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INSTITUTO DE CIENCIAS DE SAUDE TENHA

ESPERANCA
(INCISTE)
delegaÇÃo de cuamba
Curso- Enfermagem geral

leSão E MORTE CELULAR

Docente:
Dr Sebastião Margarida
•Médico de Clinica Geral
•Mestrando em D.E.O.S
1
06/16/20
CONSIDERAÇÕES GERAIS

 Lesão celular ocorre quando as células são


estressadas tão excessivamente que não são
mais capazes de se adaptar ou quando são
expostas a agentes lesivos à sua natureza ou
são prejudicadas por anomalias intrínsecas.

 A lesão pode progredir de um estágio


reversível e culminar em morte celular

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 2


CONSIDERAÇÕES GERAIS
 Lesão celular reversível-nos estágios iniciais ou nas formas
leves de lesão, as alterações morfológicas e funcionais são
reversíveis, se o estímulo nocivo for removido.

 Os principais marcos da lesão reversível são a redução do


armazenamento de energia na forma de trifosfato de
adenosina (ATP) e tumefação celular causada por alterações
da concentração de íons e influxo de água.

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 3


CONSIDERAÇÕES GERAIS
Morte celular
Com a persistência do dano, a lesão torna-se
irreversível e com o tempo a célula não pode se
recuperar e morre.

Existem dois principais tipos de morte celular, a


necrose e a apoptose, diferentes em sua morfologia,
mecanismos e papéis na fisiologia e na doença

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 4


CONSIDERAÇÕES GERAIS
 Quando o dano às membranas é acentuado, as enzimas
lisossômicas extravasam para o citoplasma e digerem a
célula, e o conteúdo celular escapa, resultando em
necrose.

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 5


CONSIDERAÇÕES GERAIS
NECROSE
O aspecto morfológico da necrose resulta da desnaturação de
proteínas intracelulares e da digestão enzimática das células
lesadas letalmente

As células necróticas são incapazes de manter a integridade da


membrana e seus conteúdos sempre extravasam, um processo
que pode iniciar inflamação no tecido circundante.

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 6


CONSIDERAÇÕES GERAIS
 Quando um grande número de células morre, o tecido ou o
órgão é considerado necrótico.

 A necrose dos tecidos possui vários padrões morfológicos


distintos, cujo reconhecimento é importante porque eles
fornecem pistas sobre a causa básica.

 Embora os termos que descrevem esses padrões estejam um


pouco obsoletos, eles são usados com frequência e suas
implicações são compreendidas por clínicos e patologistas.

06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 7


Importante
A lesão celular é reversível até certo ponto,
mas, se o estímulo persistir ou for intenso o
suficiente desde o início, a célula atinge o
“ponto sem retorno”, e sofre lesão celular
irreversível e morte celular.
LESÃO E MORTE CELULAR

Prof. Luciano A. Mello


APOPTOSE

Conceito: Morte celular programada em tecidos normais como uma forma de


regulação da população celular

Do grego “ cair fora” introduzida em 1972


É uma forma distinta de morte celular ( morte programada)
 Fragmentação do DNA

Cuja a função é de:


 Deleção de células no desenvolvimento normal
 Organogênese
 Funcionamento imune
APOPTOSE

É responsável por vários eventos fisiológicos:


- Destruição programada das células durante a embriogênese
- Involução hormônio-dependente do adulto:
- atresia folicular ovariana
- regressão da mama após a lactação
- descolamento das células endometriais durante o ciclo menstrual

Morte celular em tumores


Morte de células imunológicas ( Linfócitos B e T )
-Histologicamente:
- não há inflamação no local, em contraste a necrose
MORTE CELULAR

Definição: Perda irreversível das atividades integradas da célula

- com conseqüente incapacidade de manutenção de seus


mecanismos
de homeostasia

- isto é, perda do “equilíbrio” da célula com o seu meio.

