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9° ANO - LÍNGUA PORTUGUESA

Assunto: Gênero Textual - Poema


DELÍCIAS – (Rosilda da Silva)

Bilhetinho escondido
enquanto a professora fala,
caderninho de perguntas
que a magia abraça,
bala no canto da boca,
alívio pra aula chata...
POESIA X POEMA: Aparecem como sinônimos (ler um poema = ler
uma poesia), outras, não.

Poesia é entendido de uma forma mais ampla, ou como o gênero


literário que agrupa todas as formas possíveis (poemas) de se
manifestar, ou como o fenômeno que nos faz perceber algo (uma
paisagem, uma cena, um objeto, uma pessoa) de forma especial,
interessante, ou seja, de forma poética. Se pensarmos de acordo com
essa última definição, poderíamos dizer que um poema contém
poesia, mas, ao mesmo tempo, que a poesia pode estar contida em
outras coisas (uma paisagem, uma cena, um objeto, uma pessoa)
para além dos poemas, isto é, dependendo da nossa maneira de
olhar para elas
POEMA – obra (texto) em verso, poema é a organização, estrutura das
palavras. Existe por si mesmo, independente de quem o lê.

POESIA – qualidade poética de um texto ou obra de arte ou situação.


Pode haver poesia num por de sol, por exemplo. A poesia está em quem a
sente. Filosoficamente, não existe independentemente de alguém que a
sinta.
TEM TUDO A VER – Elias José

A poesia
tem tudo a ver A poesia
com tua dor e alegrias, tem tudo a ver
com as cores, as formas, os cheiros, com a plumagem, o voo,
os sabores e a música e o canto dos pássaros,
do mundo. a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
A poesia o ritmo dos rios e cachoeiras,
tem tudo a ver o brilho da lua, do sol e das estrelas,
com o sorriso da criança, a explosão em verde, em flores e frutos.
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte A poesia
os olhos pedindo pão. – é só abrir os olhos e ver-
tem tudo a ver
com tudo.
GONÇALVES DIAS CARLOS DRUMMOND DE ANDREDE BRÁULIO BESSA
CECÍLIA MEIRELES  HILDA HILST CONCEIÇÃO EVARISTO
MOTIVO - Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe


e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
1 - Observarem que Cecília Meireles chama seu
poema de canção?

2 - O que o poema tem de parecido com uma


canção?
Antigamente, na Idade Média, os poetas, chamados de
trovadores compunham seus poemas  para serem
cantados. Eram os cantadores medievais. Por isso, por
vezes, quando lemos um poema, ele mais parece uma
música, pois tem uma relação muito forte com esta, visto
que a sonoridade, as rimas permaneceram nos poemas
mesmo que não sejam mais cantados.
QUESTÕES:
1. Explique por que o poema se chama Motivo”.
2. Por que a poetisa diz “Eu canto”?
3. A poetisa diz que sua canção é tudo. O que poderia ser
essa canção? Por que ela é tudo?
4. A poetisa usa palavras no masculino como se quem
estivesse falando no poema fosse um homem. Quais são
essas palavras? Será que essa palavra faz referência
apenas a quem é do sexo masculino?
5. Qual é o motivo, a razão de tudo na vida do eu lírico do
poema?
EU-LÍRICO: é a voz que fala no poema, algo equivalente ao
narrador de um romance ou conto. Tradicionalmente, essa voz se
expressa na primeira pessoa do singular (daí o surgimento do
termo), mas nada impede que aconteça de outra forma (você
certamente lembra de algum poema que não está na primeira
pessoa do singular). É sempre importante lembrar que o eu-lírico (a
voz do poema) não corresponde ao poeta (o autor, o indivíduo de
carne e osso que escreveu o poema): nada impede, por exemplo,
que um poeta que é homem, adulto e brasileiro escreva um poema
na voz de uma mulher (eu-lírico feminino), ou de uma criança (eu-
lírico infantil), ou de um uruguaio ou sul-africano (eu-lírico
estrangeiro).
SENTIDO LITERAL: é o sentido comum, dicionarizado, de uma
palavra, também chamado de sentido denotativo.

