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Psicoterapia Cognitiva-

Comportamental
Conceitos Fundamentais

Alysson Cavalcante dos Santos CRP 15/3728


Psicólogo Clínico Cognitivo-Comportamental
Professor Substituto e Voluntário da Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Membro da Diretoria da Associação de Terapias Cognitivas de Alagoas (ATC-AL)
Gestão 2016-2018
Mestre em Psicologia –UFAL
Esp. Teorias e Técnicas Comportamentais –CESMAC
Esp. Psicopedagogia Clínica e Institucional – IBPEX
Pós-graduando em Neuropsicologia Clínica – Espaço Cursos/ FERA
INDRODUZINDO O TEMA
Conforme resolução (Art. 1º) Conselho Federal de
Psicologia Nº 010/ 00 de 20 de dezembro de 2000 ,
resolve : “A psicoterapia é prática do psicólogo por
se constituir, técnica e conceitualmente, um
processo científico de compreensão, análise e
intervenção que se realiza através da aplicação
sistematizada e controlada de métodos e técnicas
psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática
e pela ética profissional, promovendo a saúde
mental e propiciando condições para
enfrentamento de conflitos e/ou o transtornos
psíquicos de indivíduos ou grupos”.
INDRODUZINDO O TEMA
Precaução se deve: distorções que pretendem rotular a PCC como
apenas um conjunto de técnicas ou como um tipo de psicoterapia
inferior, “Tipo B – Aconselhamento e tratamento psicológicos ecléticos,
tais como terapia cognitivo- comportamental” ( Key & Dare, 1999).

A PCC tem um modelo explícito de psicopatologia e em uma revisão do


Serviço Nacional de Saúde sobre psicoterapia defini-a: “tipo C ou terapia
formal, igual à psicanálise e terapias sistêmicas”.
Beck e Alford ( 2000, p. 18) resumem este processo como: “a terapia
cognitiva fornece uma estrutura teórica unificadora dentro da qual as
técnicas clínicas de outras abordagens psicoterapêuticas estabelecidas
e validadas podem ser apropriadamente incorporadas (...) fornece
um paradigma coerente e ao mesmo tempo evolutivo para a prática
clínica”.

“Cansei de ser tratado como um ser exótico com idéias bizarras por
aqueles que, baseados em filosofias, mais do que em fatos, viam minha
prática como ingenuidade”( Rangé).
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Paradigmas condicionamento operante ( conseqüência do


do a
comportamento afetarespondente
condicionamento (
sua freqüência estímulos
e / ou condicionados/
forma), do
incondicionados emparelhados eliciam respostas) e da teoria da
aprendizagem social ( aprendizagem observacional, modelação e auto
– eficácia), amplia-se à possibilidade de atuação clínica, potencializando
intervenções dirigidas à mudança de comportamento, cognição, emoção,
fisiologia e ambiente ( Kanfer & Phillips, 1974; Martin & Pear, 1978;
Caballo,1996).
Processos cognitivos - origem e desenvolvimento das psicopatologias,
sendo a gênese destas explicada como uma distorção das cognições
diante das possíveis interpretações da realidade.
“Queixa”, do paciente (ex. pensamentos disfuncionais,
comportamentos desadaptativos e emoções negativas).
MODELO MEDIACIONAL
Processamento cognitivo medeia outros processos psicológicos (
expressão de emoções, a execução de comportamento),
a dando-se mais
relevância para o indivíduo e sua construção pessoal
processamento. deste

Um esquema simples pode ilustrar este paradigma:


Mundo Processamento Comportamento
Externo Cognitivo Emoção
Fisiologia
Cognição
Representação Gráfica do processamento Cognitivo (Adptado de Mahoney, 1998).

