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Workshop Lei de Inovação – Desafios e Oportunidades

para as Unidades de Pesquisa do MCT

Marco legal da inovação:


os desafios para as ICT

Marli Elizabeth Ritter dos Santos


Coordenadora do ETT/PUCRS
Coordenadora Nacional do FORTEC

Belém, PA, 5 de junho de 2008.

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Antes da Lei de Inovação

• Diferentes percepções acerca do papel das ICT no


processo de Inovação
• Interação ICT-Empresa – atividade “marginal”, não
explicitada nas políticas institucionais
– Relações informais em detrimento de ações institucionais
• Ênfase na publicação de resultados de pesquisa
– Falta de preocupação com a proteção
• Inexistência de regulação específica para a
transferência de tecnologia
– Diferentes interpretações levavam à busca de soluções
independentes para contornar obstáculos
– Gestão da PI e TT organizada de acordo com condições
particulares de cada ICT, sem modelo definido

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Lei de Inovação (10.973/2004)

• Reconhece o papel das ICTs no processo de inovação


• Institucionaliza e legitima as atividades relacionadas à
geração da inovação e as parcerias entre ICTs e o setor
privado
• Estabelece a necessidade da adequada gestão da
inovação por meio de núcleos especializados (NITs)

– “Art. 16. A ICT deverá dispor de núcleo de inovação tecnológica, próprio


ou em associação com outras ICT, com a finalidade de gerir sua política
de inovação”.

• Estabelece mecanismos de estímulo à inovação nas


empresas

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Conceito de ICT
• Espírito da Lei – favorecer parcerias público-privadas
– Definição de ICT – “órgão ou entidade da administração
pública
– Não contempla as instituições privadas de pesquisa
• Equívoco de que as instituições privadas não enfrentam obstáculos
(também estão sujeitas a órgãos de controle)
– Restrições a Editais (NITs, alguns dos Fundos Setoriais,
Chamada Pública – Lei do MEC)
• Ações já em andamento:
– Legislativo: coordenada pela CAPES a partir de demanda
do FOPROP e apoiada pelo FORTEC (encaminhamento de
PL)
– MCT e agências de fomento: elegibilidade de propostas
inclui ICTs não-públicas, desde que sem fins lucrativos e
com missão institucional de pesquisa C&T
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Acordos de parceria
• Dúvidas quanto à exclusividade de resultados
– Podem os acordos de parceria ser um meio de assegurar a transferência de
tecnologia sem necessidade de Edital?
• Divisão de titularidade em projetos conjuntos de P,D & I
– Proporcional equivalente ao montante do valor agregado do conhecimento pré-
existente (Art.9º, §2º e 3º).
OU
– “corresponderá à razão entre a diferença do valor despendido pela pessoa
jurídica e do valor do efetivo benefício fiscal utilizado, de um lado, e o valor
total do projeto, de outro, cabendo a ICT a parte remanescente “ (Lei n.
11,487/07)
– Cálculo de difícil mensuração
• Parâmetros de valoração: tangível ($) X intangível
• Negociações que tendem à unilateralidade em favor da empresa
• Pesquisa X Desenvolvimento (Serviços)
• Soluções caso a caso

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Contratos de Transferência de Tecnologia
• Licenciamento com exclusividade continua sendo um ponto nevrálgico
– Publicação do Edital no D.O.U.
• Diferentes entendimentos nas instituições, em alguns casos, levam a uma rigidez
maior na aplicação da Lei
– Desconhecimento das áreas jurídicas das ICTs sobre a dinâmica do processo de
transferência de tecnologia
– Falta de diretrizes mais claras dos órgãos de controle
• Abrangência do conteúdo
• Edital funciona como publicação e pode significar perda de novidade porque abre o
objeto da patente – há casos em que apenas o título já revela o possível conteúdo
– Questão cultural: há empresas que resistem em participar do processo, mesmo
sendo Edital.
• Encaminhamento de soluções
– Abertura de espaços para discussões com empresas, órgãos de controle e
procuradorias jurídicas das ICTs
• Oficinas do II Encontro do FORTEC
• Ações do INPI junto a AGU e órgãos de controle para aprofundamento
dos temas relacionados

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Contratos de Transferência de Tecnologia

• Receitas e pagamentos
– Valores arrecadados não podem ser usados livremente pelas
ICTs
• Mais difícil que pagar é receber o recurso e utilizar o recurso
originado do licenciamento, para realizar o pagamento de
despesas oriundas das patentes
• Desestímulo ao esforço da ICT na captação de recursos por esta via
• Órgãos de controle não aceitam gestão dos recursos por meio de FA, sem
passar pelo Tesouro Nacional
• .Encaminhamentos possíveis
– Articulação com órgãos responsáveis no Governo Federal
para uma busca de solução