NECROSE

• É a ação degradativa progressiva de enzimas sobre a célula

letalmente lesada levando a uma digestão enzimática da célula e

desnaturação de proteínas, que ocorrer após a morte celular


Etiologia das necroses:
A etiologia da necrose envolve todos os fatores relacionados às agressões,
podendo ser agrupadas em agentes físicos, agentes químicos, agentes
biológicos, Imunes e Distúrbios Nutricionais :

1) Agentes físicos:
Ex.: traumatismos mecânicos
variações de temperatura
variações repentinas de pressão atmosférica
radiações ionizantes, que produzem radicais livres
2) Agentes químicos: compreendem substâncias tóxicas
Ex.:drogas, que podem produzir lesões celulares
venenos biológicos
arsênico, álcool, medicamentos, detergentes, fenóis
substâncias de uso diário:
- poluentes ambientais
- inseticidas
- herbicidas etc.
3) Agentes biológicos: Ex.: vírus
parasitos
bactérias
protozoários
fungos

4) Mecanismos Imunes: Ex.:


- Reação anafilática
- Enfermidades auto-imunes

5 ) Distúrbios Nutricionais: Ex.:


- Deficiências nutricionais, especialmente def. vitamínicas
- Excesso de alimentos
MECANISMO DE AGRESSÃO CELULAR
- Inibição de enzimas -Produção de -Anomalias -Toxinas
da fosforilação oxidativa Genéticas exógenas
Radivais livres herdadas
- Desconexão da
fosforilação oxidativa -Ativação do -Anomalis -Acúmulos de
- Hipoglicemia complemento Genéticas produtos tóxicos
- Hipoxia adquiridas endógenos
- Resposta imune

Função da Alterações Alterações


Produção de ATP
membrana genéticas metabólicas

Células morfologicamente normal Acúmulos citoplasmáticos anormais


e funcionalmente anormal

Ausência de Falha das reações


Ausência de Lise da memb.
proteínas metabólicas vitais
produção de ATP celular
vitais

MORTE CELULAR
Morfologia Microscópica

As mudanças se dão, principalmente, nos núcleos, os quais apresentam


alteração de volume e de coloração à microscopia óptica. Essas
alterações são denominadas de:

Alterações nucleares:

1) Picnose(gr. "Picnos" = espessamento) : o núcleo apresenta um volume


reduzido e torna-se hipercorado, tendo sua cromatina condensada;
característico na apoptose;

2) Cariorrexe (gr. "Rhexes" = Ruptura) : a cromatina adquire uma


distribuição irregular, podendo se acumular em grumos na membrana
nuclear; há perda dos limites nucleares;

3) Cariólise ou cromatólise(gr. "lysis" = dissolução) : há dissolução da


cromatina e perda da coloração do núcleo, o qual desaparece
completamente.
Alterações citoplasmáticas:

Granulação citoplasmática: devido a tumefação e posterior ruptura

de organelas (principalmente mitocôndrias e REL).

Homogeneização citoplasmática: com a lise das organelas e

coagulação das proteínas forma-se uma massa opaca e acidófila,

vista principalmente nas necroses coagulativas.

Ruptura da membrana celular: com liberação do material

intracelular, formando uma massa indistinta eosinofílica homogênea,

vista principalmente nas necroses de caseificação.


Características Macroscópica:

 Perda da cor do tecido, que fica pálido

 Perda da elasticidade do tecido, que torna-se friável

 Os músculos assumem um aspecto de “carne cozida”


Tipos de Necrose: Padrões Morfológicos
1) Necrose de Coagulação
É o tipo mais comum de necrose podendo ser chamada de Necrose
Isquêmica

macroscopicamente:
- Amarelo pálido
- Sem brilho
- Limites mais ou menos precisos de forma irregular ou triangular,
dependendo do órgão atingido e do tipo de circulação.

Em 99% das vezes é dependente da obstrução de ramo arterial em órgão com


circulação terminal

 Na sua grande maioria a necroses de coagulação é observadas nos Infartos:


- Coração
- Rim,
- Baço
- Tumores de crescimento rápido
Necrose de Coagulação

Podemos observar:

Preservação do contorno básico da célula coagulada por pelo menos


alguns dias

- O aumento da acidose intracelular


- desnatura as proteínas estruturais e enzimáticas
-bloqueia a proteólise da célula

" O processo de necrose coagulativa é característico da morte provocada


por hipóxia células, em todos os tecidos exceto no cérebro

Exemplos:

 Infarto do miocárdio
 Necrose focal da placenta bovina na Brucelose
 Necrose focal em ruminantes em infecções pelo Fusobacterium
Músculo esquelético

Baço – Infarto de origem vascular


NECROSE LIQUEFATIVA
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Dr Sebastião Margarida, MD 06/16/20
2) Necrose de Liquefação
Ao contrário da necrose de coagulação o tecido morto se encontra liquefeito

 Resulta da ação de enzimas hidrolíticas

- Com dissolução enzimática rápida e total do tecido morto


- Favorecida pela estrutura e constituição do mesmo.