Atenção Codificação Retenção


Rememoração
S Registro Sensorial Memória de Curto Prazo Memória de Longo Prazo R
CONCEITOS INTRODUTÓRIOS
FUNDAMENTAIS
Relevante classificar os pensamentos de seus pacientes
quanto ao grau de ajustamento psicossocial e cultural deste
para com o seu meio, bem como ele próprio se ajusta aos
seus valores e o quanto este conjunto de dispositivos
aproxima ou distancia o indivíduo de seus mais diversos
objetivos, pois são através destes pensamentos que se
propõem intervenções psicológicas.
Características que facilitam o trabalho de
classificar os pensamentosde seus pacientes em
disfuncionais ou
“primitivos” dos pensamentos “maduros” funcionais
(Beck,1997)
Lista de pensamentos disfuncionais e funcionais
Pensamento Disfuncional - Pensamento Funcional

Não dimensional e global Multidimensional


“Eu sou injusto” “Eu sou um pouco injusto, mas
reconheço meu defeito”

Absolutista e moralista Relativista e não crítico


Ela não presta” “ Ela errou como todos podem um
dia errar”

Invariante Variável
“Sempre serei uma pessoa “Minha injustiça varia conforme
injusta” a situação”

Diagnóstico comportamental
Diagnóstico de caráter “Tenho situações em que sou
“Minha injustiça é um problema injusto”
de personalidade”
Reversibilidade
Irreversibilidade “Posso aprender a
“Nada mudará” mudar”
IMPORTANTE CONSTRUCTO TEÓRICO
Existência de erros sistemáticos (distorções cognitivas) durante o
processamento de informações sobre si mesmo, o mundo e o futuro.
Para Beck et al. (1997), esses erros sistemáticos do pensamento
reforçam as cognições, que podem ser tanto adaptativas e saudáveis,
como desadaptativas e relacionadas às queixas do paciente.
Lista Resumida:
Inferência Conclusões são formadas na ausência de
Arbitrária-
evidências
Abstração seletiva- Informações consideradas fora de contexto.
Hipergeneralização- Uma ou duas situações isoladas são
generalizadas para outras situações.
Magnificação e minimização- Aumentar o valor de um acontecimento
negativo e/ou diminuir o valor do positivo.
Personalização- Atribuição de causalidade de eventos externos a si.
Pensamento Dicotômico- Situações são classificadas em
termos de tudo ou nada.
Dattilio & Padesky,1995
PCC E FILOSOFIA
Estoicismo
“Não são as coisas que nos perturbam,
mas a forma como interpretamos seu significado”

Filosofi
a

Racionalismo
“Conhecimento baseado baseado na razão, Empirismo
os sentidos são ilusórios” “ O conhecimento provem
da observação cuidadosa,
da mensuração acurada e
da intervenção sistemática”

Pensamentos de filósofos estóicos do século IV a.C. (Crisipo, Cícero, Epicteto,


Sêneca), Emmanuel Kant ( século XVIII), atuais filosofias orientais orientais
(taoísmo, budismos) – emoções humanas se embasam em idéias.
CRITÉRIOS CIENTÍFICOS EXIGIDOS POR
UMA FILOSOFI A DA CIÊNCIA
(Beck e Alford, 2000; Gonçalves, 2000)
1. O principal caminho do funcionamento ou da adaptação psicológica
consiste em estruturas de cognição com significado denominadas
Esquemas ou Crenças Centrais.
“Esquemas cognitivos são conjunções cognitivas de elementos estruturais que,
por seu turno, são organizadas em constelações mais alargadas. Quando um
determinado esquema ou constelação de esquemas cognitivos é ativado,
influencia diretamente o conteúdo das percepções, interpretações e memória
pessoais, ajudando, por exemplo , a selecionar os pormenores relevantes do
ambiente, ou a recordar dados relevantes”.
Esquemas prevalentes resumidos (Rangé e Silvares,2001):
Tema sobre desamparo – “Sou carente”
Tema sobre a indesejabilidade – “Sou indesajável”
Tema sobre a autonomia – “Nunca serei independente”
Tema sobre a ligação – “Não poderei viver sem você”
Tema sobre o valor – “Sou superficial”
Tema sobre padrões e limites – “Beleza é tudo para
Lista com dez crenças irracionais
Albert Ellis (1976, 1994) – crenças representam algumas cognições
comuns e facilitam o entendimento sobre o que consideramos um
pensamento do tipo irracional:
1. Preocupar-se demais com o que as pessoas pensam de você.
2. Não posso fracassar em tarefas importantes e, se fracassar, será horrível e
não suportarei.
3. As pessoas e as coisas devem ser sempre como eu quero que sejam – e se
não
forem, será terrível, insuportável.
4. Se qualquer um dos três primeiros eventos ocorrer, então eu sempre culparei
alguém. Alguém agiu de forma errada, como não deveria.
5. Se eu me preocupar obsessivamente a respeito de um evento iminente ou do
que alguém pensa de mim, as coisas realmente irão melhorar.
6. Existem soluções perfeitas para todos os problemas, e eu preciso encontrá-
las, imediatamente!
7. É mais fácil evitar situações e responsabilidades difíceis do que enfrentá-las.
8. Se eu jamais me envolver seriamente em nada e mantiver este
distanciamento, jamais serei infeliz.
9. O passado e todas as coisas horríveis que me aconteceram quando criança, ou
no meu relacionamento ou emprego anteriores, fazem com que me sinta e
aja desta forma agora.
10.Pessoas e coisas ruim não deveriam existir e, quando existem, devem me
perturbar seriamente!
INSTÂNCIAS COGNITIVAS
Além dos esquemas descritos anteriormente, o paradigma da
TCC utiliza diversas instâncias cognitivas, que possuem
características diferentes e são de maior acessibilidade por parte
do indivíduo e do terapeuta. Identificar e propor mudanças para
estas outras instâncias também faz parte da intervenção
cognitivo – comportamental. Elas serão resumidas abaixo:
Exemplos:

