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Crítica de

costumes
Crítica de costumes

Postal de Lisboa, Praça do Comércio (pormenor), s.d.


Trabalho de grupo
1.Sugestão de respostas:

– Síntese dos episódios (temáticas e críticas abordadas)


Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo I (temáticas e críticas)
A literatura: discussão literária entre Ega (defesa do Naturalismo
que trata a realidade humana como se fosse um caso científico,
Jantar do sem fantasias de estilo) e Alencar (que considera o Naturalismo
Hotel Central um «excremento», devido à rudeza das suas análises e ao
ataque a valores para ele sagrados).
•Crítica ao romantismo artificial e retórico de Alencar;
•Crítica aos excessos do naturalismo defendido por Ega.
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo I (temáticas e críticas)
A decadência nacional: a conversa que se desenrola ao jantar
tem como tema as finanças nacionais, nomeadamente a
Jantar do importância que os empréstimos e os impostos assumem na
Hotel Central economia do país. Traça-se o retrato de um país à beira da
bancarrota e do português típico, pouco empenhado em
melhorar a situação nacional.
Ega defende a necessidade da bancarrota e acha que «Portugal
o que precisa é a invasão espanhola»:
•a invasão é o pretexto para a eliminação da monarquia e de
fatores de decadência como os políticos e a dívida pública;
•o esforço do Portugal novo implica inteligência, estudo e
responsabilidade coletiva;
•a importância do sentido da regeneração, mesmo que à custa
de «uma medonha tareia».
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo I (temáticas e críticas)
O episódio termina com um incidente que torna clara a
pequenez e a mediocridade das personagens que se encontram
Jantar do no hotel central, bem como o falhanço do esforço para
Hotel Central aparentar distinção social: Alencar e Ega, voltando à questão
literária, envolvem-se numa disputa que acaba em insultos e
quase em agressão física.
Parecer ≠ Ser
«Tinha caído uma cadeira; a correta sala, com os seus divãs de
marroquim, os seus ramos de camélias, tomava um ar de
taverna, numa bilha de faias, entre a fumaça dos cigarros.»
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo II (temáticas e críticas)
Pretende-se mostrar que a classe social mais proeminente da
sociedade lisboeta aparenta ser culta e requintada, mas na
realidade não o é. A organização da corrida de cavalos, imitação de
eventos estrangeiros, revela-se um desastre, pois os participantes
Corrida de não se sabem vestir para a ocasião, não se sentem à vontade, nem
cavalos sequer se interessam pelas corridas. Um momento que deveria ser
descontraído e de festa desportiva resulta em violência de arraial
popular.
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo II (temáticas e críticas)

• Cenário físico e social bem distante de umas corridas de cavalos


num país civilizado: «magote apertado de gente» ≠ público
elegante; tribunas mal acabadas (a tribuna real está «forrada de
um baetão vermelho de mesa de repartição», as outras são
«como palanques de arraial», uma delas não está pintada, mas
«besuntada por fora de azul-claro»; a maioria das senhoras
Corrida de veste de escuro e são poucos os vestidos claros de verão; o
cavalos panorama geral das bancadas é «desconsolado».
• As corridas – tom de improvisação e de provincianismo: o
desmentir de uma “civilização” importada e não autêntica (o
ridículo do véu no chapéu de Dâmaso Salcede, a discussão que
termina em insultos e em desordem).
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo III (temáticas e críticas)
A camada dirigente do país janta em casa do
conde de Gouvarinho, conversa sobre temas
Jantar do Conde como a instrução e o ensino; a educação das
de Gouvarinho mulheres, mostra ainda a sua obsessão por
tudo o que vem do estrangeiro. Nestes
diálogos é visível a falta de cultura e
mediocridade mental destes destacados
elementos da sociedade, nomeadamente do
Conde de Gouvarinho e de Sousa Neto.
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo III (temáticas e críticas)
• Conde de Gouvarinho – a incompetência do poder
político: voltado para o passado; tem lapsos de
memória; tece comentários grosseiros relativamente
às mulheres; revela falta de cultura; não conclui
nenhum assunto; pouco sagaz, não compreende a
ironia de Ega.
Jantar do Conde de
• Sousa Neto – a burocracia, a ineficácia da
Gouvarinho
Administração (representante da instrução pública):
acompanha as conversas sem intervir; apresenta falta
de cultura (desconhece o sociólogo Proudhon);
defende a imitação do estrangeiro; acata todas as
opiniões alheias, mesmo que absurdas; defende a
literatura de folhetins, de cordel.
Crítica de costumes

Episódio Síntese
(Grupo IV) (temáticas e críticas)
As relações sociais instituídas
degradadas são expostas através da
A Corneta do denúncia de compadrio e corrupção,
Diabo e o jornal ao nível do jornalismo e da política
A Tarde (parcialidade; ganância; vingança e
dependência política).
Crítica de costumes

Episódio Síntese
(Grupo IV) (temáticas e críticas)
• Corneta do Diabo – o jornalismo de escândalo, feito por
jornalistas imorais e corruptos: Palma "Cavalão“, o
A Corneta do proprietário e redator do jornal, é um jornalista corrupto,
Diabo e o jornal facilmente "agitado com o tinir do dinheiro“; sem
A Tarde carácter, publica artigos injuriosos ou retira-os, desde que
para isso lhe paguem.
• A Tarde: Neves, o diretor do jornal, aproveita a sua
situação para influenciar politicamente os leitores; revela
parcialidade na decisão de publicar ou rejeitar artigos
com base em amizades políticas.
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo V (temáticas e críticas)

Este encontro cultural serve o


propósito de evidenciar o
O Sarau provincianismo e o passadismo
no Teatro enraizados na sociedade portuguesa
da (gosto pela oratória oca e sem
Trindade
originalidade), bem como a
incapacidade de reconhecer o
verdadeiro talento (falta de cultura
e ausência de espírito crítico).
Crítica de costumes

Episódio Síntese
Grupo V (temáticas e críticas)

• A superficialidade das conversas.


• O alheamento perante a música tocada por Cruges.
O Sarau no • As atitudes empoladas do Conde de Gouvarinho.
Teatro da
• A oratória balofa de Rufino: a bajulação e as banalidades, o
Trindade
recurso a imagens de originalidade duvidosa («o Anjo da
Esmola») – tiradas ocas que, à custa de lugares-comuns,
apelavam à sensibilidade de um público deformado pelos
excessos líricos do Ultrarromantismo.
• Intervenção de Alencar (a «Democracia»): mais não faz do que
recriar a excitação coletiva conseguida por Rufino, explorando
as carências culturais de um público temperamentalmente
seduzido por artifícios estéticos estereotipados.
Crítica de costumes

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