Você está na página 1de 57

Direito e Legislação Ambiental

Ivna Lauria
2020.1
• direito de terceira geração

• princípios diferenciados

• estudo das normas que tratam das relações do


homem com o espaço no qual ele se insere.

• conjunto de normas que regem as relações entre


o homem e o meio ambiente.
Conceitos fundamentais
a) Meio Ambiente
Art. 3º, I da Lei 6938/81 - é o conjunto de condições, leis, influências e interações de
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas (Art. 3°, I da Lei n° 6.938/81).

b) Risco Ambiental
O risco ambiental pode ser definido como a possibilidade de ocorrência de degradação
ambiental em virtude da atividade antrópica no meio ambiente, ou seja, a possibilidade
de alteração adversa das características do meio ambiente.

c) Poluição
Consiste na degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou
indiretamente, prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem
condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a
biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; lancem matérias ou
energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (Art. 3°, III da Lei n°
6.938/81).
 
d) Agente Poluidor
É a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de
degradação ambiental (Art. 3°, IV da Lei n° 6.938/81).
 
e) Dano Ambiental
Poluição – art. 3º, III da Lei n° 6938/81 - o dano ambiental
consiste em qualquer alteração das propriedades físicas, químicas
e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta
ou indiretamente, afetem a saúde, a segurança, o bem estar da
população; as atividades sociais e econômicas; a biota (fauna e
flora de uma determinada região); as condições estéticas e
sanitárias do meio ambiente; e, enfim, a qualidade dos recursos
ambientais.
Princípios Fundamentais
Os princípios do Direito Ambiental estão voltados para a
finalidade básica de proteger a vida em quaisquer das
formas em que esta se apresente e, para garantir um
padrão de existência digno para os seres humanos, desta
e das futuras gerações.

Ainda, há o propósito de conciliar a pretensão da


sociedade de evoluir tecnologicamente e socialmente,
com a necessidade de garantir a preservação do
equilíbrio ambiental, situação referida na doutrina e na
própria legislação ambiental como sustentabilidade.
§ Princípio do Direito Humano Fundamental ao Meio Ambiente
Sadio

• Declaração de Estocolmo de 1972 - direito fundamental do ser


humano, a garantia de condições de vida adequadas, em um
meio ambiente de qualidade, suficiente para assegurar o bem-
estar.

• Na Conferência do Rio, em 1992 - reconhecido como o direito


dos seres humanos a uma vida saudável e produtiva, em
harmonia com a natureza.

• art. 225, caput da Constituição da República busca garantir a


utilização continuidade dos recursos naturais, que apesar de
poderem ser utilizados, carecem de proteção, para que também
possam ser dispostos pelas futuras gerações.
§ Princípio da Interdisciplinaridade

• O estudo do Direito Ambiental requer o


conhecimento daqueles que se dedicam a conhecê-lo,
de outros temas que circundam e subsidiam a
aplicabilidade dos dispositivos cogentes de natureza
ambiental.
• O apoio técnico e de outras disciplinas que não
apenas o Direito serão próprias e necessárias para que
se dê suporte à aplicação das normas ambientais.
• O Direito Ambiental é fundamentalmente
interdisciplinar.
§ Princípio da Precaução (Prudência ou Cautela)

• Diante da incerteza científica, tem sido entendido que a


prudência é o melhor caminho, evitando-se a
ocorrência de danos que, muitas vezes, não poderão ser
recuperados.
• Ou seja, o princípio da precaução orienta que não seja
produzida intervenção no meio ambiente antes de se
ter a certeza de que ela não se qualifica como adversa, a
partir de um juízo de valor sobre a sua qualidade e uma
análise do custo/benefício do resultado da intervenção
projetada.
• Na dúvida pare!
§ Princípio da Prevenção
• O Princípio da Prevenção em muito se aproxima do
Princípio da Precaução, embora com ele não se confunda.
• O Princípio da Prevenção se aplica a impactos ambientais
já conhecidos e que tenham uma história de informações
sobre eles, de modo que a ciência já se debruçou sobre
suas conseqüências e apontou a solução técnica apta a
reduzir ou eliminá-los.
• Explica-se: o Princípio da Prevenção exigirá que a
solução técnica seja aplicada, para que a Administração
Pública possa autorizar o exercício da atividade
potencialmente poluidora.
§ Princípio do Universalismo

• Aja localmente e pense globalmente!


