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Divisão De Engenharia

Curso de Licenciatura em Engenharia de Processamento Mineral


C/D, 3o Ano Turma B
Disciplina: Separação mineira II
Tema:
Flotação de silicatos e Zinco
Discentes:
Odência Isaura Sumbana
Raúl Fernando Raúl
Docente:
MSc. Leandro Peres
Tete, 2019
Introdução
• Os minerais silicáticos, que representam 98% da
crosta terrestre, geralmente apresentam-se como
minerais de ganga (sem valor econômico) no
tratamento de minérios. Por conta da sua
abundância na crosta terrestre, há uma variedade
muito grande de minerais desse grupo. De acordo
com dados do Sumário Mineral (DNPM, 2015), o
único silicato classificado como minério e
concentrado a partir do processo de flotação, é a
vermiculita.
Cont…
Cont…
  Átomos de Arranjos dos    
Classe hidrogênio (O) tetraedros Relação Si:O Exemplos
compartilhados

Nesossilicatos 0 Independentes, 1:4 Olivina


isolados
Sorossilicatos 1 Duplos, isolados 2:7 Hemimorfita
Ciclossilicatos 2 Anéis 1:3 Turmalina
  2 Cadeias simples 1:3 Grupo dos
Isossilicatos piroxenos
2,3 Cadeias duplas 4:11 Grupo dos
anfibólios
Filossilicatos 3 Folhas, lâminas 2:5 Grupo das micas
  4 Estruturas 2:1 quartzo
Tectossilicatos tridimensionais
complexas
Classificação dos silicatos
• Cada classe de silicatos possui um arranjo
cristalino especifico, permitindo acomodar os
átomos de silício (Si) e oxigênio (O). A
diferença entre as estruturas cristalinas
permite a formação de diferentes minerais.
Nesossilicatos
Apresentam algumas características, como
praticamente não ocorrer quebra dos tetraedros de
silício e por conter ponto de carga zero (PZC), isto é,
mesma quantidade de cargas elétricas positivas e
negativas, na faixa de pH de 4 a 8 (Fuerstenau &
Pradip, 2005). Alguns exemplos são o topázio,
granada e a fenacita. Kwang (2003) menciona que os
minerais pertencentes a este grupo tendem a flotar
melhor com o uso do coletor aniônico oleato de
sódio, quase sempre insensíveis ao pH.
sorossilicatos e ciclossilicatos
Possuem o PZC na faixa de pH 3 a 4. Além disso,
a quebra das ligações silício-oxigênio nos
tetraedros de sílica os difere do grupo dos
nesossilicatos. Exemplos dessa classe de
minerais são o berilo, turmalina, alanita e
cordierita (Chaves, 2013).
Isossilicatos
O grupo dos Isossilicatos tem cadeia simples ou
dupla. Eles possuem muitas ligações silício-
oxigênio que quebram em conjunto as ligações
cátion-oxigênio. Isso faz com que ocorram
superfícies de clivagem hidrofílica e
anisotrópica. Em virtude desta situação, o PZC
da grande maioria dos Inossilicatos é de pH 3.
Filossilicatos
Os filossilicatos, ao terem as ligações quebradas,
geram superfícies hidrofílicas. A Caolinita e as
micas são exemplos de minerais deste grupo,
apresentando boa flotabilidade na faixa de pH 2
a 3, tanto com o coletor aniônico, quanto com o
catiônico. Entretanto, um mineral que foge a
essa regra é a serpentina, que com o uso de
oleato de sódio, flota em uma faixa estreita de
pH 9 a 11 (Manser, 1975).
Tectossilicatos
Chaves (2013) classifica como tectossilicatos os
feldspatos, feldspatóides e quartzos, minerais
que envolvem a quebra de tetraedros de sílica
ou alumínio, formando superfícies hidrofílicas e
PZC com pH de 1,5 a 2,5.
FLOTAÇÃO DE SILICATOS

Flotação é um processo de separação utilizando


princípios de química de superfície dos minerais. Para
o sucesso do processo, é necessária a cominuição do
minério, permitindo que suas partículas sejam
liberadas. A flotação em espuma, bastante comum, é
feita em água, na qual algumas partículas das
espécies minerais aderem as bolhas de ar que são
inseridas na polpa, transbordando, enquanto o
restante sedimenta juntamente a água (Wills & Finch,
2015).
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Esquema representativo das etapas de flotação. Fonte: Adaptado de Luz et al