 É característica de infecções bacterianas focais

- presença de grande quantidade de neutrófilos e outras

células inflamatórias (os quais originam o pus)


Necrose de Liquefação
O pús, é o resultado da agressão celular por agentes que evocam reação
inflamatória supurativa

- Quando localizado é denominado: Abscesso

- Se difuso, sem limites definidos: Flegmão

- Se em cavidade pré-formada, como toráxica, vesícula biliar, etc é


denominado: Empiema

 É encontrada, principalmente, no Tecido Nervoso que é rico em


lipóides, água e enzimas lisossomais e pobre em proteínas

- Apresenta pouca capacidade de coagulação


- O que facilita a sua liquefação e a molecimento
3) Necrose Caseosa ou de Caseificação
Características:

Estrutura semelhante a “caseum” (queijo branco e fresco)

- Apresenta- se como:

 Massa amorfa e esbranquiçada

 Sem brilho e consistência pastosa

 Friável e seca

 Microscopicamente, o tecido exibe uma massa amorfa composta


predominantemente por proteínas.

- É freqüente em focos de infecções crônicas granulomatosas:

 Tuberculose bovina ( Mycobacterium bovis)

 Linfadenite caseosa dos ovinos (Corynebacterium pseudotuberculosis)

 Tularemia ( Pasteurellatularensis)
  Tuberculose pulmonar
exsudativa com extensa
necrose caseosa
Tuberculose  intestinal
Necrose caseosa em tuberculose pulmonar. Esse tipo de necrose é
caracterizado pela perda dos contornos celulares, diferentemente da
necrose por coagulação. No citoplasma, bastante eosinofílico, notam-se
também vacuolizações (setas).
4) Necrose Gordurosa enzimática

 Necrose Enzimática

 Esteatonecrose
É uma forma de necrose do tecido adiposo na qual a gordura é desdobrada
pela ação de lipases pancreáticas

COLORACAO AMERELO-OURO BRILHANTE COM PONTOS BRANCOS

Mecanismo:
Lesão liberação de Lipases pancreáticas células
adiposas liberando os triglicerídeos, que são hidrolisados pela lipase
pancreática, produzindo Ácidos Graxos liberados se combinam com o
Cálcio para produzir áreas brancas saponificadas.

Ocorre:

 No tecido peripancreático ( pancreatite aguda)

 No tecido gorduroso da glândula mamária


Necrose enzimática gordurosa (NE) em pâncreas. Há intensa liberação
de lipases nesse órgão, as quais podem atingir o próprio tecido
adiposo pancreático, destruindo-o.
Corte longitudinal de pâncreas exibindo extensa área de necrose enzimática (NE).
5) Necrose hemorrágica: Quando há presença de hemorragia
no tecido necrosado.

É mais uma denominação macroscópica do que microscópica

Exemplos :

 Necrose hemorrágica no pulmão (geralmente por embolia)


 Necrose hemorrágica no cérebro
6) Necrose Gomosa: Necrose do tecido inflamado em resposta
ao agente causador da sífilis ( Treponema Pallidum)

Características:
Encontrada especialmente na sífilis congênita, tardia ou terciária
A área necrótica apresenta-se compacta, uniforme e elástica
8) Necrose Gangrenosa (Gangrena)
As gangrenas são necroses que ocorrem com:

Isquemia

Liquefação
as custas de bactérias e leucócitos
onde as bactérias geralmente são anaeróbicas
levando a putrefação do tecido necrótico

É encontrada em tecidos de fácil acesso para as bactérias saprofíticas, tais


como:
 Pele
 Pulmão
 Intestino
 Glândula mamária

Tipos de Gangrena : Seca, Úmida e Gasosa


Gangrena Seca: Desidratação dos tecidos necrosados secos e duros,
semelhante a múmias Mumificação

Localização em extremidades como:

