” ou “ser mais
jovem do que alguém”
• muito menos a quantificação que explica todo o universo.
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Lógica proposicional e Lógica de


predicados
• Principal diferença entre lógica proposicional e a lógica de
primeira ordem é o compromisso ontológico, ou seja, o
que cada linguagem pressupões sobre a natureza da
realidade:
• Lógica Proposicional: pressupõe que existem fatos que são válidos
ou não - válidos no mundo.

• Lógica de Primeira Ordem: pressupõe que o mundo consiste em


objetos com certas relações entre eles que são válidas ou não-
válidas.
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Representação: falta expressividade na lógica


proposicional
• Falta de recursos do cálculo proposicional:
1. Todo amigo de João é amigo de Marcos.
    Pedro não é amigo de Marcos.
    Logo, Pedro não é amigo de João.
2. Todos os humanos são racionais.
    Alguns animais são humanos.
    Portanto, alguns animais são racionais.
• Verificar a validade desses argumentos nos leva não só ao
significado dos conectivos, mas também ao significado de
expressões como "todo", "algum", "qualquer", etc.
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Lógica de predicados e linguagem


natural
Lógica de predicados lembra:
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Lógica de predicados e linguagem


natural
Lógica de predicados lembra:
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Símbolos
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Lógica de predicados
• O cálculo de predicados permite representar:
• Objetos
• exemplo: Paulo Roberto, Duque, Cerveró, OAS, empreiteiras, politcos...

• Relações entre objetos


• exemplo: Paulo Roberto foi diretor da Petrobras

• Funções de objetos
• exemplo: diretor da Petrobras
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Exemplo light
• E(Carlos) denota que Carlos é um estudante
• P(Cristina) denota que Cristina é uma professora
• o predicado J(Carlos,Cristina) denota que
Carlos é mais jovem que Cristina.
• Generalizando:
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• Toda criança é mais jovem que sua mãe


• Faltam quantificadores
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Representação lexical
• Variáveis: x,y,z,.....,x ,y ,z ,......

• Constantes : a,b,c,....,a ,b ,c ,......

• Símbolos de predicados: P , Q , R , S ,....

• Quantificadores:  (universal) ,  (existencial)

• Termos: as variáveis e as constantes são designadas pelo nome


genérico de termos que serão designados por t1 , t2 , ...,tn ...
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Representação lexical
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Representação lexical
• As variáveis representam objetos que não estão identificados
no universo considerado ("alguém", "algo", etc.);

• As constantes representam objetos identificados do universo


("João", "o ponto A", etc. );

• Os símbolos de predicados representam propriedades ou


relações entre os objetos do universo.
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Representação: exemplos
Exemplos:
• João é bonitão
• I(j) onde
• j João
• I  propriedade: ser_bonitão

• Alguém ama Maria


• G(x,m) onde
• G a relação ama e
• x  alguém
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Representação

• P(x): x tem a propriedade P .


(x)P(x): propriedade P vale para todo x, ou ainda, que todos
os objetos do universo considerado têm a propriedade P.
• (x)P(x): existe algum x com a propriedade P, ou ainda, existe
no mínimo um objeto do universo considerado que tem a
propriedade P.
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Representação
• Símbolos de predicados
• Unários, binários ou n-ários conforme a propriedade que
representam.
• OBS.: Um símbolo de predicados 0-ário (peso zero) identifica-
se com um dos símbolos de predicado; por exemplo: "chove"
podemos simbolizar "C".
• Fórmulas atômicas podem ser definidas como:
• Se P for um símbolo de predicado de peso n e
• Se t1, t2, ..,tn forem termos
• Então P(t1 , t2 , ...,tn ) é uma fórmula atômica
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Representação: definição de fórmula

1. Toda fórmula atômica é uma fórmula.

2. Se  e  forem fórmulas, então (), () , ( ) ,


( ) e () são fórmulas.

3. Se  for uma fórmula e x uma variável, então (x) e


(x) são fórmulas.

4. As únicas fórmulas são dadas por 1,2 e 3 acima.


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Representação: exemplos de fórmulas


• Inclua uma possivel sentença do mundo real:
• P(x,a);

• R(y,b,t);

• (z)(P(x,a)  R(x,a,z));

• (x)(P(x,a)  R(x,b,t));
      
• (y)(x)R(x,b,y).
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Representação: exemplos de fórmulas


• Inclua uma possível sentença do mundo real:
• P(x,a) Gostam da Maria

• R(y,b,t) Roubaram o livro do Harry Potter de alguém

• (z)(P(x,a)  R(x,a,z))Todo mundo que gosta do livro


do Harry Potter rouba-o de alguém.