 Atitudes - “É horrível ser


mau”
Suposições positivas – “Se eu me esforçar, poderei ser uma pessoa
boa”

 Suposições negativas – “Se eu não trato bem as pessoas, então
falhei”
 Regras – “Eu deveria agradar a todos para ser bom”
 Estratégias compensatórias – “Trabalhar arduamente para
bom” ser
 Pensamentos automáticos - “Não vou conseguir ser bom nesta
situação”
CRITÉRIOS CIENTÍFICOS EXIGIDOS POR
UMA FILOSOFI A DA CIÊNCIA
(Beck e Alford, 2000; Gonçalves, 2000) cont.
 2. A função do Processamento Cognitivo (Atribuição de
Significado) é controlar os vários sistemas psicológicos, portanto
o significado ativa estratégias para adaptação.
Exemplos:
“Vou me dar mal na prova” Ansiedade ( emoção)
“Ela não gosta de mim” Esquiva ( comportamento)
 “Isso vai doer muito” Aumento de pressão arterial ( fisiologia)
 “Nunca dá certo” “Não vou pensar sobre isso”( cognição)

3. O organismo humano responde primordialmente às


representações cognitivas sobre o seu meio e não diretamente ao
meio. “Receber um diagnóstico médico ruim, mas ficar feliz por acreditar
na cura”
CRITÉRIOS CIENTÍFICOS EXIGIDOS POR
UMA FILOSOFI A DA CIÊNCIA
(Beck e Alford, 2000; Gonçalves, 2000) cont.

4. Estas representações cognitivas encontram–se


funcionalmente relacionadas com o processos e
parâmetros da aprendizagem.
Exemplos:
 “Pensando assim é que os artistas da TV resolvem seus
problemas” – modelação
 “Sempre que agia desse jeito, minha mãe dizia
que
estava correto” – reforço positivo

5. A maior parte da aprendizagem humana é mediada


cognitivamente.
CRITÉRIOS CIENTÍFICOS EXIGIDOS POR
UMA FILOSOFI A DA CIÊNCIA
(Beck e Alford, 2000; Gonçalves, 2000) cont.