 Nariz
 Orelha
 Membros
Características:
 Não apresentando o fator “dor”
 Apresentando macroscopicamente, linha demarcatória entre a área normal
e o tecido necrosado
 Côr pode variar de amarelo esverdeado à pardo enegrecido, em decorrência
da decomposição local da Hemoglobina

Etiologia :
 Causa isquêmica causada através do congelamento ou vasoconstrição.
 Gesso e bandagens muito apertadas;
Ocorre fisiologicamente no Cordão Umbilical
A causa da necrose por coagulação foi uma obstrução arterial aguda.
Gangrena seca, em área que sofreu necrose coagulativa. Superfície
externa de membro fixado em formol.
Gangrena Úmida

Etiologia :

Causada por isquêmia e liquefação (proliferação de microrganismos)

Ocorre preferencialmente:
Nos pulmões:
Pneumonias agudas por aspiração de corpos estranhos;
Mucosa uterina:
Metrite purulenta e/ou morte fetal;
Intestino:
Evolução de apendicites e colecistites graves;
glândula mamária:

Mastite aguda por coliformes e/ou estafilococos

" É geralmente fatal, devido ao quadro de Toxemia Sistêmica


Gangrena úmida
Gangrena úmida
Gangrena Gasosa

É também conhecida como "Gangrena enfizematosa", "gangrena


crepitante" ou "gangrena bolhosa".

• Quando o microrganismo infectante produz gás, como o Clostridium.

Característica:
Ação de bactérias anaeróbias gasógenas sobre o tecido necrosado

São causadas por bactérias anaeróbicas produtoras:

 De gás (H2, CO2, CH4, NH3, SH2),

 E ácido acético.

 De ácido butírico (de onde o odor característico de manteiga rançosa)


Conseqüências das Necroses

O tecido necrótico comporta-se como um corpo estranho (devido à liberação


de Antígenos escondidos), provocando uma reação inflamatória na tentativa
de eliminar a área necrosada.

Absorção: Se a área afetada for mínima. Fagocitose por Macrófagos.

Drenagem: Se área for próxima à vias excretoras ou se ocorrer


fistulação (Ruptura e drenagem de abscessos/necrose coliquativa).

Cicatrização: Proliferação fibroblástica e substituição do parênquima


necrótico por tecido conjuntivo fibroso.

Calcificação distrófica: Deposição de sais de cálcio no tecido morto.


Comum na necrose caseosa.

Encistamento ou Seqüestro: Formação de pseudo-cistos, quando a área de


necrose é ampla limitando a absorção. Comum nas necroses do cérebro
Diferenças básicas entre apoptose e necrose

Características  APOPTOSE NECROSE 


Morte Celular Morte Celular Acidental 
Programada

Estímulo Fisiológico (Ativação de Patológico (Agressão


  um relógio bioquímico, ou ambiente hostil).
geneticamente  
regulado) ou patológico.
Ocorrência Acomete células Acomete um grupo de
  individuais, de maneira células. Fenômeno
assincrônica. degenerativo,
Eliminação seletiva de conseqüência de lesão
células. celular severa e
irreversível.
Reversibilidade Irreversível, depois da Irreversível, após o
ativação da "ponto de não retorno"-
endonuclease.  Deposição de material
  floculento e amorfo na
matriz mitocondrial.
   
Enrugamento, projeções Tumefação celular, perda
Morfologia: digitiformes da da integridade da
•Célula membrana celular e membrana e posterior
  formação de corpos desintegração.
apoptóticos.

Adesões entre células e Perda (precoce) Perda (tardia)


Membrana Basal 

Liberação de enzimas Ausente. Presente.


lisossômicas

Fagocitose pelas células Presente, antes mesmo Ausente -


da vizinhança da lise celular Macrofagocitose pode
("Canibalismo celular"). ocorrer, após a lise
celular.
Formação de cicatrizes  Ausente. Pode ocorrer, se a área
de necrose for ampla.
 
Bibliografia

 Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doença,


cap 1. pág. 47-132- 8ed, 2010

 Rubin: Patología estructural: Fundamentos clínico-patológicos


en medicina. McGraw-Hill-Interamericana 2006

 Ordi y cols. Anatomía Patológica general. Ediciones de la


Universidad de Barcelona, 2006
06/16/20 Dr Sebastião Margarida, MD 49