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PLATÃO A Teoria da participação

“Tal como a luz está para os olhos, o Bem está para o


428-348 A.C. intelecto”

Multiplicidade da
Os seres
matéria é uma
As essências são particulares
deturpação da
unas e imutáveis participam de suas
unidade da
essências perfeitas
essência.
[...] Zenão (...) se, contrariamente, demonstrarmos que todas as coisas são um enquanto participam do um
e que estas coisas são muitas enquanto participam, de outro lado, da multiplicidade (...) Se ao invés,
demonstrarmos que aquilo que é um e, por isso, é em si e múltiplo e, vice-versa, e múltiplo e uno, isto agora me
assombrou (PLATÃO. Parmênides, 129b) [...].
PLATÃO A Ideia do Bem
“Tal como a luz está para os olhos, o Bem está para o
428-348 A.C. intelecto”

Ilumina as
O Sol na A fonte formas de
alegoria da primordial de maneira que o
caverna todas as coisas intelecto pode
ver.
PLATÃO A Ideia de Bem
“Tal como a luz está para os olhos, o Bem está para o
428-348 A.C. intelecto”
τοῦ ἀγαθοῦ ἰδέαν (toú agathoú idéa) → ideia do Bem

megiston mathema (o conhecimento máximo)

O que permite o conhecimento

Quanto mais próximo do Sol mais una e perfeita será a coisa.

"...quando vista, deve nos levar à conclusão de que esta é de fato a causa de todas
as coisas, de tudo que tem de correto (orthós) e belo (kálos), dando à luz no
mundo visível para a luz, e mestra da luz, a si mesma no mundo inteligível fonte
autêntica da verdade (aletheia) e razão (nous), e qualquer um que agir sabiamente
em particular ou público deve tomar vista disso"
Leia o texto a seguir.

Eis com efeito em que consiste o proceder corretamente nos caminhos do amor ou por outro se deixar conduzir: em
começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para
dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas
ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que de nada mais é senão daquele próprio belo, e conheça enfim
o que em si é belo.

(PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores) p. 48)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Platão, é correto afirmar que:

a) a compreensão da beleza se dá a partir da observação de um indivíduo belo, no qual percebemos o belo em si.
b) a percepção do belo no mundo indica seus vários graus que visam a uma dimensão transcendente da beleza em
si.
c) a compreensão do que é belo se dá subitamente, quando partimos dele para compreender os belos ofícios e
ciências.
d) a observação de corpos, atividades e conhecimentos permite distinguir quais deles são belos ou feios em si.
e) a participação do mundo sensível no mundo inteligível possibilita a apreensão da beleza em si
Segundo a conhecida alegoria da caverna, que aparece no Livro VII da República, de Platão, há prisioneiros, voltados para uma parede
em que são projetadas as sombras de objetos que eles não podem ver. Esses prisioneiros representam a humanidade em seu estágio de
mais baixo saber acerca da realidade e de si mesmos: a doxa, ou “opinião”. Um desses prisioneiros é libertado à força, num processo que
ele quer evitar e que lhe causa dor e enormes dificuldades de visão (conhecimento). Gradativamente, ele é conduzido para fora da
caverna, a um estágio em que pode ver as coisas em si mesmas, isto é, os fundamentos eternos de tudo o quê, antes, ele via somente
mediante sombras. Esses fundamentos são as Formas. Para além das Formas, brilha o Sol, que representa a Forma das Formas, o Bem,
fonte essencial de todo ser e de todo conhecer e unicamente acessível mediante intuição direta.

Com base nisso, responda à seguinte questão: se chegamos ao conhecimento das Formas mediante a dialética, que é o
estabelecimento de fundamentos que possibilitam o conhecimento das coisas particulares (sombras), é CORRETO dizer:

a) para Platão, a dialética é o conhecimento imediato (doxa) dos objetos particulares.


b) o Bem é um objeto particular, que pode ser conhecido sensivelmente, de modo imediato e indolor, por todos os seres humanos.
c) as Formas são somente suposições teóricas, sem realidade nelas mesmas.
d) a dialética, que não é o último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, que exige esforço, às
coisas em si mesmas (Formas).
e) a dialética, último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, ao conhecimento do Bem.
Pensemos num cavalo diante de nós. Então perguntemos: o que é isso? Platão diria: “Esse animal não possui nenhuma
existência verdadeira, mas apenas uma aparente, um constante vir-a-ser. Verdadeiramente é apenas a Ideia, que se
estampa naquele cavalo, que não depende de nada, nunca veio-a-ser, sempre da mesma maneira. Enquanto
reconhecemos nesse cavalo sua Ideia, é por completo indiferente se temos aqui diante de nós esse cavalo ou seu
ancestral. Unicamente a Ideia do cavalo possui ser verdadeiro e é objeto do conhecimento real”. Agora, deixemos Kant
falar: “Esse cavalo é um fenômeno no tempo, no espaço e na causalidade, que são as condições a priori completas da
experiência possível, presentes em nossa faculdade de conhecimento, não determinações da coisa-em-si. Para saber o
que ele pode ser em si, seria preciso outro modo de conhecimento além daquele que unicamente nos é possível pelos
sentidos e pelo entendimento.”

(Arthur Schopenhauer. “Sobre as ideias”. Metafísica do belo, 2003. Adaptado.)

