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Ciencia Política e Direito Constitucional

Universidade Lusófona -Mindelo

Docente: Mestre Ivany Andrade Brito


ivanyb16@gmail.com
9707576
O Estado. Os elementos do sistema político

• O Estado. Elementos, funções e finalidades.


• A evolução histórica do Estado moderno.
• As formas de Estado.
• As formas de Governo.
• Os sistemas de Governo.
• Os partidos políticos: Antecedentes, características, origem, âmbito e
extensão social.
Surgimento do Estado
• O termo Estado (do latim status: modo de estar, situação, condição)
data do século XIII e se refere a qualquer país soberano, com
estrutura própria e politicamente organizado, bem como designa o
conjunto das instituições que controlam e administram uma nação.
Os agrupamentos sucessivos e cada vez maiores de seres humanos
procedem de tal forma a chegarem à ideia de Estado, cujas bases
foram determinadas na história mundial com a Paz de Vestfália, em
1648. A instituição estatal, que possui uma base de prescrições
jurídicas e sociais a serem seguidas, evidencia-se como "casa-forte"
das leis que devem regimentar e regulamentar a vida em sociedade.
• Estado não se confunde com Governo. O Estado é organizado política,
social e juridicamente, ocupando um território definido onde,
normalmente, a lei máxima é uma constituição escrita. É dirigido por
um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como
externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um
governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela
organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber,
o monopólio da violência legítima (coerção, especialmente a legal).
O Estado

• - Conceito, origem, natureza e elementos


• É ao Estado que compete manter a paz e a segurança jurídica, mas
para o fazer tem mesmo de estar imbuído da respectiva autoridade.
• Com efeito, e como já escrevia Leon Duguit, “ os governantes só são
de facto governantes quando podem, de facto utilizar uma forca
material, um poder de constrangimento.”
• Conceito
• Segundo uma definição do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, no livro
intitulado “Introdução ao estado de Direito”- o estado deve ser
entendido como uma colectividade, ou seja um povo fixo num
determinado território que nele instituiu por autoridade própria, um
poder político, relativamente autónomo.
A origem histórica do Estado

• A história do surgimento de Estados veio de muito longe, na Grécia. Na época, os futuros estados
eram chamados de “Polis”, habitado por moradores, cidadãos políticos executores da atividade
cívica. Elas eram autônomas e construíam sua organização politica. Era a “Polis”, dos gregos, e a
República, dos romanos, que traduziam a ideia de Estado, principalmente pelo aspecto do vínculo
comunitário de ordem política e de cidadania.

• Três aspectos interessantes devem ser considerados sobre a origem do Estado:


• O aspecto sociológico, que diz respeito aos elementos da sociedade política criada pelo homem;
• O aspecto histórico, que encara o Estado como um fator social em evolução;
• Os aspectos doutrinários, que analisa o Estado do ponto de vista filosófico.
• O Estado passou por três fases de transição, o Estado na Antiguidade Clássica, o Estado Feudal, e o
Estado Moderno.
Origem
• Lewis Morgan, na sua grande obra “A Sociedade Primitiva” ao referir-se as formas
de governo, tipifica-as em dois sistemas fundamentais; uma que assentava em
relações pessoais e caracterizava-se por constituir uma sociedade. A matriz desta
forma organizada é a gens (conjunto de pessoas consanguíneas, descendentes de
um antepassado comum), que através de um processo de aglutinação ira,
sucessivamente dar origem a fatria (associação de duas ou mais gens da mesma
tribo com vista a realização de determinados fins comuns), a tribo (organização
sócio-politica dos estados, ainda não integrada na vida social) e a confederação de
tribos. Ė precisamente desta ultima forma que ira surgir a Nação.
• O segundo sistema vai assentar, segundo Morgan, no território e na propriedade, e
caracterizar-se-á pelo facto de ir dar origem ao Estado. Aqui as relações não são de
ordem pessoal. Sob o estado ira constituir-se uma sociedade política, na qual as
relações das pessoas com o governo serão determinadas por um vínculo daquelas
com o território (Jus Soli)
Natureza