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Institucionalização dos NIT

• O NIT constitui uma nova fase na institucionalidade


da gestão da propriedade intelectual e da
transferência de tecnologia em ICT, criando-se uma
nova interface entre o pesquisador e o parceiro
empresarial.
– Onde localizá-lo na estrutura da ICT?
– Como por em prática as competências previstas?
– Que recursos são necessários para sua manutenção?
– Quem fica incumbido desta responsabilidade?
• Docente pesquisador?
• Técnico-administrativo?
– Que estímulo pode ser dado?

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Recursos Humanos

• Formação de RH, em nível de Graduação e Pós-Graduação


– Inserção de novas disciplinas – empreendedorismo, inovação e
propriedade intelectual - nas carreiras universitárias
• Formação de massa crítica em nível de Mestrado e Doutorado
• Capacitação e treinamento de gestores em áreas específicas
• Estágios em instituições no exterior
• Bolsas em modalidades específicas
• Fixação de RH em caráter permanente nos NIT – criação da carreira de
gestor de inovação nas ICT
• Ações em andamento:
– Academia do INPI e cursos itinerantes
– Cursos do FORTEC – estruturação de NITs e cursos de capacitação
– Carta de Gramado enviada ao CNPq
• Outros encaminhamentos necessários
– Gestões junto à CAPES e Ministérios aos quais as ICTs estão ligadas

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Proteção da Propriedade Intelectual

• Incentivos financeiros ao pesquisador


– Bolsas de estímulo à inovação
• Importante estímulo ao pesquisador, porém, há dificuldades
operacionais de implementação.
• Interpretações diferentes de delegacias regionais do INSS e IR e das
procuradorias jurídicas das instituições
• Dificuldade de implementação, a não ser utilizando-se Fundações de
Apoio
– Necessidade de desregulamentação de outras leis que
obstaculizam a percepção deste benefício
– Conflito entre a bolsa de estímulo à inovação e a bolsa de
produtividade do CNPq,p.ex. (dupla bolsa)
– Compartilhamento de resultados a bolsistas
• Previsão nas políticas institucionais das ICTs, com base na LPI e
práticas adotadas pelo CNPq

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Afastamento de pesquisadores

• Fez-se a alteração na lei de inovação, mas


não se alterou a legislação do serviço
público.
• Pesquisador-empresário - Ele pode ter o
prazo de afastamento, mas na condição de
empresário ele depois não consegue
licenciar uma patente com a própria
universidade, por meio da empresa –
conflito de interesse.

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Visões equivocadas

• Pesquisa conjunta entendida como prestação de


serviços;
– Bolsas de estudantes em troca de PI e dos possíveis
ganhos com a comercialização de resultados de pesquisa;
• A frágil cultura de inovação no setor empresarial
resulta da pouca valorização do conhecimento
“como uma das principais fontes de competitividade
global” (Anpei)
• Pouca disposição das empresas em ceder direitos de titularidade e
repassar royalties às ICT
• ICT com poder reduzido de negociação, pois dependem dos
recursos financeiros para realizar a pesquisa
– Exemplo mais marcante: Petrobrás
– Mais recentemente:ANEEL

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Papel do FORTEC

• Promover, continuamente, discussões, visando


aprimorar os mecanismos da Lei;
• Capacitar os gestores como uma atividade permanente
(necessário apoio dos órgãos governamentais);
• Apoiar o MCT na coleta das informações anuais
previstas na Lei, e a partir dos relatórios, propor ações
estratégicas para melhorar o desempenho dos NITs;
• Apoiar e participar ativamente de ações conjuntas com
órgãos governamentais, que visem aperfeiçoar os
mecanismos de apoio à inovação.

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Considerações Finais

• Muitas dificuldades já foram superadas, a partir


da implementação da Lei.
• ICTs e empresas têm se mobilizado na busca de
uma maior aproximação.
• Ações mais complexas necessitam ser postas
em prática
– Necessária articulação com as instâncias
responsáveis pela gestão pública, principalmente no
âmbito federal – CGU, Receita, Fazenda, entre
outras

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Obrigada!

elizabeth.ritter@pucrsbr
fortec@fortec-br.org
Fórum Nacional de Gestores de
Inovação e Transferência de
Tecnologia – FORTEC

Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 96C –


Sala 119
90619-900 – Porto Alegre – RS
www.fortec-br.org

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