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Modernidade

Líquida
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “ JÚLIO DE MESQUISTA FILHO”
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS
MSC. GLENDA MAÍRA SILVA MELO
Modernidade líquida

Modernidade líquida é o termo utilizado pelo sociólogo polonês


Zygmunt Bauman para descrever as profundas mudanças sociais
que caracterizam a pós-modernidade, geradas a partir da transição
entre o capitalismo pesado e para o capitalismo leve.

Capitalismo pesado = sociedade de produtores


Capitalismo leve = sociedade de consumidores
Modernidade líquida

Este processo de transição tem origem na dissolução das estruturas


de controle social (sólidos) que compunham a base do capitalismo
pesado:
 A fábrica fordista;
 A burocracia;
 O panóptico;
 A figura do grande irmão;
 O campo de concentração.
A fábrica fordista

Reduzia as atividades humanas a


processos operacionais
(movimentos simples, rotineiros
e predeterminados) a serem
obedientemente e
mecanicamente seguidos.
A burocracia

Através da qual apenas os


estatutos e o comando poderiam
dirigir as ações dos indivíduos
no interior do sistema.
O panóptico

Modelo generalizado de
vigilância

É precisamente a aparente
onipresença do inspetor que
sustenta a perfeita disciplina,
controlando os movimentos e
transgressão entre os internos.
O grande irmão

Expressão utilizada por George


Orwell para definir o controle
exercido pelo regime totalitário
em seu romance “1984”.
O campo de
concentração

Centro de confinamento militar,


cujo perímetro é
permanentemente vigiado para
manter prisioneiros de guerra
e/ou prisioneiros políticos.
O derretimento de sólidos

A dissolução destes pilares durante a modernidade a primeira era da


modernidade (a modernidade pesada) levou a:

(...) eliminar as obrigações irrelevantes que impediam a via do cálculo racional dos
efeitos; como dizia Marx Weber, libertar a empresa de negócios dos grilhões dos
deveres para com a família e o lar e da densa trama das obrigações éticas; ou como
preferia Thomas Carlyle, dentre os vários laços subjacentes às responsabilidades
humana mútuas, deixar restar somente o "nexo dinheiro". (BAUMAN, 2001, p.10)
O derretimento de sólidos

Este contexto causou o fim das lealdades tradicionais, os direitos


costumeiros e as obrigações que impediam os movimentos e
restringiam as iniciativas, porque deixava a rede de relações sociais
desprotegida perante as regras de ação impostas pelo mundo dos
negócios.

 A dissolução das estruturas de controle social (sólidos) passou a ser


intensificada durante a pós-modernidade.
O derretimento de sólidos

A dissolução das estruturas de controle social (sólidos) intensificou-


se durante a pós-modernidade.

Na modernidade líquida, no entanto, as estruturas dissolvidas são os


elos que entrelaçam as escolhas individuais na forma de projetos e
ações coletivas:

 Os padrões de comunicação e coordenação entre políticas de vida


conduzidas individualmente;

 Ações políticas de coletividades humanas.


O derretimento de sólidos

A erradicação destes elos levou a uma mudança radical na forma de


convívio humano e nas condições sociais através das quais a
política de vida é hoje tecida.
As novas formas de organização da
vida em sociedade

Em sua análise, Bauman (2001) apresenta 05 conceitos básicos que

organizam a vida humana em sociedade na atualidade. São eles:

1. Emancipação;

2. Individualidade;

3. Tempo/ espaço;

4. Trabalho;

5. Comunidade.
1. Emancipação

 Após as três décadas de prosperidade que se seguiram à Segunda


Guerra Mundial, a falta de vontade das pessoas para agir
conforme os próprios desejos (para serem libertadas) passou a
ser vista como problema de emancipação.
1. Emancipação

Os teórico críticos defendiam a autonomia, a liberdade de escolha e

a auto-afirmação (o direito de ser e permanecer diferente) como

elementos essenciais para a plenitude humana. Mas a liberdade

individual era vista como algo perigoso:

 Ninguém tinha certeza se o estado das coisas do mundo libertado


seria realmente melhor que o estado em que se encontravam.
1. Emancipação

 Os filósofos passam a temer, então, que a resistência dos


indivíduos à liberdade seja devido às dificuldades que o
exercício da liberdade possa implicar (preço pago pelos próprios
atos e ações).
1. Emancipação

Durante a modernidade leve, o indivíduo abandona a situação passiva


e passa a ser uma gente ativo das mudanças sociais:

 Ele questiona e reflete sobre as ações e porquês das coisas e a ação


do individuo sobre a sociedade e vice-versa.
1. Emancipação

 Durante a modernidade leve o indivíduo abandona a situação


passiva e passa a ser uma gente ativo das mudanças sociais:

 Ele questiona e reflete sobre as ações e porquês das coisas e a ação


do individuo sobre a sociedade e vice-versa.
1. Emancipação

Durante a modernidade líquida, o indivíduo abandona a situação passiva e


torna-se um gente ativo das mudanças sociais:

 Ele agora pode reclamar ao sentir-se prejudicado e reivindicar seus direitos,


mas também sabe que será responsabilizado pelas ações e reações
decorrentes de seus atos;

 Também sabe que será responsabilizado pelas ações e reações decorrentes


de seus atos.
A hospitalidade a crítica
2. Indivdualidade

Durante a modernidade sólida a liberdade individual era tolhida e controlada


por uma força maior, simbolizada na figura do grande irmão (o poder estatal)

Este grande controlador é quem determina as regras a serem seguidas por


todas as pessoas.

O fordismo também desempenhava um importante papel: em seu apogeu


representou uma forma de regulamentação, pois as pessoas tinham
funções muito bem definidas no processo de fabricação dos carros.