• Definir natureza do Estado, é, acima de tudo, descrever as condições


que estiveram na génese do seu aparecimento.
• Sabemos que o Estado se caracteriza, fundamentalmente, pelo facto
do poder estar organizado de uma forma que transcende a mera
relação de parentesco, e com o emprego da coerção ou da persuasão,
de unificar, defender e controlar uma sociedade circunscrita a um
certo território.
• Antigamente a transfiguração de uma comunidade organizada em
torno de relações interindividuais que assentavam no parentesco e no
sangue passaram a depender do direito ditado por um grupo restrito
que consubstancia a génese do Estado.
• São vários os autores que tentaram traçar as origens do Estado
delimitando num contrato como principio biológico de explicação do
estado, em que só o contrato apreendia a organização policêntrica da
sociedade.
• Para Hobbes, pelo contrato social transfere-se o direito natural
absoluto que cada um possui sobre todas as coisas a um príncipe ou a
uma Assembleia e, assim, constituem-se, ao mesmo tempo o Estado e
a sujeição a esse príncipe ou a essa Assembleia.
• No seu famoso livro Leviatã, Hobbes afirma que o único modo de erigir um poder
comum, capaz de defender os homens e de lhes assegurar os frutos da terra, consiste
em conferir todo o seu poder a um homem ou a uma assembleia. Através de um só
acto os homens formaram a comunidade e submetem-se a um soberano.
• Para Locke, o Estado de natureza é um estado de profunda liberdade, mas não um
estado de licença, por haver uma lei natural que o governa. Não obstante, o gozo da
liberdade revela-se aí arriscado e incerto, por nem todos respeitarem essa lei e, por
isso, se constitui a sociedade civil.
• Sendo que todos os homens são naturalmente livres, iguais e independentes, ninguém
pode ser posto fora do Estado sem o seu próprio consentimento. O único modo pelo
qual alguém se insere na sociedade civil é convivendo como outros homens, se juntar
e unir a eles, a fim de conservarem, em segurança, paz e sossego, as suas vidas,
liberdade e bens.
Elementos do Estados

• São três os elementos que compõem o Estado, a saber, um povo, um


território e um poder político.
• Povo – de uma forma simples, podemos dizer que o Povo é o elemento
básico na constituição do Estado. Não temos um conceito unânime quanto
ao termo, embora alguns autores proferem a palavra Nação.
• Todavia, os dois termos: povo e nação, não designam a mesma realidade,
pois o referencial tempo que corporizam e enquadram não é o mesmo.
• Na verdade a Nação traduz-se num conjunto de indivíduos fixados num
território, podendo ou não sobre ele exercer soberania, possuidores de
uma tradição cultural comum e de uma vontade de viver em comunidade e
que aspiram a realização conjunta de determinados fins.
Território

Ė o elemento que para muitos autores determina a distinção entre sociedade e


Estado
• O território é o espaço jurídico do próprio estado, o que significa que:
• - Só existe o poder do Estado quando ele consegue impor a sua autoridade, em
nome próprio sobre certo território.
• - A atribuição da personalidade jurídica internacional ao Estado ou ao seu
reconhecimento por outros Estados da efectividade desse poder.
• - No seu território, cada Estado só pode admitir o exercício de poderes doutro
Estado sobre qualquer pessoa, mediante a sua autorização.
• Quando pensamos no território, pensamos, por vezes apenas no solo
geograficamente delimitado e na camada subjacente ao subsolo. Todavia,
fazem, igualmente, parte integrante do território, o espaço aéreo e, nos
Estados que confinam com o mar, os estados ribeirinhos, o mar territorial.
O Território e o Direito do Estado

• A consideração do papel do território do Estado, não exclui o carácter


positivo de outros direitos, estatais ou não, com as quais tem
portanto o Direito do estado de estabelecer relações
intersistemáticas, na medida em que o pluralismo jurídico evidência
na observação da realidade, em que se observa vigorando dentro do
país não apenas o Direito Cabo-verdiano como também o Direito
Internacional, o Direito Canónico, embora este ultimo não esteja
adstrito à nenhuma base territorial.
• O princípio geral da territorialidade das leis significa, que as normas
da ordem jurídica de um Estado ou as que ele receba, só podem ser
executadas, como tais, no território do mesmo Estado.
A Soberania territorial dos mares

• A Soberania territorial dos mares


• O Direito Internacional do mar, conhece duas figuras de significativa importância que
se reconduzem ainda a poderes territoriais e sua soberania: a zona contígua e a zona
económica exclusiva (ZEE).
• No mar territorial não pode estender-se até um limite de 12 milhas marítimas,
medidas a partir de linha de base (Art. 3⁰ da Convenção do Direito do Mar)

