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O casamento, a separação e o

divórcio sob a perspectiva do Direito


internacional Privado

Nathálya Oliveira Ananias


1. Do casamento
LINDB Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre
o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.

1.1 Formalidades habilitantes:

- O que são?
- Inexistência de regra expressa
1. Do Casamento
1.2 Formalidades de celebração:

LINDB Art. 7° § 1o Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei


brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração.

- Interpretação bilateral
- Exceção: casamentos oficiados pelo cônsul
LINDB Art. 7° § 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante
autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes.
1. Do casamento
- Exceção: casamentos oficiados pelo cônsul

LINDB Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades


consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro
Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de
brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado.
1. Do casamento
1.3 Capacidade nupcial/validade substancial do casamento:

- Regra: lei do domicílio

1.4 Efeitos pessoais do casamento:

- Antes: LICCB, Art. 7°, § 7o Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da


família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou
curador aos incapazes sob sua guarda.
1. Do Casamento
1.4 Efeitos pessoais do casamento:

- Alteração realizada pela CF:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente


pelo homem e pela mulher.
1. Do casamento
1.5 Obrigação alimentar entre os cônjuges:

Convenção Interamericana sobre obrigações Alimentares


Art. 6° A obrigação alimentar, bem como as qualidades de credor e de devedor de alimentos,
serão reguladas pela ordem jurídica que, a critério da autoridade competente, for mais
favorável ao credor, dentre as seguintes:
a) ordenamento jurídico do Estado de domicílio ou residência habitual do credor;
b) ordenamento jurídico do Estado de domicílio ou residência habitual do devedor.
1. Do Casamento
1.5 Obrigação alimentar entre os cônjuges:

- A lei deverá determinar:

Convenção Interamericana sobre obrigações Alimentares


Art. 7° Serão regidas pelo direito aplicável, de conformidade com o artigo 6, as seguintes
matérias:
a) a importância do crédito de alimentos e os prazos e condições para torná-lo efetivo;
b) a determinação daqueles que podem promover a ação de alimentos em favor do credor; e
c) as demais condições necessárias para o exercício do direito a alimentos .
1. Do casamento
1.6 Efeitos patrimoniais do casamento:

- Antes: De acordo com o CC/1916, art 8°: lei do país em que estiverem situados os
bens
- Modificação trazida pelo Código de Bustamante

Art. 187. Os contractos matrimoniaes regem-se pela lei pessoal commum aos
contractantes e, na sua falta, pela do primeiro domicilio matrimonial.
1. Do Casamento
1.6 Efeitos patrimoniais do casamento:

- Atualmente:

LINDB
art. 7° § 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que
tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio
conjugal.

- Exceção: Quando a lei interna do país estabelece que tem competência exclusiva para
julgar. Ex: Brasil é exclusivamente competente para julgar sobre imóveis.
2. Da separação e do divórcio
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem
brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença,
salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em que a
homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para
a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na
forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado,
decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de
divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais.
2. Da separação e do divórcio
- Divórcio pela via administrativa
Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes
celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e
de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado.
§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio
consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos
legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à
descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo
cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.
§ 2o É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a
subscrição de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua
advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública.
2. Da separação e do divórcio
- Requisitos da homologação: RISTJ

Art. 216-D. A decisão estrangeira deverá:


I - ter sido proferida por autoridade competente;
II - conter elementos que comprovem terem sido as partes regularmente citadas ou
ter sido legalmente verificada a revelia;
III - ter transitado em julgado.

Art. 216-F. Não será homologada a decisão estrangeira que ofender a soberania
nacional, a dignidade da pessoa humana e/ou a ordem pública.
3. Da anulação do divórcio
- Não domiciliados no Brasil: lei do país onde foi celebrado o casamento
- Domiciliados no Brasil: Lei brasileira
QUADRO RESUMO
Fato/Situação Lei aplicável
Regra Geral Domicílio conjugal (lex domicilii)
Celebração Lei do lugar de celebração do ato quanto à forma e à substância
do casamento
Capacidade para casar Lei do Estado onde a pessoa for domiciliada

Nulidade do matrimônio e nubentes com domicílio diverso Lei do primeiro domicílio conjugal

Regime de bens Lei do domicílio dos nubentes ou, em caso de domicílio


diverso, a do primeiro domicílio conjugal

Bens imóveis situados no Brasil Competência processual da autoridade judiciária brasileira

Separação judicial (se ainda for permitida) e situações Lex domicilli


correlatas
Divórcio Lei do foro onde for proposta a ação (lex fori)

Reconhecimento do divórcio no Estado dos cônjuges Fica na dependência da lei local. No Brasil: necessita de
homologação
Questões para resolução
1. Um casamento realizado na República Italiana terá sua validade reconhecida no
território brasileiro quando:

a. Existir ratificação do Juiz de paz brasileiro, ocasião em que o documento do registro italiano deverá ser
traduzido por tradutor juramentado, sob pena de nulidade absoluta;

b. Não ofender a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes;

c. Existir tratado de cooperação entre os dois Estados estrangeiros antecedendo a prática do ato jurídico;

d. Um dos nubentes tiver dupla nacionalidade


Questões para resolução
1. RESPOSTA

Não existe ratificação no casamento no exterior, mas sim o registro do casamento de


brasileiros que voltem a morar no país.

A resposta correta é a letra B


Questões para resolução
2. Julgue a afirmação abaixo:

Tem validade imediata no Brasil o divórcio realizado na Itália entre um italiano e


uma brasileira, desde que o casamento também tenha ocorrido na Itália, tão logo
ocorra o respectivo registro do evento no Consulado Brasileiro em Milão.
Questões para resolução
2. Errada

LINDB ART. 7°, §6°. Cabe lembrar que o casamento de brasileiros que voltem a se
domiciliar no Brasil deve ser registrado nesse país (Código Civil, art. 1.544 e Lei 6.015,
art. 32, §1°).
Questões para resolução
3. Flávio, muçulmano nacional do Iraque, bígamo, que trabalha em construtora brasileira
na na Arábia Saudita, Trouxe toda a sua família para o Brasil e, aqui chegando, desejou
cadastrar, no INSS, suas esposas como dependentes na qualidade de cônjuges. Nessa
situação, segundo o direito brasileiro, a pretensão de Flávio poderia ser satisfeita com a
homologação judicial dos dois casamentos realizados no Iraque, pelo STF.
Questões para resolução
3. Não. LINDB, art. 17, A poligamia ofende a ordem pública e os bons costumes no
Brasil. Recorde-se, ainda, que a homologação de sentenças estrangeiras cabe ao STJ (CF
105, I, II)
FI
M