• A poluição não guarda respeito às fronteiras criadas
por convenções do ser humano, os rios e os mares
começam e terminam onde a natureza os coloca.
• De mesma forma, os danos ambientais gerados em
determinada localidade podem alcançar extensões
diferentes daquelas que inicialmente sustentavam a
pretensão do poluidor, na medida em que não há
como controlar as conseqüências dos danos ao
meio ambiente.
§ Princípio do Desenvolvimento Sustentável

• dá operabilidade aos demais princípios, como o


do Direito Humano ao Meio Ambiente Sadio, da
Precaução e da Prevenção
• perspectivas de desenvolvimento econômico,
tecnológico e social e, garante a preservação dos
recursos ambientais para as presente e futuras
gerações.
• coexistência entre o desenvolvimento econômico
e da preservação do meio ambiente
§ Princípio do Acesso Eqüitativo aos Recursos Naturais

• Mostra-se equivocada qualquer restrição não


fundamentada e desarrazoada, que venha a ser
imposta ao acesso aos recursos naturais.
• É inconstitucional, as limitações de acesso e uso
dos recursos naturais, desde que seus utilitários
ajam no sentido de preservar o meio ambiente.
• a estipulação de contrapartidas em favor da
coletividade, de modo a que sejam compensados
pelos titulares deste bem, devido a restrições que
lhes são impostas.
§ Princípio da Preservação

• Vinculado à idéia de proteção e conservação da


boa qualidade do meio ambiente, de modo a
garantir existência digna.
• Dever imposto a todos – Poder Público e
coletividade – de manter o meio ambiente
ecologicamente equilibrado.
• Responsabilização administrativa, cível e penal
daqueles que adotarem condutas contrárias à
garantia de preservação do meio ambiente.
§ Princípio da Cooperação

• Sua efetivação garantirá a redução das medidas


agressivas ao bem ambiental.
• Assim como no Princípio do Universalismo, é
importante considerar que as conseqüências
benéficas e maléficas da gestão ambiental não
conhece fronteiras.
• poder–dever de atuação autônoma dos entes
federados
§ Princípio do Limite

• Padrões-limite que pelo estado da arte já nos são


notórios.

• A imposição do limites de tolerabilidade de no


meio ambiente são determinados por normas de
fundo técnico, sendo papel da Administração
Pública, diante de seu poder-dever de proteção
ambiental garantir o atendimento aos limites
estabelecidos.
§ Princípio do Poluidor-Pagador

• A efetivação do Princípio do Poluidor-Pagador NÃO revela a


possibilidade de existir um direito subjetivo de pagar para
poder poluir.
• Não há norma que garanta um direito no sentido de que se
possa pagar para poluir
• não há a possibilidade de transacionar com o direito ao meio
ambiente equilibrado e sadio.
• direito de pagar X compensação ambiental.
• antecipação da indenização devida à coletividade, pelos danos
ambientais que serão causados pela atividade que, apesar de
suas características, é necessária aos interesses da
coletividade.
§ Princípio do usuário-pagador.

• Diferentemente do Princípio do Poluidor-


Pagador, que tem um caráter reparatório e
punitivo, o Principio do Usuário-Pagador
parte do pressuposto de que deve haver
contrapartida remuneratória pela outorga do
direito de uso de um recurso natural.
§ Princípio da Informação

• instrumento de efetivação do direito ao meio


ambiente ecologicamente equilibrado, a
educação ambiental e a conscientização pública.