• A zona contígua não pode estender-se para além de 24 milhas contadas das linhas de
base que servem para medir a largura do mar territorial. Nele o estado costeiro pode
tomar medidas de fiscalização necessárias a prevenir ou reprimir infracções (Art. 33⁰
da Convenção de 1982, relativamente ao Mar)
• A Zona económica exclusiva, por seu turno não pode estender-se para além de 200
milhas (Art. 57⁰ da mesma convenção), ela esta ligada à um conjunto de poderes
relativos aos recursos naturais, à exploração e ao aproveitamento económico.
Poder Político

• O poder políticoé efectivamente, o último e fundamental dos elementos


constitutivos do Estado.
• O Poder, quaisquer que sejam as formas de que reveste, é reconhecido em todas
as sociedades humanas, mesmo nas mais rudimentares. Assim refere George
Balandier na sua obra Antropologia Política “ não sociedade sem poder político,
não há poder sem hierarquia e sem relações desiguais instauradas entre os
indivíduos e os grupos sócias”, por esta razão, uma colectividade fixada num
território só ascende a categoria de Estado, quando passa a exercer o poder
político.

• A Limitação do Poder pelo Direito


• Há uma limitação do poder pelo Direito, até mesmo pelas leis, porque sem o seu
cumprimento não subsistiria a organização do Direito e seria destruída a segurança
em que assenta a comunidade jurídica.
A Limitação do Poder pelo Direito
• Há uma limitação do poder pelo Direito, até mesmo pelas leis, porque sem o
seu cumprimento não subsistiria a organização do Direito e seria destruída a
segurança em que assenta a comunidade jurídica.
• Este tipo de limitação do Estado pelo Direito é puramente formal porque se o
Estado deve obediência as suas leis enquanto vigoram, também pode revogá-
las, substituindo ou negando os direitos e garantias que daqueles constem;
• Ė neste âmbito da limitação do poder, que aparece a separação dos poderes,
que faz-se necessária na medida em que, quando numa pessoa encontra-se
reunido esse três poderes, não há liberdade.
• Com a teoria de separação de poderes, Montesquieu vai mais longe
discernindo que em cada poder há uma faculté de statuer e uma
faculted’empecher .
• Ele chama de faculte de statuero direito de ordenar por si mesmo ou
corrigir aquilo que se tenha ordenado por outro. E a faculte
d’empecher o direito de tornar nulo ou anular a resolução tomada
por quem quer que seja.
• Assim, o Poder Legislativo tem o poder de fazer as leis; o Poder
Executivo tem o poder não só de estatuir, mas de fazer a execução das
leis.
A Divisão do Poder
• A ideia de separação de poderes vem do sec. XVII e XVIII, em reacção contra o
absolutismo monárquico e associada à filosofia política iluminista e liberal.
• Como já atrás tínhamos visto, antes da teoria de separação de poderes ser abordada
por Montesquieu, Locke já tinha debruçado sobre esta problemática afirmando que
havia um poder legislativo, um poder executivo e um poder confederativo
respeitante as relações internacionais. Ele não falava numa completa divisão de
poder, visto que entendia que o poder primordial no Estado era o poder legislativo.
• Montesquieu, na sua obra intitulada “ O Espírito das Leis” na qual afirma que a única
maneira de limitar o poder consiste em criar outro poder que o limite e divide em
diversos poderes que se condicionem, que se limitem reciprocamente.
• Ele afirmou que em cada Estado há 3 espécies de poderes: o Legislativo, o Executivo
e o Judiciário, que é o terceiro poder introduzido pelo Montesquieu, chamado o
poder de julgar.
Funções e Fins do Estado

