Você está na página 1de 13

Sociologia &

Antropologia
2º BIMESTRE
Sociologia é o “estudo científico das relações
sociais, das formas de associação,
destacando-se os caracteres gerais comuns
a todas as classes de fenômenos sociais,
fenômenos que se produzem nas relações
de grupos entre seres humanos. Estuda o
homem e o meio humano em suas
interações recíprocas”

– EVA LAKATOS
Cultura e Sociedade
•O termo cultura provém de colere, que quer dizer cultivar ou instruir (cultus, cultivo, instrução);
•Muitas vezes a palavra cultura é empregada para indicar o desenvolvimento do indivíduo por
meio da educação, da instrução (noção pouco utilizada na Sociologia);
•Todas as sociedades – rurais ou urbanas, simples ou complexas – possuem cultura
•Não há indivíduo desprovido de cultura exceto o recém-nascido, em função deste ainda não ter
sofrido o processo de endoculturação (introdução ou adaptação à cultura/sociedade);
•Cultura tem significado amplo: engloba os modos comuns e aprendidos da vida, transmitidos
pelos indivíduos e grupos, em sociedade.

(EVA LAKATOS)
Cultura e Sociedade
•Segundo Hoebel e Frost (1981:28), a sociedade e a cultura “não são uma coisa só. A sociedade é
constituída de pessoas; a cultura é constituída de comportamento de pessoas. Podemos dizer que a
pessoa pertence à sociedade, mas seria errôneo afirmar que a pessoa pertence a uma cultura; o
indivíduo manifesta a cultura”;
•Para Fichter (1973:166), a sociedade consiste em uma “estrutura formada pelos grupos
principais, ligados entre si, considerados como uma unidade e participando todos de uma cultura
comum”;
•As culturas atendem aos problemas da vida do indivíd8uo ou do grupo, e as sociedades
necessitam da cultura para sobreviverem. Ambas estão intimamente relacionadas: não há
sociedade sem cultura assim como não há cultura sem sociedade (homens).

(EVA LAKATOS)
Conceitos de Sociedade
•A Sociedade é uma condição universal da vida humana.
•Somos geneticamente predispostos à vida social, a ontogênese somática [isto é, o desenvolvimento
biológico] e comportamental dos humanos dependem da interação com seus semelhantes;
•A filogênese [ou o processo evolutivo] da nossa espécie é paralela ao desenvolvimento da linguagem e do
trabalho, capacidades indispensáveis à satisfação das necessidades do organismo;
•Em sentido particular, (uma) sociedade é uma designação aplicável a um grupo humano com algumas das
seguintes propriedades; territorialidade; recrutamento principalmente por reprodução sexual de seus
membros; organização institucional relativamente autossuficiente e capaz de persistir para além do período
de via de um indivíduo; distintividade cultural;

(EDUARDO VIVEIROS DE
Conceitos de Sociedade
•Segundo Dumont (1965) o pensamento ocidental oscila entre duas imagens de sociedade, que o
autor chama de concepções “individualista” e “holista” do social:
• A primeira se funda na ideia de contrato entre átomos individuais ontologicamente independentes: a
sociedade é um artifício da adesão consensual dos indivíduos, guiados racionalmente pelo interesse, a um
conjunto de normas convencionais; a vida social está em descontinuidade radical com o estado de natureza,
que ela nega e transcende;
• A segunda se funda na ideia de um todo orgânico preexistente empiricamente ou moralmente a seus
membros, que dele emanam e retiram sua substância: a sociedade é uma unidade concreta onde a natureza
humana se realiza.
•As grandes imagens modernas para estas concepções são respectivamente o contrato (ou o seu
negativo o conflito) e o organismo.

(EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO)


Conceitos de Sociedade
•A noção [de sociedade] pode ter como referências principais o componente populacional, o componente
institucional-relacional, ou o componente cultural-ideacional do grupo (Firth 1951):
• No primeiro caso, o termo é usado como sinônimo de ‘(um) povo’ visto como tipo específico de humanidade;
• No segundo caso, em que é o equivalente a ‘sistema’ ou ‘organização’ social, [Firth] destaca o quadro sociopolítico
da coletividade: sua morfologia (composição, distribuição e relações dos subgrupos da sociedade enquanto grupo
máximo), o corpo de normas jurais (noções de autoridade e cidadania, regulação do conflito, sistemas de status e
papeis), e as configurações características das relações sociais (relações de poder, formas de cooperação, modos de
intercambio);
• No terceiro caso – em que ‘sociedade’ é frequentemente substituída por ‘cultura’ – visam-se os conteúdos afetivos e
cognitivos da vida do grupo: o conjunto de disposições e capacidades inculcadas em seus membros através de meios
simbólicos, bem como os conceitos e práticas que conferem ordem, significação e valor à totalidade do existente.

