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José Adnilton Oliveira

Sidney da Silva Lobato (Orientador)


 
Alguns apontamentos
1
A colonialidade que se refere a um padrão de poder que
permeia as relações intersubjetivas entre colonizador
europeu e o colonizado no caso dos grupos indígenas.

2
A educação escolar indígena na colonialidade de poder
através da cultura europeia cristã.

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Algumas interfaces do processo de inferiorização dos
povos indígenas que se deu principalmente por meio da
hegemonia branca europeia

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A educação então foi uma das principais formas que o
colonizador buscou para dominar os povos indígenas, já
colocados em uma escala inferior da sociedade
CRONOLOGIA
1549 – 1759  PERÍODO JESUÍTICO
“CONVERSÃO DOS INDÍGENAS PELA CATEQUESE E
PELA INSTRUÇÃO”
COMANDADOS PELO PADRE MANOEL DE NÓBREGA,
QUINZE DIAS APÓS A CHEGADA EDIFICARAM A
PRIMEIRA ESCOLA ELEMENTAR BRASILEIRA, EM
SALVADOR, TENDO COMO MESTRE O IRMÃO VICENTE
RODRIGUES COM APENAS 21 ANOS DE IDADE.
. “Os jesuítas perceberam que não seria possível converter os
índios à fé católica sem que soubessem ler e escrever, os nativos
poderiam de fato ser inseridos no mundo cristão.” (AZEVEDO,
1978, p.56)
•O sociólogo Gilberto Freire, na obra Casa-grande e
senzala, diz que os primeiros missionários substituem as
‘cantigas lascivas’, entoadas pelos índios, por hinos à
Virgem e cantos devotos.
•Segundo Aranha (1999, p. 20), “não raro os padres
ridicularizam a figura do pajé e os ensinamentos da tribo e
condenam a poligamia, pregando a forma cristã de
casamento, e dessa maneira começam a abalar o sistema
comunal primitivo.”
•As ações missionárias com o intuito de boicotar a cultura
dos povos indígenas e empregar a vida do branco europeu
cristão, moldando segundo a civilização ocidental cristã,
mais especificadamente a cultura portuguesa.
CRONOLOGIA
A OBRA JESUÍTICA ESTENDEU-SE
PARA O SUL E, EM 1570, VINTE E UM
ANOS APÓS A CHEGADA, JÁ ERA
COMPOSTA POR CINCO ESCOLAS DE
INSTRUÇÃO ELEMENTAR (PORTO
SEGURO, ILHÉUS, SÃO VICENTE,
ESPÍRITO SANTO E SÃO PAULO DE
PIRATININGA) E TRÊS COLÉGIOS (RIO
DE JANEIRO, PERNAMBUCO E BAHIA).
CRONOLOGIA
OS JESUÍTAS NÃO TROUXERAM
SOMENTE A MORAL, OS COSTUMES E
A RELIGIOSIDADE EUROPÉIA;
TROUXERAM TAMBÉM OS MÉTODOS
PEDAGÓGICOS. TODAS AS ESCOLAS
JESUÍTAS ERAM REGULAMENTADAS
POR UM DOCUMENTO, ESCRITO POR
INÁCIO DE LOIOLA, O RATIO
STUDIORUM.
RATIO STUDIORUM – DOCUMENTO
PUBLICADO EM 1599. O manual contém 467
regras, cobrindo todas as atividades dos agentes
envolvidos ao ensino. Iniciava pelas regras do
provincial, depois do reitor, do prefeito de estudos,
dos professores de modo geral, de cada matéria de
ensino; incluía também as regras da prova escrita, a
distribuição de prêmios, do bedel, dos alunos e por
fim as regras das diversas academias. Além das
regras e das normas, o Ratio apresenta os níveis de
ensino (Humanidades, Filosofia e Teologia) e as
disciplinas que os alunos deveriam cumprir.
(TOYSHIMA; COSTA, 2012, p.3)
CRONOLOGIA
1759 – EXPULSÃO DOS JESUÍTAS APÓS 210
ANOS DE REINADO ABSOLUTO.
NO MOMENTO DA EXPULSÃO OS JESUÍTAS
TINHAM 25 RESIDÊNCIAS, 36 MISSÕES E 17
COLÉGIOS E SEMINÁRIOS, ALÉM DE
SEMINÁRIOS MENORES E ESCOLAS DE
