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Filosofia Medieval

(1 parte)
Sobre a Fé e a Razão

Prof. Marcos Aurélio Pensabem


Email: kitopensabem@gmail.com
Quadro histórico
A filosofia medieval corresponde a um longo período que
vai do sec. V ao XV d.C. Tal período pode ser dividido em
duas fases distintas do ponto de vista filosófico e cultural:

A Patrística, que se inicia com a queda do império romano,


no sec. V e vai até o sec. X d.C;

A Escolástica, que se inicia do sec. XI, tem seu apogeu com a


criação das Universidade, no sec. XIII, e termina com a crise
do pensamento escolástico e inicio do humanismo
renascentista, no sec. XV d.C.
Quadro histórico
A Patrística(destaque para Sto Agostinho): para além da preocupação
estritamente apologética, o desenvolvimento de uma argumentação
em que a o Cristianismo busque clarificar seus pressupostos; o
pensamento dos primeiros padres da Igreja.

A Escolástica: desenvolvimento do modo de pensamento, um método


para aprender a pensar e a sustentar uma argumentação
racionalmente, desenvolvida dentro das Universidades Medievais
(principal nome: Tomás de Aquino).

Crise da escolástica: representa posições mais céticas quanto as


pretensões da escolástica de se procurar um fundamento racional para
fé (principal nome: Guilherme de Ockham)
Questões:

1) É correto afirmar que a idade média representa


“mil anos de trevas”?
2) Fé e Razão podem caminhar de forma
harmônica e complementar?
3) É possível termos acesso e compreendermos a
verdade?
As origens da filosofia Cristã

“A religião cristã, embora originária do judaísmo,


surge e se desenvolve no contesto do helenismo, e
é precisamente da síntese entre o judaísmo, o
cristianismo e a cultura grega que se origina a
tradição cultural ocidental de que somos
herdeiros até hoje.”
(Marcondes, Danilo; “Iniciação à história da filosofia”)
As origens da filosofia Cristã
Sobre a Fé e a Razão
Embora o cristianismo se originou em um contexto cultural greco-romano, tal
relação não ocorreu no início de modo natural e harmônico. Um dos maiores
pontos de conflito entre o pensamento greco-romano e o cristianismo estava
na crença de que a fé era a fonte mais pura das verdades, e que estas eram
reveladas e levavam os humanos a salvação. A filosofia era vista, em
oposição, como inferior ou prescindível em relação ao cristianismo.

“Vigiai para que ninguém vos apanhe no laço da Filosofia, esse vão embuste
findado na tradição dos homens, nos elementos do mundo e não mais em
Cristo. Pois neste habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e vós
vos acheis plenamente cumulados naquele que é o chefe de toda Autoridade
e de todo o poder”
(Carta de Paulo aos colossenses, 2, 8-10; “Bíblia”)
Sobre a Fé e a Razão
Sobre a Fé e a Razão
Contudo, existia também grupos cristãos moderados que não
aceitavam esse comportamento violento e destruidor dos grupos
exaltados, e defendiam o conhecimento racional, buscando utilizá-lo
como instrumento do cristianismo. Inspirado pela filosofia grega,
alguns padre da igreja se dedicam a elaborar textos sobre a fé e a
razão. Esse movimento é conhecido como Patrística. O pensadores da
Patrística procuravam fornecer ao cristianismo os argumentos
racionais que lhe faltavam, conciliando a nova religião com o
pensamento de autores da tradição grega. O principal nome desse
movimento foi Agostino de Hipona.
Santo Agostinho de Hipona (354-430 d.C)
Conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais
importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo 
cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo
e filosofia ocidental. Ele era o bispo de Hipona, uma
cidade na província romana
da África. Escrevendo
na era patrística, ele é
amplamente considerado
como sendo o mais
importante dos Padres da
Igreja no ocidente. Suas
obras-primas são “A Cidade
de Deus" e “Confissões",
ambas ainda muito
estudadas atualmente.
Principal Tese de Agostinho
Uma versão cristã da teoria as ideias de Platão:
Sobre a Fé e a Razão
"Muitas vezes, aqueles que não são cristãos sabem alguma coisa sobre a
terra, céus e outros elementos do mundo, sobre o movimento e a órbita
das estrelas e mesmo seus tamanhos e posições relativas a previsão de
eclipses solares e lunares, o ciclos dos anos e as estações, os tipos de
animais, arbustos, pedras e outros objetos. Essa pessoas dizem que o
conhecimento é verdadeiro por meio da razão e da experiência. Assim,
é vergonhoso e perigoso ouvir um cristão, fazer interpretação
presumível da Escritura, falando bobagens sobre esses tópicos.
Devemos tomar todas as precauções para evitar uma situação
lamentável em que as pessoas verificar o enorme ignorância em um
cristão e tirar sarro dele. A vergonha não é tanto uma indivíduo é
ridicularizado, mas que as pessoas que não compartilham nossa fé acho
que nossos escritores sagrados realizaram tais opiniões, e como uma
grande perda para aqueles cuja salvação que desejamos, os autores de
nossas Escrituras são criticados e rejeitados por sua suposta ignorância.
(Agostinho,
" “Confissões”)

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