• todos os atos administrativos ambientais de


relevância coletiva sejam públicos, mediante
disposição nos mais diversos meios de
comunicação, tais como jornais e rede mundial
de computadores.
§ Princípio da Responsabilização

• o poluidor deverá responder por suas ações ou omissões em


detrimento da preservação do meio ambiente, desmotivando
condutas contrárias ao bem ambiental e que seja garantida a
obrigação de recomposição dos danos causados.
• O custo da utilização individualizada desastrosa do bem
ambiental venha a ser suportada por toda a coletividade.
• Deve o aplicador do Direito buscar sempre, como primeira
razão, a recomposição do dano ambiental, de modo a que a
sejam restabelecidas as condições ambientais iniciais.
• Não sendo possível a completa reparação do dano ambiental,
situação que corresponde a compensação pelo equivalente
Constituição Federal - 1988

 CAPÍTULO VI
DO MEIO AMBIENTE
 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e reservá-lo para as
presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o
manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do


País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de
material genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e


seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e
a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer
utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou
atividade potencialmente causadora de significativa
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de
técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a
vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de
ensino e a conscientização pública para a preservação do meio
ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica,
provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a
crueldade.
 
• § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica
obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica
exigida pelo órgão público competente, na forma
da lei.

• § 3º - As condutas e atividades consideradas


lesivas ao meio ambiente sujeitarão os
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções
penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
• § 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a
Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona
Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-
á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso
dos recursos naturais.
•  
• § 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou
arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias,
necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
•  
• § 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão
ter sua localização definida em lei federal, sem o que não
poderão ser instaladas.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios:

I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições


democráticas e conservar o patrimônio público;
(...)
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor
histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens
naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras
de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
(...)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer
de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o
abastecimento alimentar;
 IX - promover programas de construção de moradias e a
melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de
marginalização, promovendo a integração social dos setores
desfavorecidos;
 XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos
de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em
seus territórios;
(...)
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e
do bem-estar em âmbito nacional.         
• Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
•  I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
• (...)
• VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos
recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
• VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e
paisagístico;
• VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
• (...)
• § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á
a estabelecer normas gerais.
• § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a
competência suplementar dos Estados.
• § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
• § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da
lei estadual, no que lhe for contrário.
Competência Legislativa

• Questão que se apresenta é a possibilidade de os


entes da federação poderem legislar, criando
normas de Direito Ambiental.

• Doutrina e a jurisprudência convalidaram que na


verdade, a competência legislativa dos
municípios em relação às matérias ambientais
também possui proteção constitucional.
Competência Fiscalizatória

A atribuição fiscalizatória decorre da atribuição


conferida aos entes federados para proteger o
meio ambiente, em suas mais diversas formas de
expressão. O constituinte, no art. 23, III, IV, VI,
VII e IX da CRFB, estabeleceu competência
comum à União, aos Estados e ao Distrito
Federal e aos Municípios, para realizar a
proteção do meio ambiente.
• poder-dever de fiscalizar não encontra
limitações em sede federativa.

• É possível que os entes da federação realizem


mutuamente a fiscalização dos bens ambientais e
das atividades passíveis de causar poluição,
independentemente de quem as desempenhe.

• Possibilidade: atividade potencialmente


poluidora seja desenvolvida pela União, estará
sujeita à fiscalização do Estado e do Município
• autuação nula, mas comumente lavrada por
servidores públicos.

• atividade potencialmente poluidora sem o


licenciamento ambiental, o agente de fiscalização
fundamenta o auto de infração com a referência ao
art. 60 da Lei n° 9.605/98.

