Você está na página 1de 13

EDUCAÇÃO LITERÁRIA

José Saramago, O Ano da


Morte de Ricardo Reis
Representações do século XX:
o espaço da cidade,
o tempo histórico e os
acontecimentos políticos
1. Por que razão se pode considerar
que neste romance se cruzam várias
viagens?
Neste romance, há várias viagens que se
entrecruzam, apresentando uma perspetiva
invertida da heroicidade das viagens marítimas
portuguesas. Assim, a viagem pela cidade
labiríntica, pelos acontecimentos políticos do
início do século XX, a própria viagem de Ricardo
Reis do Brasil para Portugal apresentam mais
traços dececionantes do que gloriosos.
2. Por que razão se pode denominar
esta obra como um romance de luz e
sombra?
Esta obra pode ser considerada como um
romance de luz e sombra, na medida em que
se entrelaçam no texto momentos do passado
glorioso de Portugal com o presente
decadente.
3. Que diferentes tempos se cruzam
neste romance pela voz do narrador
ou das personagens?
Este romance localiza a ação no ano de
1936 (Ricardo Reis regressa a Lisboa a 30 de
dezembro de 1935) e, partindo de factos
históricos, mistura acontecimentos presentes,
passados e futuros pela voz das personagens
ou do narrador.
4. Em que medida a primeira e a última
frase do romance condensam uma
mensagem histórica para Portugal?
Ao lermos a primeira e última frase deste
romance, somos confrontados com uma reflexão
sobre a aventura marinheira de Portugal de que
Camões é eco e com a forma de desconstruir
/reconstruir o novo projeto cultural português.
As duas frases, colocadas estrategicamente no
início e no fim do romance, desdobram o verso
da estrofe 20 do Canto III de Os Lusíadas: “Onde
a terra se acaba e o mar começa”. O novo texto
4. Em que medida a primeira e a última
frase do romance condensam uma
mensagem histórica para Portugal?
(cont.) responde: “Aqui o mar acaba e a terra
principia” e “ Aqui onde o mar se acabou e a
terra espera”, invertendo o movimento da
cultura, pois já não se crê no mar como saída
para a pequenez e a subalternidade, pois é na
terra, na pátria que existe o verdadeiro tesouro
escondido que constituirá o alicerce da história
portuguesa.
5. Em que medida estão presentes
neste romance várias representações
do século XX?
Saramago recupera um tempo − 1936 − ,
um poeta – Ricardo Reis − , uma poesia –
Fernando Pessoa −, um contexto de amizade e
de especulação intelectual entre Ricardo Reis
e Fernando Pessoa, sem deixar de lado a
ficção e as profecias para o futuro de Portugal.
6. Qual é o tempo histórico do
romance?
O romance retoma os acontecimentos mundiais
marcantes do início do século XX: 1910 e a
proclamação da República; 1914 e a I Guerra
Mundial; a ocupação da Líbia pelos italianos; 1916
e o momento em que Alemanha declara guerra a
Portugal, que entra formalmente no conflito; 1917-
1918 e a Revolução Russa; 1926 e a Revolução de
28 de Maio e instauração da Ditadura militar que
dará lugar ao Estado Novo e que substituirá a I
República; 1928, quando Salazar é nomeado
6. Qual é o tempo histórico do
romance?
(cont.) Ministro das Finanças e Óscar Carmona é
eleito Presidente da República sem oposição; 1931
e a proclamação da República em Espanha; 1934
quando Adolf Hitler sobe ao poder na Alemanha;
1936 e o momento em que Mussolini invade a
Etiópia com sucesso, a sua conquista unificaria as
colónias italianas no chamado “chifre da África”;
1936-1939 e a Guerra civil espanhola; 1939 e a II
Guerra Mundial.
7. Qual é o retrato político de Portugal
desenhado no romance?
O retrato de Portugal no romance é a de um
país em crise, é o Portugal da primeira República
à Ditadura (45 governos, 8 eleições, 8 presidentes
em 15 anos); é o Portugal de Salazar, desde 1928,
no cargo de Ministro das Finanças e verdadeiro
líder da nação. Salazar é visto como “Salvador da
Pátria”, dentro do espírito messiânico e
sebastianista de quem acredita num futuro
glorioso garantido por um passado grandioso. Os
jornais portugueses apresentam-se, na obra,
7. Qual é o retrato político de Portugal
desenhado no romance?
(cont.) comprometidos com o discurso do poder;
há repressão à contestação; a Mocidade
portuguesa condiciona e orienta a educação dos
jovens; e são reprimidos os vários movimentos
contra o regime.
8. Qual é a importância de Lisboa na
obra?

Lisboa simboliza Portugal no romance. É a


cidade de todas as partidas e de todas as
chegadas. É também a o labirinto que
possibilita a reflexão e o reencontro com a
História.