(2010).
Coletores
São substâncias que envolvem as partículas e
tornam elas capazes de aderirem às bolhas de ar
(hidrofóbicas). Sua estrutura molecular
caracteriza‐se por uma porção molecular
covalente e outra iônica, tornando o coletor um
surfactante (Mular, Halbe & Barratt, 2002).
Cont…

Representação esquemática do ângulo de contato entre as


fases. Fonte: Adaptado de LUZ et al (2010).
Espumantes
São reagentes com estrutura molecular formada
por um grupo polar, que pode, ou não, ser
iônico. Sua função é reduzir a tensão superficial,
manter a probabilidade de colisão com as
partículas hidrofóbicas e aumentar o tempo de
contato da partícula com a bolha após o choque
(Gupta & Yan, 2006).
Modificadores
Tratam‐se de reagentes que adequam a ação
efetiva do coletor e aumentam a sua
seletividade. Traduzem‐se nos reguladores de
pH, ativadores e depressores (Baltar, 2008).
Equipamentos de flotação
As máquinas de flotação têm o objetivo de
separar os minerais de interesse da ganga. Para
tal finalidade, torna‐se necessário que
reagentes, ar, minerais e fase líquida estejam em
contato íntimo. A principal função da máquina
de flotação é injetar ar na polpa. Chaves (2013)
classifica‐as em células mecânicas, pneumáticas,
tank cell e colunas de flotação.
Células mecânicas

Esquema do funcionamento de uma célula de flotação.


Fonte: LUZ et al (2010).
Células pneumáticas
As células pneumáticas não possuem agitação
que cause turbulência da polpa no tanque,
permitindo a flotação de partículas minerais
mais finas. A aeração é feita através da injeção
de ar comprimido. Podem ter em sua estrutura
tela ou não. Na primeira situação, o ar é injetado
na parte inferior do equipamento através de um
fundo poroso.
Tank cell
São máquinas de flotação que utilizam a tecnologia
de agitadores e condicionadores para promover a
agitação da polpa. Possuem agitação mecânica
através de rotores e diferem das células mecânicas
convencionais pela possibilidade de alteração do
posicionamento dos rotores em função da etapa
de flotação realizada. Deste modo, permitem um
melhor controle e eficiente dos processos de
flotação realizados (Chaves, 2010).
Colunas de flotação

As colunas são equipamentos


de grande capacidade que
funcionam sem agitação
mecânica, somente com
injeção de ar em sua base.

Representação
esquemática da coluna de
flotação. Fonte: Adaptado
de Luz et al (2010).
USO DE COLETORES ANIÔNICOS NA
FLOTAÇÃO DE SILICATOS
As aminas e os ácidos carboxílicos são alguns
dos coletores aniônicos mais presentes na
flotação de uma gama de minerais de todos os
grupos mineralógicos, principalmente dos
silicatos (Wills & Finch, 2015).
Cont…
Mineral PZC pH Mecanismo de adsorção

Quartzo 1.4-2.3 11 Quimissorção


Microlina 1.7-2.4 2-6 Não flutua
Albita 1.9-2.3 2-6 Não flutua
Moscovita 1.0-3.2 8 Quimissorção
Espodumênio 2.6 4-8 Fisissorção /Quimissorção

Augita 2.7-4.5 3.8-11 Quimissorção


Berilo 2.7-3.4 <4 Fisissorção
Berilo 2.7-3.4 >4 Não flutua
Berilo 2.7-3.4 7 Quimissorção
Turmalina 3.9 5-10 Quimissorção
Granada 4.4 <4 Fisissorção
Distênio 6.2-7.9 <4 Fisissorção

Tabela II: Mecanismo de adsorção de coletores aniônicos em minerais


silicáticos. Fonte: Adaptado de Viana et al (2006).
DEPRESSORES NA FLOTAÇÃO DE SILICATOS

• O amido é um dos principais depressores utilizados


nas plantas de concentração de fluorita, apatita e
minério de ferro. O reagente é bastante atrativo
em função de seu custo e biodegradabilidade.
• A solubilização do amido é realizada a partir de um
processo de gelatinização, que consiste em romper
as ligações intragranulares através de um aumento
de temperatura ou adição de reagentes químicos,
como a soda cáustica (Turrer, 2004).
ESPUMANTES NA FLOTAÇÃO DE SILICATOS