Funções do Estado
• Como já atrás tínhamos visto, entre o poder e a legitimidade existe
uma relação de eficácia, isto é, o poder será tanto mais consentido,
quanto mais legítimo se mostrar. Necessitando o Estado de alargar, ou
de pelo menos, de manter a sua base de apoio, terá, para isso que
desenvolver um conjunto de actividades que tendo em vista a
consecução de certos objectivos (fins), consigam congregar à sua
volta o maior número de elementos da colectividade.
• Chamamos funções de Estado ao conjunto de actividades por este
desenvolvido, com vista à realização de outros fins.
• Assim, alguns autores marxistas distinguem três tipos de funções de
Estado: a função tecno-económica, a função propriamente política,
que atua ao nível da luta política de classes, e a função ideológica,
cuja finalidade é inserir os homens nas atividades práticas que
suportam a estrutura do Estado.
• Mas, em virtude de, para os marxistas, o Estado desempenhar o papel
de aglutinador da sociedade, mantendo os conflitos de classes a um
nível que permitam a sobrevivência de uma determinada formação
social, é natural que a sua função seja, uma função de “ordem”, é
nesse sentido que eles subordinaram as funções tecno-económicas e
ideológicas à função propriamente política.
• Outro autor, “Giorgio delVecchio”, na obra “O Estado e o Direito”refere a existência de 3
funções: a legislativa, a executiva e a judicial.
• Para Roland More, em “O Estado e as Instituições”, são quatro as funções: a governativa, a
legislativa, a administrativa e o jurisdicional. As duas primeiras são de natureza política,
repartindo-as pelo Governo e pelo Parlamento em maior ou menor grau. A função
administrativa visa assegurar a gestão de certas “coletividades territoriais”, ou de
“organismos públicos”, finalmente, a função judicial exercida por magistrados, cuja missão é
fazer e aplicar as leis, dirimindo questões entre os cidadãos ou entre estes e o Estado.
• Em conclusão, podemos dizer, que apesar das diferentes orientações ideológicas dos
autores que atrás citamos, há uma terminologia adotada.
• Ou seja, a terminologia apresentada por “Giorgio delVecchio”, onde classifica as funções do
Estado em:
• - Função Legislativa
• - Função Administrativa ou Executiva
• - Função Judiciária
Condições para o exercício do Poder Político
• Como já atrás tínhamos referido, uma das condições para o exercício do
poder político é a legitimidade, defendida por Max Weber, em que ele
defende a existência de três tipos de dominação legítima; a dominação
legal, a tradicional e a carismática.
• Outra condição indispensável ao exercício da atividade do Estado é a
soberania.

• “Jean Bodin”, em 1576, talvez influenciado pelo clima de guerra e anarquia


que assolava França, desenvolveu uma doutrina nova, “a doutrina da
soberania”que resumia a essência do Estado ao poder soberano. Ele
comparava um Estado sem soberania como um barco sem quilha.
Formas de exercício do poder político
• A eficácia de um regime anda, associada às formas como é exercido o
poder político.
• Mas este poder pode ter ao seu dispor vários instrumentos de controlo
sobre a sociedade, o que, de facto, o caracteriza é o uso da força, força
cujo monopólio detém.
• Há assim, órgãos dentro do Estado que asseguram, pela violência, a
“ordem”. Estes órgãos constituem, na terminologia marxista, o chamado
“aparelho repressivo do Estado” (governo, exército, policias, tribunais,