SENTIDO FIGURADO: é o sentido de uma palavra quando


usada fora de seu contexto comum, literal, gerando sempre
alguma necessidade de interpretação, a partir do contexto em
que está inserida, também chamado de sentido conotativo. O
sentido figurado aparece com frequência na poesia, mas não
podemos esquecer que fazemos isso também em situações
cotidianas (quando dizemos, por exemplo, que estamos
“morrendo” de medo, como forma de realçar a intensidade do
medo que estamos sentindo).
FIGURAS DE LINGUAGEM: são todos aqueles recursos linguísticos,
sejam eles sonoros, sintáticos ou semânticos, que geram efeitos de
sentido no texto, exigindo do leitor algum tipo de interpretação. Também
chamadas de figuras de estilo ou figuras de retórica, as figuras de
linguagem, em muitos casos, operam justamente a passagem do sentido
literal para o sentido figurado (a metáfora, por exemplo) das palavras.
Em outros casos, elas podem ajudar a reforçar o sentido expresso pelo
texto, ou a dar a entender o seu contrário, ou a chamar a atenção sobre
o aspecto material das palavras empregadas.
ANALOGIA: aproximação de coisas e/ou realidades distintas com
o objetivo de realçar as semelhanças entre elas, seja pela sua
forma, pela sua função ou por outra característica. Quando
comparamos, por exemplo, um jogo de futebol a uma batalha,
estamos aproximando-os por aquilo que se parecem: num jogo de
futebol, há jogadores que formam um time, coordenados por um
treinador, em busca da vitória; numa batalha, há soldados que
formam um exército, coordenados por um general, também em
busca da vitória. Assim, um jogo de futebol pode ser análogo a
uma batalha porque as funções exercidas pelos seus integrantes
(jogadores-soldados, time-exército, treinador-general) são
parecidas, embora não sejam iguais no todo.
VERSO: cada uma das linhas que compõe um poema.

O verso que se repete no início de todas as estrofes de


um poema chama-se ANTECANTO e o que se repete no
final, BORDÃO. O conjunto de versos repetidos no
decorrer do poema chama-se ESTRIBILHO ou REFRÃO.
ESTROFE: conjunto de versos separados por uma linha em branco
antes e uma depois, formando uma unidade visual e, muitas vezes,
sintático-semântica. Pode ser:

1. Monóstico: estrofe com um verso;


2. Dístico: estrofe com dois versos;
3. Terceto: estrofe com três versos;
4. Quarteto: estrofe com quatro versos (ou quadra);
5. Quintilha: estrofe com cinco versos;
6. Sextilha: estrofe com seis versos;
7. Septilha: estrofe com sete versos;
8. Oitava: estrofe com oito versos;
9. Nona: estrofe com nove versos;
10. Décima: estrofe com dez versos.
Mais de dez versos: estrofe Irregular.
MÉTRICA é o estudo dos versos. Uma forma de classificar os poemas é
de acordo com o número de sílabas poéticas. As classificações métricas
mais comuns são:

1) Monossílabo: 1 sílaba poética


2) Dissílabo: 2 sílabas poéticas
3) Trissílabo: 3 sílabas poéticas
4) Tetrassílabo: 4 sílabas poéticas
5) Pentassílabo ou Redondilha Menor: 5 sílabas poéticas
6) Hexassílabo ou Heróico Quebrado: 6 sílabas poéticas
7) Heptassílabo ou Redondilha Maior: 7 sílabas poéticas
8) Octossílabo: 8 sílabas poéticas
9) Eneassílabo: 9 sílabas poéticas
10) Decassílabo: 10 sílabas poéticas
11) Hendecassílabo: 11 sílabas poéticas
12) Dodecassílabo: 12 sílabas poéticas
13) Bárbaro: 13 ou mais sílabas poéticas
RIMA: repetição de sons iguais ou parecidos
nos finais de duas ou mais palavras.
Normalmente, a rima ocorre no final dos versos,
mas pode envolver palavras no meio dos versos
(rimas internas).
Quanto à disposição, as rimas classificam-se em:

Emparelhadas ou paralelas (1º com 2º, 3º com 4º - esquema:


AABB):