(EDUARDO VIVEIROS DE
Conceitos de Cultura
•Para alguns, cultura é comportamento aprendido; para outros, não é comportamento, mas abstração do
comportamento; e para um terceiro grupo, a cultura consiste em ideias. Há os que consideram como cultura
apenas os objetos imateriais, enquanto que outros, ao contrário, aquilo que se refere ao material. Mas
também encontram-se estudiosos que entendem por cultura tanto as coisas materiais quanto as não-materiais;
•Para Edward B. Tylor (1871) “cultura... É aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a
arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro
da sociedade”;
•Para Ralph Linton (1936), a cultura de qualquer sociedade “consiste na soma total de ideias, reações
emocionais condicionadas a padrões de comportamento habitual que seus membros adquiriram por meio da
instrução ou imitação e de que todos, em maior ou menor grau, participam”;

(EVA LAKATOS)
Conceitos de Cultura
•Franz Boas (1938) define cultura como “a totalidade das reações e atividades mentais e físicas
que caracterizam o comportamento dos indivíduos que comõem um grupo social...”;
•Malinowski (1944), em Uma Teoria Científica da Cultura conceitua cultua como “o todo global
consistente de implementos e bens de consumo de cartas constitucionais para os vários
agrupamentos sociais, de ideias e ofícios humanos, de crenças e costumes”;
•Leslie White (1959), cultura “é quando coisas e acontecimentos dependentes de simbolização
são considerados e interpretados num contexto extra-somático, isto é, face à relação que têm entre
si, ao invés de com organismos humanos”;
•Cliford Geertz (1973) propõe: “a cultura deve ser vista como um conjunto de mecanismos de
controle – planos, receitas, regras, instituições – para governar o comportamento”

(EVA LAKATOS)
Componentes da Cultura
•Conhecimentos – Todas as culturas, sejam simples ou complexas, possuem grande quantidade de conhecimento
que são cuidadosamente transmitidos de geração em geração. Ajudam na sobrevivência dos indivíduos no meio
ambiente;

•Crenças – Consistem na aceitação como verdadeira de uma proposição comprovada ou não cientificamente.
Consiste em uma atitude mental do indivíduo que serve de base à ação voluntária;

•Valores – O termo, de modo geral, é empregado para indicar objetos e situações consideradas boas, desejáveis,
apropriadas, importantes, ou seja, para indicar riqueza, prestígio, poder. Além de expressar sentimentos, o valor
incentiva e orienta o comportamento humano;

•Normas – São regras que indicam os modos de agir dos indivíduos em determinadas situações. Consistem em
um conjunto de ideias, de convenções referentes àquilo que é próprio de pensar, sentir e agir em dadas situações;
•Símbolos – São realidades físicas ou sensoriais aos quais os indivíduos que os utilizam atribuem valores ou
significados específicos. Comumente representam ou implicam coisas concretas ou abstratas.

(EVA LAKATOS)
Classificação Cultural
•Cultura Material – Consiste em coisas materiais, bens tangíveis, incluindo instrumentos, artefatos e outros
objetos materiais, fruto de criação humana e resultante de determinada tecnologia.
• Exemplos: machados de pedra, vasos de cerâmica, alimentos, máscaras, vestuário, máquinas e etc.

•Cultura imaterial – Refere-se a elementos intangíveis da cultura, que não tem substância material. Entre eles
encontram-se as crenças, conhecimentos, aptidões, hábitos, significados, normas, valores.
• Exemplos: a crença na existência de seres sobrenaturais como deuses, espíritos e fantasmas.

•Cultura real – é aquela em que, concretamente, todos os membros de uma sociedade praticam ou pensam em
suas atividades cotidianas.

•Cultura ideal (normativa) – Consiste em um conjunto de componentes que, embora expressos verbalmente
como bons, perfeitos, pata o grupo, nem sempre são frequentemente praticados.
• Exemplos: casamento indissolúvel seria o desejável pela sociedade ocidental cristã..

(EVA LAKATOS)
Relativismo Cultural
•Fundamenta-se na ideia de que os indivíduos são condicionados a um modo de vida específico e particular,
por meio do processo de endoculturação. Adquire assim seus próprios sistemas de valores e sua própria
integridade cultural;
•As culturas, de modo geral, diferem umas das outras em relação aos postulados básicos, embora tenham
[algumas] características comuns;
•O relativismo cultural não concorda com a ideia de normas e valores absolutos e defende o pressuposto de
que as avaliações devem ser sempre relativas à própria cultura onde surgem;
•Os padrões ou valores de certo ou errado, dos usos e costumes, das sociedades em geral, estão relacionados
com a cultura da qual fazem parte. Dessa maneira, um costume pode ser válido em relação a um ambiente
cultural e não a outro e, mesmo ser repudiado.

(EVA LAKATOS)
Etnocentrismo
•A posição relativista liberta o indivíduo das perspectivas deturpadas do etnocentrismo, que signica a
supervalorização da própria cultura em detrimento das demais;
•Todos os indivíduos são portadores desse sentimento e a tendência na avaliação cultura é julgar as culturas
segundo os moldes da sua própria;
•A ocorrência da grande variedade de culturas vem testemunhar que há modos de vida bons para um grupo e
que jamais serviriam para outro;
•Toda referência a povos primitivos e civilizados deve ser feita em termos de culturas diferentes e não na
relação superior/inferior;
• O etnocentrismo pode ser manifestado no comportamento agressivo ou em atitudes de superioridade e até de
hostilidade. A discriminação, o proselitismo, a violência, a agressividade verbal são outras formas de expressão
do etnocentrismo.

(EVA LAKATOS)

Você também pode gostar