Schopenhauer compara as filosofias platônicas e kantianas, fazendo-as responder a uma mesma questão. Na
perspectiva platônica, o cavalo presente “diante de nós” é:

a) absolutamente igual a todos os cavalos do mundo.


b) um ser imutável e eterno.
c) a essência do cavalo real.
d) a demonstração da inexistência do mundo inteligível.
e) uma sombra da ideia do cavalo.
Leia o texto a seguir.
“SÓCRATES: Portanto, como poderia ser alguma coisa o que nunca permanece da mesma maneira? Com efeito, se fica
momentaneamente da mesma maneira, é evidente que, ao menos nesse tempo, não vai embora; e se permanece sempre da mesma
maneira e é ‘em si mesma’, como poderia mudar e mover-se, não se afastando nunca da própria Ideia?
CRÁTILO: Jamais poderia fazê-lo.
SÓCRATES: Mas também de outro modo não poderia ser conhecida por ninguém. De fato, no próprio momento em que quem quer
conhecê-la chega perto dela, ela se torna outra e de outra espécie; e assim não se poderia mais conhecer que coisa seja ela nem como
seja. E certamente nenhum conhecimento conhece o objeto que conhece se este não permanece de nenhum modo estável.
CRÁTILO: Assim é como dizes.”

PLATÃO, Crátilo, 439e-440a.

Assinale a alternativa correta, de acordo com o pensamento de Platão.

a) Para Platão, o que é “em si” e permanece sempre da mesma forma, propiciando o conhecimento, é a Ideia, o ser verdadeiro e
inteligível.
b) Platão afirma que o mundo das coisas sensíveis é o único que pode ser conhecido, na medida em que é o único ao qual o homem
realmente tem acesso.
c) As Ideias, diz Platão, estão submetidas a uma transformação contínua. Conhecê-las só é possível porque são representações
mentais, sem existência objetiva.
d) Platão sustenta que há uma realidade que sempre é da mesma maneira, que não nasce nem perece e que não pode ser captada
pelos sentidos e que, por isso mesmo, cabe apenas aos deuses contemplá-la.
PLATÃO
A teoria política
Kallipolis (Καλλίπολις)
428-348 A.C.

A proposta de As noções de
Platão cidade ideal justiça e alma
pensa a está ligada ao serão
polis ideial, restante do fundamentais
Kallipolis. pensamento para a teoria
platônico política.
PLATÃO
A teoria política
A noção de alma
428-348 A.C.

Razão Espirituosa Apetite


(λογιστικό /animosa (ἐπιθυμητι
ν) (θυμοειδές) κόν)
PLATÃO
A teoria política
A noção de alma
428-348 A.C. Razão (λογιστικόν)
A lógica ou logistikon (de logos) é a parte pensante da alma que ama a verdade e procura
aprendê-la. Platão originalmente identifica a alma dominada por essa parte com o temperamento
ateniense. O logistikon discerne o que é real e não apenas aparente, julga o que é verdadeiro e o
que é falso e sabiamente toma decisões justas de acordo com seu amor pelo bem.

Espirituosa/animosa (θυμοειδές)
De acordo com Platão, a espirituosa ou thymoeides (de thymos) é a parte da alma pela qual estamos irados ou
ficamos temperamentais. Ele também chama essa parte de 'alto espírito’, "Força de ânimo" é outra possível
tradução. Na alma justa, o ânimo se alinha com o logistikon e resiste aos desejos do apetite, manifestando-se
como "indignação" e, em geral, a coragem de ser bom. Na alma injusta, o ânimo ignora o logistikon e alinha-se
com os desejos do apetite, manifestando-se como a demanda pelos prazeres do corpo.

Apetite (ἐπιθυμητικόν)
O apetite ou epithymetikon (de epithymia, traduzido para o latim como concupiscentiae ou
desideria) é a parte da alma pela qual experimentamos amor erótico carnal, fome, sede e, em
geral, os desejos opostos ao logistikon. (O apetite é de fato rotulado como sendo 'a-lógico'.
PLATÃO
A teoria política
A organização social da polis
428-348 A.C.

Os
O rei Os
trabalhado
filósofo guerreiros
res braçais
PLATÃO
A teoria política
A organização social da polis
428-348 A.C.
PLATÃO
A teoria política
A organização social da polis
428-348 A.C.
“– Mas escuta, a ver se eu digo bem. O princípio que de entrada estabelecemos que devia observar-se em todas as
circunstâncias, quando fundamos a cidade, esse princípio é, segundo me parece, ou ele ou uma das suas formas, a justiça. Ora
nós estabelecemos, segundo suponho, e repetimo-lo muitas vezes, se bem te lembras, que cada um deve ocupar-se de uma
função na cidade, aquela para qual a sua natureza é mais adequada.” (PLATÃO. A República. Trad. de Maria Helena da Rocha
Pereira. 7 ed. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 2001, p. 185.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção platônica de justiça, na cidade ideal, assinale a alternativa
correta.

a) Para Platão, a cidade ideal é a cidade justa, ou seja, a que respeita o princípio de igualdade natural entre todos os seres
humanos, concedendo a todos os indivíduos os mesmos direitos perante a lei.

b) Platão defende que a democracia é fundamento essencial para a justiça, uma vez que permite a todos os cidadãos o
exercício direto do poder.

c) Na cidade ideal platônica, a justiça é o resultado natural das ações de cada indivíduo na perseguição de seus interesses
pessoais, desde que esses interesses também contribuam para o bem comum.

d) Para Platão, a formação de uma cidade justa só é possível se cada cidadão executar, da melhor maneira possível, a sua
função própria, ou seja, se cada um fizer bem aquilo que lhe compete, segundo suas aptidões.

e) Platão acredita que a cidade só é justa se cada membro do organismo social tiver condições de perseguir seus ideais,