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JANE AUSTEN

E O GÊNERO EPISTOLAR
Introdução:

Este estudo tem como objetivo fazer uma análise crítica


dos elementos e características do gênero epistolar tão
importante e presente nas obras de Jane Austen, em especial
no romance Lady Susan, fornecendo uma nova abordagem
da obra.
A relevância e a contribuição de Austen para a literatura
universal serão apreciadas e analisadas neste trabalho que
tem como objetivo reafirmar a importância da autora inglesa
na literatura universal, como também explorar o gênero em
questão, tão essencial para criação dos romances da autora,
como também para o desfecho de suas personagens.
I - O Gênero Epistolar

 Desde o século I a.C. até o século IV d.C., menções a cartas aparecem


nas obras de alguns filósfos e escritores como Demétrio, Filóstrato de
Lemnos e Caio Júlio Victor.

 Sobre a trajetória da escrita epistolar, observa-se que a epistolografia


era fundamentada na arte retórica de Aristóteles, mas em pleno
século XIX, como um dos gêneros mais utilizados para comunicação
entre as pessoas, procurava ao mesmo tempo se encaixar nos
modelos clássicos e se moldar às novas exigências da época e de seus
usuários.

 Romancistas de diversas partes do mundo utilizaram a epístola ou


como forma literária predominante, ou como elemento auxiliar na
construção e desfecho de seus romances. Uma das estratégias dos
ficcionistas foi a de reproduzir um efeito real com relação ao texto
literário.
“Especificamente quanto às epístolas de Cícero e de Sêneca,
o interesse reside também no fato de terem sido eleitas
como modelo de escrita epistolar, sobretudo durante o
Renascimento, nos séculos XV e XVI”. (TIN, 2005, p.18)

“De todos os gêneros em prosa, a carta é o mais difícil de ser


enquadrado, pois sua feição verbal é múltipla e participa da
natureza de outros gêneros periféricos como o diário, a
autobiografia e o memorialismo” (SANTOS, 1998, p.15)
“A antologia de Kenyon reforça no próprio título da
obra, a associação entre as mulheres e as cartas, e o
texto recomendado para uma futura leitura é entitulado
Writing the Female Voice: Essays on Epistolary
Literature. Criado para consumo popular, o texto de
Kenyon demonstra a persistência da retórica que
iguala a feminilidade epistolar e a epistolaridade
feminina, uma retórica que deriva de um ponto de vista
particular do romance do século dezoito e sua
associação às mulheres”. (Gilroy e Verhoeven, 2000,
p.1. Tradução própria.)
II – JANE AUSTEN– VIDA, OBRA E AS CARTAS
Vida
Jane Austen foi uma grande autora, nascida em 16 de setembro de
1775, na paróquia de Stenventon, em Hampshire, Inglaterra. Austen
é considerada uma das figuras mais importantes da literatura inglesa
ao lado de autores como William Shakespeare e Oscar Wilde.

Austen teve uma vida bastante similar a de uma jovem de sua época.
A publicação de alguns romances ainda em vida, e o fato de ter
conseguido alguma renda com a venda de suas obras, são fatores que
a diferenciam da figura feminina presente em sua época. Seu
sobrinho a definia como uma pessoa doce e de bom coração. Jane
Austen nunca se casou. Chegou a receber uma proposta de
casamento de Mr.Harris Bigg-Wither, irmão mais novo de suas
amigas, em 2 de dezembro de 1802, mas mudou de opinião no dia
seguinte ao do noivado.
Morte
Em março de 1817, a autora começou a ficar doente, pensa-
se que ela pode ter sofrido do Mal de Addison. Viajou até
Winchester na esperança de encontrar a cura, porém viria a
falecer ali, em 18 de julho de 1817, aos 41 anos, sendo
sepultada na catedral da cidade. Como era de costume da
época, as mulheres não podiam comparecer a funerais e sua
grande amiga e irmã, Cassandra, não esteve em seu enterro.
Obra