Os espumantes são reagentes surfactantes utilizados


para estabilizar as bolhas e, assim, melhorar o
transporte da partícula coletada (Bulatovic, 2007).
Entretanto, a utilização de espumantes na flotação
dos silicatos não é muito usual, já que a amina tem a
função de coletor e espumante. Normalmente os
custos de utilização de coletores e espumantes como
reagentes separados impedem sua aquisição (Araújo,
Oliveira & Dilva, 2005).
APLICAÇÃO DA FLOTAÇÃO DE SILICATOS

Os silicatos estão associados com a maior parte


dos minerais de interesse econômico. Logo, sua
flotação é necessária para concentração do
mineral útil, sendo descartados como rejeitos.
Entretanto, a vermiculita é uma exceção, sendo
o único silicato considerado como minério e
concentrado pelo processo de flotação.
FLOTAÇÃO DE ZINCO
Flotação de Minérios Oxidados de Zinco
Várias linhas de flotação de minérios oxidados de
zinco foram pesquisadas por diversos autores, tais
como:
• flotação com coletores aniônicos;
• mercaptans (6 a 7 carbonos), xantatos de cadeias
mais longas, ácidos graxos e ditiocarbamatos;
• flotação da ganga ou de alguns minerais
componentes da ganga com coletores diversos;
• flotação catiônica com sulfetização prévia.
Segundo a maioria dos pesquisadores, a flotação
catiônica com sulfetização prévia, usando como
coletor amina primária, alquilamina, é a opção mais
adequada para concentrar minérios oxidados de
zinco. Os reagentes utilizados no início foram xantatos
mais poderosos e mercaptans, mais tarde aminas
graxas. A sulfetização com Na2S foi considerada
necessária. Estas condições tornaram possíveis a
flotação de carbonatos e silicatos de zinco (Rey et alii,
1954).
Estudos de flotação realizados com minério
carbonatado de zinco usando etilxantato de
potássio como coletor e sulfidril e íons de cobre
como ativadores apontaram a possibilidade de
flotar os grãos finos de ZnCO3.
Rey e Raffinot (1953) mostraram que
mercaptans e xantatos com 6 ou mais átomos de
carbono na molécula tem um efeito de coleta
nos minerais de zinco. Eles concluíram que
outros radicais tiveram um efeito similar quando
eles foram combinados com ação sulfetizante.
Este é o caso de aminas primárias e
ditiocarbamatos.
Segundo Billi (1957), na flotação com minério
oxidado de zinco de Gorno, usando uma
deslamagem inicial e condicionamento da polpa
aquecida a 50°C com sulfeto de sódio e silicato
de sódio em pH 11, seguido por flotação a 45%
de sólidos com amil xantato de potássio e
sulfato de cobre, conseguia-se obter uma
recuperação de 76,4%.
Minérios Oxidados de Zinco de Vazante
• Peres e Coelho (1974) utilizaram concentração gravimétrica
e flotação, com anterior separação magnética dos óxidos
de ferro. Eles alcançaram resultados satisfatórios (37,7 e
31,9% de Zn nas etapas de mesa vibratória e flotação,
respectivamente), utilizando na flotação as seguintes
etapas: silicato de sódio como dispersante (5 minutos de
tempo de condicionamento); ativador (sulfeto de sódio) e
depressor (cataflot P40 e giltex PC) (com 2 minutos de
tempo de condicionamento); coletor amina (cataflot DS16)
e espumante (óleo de pinho) em 2 minutos de tempo de
condicionamento e flotação (tempo de 8 minutos).
Segundo Billi e Quai opus cit Baltar e Villas Boas
(1980), dentre os vários coletores testados para
flotar minérios oxidados de zinco de Gorno
(Itália), as aminas de origem vegetal, obtidas de
ácidos graxos foram as que apresentaram os
melhores resultados. Eles concluíram que a
amina, a partir de gordura animal, devida à
excessiva espuma formada não deveriam ser
usadas.
Em ensaios de flotabilidade de minerais de zinco
com dodecilamina, na presença e ausência de
sulfeto de sódio e do dispersante silicato de
sódio, os resultados indicaram uma possível
seletividade em torno de pH 10, máxima
flotabilidade da willemita e mínima de dolomita.
Já na presença dos dispersantes hexametafosfato
de sódio e cataflot os resultados sugerem o pH
em torno de 11,5, como de maior seletividade .
Bustamante e Shergold (1983), em ensaios de
flotação em tubo de Hallimond com mineral de
willemita, na presença de dodecilamina e
sulfetização prévia, também chegaram a um
valor maior de adsorção e recuperação em torno
de pH 10.
Recuperação da
hemimorfita e willemita
como uma função do pH
(concentração de amina
= 1 x 10-5 M) (Salum,
1982).
Recuperação da willemita
como função do pH na
presença de NaOH e
Na2S.9H2O (concentração
de amina 1 x 10-5 M)
(Salum, 1982).
Tempo de Flotação, Aeração e Agitação das
células
Baltar e Villas Boas (1980), em ensaios de flotação
com minério oxidado de zinco (utilizando amina,
sulfeto de sódio e dispersante), verificaram que o
tempo ideal de flotação de minério de zinco
oxidado situou-se entre 2 e 3 minutos. O teor de
zinco no concentrado praticamente não sofreu
influência da vazão de entrada de ar, ao passo que
uma recuperação mais alta foi obtida com uma
vazão em torno de 7,2 L/min (figura 9).
Influência da aeração na
recuperação de zinco (Baltar
e Villas Boas, 1980).
Efeito da Temperatura
A velocidade de todos os processos que
acontece nas fases das interfaces aumenta com
a elevação da temperatura da polpa. Na maioria
dos casos, a elevação da temperatura intensifica
a flotação, mas isto é quase sempre
acompanhado pela redução na seletividade.
Baltar e Villas Boas (1980) e Moreira et alii
(2005) concluíram que o aumento da
temperatura da polpa de flotação afeta
fortemente os resultados da flotação do minério
de zinco de Vazante, diminuindo o teor e a
recuperação de zinco, comprovando sua
influência negativa no processo quando se
utilizam coletores que se adsorvem fisicamente
na superfície dos minerais (Tabela III e figura 10).
O efeito benéfico da elevação da temperatura é
evidente quando a adsorção do reagente na
superfície mineral ocorre por reação química.
Porém, quando os reagentes são fisicamente
adsorvidos, uma elevação na temperatura
provoca uma queda na flotabilidade dos
minerais, como por exemplo, a flotação dos
minerais oxidados de zinco utilizando aminas
como coletor.
Temperatura Alimentação Concentrado
(ºC) Teor (%Zn)
Teor (%Zn) Rec. (%Zn)