• Autuação fundada em espécie típica penal, a qual


não se presta a respaldar infrações administrativas,
que devem guardar relação com legislação própria
que regule, vinculadamente, a atuação do agente de
fiscalização
Lei de Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA

• A Lei nº 6.938/81, recepcionada pela Constituição da República


de 1988, cuida da Política Nacional do Meio Ambiente.
• Esta lei aponta uma séria de medidas de ordem administrativa e
civil, que à época de sua edição foram tidas como necessárias à
tutela do meio ambiente.
• Decerto, como veremos adiante, hoje, outras medidas foram
apontadas pelo legislador como complementares às já adotadas
pela Lei nº 6.938/81, no sentido de aprimorar a tutela do meio
ambiente.
• A fim de traçar um marco eficaz de atuação da Administração
Pública e dos particulares na proteção do meio ambiente, a Lei nº
6.938/81, além de apontar a estrutura de alguns órgãos públicos,
trouxe ainda os denominados instrumentos de política ambiental. 
LEI Nº 6.938, DE 31 DE AGOSTO DE 1981

Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e


mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providências.

• Art 1º - Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do


art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política
Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de
formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do
Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa
Ambiental. (Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990)
Art. 2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação,
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida,
visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento
sócioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:
 
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e
protegido, tendo em vista o uso coletivo;
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
III - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;
VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e
a proteção dos recursos ambientais;
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental;
VIII - recuperação de áreas degradadas; (Regulamento)
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;
X - educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da
comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente.
Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
 
I -meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas;
II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do
meio ambiente;
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que
direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos;
IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável,
direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental;
V- recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e
subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da
biosfera, a fauna e a flora. (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)
Art. 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
 
I - à compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação da
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;
II - à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e
ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do
Distrito Federal, do Territórios e dos Municípios;
III -ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas
relativas ao uso e manejo de recursos ambientais;
IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologia s nacionais orientadas para
o uso racional de recursos ambientais;
V - à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e
informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a
necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico;
VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas á sua
utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a
manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida;
VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou
indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de
recursos ambientais com fins econômicos.
• Art. 5º - As diretrizes da Política Nacional do Meio
Ambiente serão formuladas em normas e planos,
destinados a orientar a ação dos Governos da União,
dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e
dos Municípios o que se relaciona com a preservação
da qualidade ambiental e manutenção do equilíbrio
ecológico, observados os princípios estabelecidos no
art. 2º desta Lei.

• Parágrafo único. As atividades empresariais públicas


ou privadas serão exercidas em consonância com as
diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente.
Art. 6º Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios, bem como as fundações instituídas pelo
Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade
ambiental, constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente -
SISNAMA, assim estruturado:
 
I - órgão superior: o Conselho de Governo, com a função de assessorar o
Presidente da República na formulação da política nacional e nas
diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos
ambientais;
(Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990)
II - órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente
(CONAMA), com a finalidade de assessorar, estudar e propor ao
Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio
ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente
ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida;
(Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990)
III - órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da
república, com a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e
controlar, como órgão federal, a política nacional e as diretrizes
governamentais fixadas para o meio ambiente;
IV - órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis, com a finalidade de executar e fazer
executar, como órgão federal, a política e diretrizes governamentais
fixadas para o meio ambiente;
(Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990)
V - Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de
atividades capazes de provocar a degradação ambiental;
(Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)
VI - Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis
pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas
jurisdições;
(Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989)
• § 1º - Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de
sua jurisdição, elaborarão normas supletivas e complementares e
padrões relacionados com o meio ambiente, observados os que
forem estabelecidos pelo CONAMA.
• § 2º O s Municípios, observadas as normas e os padrões federais e
estaduais, também poderão elaborar as normas mencionadas no
parágrafo anterior.
• § 3º Os órgãos central, setoriais, seccionais e locais mencionados
neste artigo deverão fornecer os resultados das análises efetuadas e
sua fundamentação, quando solicitados por pessoa legitimamente
• interessada.
• § 4º De acordo com a legislação em vigor, é o Poder Executivo
autorizado a criar uma Fundação de apoio técnico científico às
atividades do IBAMA.
• (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)
Art. 8º Compete ao CONAMA:

I - estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e


critérios para o licenciamento de atividades efetiva ou
potencialmente poluídoras, a ser concedido pelos Estados e
supervisionado pelo IBAMA;
(Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)
II - determinar, quando julgar necessário, a realização de
estudos das alternativos e das possíveis conseqüências
ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando aos
órgãos federais, estaduais e municipais, bem assim a
entidades privadas, as informações indispensáveis para
apreciação dos estudos de impacto ambiental, e respectivos
relatórios, no caso de obras ou atividades de significativa
degradação ambiental, especialmente nas áreas consideradas
patrimônio nacional.
IV - (VETADO) ;
V - determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou
restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público, em
caráter geral ou condicional, e a perda ou suspensão de
participação em linhas de financiamento em estabelecimentos
oficiais de crédito; (Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989)
VI - estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de
controle da poluição por veículos automotores, aeronaves e
embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes;
VII - estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e
à manutenção da qualidade do meio ambiente com vistas ao uso
racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos.

Parágrafo único. O Secretário do Meio Ambiente é, sem prejuízo


de suas funções, o Presidente do Conama. (Incluído pela Lei nº
8.028, de 1990)
Art. 9º - São Instrumentos da Política Nacional do Meio
Ambiente:
 
I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;
II - o zoneamento ambiental; (Regulamento)
III - a avaliação de impactos ambientais;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou
potencialmente poluidoras;
V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a
criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria
da qualidade ambiental;
VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos
pelo
Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas
de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e
reservas extrativistas;
VII - o sistema nacional de informações sobre o meio
ambiente;
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e
Instrumento de Defesa Ambiental;
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao
não cumprimento das medidas necessárias à
preservação ou correção da degradação ambiental.
X- a instituição do Relatório de Qualidade do Meio
Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis –IBAMA.
XI -a garantia da prestação de informações relativas ao
Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a
produzí-las, quando inexistentes;
• XII -o Cadastro Técnico Federal de atividades
potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos
recursos ambientais.(Incluído pela Lei nº 7.804,
de 1989)
• XIII -instrumentos econômicos, como concessão
florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e
outros. (Incluído pela Lei nº 11.284, de 2006)
Servidão Ambiental
Art. 9º -A. O proprietário ou possuidor de imóvel,
pessoa natural ou jurídica, pode, por
instrumento público ou particular ou por termo
administrativo firmado perante órgão integrante
do Sisnama, limitar o uso de toda a sua
propriedade ou de parte dela para preservar,
conservar ou recuperar os recursos ambientais
existentes, instituindo servidão ambiental.
(Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012).
Servidão Ambiental é o instituto pelo qual o proprietário
voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a
direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizada
fora da reserva legal e da área de preservação permanente.
 
A servidão ambiental não substitui áreas de preservação permanente
ou de reserva legal, mais sim instituir um Plus no que se refere à
preservação. É uma inovação à proteção ao meio ambiente.
 
Surge como mecanismo de proteção ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado para a presente e futuras gerações, a legislação se utiliza
de alguns institutos capazes de efetivar tal escopo.
 
Trata-se de direito real oponível erga omnes, sendo exigível do
proprietário que a institui, bem como de todos os demais adquirentes
do imóvel.
Surgiu nos Estados Unidos, onde é denominada conservation
easement .
Obtenção de vantagens tributárias, como dedução no imposto
de renda do equivalente à diminuição do valor venal do
imóvel, isenção dos impostos relativos ao mesmo, além de
provável publicidade em decorrência da iniciativa (o que
valorizaria a área remanescente).