prisões, etc) e ainda, os “aparelhos ideológicos do Estado” (igrejas,
escolas, partidos, sindicatos, imprensa, etc) que funcionam mais com
base na ideologia e actuam, normalmente, através da persuasão.
Fins do Estado
• Em termos teóricos e esquemáticos, podemos dizer que o Estado, visa a
SEGURANÇA, a JUSTIÇA e o BEM-ESTAR.
• Em relação a Segurança, ela pode ser determinada, como a defesa contra o
inimigo externo, a garantia da tranquilidade pública interna e a protecção
contra as calamidades naturais. Ela visa a manutenção da ordem e da paz social.
• Quanto ao segundo fim, a justiça, escreve Marcelo Caetano “ a sociedade
política existe para subtrair, nas relações entre os homens, ao arbítrio da
violência individual certas regras ditadas pela razão que satisfaçam o instinto
natural da justiça”.
• Segundo “John Rawls”, há identidade de interesses, pois a sociedade possibilita
que todos tenham uma vida melhor do que aquela que teriam se tentassem
viver unicamente dos seus esforças isolados.
• Em relação ao bem-estar, é entendido não apenas como o bem-estar
material dos indivíduos que o compõem, mas também o seu bem-estar
cultural e espiritual.
• Como sublinha Freitas do Amaral “ estes três fins são, pois, cumulativos
e implicam a sua realização simultânea: a segurança sem a justiça e
sem o bem-estar equivale ao totalitarismo; a justiça sem a segurança
ou sem o bem-estar é impossível, não é justiça; a segurança e a justiça
sem o bem-estar significam a imposição formal de uma ordem social
baseada na desigualdade, necessariamente geradora de revolta, e por
isso mesmo incapaz de garantir em permanência a justiça e a
segurança.
Evolução histórica do Estado Moderno
• O Estado apareceu:
• - Da necessidade, em toda a sociedade humana, de um mínimo de organização
política.
• - Da necessidade de situar no tempo e no espaço, o Estado entre as organizações
políticas historicamente conhecidas.
• - De constante transformações das organizações politicas em geral, ou das formas ou
tipos de Estado em particular;
• - Da possibilidade de, em qualquer sociedade humana, emergir o Estado, desde que
verificados certos pressupostos;
• - Da natureza dos pressupostos de índole geográfica, cultural, económica e social.
• - Da correspondência entre as formas de organização política, formas de civilização e
formas jurídicas;
• - Da tradução em termos de ideia do Direito e de regras jurídicas do processo de
formação de cada Estado em concreto.
Redução das formas históricas do Estado a tipos
• A “Jellinek” se deve a consideração dos “tipos fundamentais de Estado” apontando –
os como tipos de Estado com relação histórica com o Estado actual, ou porque os
unam uma imediata continuidade histórica ou porque os conhecimentos de um
tenham influênciado sobre os outros, sendo que são: Estado Oriental, Estado Grego,
Estado Romano.
• Estado Oriental
• Os traços mais marcantes desse tipo de Estado são:
• - Teocracia,ou seja, o poder político reduzido ao poder religioso
• - Forma monárquica
• - Reduzida as garantias jurídicas dos indivíduos
• - Ordem desigualitária e hierárquica da sociedade.
• - Larga extensão territorial e aspiração a construir um império universal
• Estado Grego
• - Relativa ou pouca importância do factor territorial
• - Prevalência do factor pessoal
• - Deficiência ou inexistência de liberdade fora do Estado ou redução da liberdade pessoal