20 16,6 42,5 69,0

40 16,7 21,0 4,7

60 16,4 9,4 1,0

Testes de flotação com minério oxidado de zinco de vazante, variando a


temperatura da polpa (Baltar e Villas Boas, 1980)
Gráfico da temperatura em função das variáveis teor zinco no concentrado,
recuperação metalúrgica e recuperação em massa (Moreira et alii, 2005).
Os resultados obtidos por Moreira eti alii (2005)
chamam a atenção, pois acima de 30°C iniciou-
se a queda de recuperação mássica e metálica,
decrescendo acentuadamente para valores de
temperatura maiores que 42°C. O clima da
cidade de Vazante é caracterizo por altas
temperaturas na estação de verão, atingindo
temperaturas acima de 35°C nessa estação.
Agentes Coletores
A flotação provou ser o método
economicamente mais viável para tratar os
minérios de zinco. Várias linhas de pesquisa
utilizando flotação foram testadas com esses
minérios e segundo a maioria dos pesquisadores
a flotação catiônica é a opção mais adequada
para a concentração do zinco.
Agentes Espumantes
Os espumantes mais comumente utilizados são
cadeias comuns de álcoois ramificados como
MIBIC (metil isobutil carbinol), poly (propileno
glicol), metiléteres, óleo de pinho e ácido
cresílico.
Conclusões
Há uma tendência atual que busca a realização
de mineração de forma sustentável. A flotação é
um processo que consome grandes quantidades
de água e, portanto, alternativas que reduzam
este consumo são de fundamental importância
na visão de Pinheiro, Baltar e Leite (2010).
Cont.
Outro ponto importante é a alta utilização de
reagentes coletores (amina) na flotação de
silicatos. São compostos caros, e sua redução ou
substituição por substâncias alternativas pode
significar redução de custos no processo de
flotação (Luz et al, 2010).
Cont.
Na flotação de zinco, A amina não emulsificada
alcançou um baixo desempenho na flotação
quando se utilizou uma baixa concentração de
sulfeto de sódio; Entre os óleos naturais
testados, a mamona e o cocô de babaçu
atingiram bons resultados na flotação,
mostrando como opção para o sistema de
reagentes.

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