6. Pensamentos, sentimentos e comportamentos são


causalmente interativos.
Exemplos:
 “Eu não vou resistir à cirurgia “Adiar a internação”
(pensamento) ( comportamento)

 “Tomar vitaminas”( comportamento) “Alegria”(emoção)

 “Tristeza”(emoção) “Diminuição da resposta imunológica”(fisiologia)

 “Hiperventilação”(fisiologia) “Eu vou morrer”( pensamento)


Representação gráfica da mútua influência
EMOÇÃO

SITUAÇÃO

PENSAMENTO COMPORTAMENTO

CRENÇAS
Si mesmo
Mundo
Futuro

Heyman & Frampton , 2001


Relação Terapêutica – Transferência e
Contra-transferência
Beck (1997): relação colaborativa, forte aliança, papéis
bem definidos através de contrato de trabalho prévio.
Além dos pressuposto do rapport , cordialidade,
interesse genuíno e calor humano, estabelece-se uma
relação próxima da denominada de “relação professor-
aluno”.
Se houver dificuldades buscar através de diálogos a causa
do problema .
Reações positivas e/ou negativas presentes na relação
são consideradas normais – colocadas em pauta para
discussão – avaliando fatores que podem gerar insucesso.
Ressaltar o papel da supervisão clínica, da educação
continuada e se necessário da própria terapia – oferece
atendimento ético e eficaz.
ABORDAGEM CLÍNICA EFICAZ
Acelerado desenvolvimento nos últimos 30 anos.
1ª forma de psicoterapia que integra procedimentos e
técnicas das abordagens behavioristas e cognitivistas,
demonstra eficácia através de protocolos de pesquisas
cientificas rigorosas e controladas.
A PCC vem respondendo a uma dúvida sobre o impacto
de intervenções psicoterápicas na fisiologia do
organismo
humano.
Atitudes políticas de saúde mundial – endosso
perante à
efetividade da PCC – criados consensos terapêuticos
para
certas condições de saúde mental.
Propagação de cursos de especialização “latu-sensu”
CURSO PADRÃO DA PCC
(Reinecke, Dattilio e Freeman,1999, p. 21)
1º Obtém informações a respeito do desenvolvimento dos
sintomas específicos, determinantes situacionais e cursos
temporais. Dados subjetivos e objetivos. Informantes.
2º Crenças, suposições, expectativas, objetivos,
atribuições, auto-afirmações, pensamentos automáticos
são identificados. Aprender a monitorar. Tarefa de casa.
3º Déficits de habilidades comportamentais ou
interpessoais especificas são identificados. Freqüência.
4º Fatores Médicos e Ambientais. Estresse,
modelamento,
reforço.
5º Intervenções Cognitivas e Comportamentais.
Seleção.
6º Tarefas de casas são determinadas. Personalizadas.
7º Eficácia da intervenção avaliada através de medidas
objetivas e relatos subjetivos. Linha de base, verifica-se ao
FREQÜÊNCIA DAS TÉCNICAS UTILIZADAS
amostra de N=1344 estudos clínicos
(Linden & Pasatu, 1998)

TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS FREQÜÊNCIA


Relaxamento Muscular Progressivo 678
Agenda de Atividades 305
Análise do Comportamento 256
Exposição 206
Treino de Manejo de Ansiedade 158
Reforçamento 134
Agendamento de Atividades 124
Treino de Discriminação 98
Treino de Contato 71
Agenda Diária 68
Contrato 57
Modificação de Resposta 40
Prevenção de Resposta 37
Observação do Comportamento 31
FREQÜÊNCIA DAS TÉCNICAS UTILIZADAS
amostra de N=1344 estudos clínicos
(Linden & Pasatu, 1998)
TÉCNICAS COGNITIVAS FREQÜÊNCIA
Terapia Cognitiva Geral 650
Auto-reforçamento 258
Resolução de Problemas 252
Auto-verbalização 248
Dessensilização Sistemática (imaginação) 239
Autocontrole 215
TREC (Ellis) 191
TC (Beck) 184
Automonitoração 145
Eliciação de Cognição 127
Parada de Pensamento 96
Explicação Alternativa 73
Ensaio Cognitivo 53
Registro de Pensamentos Disfuncionais 33
FREQÜÊNCIA DAS TÉCNICAS UTILIZADAS
amostra de N=1344 estudos clínicos
(Linden & Pasatu, 1998)

TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL FREQÜÊNCIA


Treino de Assertividade 553
Treino de Habilidades Sociais 460
Modelação 54

OUTRAS TÉCNICAS FREQÜÊNCIA


Terapia de Casais 175
Empatia 84
Aconselhamento 35
Terapia de Família 23
Terapia Sexual 17

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