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Capitalismo e Felicidade: apontamentos

sobre a teoria social contemporânea e o


pensamento de Marx
Rodrigo José Fernandes de Barros
Kelvis Leandro do Nascimento

Fernando da Cruz Souza


Giovanna Lorenzi Pinto
Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx

AUTORES

Rodrigo José Fernandes de Barros

➔ Graduado em Ciências Sociais pela Universidade do


Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

➔ Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-


Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN).

➔ Desenvolve estudos na área de sociologia e teoria


política, com enfoque nos seguintes temas: teoria
social, teoria política normativa, ideologia e
emancipação. Fonte: Plataforma Lattes, 2019
Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx

AUTORES

Kelvis Leandro do Nascimento


➔ Professor substituto vinculado ao Departamento de
Práticas Educacionais e Currículo (DPEC-UFRN).

➔ Doutorando em Ciências Sociais no Programa de


Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte.

➔ Desenvolve análises em Sociabilidades Urbanas,


Sociologia das Emoções com foco nos agrupamentos
urbanos, tribos urbanas e cidades, Juventudes,
Subjetividades urbanas, Micropolíticas sociais..
Fonte: Plataforma Lattes, 2020
OBJETIVO

● Demonstrar como a felicidade dentro do sistema


capitalista é improvável de se concretizar.

Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx


Zygmunt Bauman

➔ Mercadorias cada vez mais instantâneas e descartáveis = mais


consumo e mais lucro;
*Obsolescência programada

➔ Implicações: coisificação dos seres humanos, nas relações afetivas e


na felicidade individual;

➔ O fetichismo em torno da mercadoria faz com que a plenitude seja


buscada no consumo;
Gilles Lipovetsky
➔ O neoliberalismo propaga a ideia de hiperconsumo;

➔ Ideal utilitarista do neoliberalismo: é possível atingir a felicidade por


meio da distribuição igualitária de bens às pessoas;

➔ Argumento: o consumo de bens pode promover felicidade;

Problema: as necessidades individuais são distintas, por isso, a utilidade


percebida por cada indivíduo também.
Exemplo: parábola.
“Os bens essenciais para a felicidade humana não podem ser comprados,
justamente por serem demasiadamente subjetivos. O que demonstra que,
medir felicidade pelo grau de riqueza das sociedades pode não ser o
melhor caminho para tirar qualquer conclusão”. (BARROS; NASCIMENTO, 2018)

Síntese: A sociedade de consumo estimula a aquisição de bens a fim de


alcançar uma igualdade que nunca se concretizará, visto que não há como
padronizar utilidades.

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Resultados:
➔ Hiperconsumo: exploração voraz do trabalho
◆ Indivíduos atônitos, indiferentes e até depressivos
◆ Incapacidade de adquirir bens = fracasso
*falsa ideia de meritocracia, estigmatização das políticas sociais

➔ A felicidade do consumo significa apenas uma satisfação


momentânea. Por ser passageira, gera insegurança.
Economia de mercado liberal: Fica evidenciada a complementação entre o
homo economicus e o homo consumens, o primeiro precisa sempre
manter a economia em movimento, enquanto o segundo precisa continuar
consumindo para aplacar sua insatisfação.

➔ Em O Capital, Marx analisa a mercadoria para além de sua objetividade,


tratando de seus elementos simbólicos e subjetivos.

➔ Fetichismo da mercadoria: transcende seu valor de uso e esconde o


fruto do trabalho humano.
Felicidade na Contemporaneidade
➔ A rápida mudança na sociedade trazida pelo capitalismo produz
rupturas/aceleração histórica;

➔ “Tudo que é sólido se desmancha no ar” (modernidade líquida);

➔ A coletividade é o que tem se desmanchado (o espaço público).


*Conflito discursivo em torno dos tema cidadania, participação e sociedade civil

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Características da Modernidade Líquida

“As preocupações mais intensas e obstinadas que assombram este tipo de


vida são os temores de ser pego tirando uma soneca, não conseguir
acompanhar a rapidez dos eventos, ficar para trás, deixar passar as datas
de vencimento, ficar sobrecarregado de bens agora indesejáveis, perder o
momento que pede mudança e mudar de rumo antes de tomar o caminho
de volta” (BARROS; NASCIMENTO, 2018).