“Esta brilhante escritora é aclamada não somente


pela crítica que faz à sociedade inglesa do início do
século XIX, mas por adotar “diferentes técnicas
narrativas [que vão] desde o narrador onisciente
até o comentário direto da autora, passando por
diálogos dramáticos, descrições minuciosas e pelo
discurso indireto livre”. (ALVES apud SONEGO,
2006, p.1)
A autora de fato sabia bem onde estava seu maior talento
literário. Após ter experimentado em sua juventude a
escrita através de diversos gêneros, entre os quais estão
os romances epistolares, poemas, preces, sermões,
chegando até mesmo a esboçar uma História da
Inglaterra, ela encontra sua veia artística num tipo de
romance do qual viraria precursora. Conforme afirma
Watt, Jane Austen teria conseguido unir a proximidade
psicológica de Richardson e Defoe à análise irônica e
distanciada empregada por Fielding, conseguindo
conjugar numa “unidade harmoniosa as vantagens do
realismo de apresentação e as do realismo de avaliação,
das abordagens, interior e exterior, da personagem.”
(COLASANTE, 2006, p.25).
Cartas
Não se trata de estabelecer relações diretas entre realidade e ficção, mas se
levarmos em conta que recuperar a autora como leitora pode ajudar a
compreender como está retratada em suas obras a sua percepção como leitora,
bem como alguns elementos da ideologia e cultura da sociedade burguesa
contemporânea à autora, a partir da qual ela compõem suas personagens. Suas
cartas evidenciam de modo enfático que a autora escolhe cuidadosamente o que
é material para seus romances, inclusive as alusões ou citações que faz, e que
as escolhas se relacionam com o efeito do texto no leitor.
Como já mencionado neste estudo, Jane Austen retratava em suas obras o
cenário vivido na época vigente. Em todos os seus romances a carta possui
papel fundamental na resolução de conflitos e esclarecimento de mal entendidos.
Analisemos uma breve situação na obra Orgulho e Preconceito. Neste romance
o herói, Mr. Darcy, e a heroína, Ms. Elizabeth Bennet, a princípio não possuem
um bom relacionamento devido à divergência de opiniões e alguns mal
entendidos.
Logo após uma convivência prolongada dos protagonistas em Rosings, Mr.
Darcy propõe Elizabeth Bennet em casamento, proposta que é recusada de
forma muito mais rude do que esperada diante de um acontecimento desta
natureza. Logo após este episódio, sem dúvida um clímax presente na obra,
Elizabeth fica muito confusa, até este momento ela não sabia do amor de Mr.
Darcy, e este na justificação das ações das quais foi acusado durante a recusa
de Elizabeth compõe uma carta justificativa para a heroína.
III - Lady Susan – O romance epistolar de Jane
Austen

→ Lady Susan Vernon;

→ A força feminina e suas conspirações apresentadas através


das cartas;

→ Frederica Vernon;

→A figura masculina presente em um universo


predominantemente feminino ;

→ Capítulo de Conclusão da obra


Considerações Finais:
A partir de tudo que foi analisado é possível chegar a conclusão de
que Jane Austen conseguiu através da epistola, construir um conjunto
de obras extraordinário. Sendo as cartas utilizadas como elemento
fundamental na resolução de conflitos, ou como gênero literário
predominante, como na obra Lady Susan, Austen provou a importância
do gênero em questão. Seus romances continuam conquistando
diversos admiradores e possuem lugar cativo na literatura universal.
O gênero epistolar mesmo não sendo muito utilizado ou abordado
se apresenta como um gênero tão importante como qualquer outro.
Através da carta pode-se conhecer o que até então era desconhecido, é
possível ser espectador de uma história que não é a de quem está
lendo.
A obra Lady Susan, que representa um hiato na totalidade das
obras de Jane Austen, consegue surpreender pela eficácia e
dinamismo. Único romance epistolar da autora, é considerado por
muitos estudiosos e admiradores da autora inglesa, como um dos seus
melhores romances, provando novamente a eficácia do gênero epistolar
na literatura.

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