PRIMEIRAS LETRAS INSTALADAS EM TODAS
AS CIDADES ONDE HAVIA CASAS DA
COMPANHIA DE JESUS.
• A escola serviu como processo mediador para civilizar e
aculturar os povos indígenas. Quando a escola foi implantada
em área indígena, as línguas, a tradição oral, o saber e a arte
dos povos indígenas foram discriminados e excluídos da sala
de aula. A função da escola era fazer com que estudantes
indígenas desaprendessem suas culturas e deixassem de
serem indivíduos indígenas.
• “Historicamente, a escola pode ter sido o instrumento de
execução de uma política que contribuiu para a extinção de
mais de mil línguas”. (FREIRE, 2004, p. 23)
•  “A escola, organizada com um modelo pedagógico alheio as
cosmologias indígenas, foi imposta com o explícito intuito
colonizador, integracionista e civilizador.” (BANIWA).
• “Desta forma, o colonizador europeu impôs aos povos indígenas
a sua cultura, os seus modos de ver o mundo, o seu
conhecimento, a sua epistemologia; assim, moldou e formatou
consciências, colonizou o pensamento por meio de uma única
lógica, a eurocêntrica.” Santos (2007, p. 38),
• Esse fato como epistemicídio, ou seja, a morte das diversas
formas de saberes dos povos indígenas que sustentavam suas
visões, leituras e interpretações do mundo e que faziam parte de
suas histórias e culturas.
• O entendimento dessas questões está, segundo Mignolo (2011),
na colonialidade do poder, que, por meio da colonização
epistemológica eurocêntrica e etnocêntrica foi se constituindo no
processo de formação do sistema moderno colonial, tendo a
Europa como centro privilegiado de produção e avaliação do
conhecimento.
• Diante desse contexto histórico algumas inquietações
precisam nos mobilizar enquanto historiadores da História
da Educação. Como descolonizar o pensamento
contemporâneo? Como a história da educação pode
influenciar o processo de retomada da autonomia dos
sujeitos colocando-os como protagonistas na busca da
emancipação humana por meio da conscientização e
racionalidade?
• Sendo assim a construção do conhecimento por meio de uma
reflexão crítica acerca da estrutura social que perpetua a
colonialidade com a perspectiva da emancipação humana no
sentido de estabelecer uma ação dialógica que problematize
e proponha efetivamente mudanças na realidade social.
• É preciso trazer à tona discussões em torno da escola que temos
e planejar a escola que queremos, uma escola não para os povos
indígenas, e nem com os povos indígenas, mas dos povos
indígenas, segundo o líder Benedito Iaparrá.
• “Queremos uma escola própria do índio [...] dirigida por nós
mesmos, [...] com professores do nosso próprio povo, que falam
a nossa língua [...] A comunidade deve decidir o que vai ser
ensinado na escola, como vai funcionar a escola e quem vão ser
os professore. A nossa escola deve ensinar o nosso jeito de viver,
nossos costumes, crenças, tradição, de acordo com nosso jeito
de trabalhar e com nossas organizações. Os currículos devem
respeitar os costumes e tradições das comunidades e devem ser
elaborados pelos próprios professores junto com as lideranças e
comunidades. Os professores devem ter uma capacitação
específica. As escolas devem ter seus próprios regimentos...Que
as iniciativas escolares próprias das comunidades sejam
reconhecidas e apoiadas pelos municípios e estado e união”.