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Características da Modernidade Líquida

➔ O ritmo das mudanças pode provocar apatia, melancolia, e depressão,


sintomas considerados intoleráveis na sociedade atual;

➔ Obliteração da felicidade subjetiva: hiperconsumo;

➔ É preciso ter o que o mercado oferece de melhor para pode ser sentir
parte de um grupo.
Características da Modernidade Líquida
➔ Nesse contexto, o ser feliz se torna sinônimo de bem-estar e conforto
proporcionado pelos bens materiais;

➔ O impacto do consumo sobre a saúde e sobre o meio ambiente;

➔ Mercadorias sem essências negativas: cervejas sem álcool, café sem


cafeína, chocolate sem açúcar, embalagens recicláveis;

➔ Produtos sem os riscos proporcionados pelo seu consumo em excesso.


“Temos um paradoxo no qual o imperativo de desfrutar totalmente é impossível de
se realizar, já que a própria autorização que nos é imposta (seja feliz, aproveite o
máximo que a vida lhe dá, consuma o máximo que puder) é seguida por uma série
de proibições que devem ser respeitadas para que o objetivo maior se concretize: se
mantenha em forma, não coma demais, não use drogas, faça sexo com segurança. O
hedonismo contemporâneo é eficaz em combinar prazer com constrangimento,
fazendo com que pensemos viver na sociedade da realização, quando na verdade
vivemos na sociedade dos semblantes. Nossa suposta felicidade é amplamente
controlada e regulada.” (ZIZEK, 2012)
Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx
Marx, capitalismo e emancipação humana

➔ Na sociedade capitalista, o trabalho assume um caráter alienado e


privatizado

“A força de trabalho em ação, o trabalho, é a própria atividade vital


do operário, a própria manifestação da sua vida. E é atividade vital
que ele vende a um terceiro para assegurar os meios de vida
necessários. A sua atividade vital é para ele, portanto, apenas um
meio para poder existir” (MARX, 2006, p.36)
➔ Quando essa atividade vital é transformada em atividade privada, sem liberdade, há
a dominação;

➔ O trabalho assumiu a forma de mercadoria, podendo então ser negociado;

➔ O trabalho torna-se instrumento de degradação humana, pois o homem, ao ser


tratado como mercadoria, tornou-se coisa;

➔ E o produto do trabalho se torna estranho a quem o produziu;

➔ Ao perder a liberdade no trabalho, tornando-se alienado, o indivíduo perde a


característica que lhe distingue dos animais, pois sua atividade vital se torna um
simples veículo para sua existência.
➔ Fetichismo da mercadoria: a mercadoria oculta as relações sociais que
as produz;

➔ Mais-valia: diferença entre o valor gerado pelo trabalhador e seu


salário;

Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx


Considerações Finais
“Essas amarras ideológicas criam uma falsa liberdade e igualdade,
impedindo a realização do que chamamos de felicidade.”

“Não há condições morais de felicidade total numa sociedade de


classes, caracterizada pela exploração de uma classe detentora dos
meios de produção material, intelectual, cultural e artística. Essa impõe
seus modelos de vida e cria um modelo de felicidade pautada pela
aquisição de bens, paixão pelo dinheiro e pela propriedade privada.”
(BARROS; NASCIMENTO, 2018)

Capitalismo e Felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de Marx


Considerações Finais

➔ Não devemos produzir mais do que necessitamos;

➔ Devemos deixar de acreditar nessa falsa liberdade;

➔ A liberdade só se faz fora do âmbito do trabalho alienado;

➔ O trabalho alienado impossibilita a emancipação e


impossibilita a felicidade.
Referências
BARROS, Rodrigo José Fernandes; NASCIMENTO, Kelvis Leandro. Capitalismo e
felicidade: apontamentos sobre a teoria social contemporânea e o pensamento de
Marx. Revista Intratextos, v. 9, n. 1, 2018.

MARX, K. Trabalho assalariado e capital. São Paulo: Expressão Popular. 2006.

ŽIŽEK, S. Problema no Paraíso: do fim da história ao fim do capitalismo. Rio de


Janeiro: Editora Zahar, 2015.
Obrigado!

Fernando da Cruz Souza


Giovanna Lorenzi Pinto