• Estado Romano
• Roma constituiu-se pelo agrupamento das famílias e das gentes, as quais são unidas pelo culto dos
antepassados
• Os traços essenciais desse tipo de Estado são:
• - Consciência da separação entre o poder público e o poder privado
• - A consideração como direitos básicos do cidadão romano não apenas o direito de eleger, ou de
acesso as magistraturas, como também direito ao casamento legítimo, celebração de actos jurídicos.
• - Desenvolvimento da noção do poder político, como o poder supremo e uno
• Até o Estado atingir o estatuto do Estado Moderno, podemos considerar que ele evoluiu no seguinte
sentido: Estado Estamental, Estado Absoluto, Estado Policia, Estado Constitucional e o Estado Social
de Direito.
• Estado Estamental- ou monarquia limitada pelas ordens, é uma forma política de transição até o
Rei ganhar força e a monarquia se tornar absoluta.
• De facto o rei tem a legitimidade como a efectividade do poder central, mas tem de contar com os
estamentos ou ordens vindos da Idade Media, que são os Parlamentos, Estados Gerais, Dietas ou
Cortes.
• Trata-se assim de uma Monarquia de Equilíbrio

• Estado Absoluto– tem as seguintes características;


• 1-Maxima concentração do poder no Rei- “O Estado sou eu”-segundo a famosa máxima de Luis XIV
• 2- O soberano aparece como o detentor do poder de fazer leis, interpretalá-as e revoga-las.
• 3 – Os poderes legislativos, executivo e judicial estão reunidos no Rei.
• 4- O poder não é partilhado com outros órgãos, Deus concede ao rei a graça especial de por a
vontade real em conformidade com o bem público.
• 5- Existem poucas regas reduzidas a escrito, é a vontade do monarca que é lei.
• 6 – O monarca não esta submetido a fiscalização de sanções.
• Estado Polícia – é o estado levado até as últimas consequências do Estado Absoluto.
• Agora o fundamento já não é divino, mas racional, recorrendo-se sobretudo à ideia de polícia,
intervindo o Rei em todos os domínios no interesse do bem público, em nome da razão do
Estado.
• Estado Constitucional – É o Estado caracterizado pela garantia dos direitos do cidadão
salvaguardados através da Constituição.
• Surgiu com as Revoluções Americana e Francesa.
• A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão , de 16 de Agosto de 1789,
diz que “Qualquer sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos, nem
estabelecida a separação dos poderes, não tem Constituição”.
• Assim, o Estado Constitucional, é caracterizado pelos seguintes traços:
• 1-Limitação do poder político
• 2- Advento da Constituição
• 3- Separação dos poderes
• 4- Reconhecimento da existência de direitos do homem.
• 5- Proclamação da igualdade jurídica de todos os homens,
independentemente do nascimento ou de outros factores;
• 6- Primado da lei, sendo o Estado fundado e limitado pelo direito,
• 7- Aparecimento dos partidos políticos
• 8- Representação política
• 9- Ideia de “Estado mínimo” com a economia entregue à “auto-
regulação do mercado”.
• 10- Abolição de privilégios
• 11- Carácter intocável de propriedade privada.
• Estado Social de Direito – tipo de Estado emergente após a I Guerra Mundial,
tendo como centro a Europa e a América, e que corresponde a adaptação
qualitativa do Estado Liberal.
• Com efeito, o Estado Social surge no período entre as duas grandes guerras,
embora apenas viesse a ganhar plena expressão depois de 1945.
• Segundo o Prof. Marcello Rebelo de Sousa, o Estado vem assumir como
características essenciais próprias, designadamente “a relevância do bem-estar e
da justiça social como fins do Estado, prevalecendo sobre o desígnio da
segurança jurídica dos cidadãos, no plano interno e no plano externo; a
importância dos direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos que
correspondem na sua consagração a uma nova escala de objectivos e funções do
Estado”.
• O Estado social assume como suas principais componentes o bem-
estar público e a procura da justiça social, assumindo-se cada vez
mais como o administrador da justiça distributiva em campos como o
Direito fiscal, direitos das sucessões, assistência social, protecção no
trabalho.
• Podemos concluir que o Estado Social vai realizar o aprofundamento e
o alargamento simultâneos da liberdade e da igualdade em sentido
social, com integração política de todas as classes sociais.
As Formas de Estado
• De acordo com o Prof. Jorge Miranda, podemos caracterizar como “Forma
de Estado”, o modo de o Estado dispor o seu poder em face de outros
poderes de igual natureza (em termos de coordenação e subordinação), e
quanto ao povo e o território (que ficam sujeitos a um ou mais de um poder
político).
• Por exemplo, estamos perante um Estado simples ou unitário quando existe
uma unidade de poderes políticos, de autoridade de governo, assim como
uma só Constituição. Como exemplo temos os casos de Cabo Verde,
Portugal, França, Itália, Espanha.
• Por outro lado, estamos face a um Estado composto, quando coexistem
uma pluralidade de poderes políticos e de autoridade de governo, como
acontece com os Estados Federais.
• Nesse caso, de Estados Federais, apesar de conservarem a sua autonomia constitucional,
perdem a personalidade jurídica constitucional a favor da União, não tendo quaisquer
direitos na ordem internacional.
• Quanto aos Estados Federais, são constituídos pelos Estados Federados (por exemplo os
Estados Federais dos Estados Unidos) sendo o território federal resultado da junção dos
territórios dos Estados Federados.
• Assim, os cidadãos do Estado Federal estão sujeitos ao governo central e ao governo do seu
Estado Federado.
• Cada um dos Estados federados tem uma Constituição que é elaborado pelos próprios
Estados federados.
• Esses Estados dispõem de um correspondente sistema de funções e órgãos legislativos,
governativos, administrativos e jurisdicionais próprios, assim como de forças de segurança,
aos quais incumbem a aplicação e execução das leis.
Algumas características do Estado de Cabo Verde
• - Cabo Verde é uma República Soberana, unitária e democrática. (Art.1⁰n⁰1 da
Constituição da República de Cabo Verde)
• - Organiza-se em Estado de direito democrático assente nos princípios da
soberania popular, no pluralismo de expressão e de organização política
democrática e no respeito pelos direitos e liberdades fundamentais (Art. 2⁰ n⁰1
da CRCV)
• - A soberania pertence ao povo, que a exerce pelas formas e nos termos
previstos na Constituição (Art. 3⁰ n⁰1 CRCV)
• - O Estado subordina-se a Constituição e funda-se na legalidade democrática,
devendo respeitar e fazer respeitar as leis (Art. 3⁰ n⁰2 da CRCV).
• - O poder político é exercido pelo povo através do referendo, do sufrágio e pelas
demais formas constitucionais estabelecidas (Art.4⁰ n⁰ 1 da CRCV)