No rio caudaloso que a solidão retalha,


na funda correnteza na límpida toalha,
deslizam mansamente as garças alvejantes;
nos trêmulos cipós de orvalho gotejantes...
(Fagundes Varela)
Alternadas ou cruzadas (1º com 3 º, 2º com 4º
esquema: ABAB):

Amor, essência da vida,


é uma expressão de Deus.
Alma, não fique perdida!
Ele luz os dias seus.
(Josete - http://www.escrevo.net/index.php)
Opostas (1º com 4º, 2º com 3º - esquema: ABBA):

Mais de mil anos-luz já separado,


Naquela hora, do meu pensamento.
O filme de uma vida, ínfimo momento,
O derradeiro instante havia impregnado.
(Ferraz - http://www.escrevo.net/index.php)
Encadeadas (a palavra final do verso rima com uma
palavra do meio do verso seguinte):

"Quando alta noite n'amplidão flutua


Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu te suspiro
E que deliro a suspirar de amor."
(Castro Alves)
Misturadas (não possuem posição regular):
De uma, eu sei, entretanto,
Que cheguei a estimar
Por ser tão desgraçada!
Tive-a hospedada a um canto
Do pequeno jardim;
Era toda riscada
De um traço cor de mar
E um traço carmesim.
(Alberto de Oliveira)
A partir do início do séc. XX, os poetas, numa rebeldia,
porque não queriam mais a poesia com esta forma rígida,
criaram os versos sem rima, que são chamados
BRANCOS, são aqueles que não apresentam esquemas
de rima,
Quanto à natureza, as rimas classificam-se em:
 
RIMAS POBRES: quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical
(substantivo com substantivo, por exemplo). 

RIMAS RICAS: quando as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais


diferentes (um substantivo e um adjetivo, por exemplo)
.
Examinemos o quarteto abaixo:
Um mestre, embora muito sonhador,
Precisava esconder sua afeição...
Na Idade Média, uma imortal paixão
uniu uma aluna e um professor.
(Mardilê Friedrich Fabre) 

A palavra paixão, que é um substantivo, rima com afeição, que também é um


substantivo. Temos RIMA POBRE. A palavra professor, que é um substantivo, rima com
sonhador, que é um adjetivo. Temos RIMA RICA. 
Rimas preciosas: quando as palavras que rimam apresentam estruturas
gramaticais diferentes. Por exemplo: estrela com vê-la. 

Quanto à fonética, as rimas classificam-se em:

Perfeitas: quando todos os fonemas (sons das letras), a partir das últimas vogais
tônicas dos versos são iguais. Exemplo: vida e perdida.

Imperfeitas: quando os fonemas são semelhantes a partir das últimas vogais


tônicas dos versos. Exemplo: Deus e céus.

Toantes: quando somente as últimas vogais tônicas dos versos são iguais.


Exemplo: hora e bola
A PORTA
(Vinicius de Moraes) Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Eu sou feita de madeira Só não abro pra essa gente
Madeira, matéria morta Que diz (a mim bem me
Mas não há coisa no mundo importa...)
Mais viva do que uma porta. Que se uma pessoa é burra
Eu abro devagarinho É burra como uma porta.
Pra passar o menininho Eu sou muito inteligente!
Eu abro bem com cuidado Eu fecho a frente da casa
Pra passar o namorado Fecho a frente do quartel
Eu abro bem prazenteira Fecho tudo neste mundo
Pra passar a cozinheira Só vivo aberta no céu.

(Poema com rimas)


TEREZA
(Rosilda da Silva) e só então balbucia,
já cansada,
Rainha e guerreira és, com seu toque galhofeiro
no mundo impetrando sua marca, de mãe, mulher amada
de mulher sábia e fecunda. que a vida necessita de ajustes,
Reza escondido quando não pode talvez até uma gambiarra,
e até quando não quer. pois a noite chegou envelhecendo o
Esmaga com o olhar as dia
imprevidências e escurecendo o brilho de sua casa
noite adentro se preciso for asseada.

( Poema sem rimas)


INVERNO

chuva
fininha,
molha
bobo
e criança

Só não molha velhinha


!
!
!
!
! !
! ! (Poema Cinético ou Visual)