• (x)(P(x,a)  R(y,b,t)) Não existe quem não goste do
livro do Harry Potter e o rouba de alguém
      
• (y)(x)R(x,b,y)Todo mundo rouba o livro do Harry
Potter da mesma pessoa
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Representação: exemplos de fórmulas

1. Todo amigo de Carlos é amigo de Jonas.


  Pedro não é amigo de Jonas.
  Logo, Pedro não é amigo de Carlos.

      (x) (P(x,c)  P(x,j))


 P(p,j)
 P(p,c)

onde P(x,y) significa que x é amigo de y e c, p, j são


constantes que representam Carlos, Pedro e Jonas,
respectivamente.
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Representação: exemplos de fórmulas

2. Todos os humanos são racionais.


  Alguns animais são humanos.
  Portanto, alguns animais são racionais.
   
(x) (P(x)  Q(x))
    (x) (R(x)  P(x))
    (x) (R(x)  Q(x))

onde P ,Q ,R simbolizam as propriedades de: ser humano, ser


racional e ser animal, respectivamente.
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Escopo de quantificadores
• Se  é uma fórmula e x uma variável, então em (x) ou em
(x) dizemos que  é o escopo do quantificador (x) ou
(x).
• (y)(x)(R(x,b,y)  (x ) P(x,a))

• Temos os seguintes quantificadores e seus respectivos escopos:


• (y) : (x)(R(x,b,y)  (z) P(z,a))
(x) : (R(x,b,y)  (z) P(z,a))
(x) : P(x,a)
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Negação de quantificadores
• Considere a fórmula (x)P(x) e o universo U={a,b,c}.
• Nesse caso, temos: (x)P(x)  P(a)  P(b)  P(c).
• Podemos considerar, então, que :
• (x)P(x) (P(a)  P(b)  P(c)) P(a) P(b)
P(c)
• Isto é, existe no mínimo um objeto em U tal que P(x) , ou seja ,
(x)P(x)  (x) P(x)
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Negação de quantificadores
• De modo geral, para uma fórmula  qualquer temos:
• (1)(x)  (x) 
• Da equivalência acima, segue imediatamente que :
• (2). (x)P(x)  (x)P(x)
• (3). (x)P(x)  (x)P(x)
• (4). (x)P(x)  (x)P(x)
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Enunciados categóricos
• Os quatro enunciados mais comuns (A, E, I, O) :
• A - "Todo P é Q" (universal afirmativa)
E - "Nenhum P é Q" ou "Todo P não é Q" (universal negativa)
I  - "Algum P é Q" (particular afirmativa)
O - "Algum P não é Q" (particular negativa)
• Simbolizados, respectivamente, como:
• A - (x)(P(x)  Q(x))
• E - (x)(P(x) Q(x))
• I - (x)(P(x)  Q(x))
• O - (x)(P(x) Q(x))
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Equivalências importantes

• xA ↔¬x¬A
•  xA ↔¬x¬A.
• (A → B) ↔ (¬A v B)
• (A → B) ↔ ¬(A    ¬B)
• (A  B) ↔  ¬(¬A v  ¬B)  
• (A  v B) ↔  ¬(¬A    ¬B)
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Exercícios