Vários outros países se valem do instituto para proteger o meio


ambiente, como é o caso do Canadá; Costa Rica e México,
onde o instituto é denominado servidumbre ecológica.
Inglaterra e Espanha também protegem milhares de hectares
através desse instituto.
Na Espanha, a matéria referente à servidão ambiental está
contida no Código Civil, em seu artigo 530.
• A servidão ambiental é instituto amplo, pois pode ser
constituído em favor de uma pessoa, de entidade privada ou
do poder público, além de destinar-se a diferentes
finalidades como:
• determinar a manutenção do estado natural da área; não
admitir nenhum tipo de atividade agrícola, de divisão, de
desenvolvimento ou de atividade econômica;
• limitar construção ou edificação;
• restringir a urbanização;
• destinar-se ao ecoturismo, à absorção de carbono, dentre
outras finalidades.

• É de suma importância a descrição detalhada do imóvel,


valendo-se de fotos, mapas, inventários biológicos, no
momento da constituição.
RESERVA LEGAL
O atual Código Florestal define a Reserva Legal como:

Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:


(...)

III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma


propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12,
com a função de assegurar o uso econômico de modo
sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a
conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e
promover a conservação da biodiversidade, bem como o
abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa;
• A reserva legal é a área do imóvel rural que,
coberta por vegetação natural, pode ser
explorada com o manejo florestal sustentável,
nos limites estabelecidos em lei para o bioma em
que está a propriedade e por isso, se torna
necessária à manutenção da biodiversidade
local.

• Direito ao meio ambiente x Desenvolvimento


Econômico
•A Reserva Legal, que junto com as
Áreas de Preservação Permanente tem o objetivo de
garantir a preservação da biodiversidade local, é
um avanço legal na tentativa de conter o
desmatamento e a pressão da agropecuária sobre as
áreas e florestas nativas.

• Ambientalistas defendem a sua preservação.

• Setor produtivo argumenta se tratar de intromissão


indevida do Estado sobre a propriedade privada, o
que diminuiria a competitividade da agricultura e a
capacidade de produção do país.
• 80% em propriedades rurais localizadas em área
de floresta na Amazônia Legal;

• 35% em propriedades situadas em áreas de


Cerrado na Amazônia Legal, sendo no mínimo
20% na propriedade e 15% na forma de
compensação ambiental em outra área, porém
na mesma microbacia;

• 20% na propriedade situada em área de floresta,


outras formas de vegetação nativa nas demais
regiões do país;
• Cabe a todo proprietário rural o registro no órgão
ambiental competente (estadual ou municipal) por meio
de inscrição no Cadastro Ambiental Rural - CAR.
• As especificidades para o registro da reserva legal vão
depender da legislação de cada Estado.
• Uma vez realizado o registro fica proibida a alteração de
sua destinação, nos casos de transmissão ou de
desmembramento, com exceção das hipóteses previstas
na Lei (art. 18).
• Em geral, nas áreas de reserva legal é proibida a extração
de recursos naturais, o corte raso, a alteração do uso do
solo e a exploração comercial exceto nos casos
autorizados pelo órgão ambiental via Plano de Manejo
ou, em casos de sistemas agroflorestais e ecoturismo.
• 
AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE

Segundo o atual Código Florestal, Lei nº12.651/12:


Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por:
(...)
II - Área de Preservação Permanente - APP: área
protegida, coberta ou não por vegetação nativa,
com a função ambiental de preservar os recursos
hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a
biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e
flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas;
• Áreas de preservação permanente (APP), assim
como as Unidades de Conservação, visam
atender ao direito fundamental de todo
brasileiro a um "meio ambiente ecologicamente
equilibrado", conforme assegurado no
art. 225 da Constituição.
• No entanto, seus enfoques são diversos:
enquanto as UCs estabelecem o uso sustentável
ou indireto de áreas preservadas, as APPs são
áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de
exploração, ou seja, não é permitida a exploração
econômica direta.
• As APPs se destinam a proteger solos e,
principalmente, as matas ciliares. Este tipo de
vegetação cumpre a função de proteger os rios e
reservatórios de assoreamentos, evitar
transformações negativas nos leitos, garantir o
abastecimento dos lençóis freáticos e a
preservação da vida aquática.

Você também pode gostar