1. Suponhamos que temos duas linguagens de primeira


ordem: a primeira contém os predicados binários DeuPluto
e DeuRafeiro, e os nomes Miguel e Clara; a segunda contém
o predicado ternário Deu (onde Deu(a,b,c) significa que a
deu b a c) e os nomes Miguel, Clara, Pluto e Rafeiro.
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Exercícios
a) Faça uma lista de todas as sentenças atômicas que podem
ser expressas na primeira linguagem.
b) Quantas sentenças atômicas podem ser expressas na
segunda linguagem?
c) Que nomes e predicados binários precisaria uma linguagem
como a primeira de modo a poder dizer – se tudo o que é
dito na segunda?
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Considere a tabela:
Português LPO Comentário
No m e s :
Clara Clara
Miguel Miguel
Doida Doida O nome de um certo arquivo
Maluca Maluca O nome de um certo arquivo
14h, 15 Set. 1999 14 h O nome de um dado momento
14h01m, 15 Set. 1999 14h01m Um minuto mais tarde
. .
. . Análogo para outros momentos
. .
P re d ic a d o s :
x é um arquivo Arquivo (x )
x é uma pessoa Pessoa (x)
x é um estudante Estudante (x )
x precede t' t<t'
x estava vazia à horat Vazia (x ,t)
x estava irritado à horat Irritado ( x ,t)
x tinha y à horat Tinha (x ,y,t)
x deu y a z à horat Deu (x ,y,t)
x apagou y à horat Apagou (x ,y,t)
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Usando a tabela
2. Traduza as seguintes frases para o LPO. Todas as
referências a horas são relativas a um dia particular.

a) Clara tinha Doida às 14h.


b) Clara deu Maluca a Miguel às 14h05m.
c) Miguel é um estudante.
d) Clara apagou Doida às 14h.
e) Doida pertencia a Miguel às 15h05m.
f) 14h precede 14h05m.
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Usando a tabela
3. Consultando a tabela, traduza o seguinte para o português:

a) Tinha (Miguel, Maluca,14h)


b) Apagou (Miguel, Maluca,14h30m)
c) Deu (Miguel,Maluca,Clara,14h)
d) 14h < 14h02
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Exercício

Formalize a sentença “ Todo filho do meu pai é meu irmão”


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Exercício

Formalize a sentença “ Todo filho do meu pai é meu irmão”


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Ordem de precedência
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• O conjunto de fórmulas da Lógica de Predicados é


definido como:
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Construção da sentença
• Seja a sentença:

• Pode ser construída por:


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Construção da sentença
• Seja a sentença:

• Pode ser construída por:


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Exercício
• Considere a seguinte sentença

• Quais são as sub-fórmulas da sentença?

• Classifique como ligada ou livre cada uma das variáveis:


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Exercício
• Considere a seguinte sentença

• Quais são as sub-fórmulas da sentença?


• P(x,y,w,z)
• Q(z,y,x,f(z1))

• Classifique como ligada ou livre cada uma das variáveis:


• Ligadas: x, y, z
• Livres: z1
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Diagramas de Venn para enunciados


categóricos

• Sejam P e Q dois conjuntos quaisquer


• A: "Todo P é Q"
• Todos os elementos de P são elementos de Q, ou seja, P é um subconjunto de
Q, isto é, P  Q .
• E: "Nenhum P é Q"
• Os conjuntos P e Q não têm elementos em comum, isto é, P  Q = ,ou
ainda, que P  Q’.
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Diagramas de Venn para enunciados


categóricos

• I : "Algum P é Q"
• Os conjuntos P e Q têm pelo menos um elemento em comum, isto é, P
 Q 
• O: "Algum P não é Q"
• P tem pelo menos um elemento que não está em Q, ou ainda, que P 
Q’   .
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Representação visual

E E E
X
Estudantes Não há estudantes Alguns são estudantes

X X

Nenhum P é Q Todo P é Q Algum P é Q Algum P não é Q


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Validade de argumentos categóricos por Diagrama


de Venn

• (1) Todos os cientistas são estudiosos.

(2) Alguns cientistas são inventores.

(3) Alguns estudiosos são inventores.


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Validade de argumentos categóricos por Diagrama de


Venn

• A parte em azul corresponde ao enunciado (1), vazia de


elementos
• A parte assinalada com X corresponde ao enunciado (2)
• Dessa forma, as informações das premissas foram transferidas
para o diagrama e a conclusão (3) está representada. Portanto,
o argumento é válido.
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Validade de argumentos categóricos por Diagrama de


Venn

(1) Nenhum estudante é velho.

(2) Alguns jovens não são estudantes.

(3) Alguns velhos não são jovens.


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Validade de argumentos categóricos por Diagrama de


Venn

• A premissa (1) está representada na região em azul e a premissa (2) está


marcada com X sobre a linha, pois a informação correspondente
pode estar presente em duas regiões e não temos informação para
saber, especificamente,em qual delas.
• Desse modo, o argumento não é válido, pois a conclusão  não está
representada com absoluta certeza.
• A validade de um argumento não depende do conteúdo dos enunciados e
sim da sua forma e da relação entre as premissas e a conclusão.

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