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6574 – Cuidados na higiene,

conforto e eliminação

Formadora: Eva Gonçalves


Email: evagoncalves_22@hotmail.com
Fevereiro, 2019

1
Índice:
1 Conteúdos……........................................................................2
2 Noções gerais sobre necessidades básicas humana……………...7
3 Necessidades humanas básicas ao longo do ciclo de vida do Indivíduo o no
contínuo da saúde/doença…...............……………...7
4
O contributo do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde, na equipa multidisciplinar, para a
satisfação das necessidades humanas básicas do utente: higiene e conforto;
alimentação;
Hidratação; Eliminação; Preparação dos tabuleiros de refeição….11
5 A importância da higiene e do conforto para a saúde do
utente..................................................................................21
6 Questões relativas à privacidade, intimidade e sexualidade do utente: Aspetos a ter
em conta na interação…………………………………….23
7
A técnica do banho………………………………………………………..26
2
8 Banho na cama…………………………………………………………..…29
9 Banho na cadeira de banho assistido………………………………....32
10 Banho no chuveiro/banheira……...……………………………………...31
11 Banho na maca banheira………………………………………………….34

12 Técnicas de substituição de roupas de cama e macas ocupadas..35


13 Técnicas de vestir e despir o utente……………………………………38
14 Materiais e equipamentos de higiene e conforto……………….....39

3
15 Produtos de higiene e conforto : características e sua
aplicação…………………………………………..........……………..41
16 Outros cuidados básicos de higiene e apresentação..……….42
17 Cabelo…………………………………………………………………...42
18 Unhas………………………………………………………………..….42
19
Barba………………………………………………………..………….43
20 Higiene oral…………………………………………………………...43
21 A colaboração em cuidados de higiene a utentes com sistemas de soros,
drenagens, tubagens e/ou outros dispositivos……..44

4
22 A Eliminação………………………………………………………………..46
23 Cuidados a ter no antes e após a eliminação……………………….46
24 Condições ambientais e de privacidade……………………………...46
25 A limpeza e higiene parcial dos genitais……………………………..50
26 Materiais e técnicas de apoio à eliminação…………………………53
27 Colocação e remoção do urinol e arrastadeira com a colaboração do utente e
auxiliando o enfermeiro…....................................53
28 Colocação e subst. de fraldas com a colaboração do utente e auxiliando o
enfermeiro………………………………………………...56

5
29 Transferência e posicionamento na cadeira sanitária: com a colaboração do
utente…....………………………………………..58
30
Esvaziamento dos sacos coletores de urina com válvula: cuidados de
manuseamento………...……………………….......59
31 Outros dispositivos de apoio à eliminação - noções básicas: algalias, sondas
vesicais, sondas rectais, sacos de urostomia, sacos de nefrostomia, sacos de
colostomia…..................60
32 Produtos de eliminação vesical e intestinal….………………65
33 Urina: características, alterações e sinais de alerta…….65
34 Fezes: características, alterações e sinais de alerta.……68
35 Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de
intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde….70
6
36 Tarefas que, sob orientação de um enfermeiro, tem de executar sob sua
supervisão direta……………………………………….…….70
37 Tarefas que, sob orientação e supervisão de um enfermeiro, pode executar
sozinho/a……….……………………………………………..73
38 Bibliografia e netgrafia……………………………..…………………74

7
Conteúdos:

Noções gerais sobre necessidades humanas básicas:


 Necessidades humanas básicas ao longo do ciclo de vida do individuo no
contínuo da saúde/doença;
O contributo do/a técnico/a auxiliar de saúde, na equipa multidisciplinar, para
a satisfação das necessidades humanas básicas do utente: higiene e conforto;
alimentação; hidratação; eliminação.

Cuidados de higiene e do conforto a utentes que necessitam de ajuda parcial


ou total;
A importância da higiene e do conforto para a saúde do utente.

Questões relativas á privacidade, intimidade e sexualidade do utente.

8
Aspetos a ter em conta na interação:
Os principais fatores ambientais propiciadores de conforto/desconforto para o
utente.
Os principais fatores pessoais do utente propiciadores de conforto/desconforto.
A técnica do banho:
Banho na cama;
Banho no chuveiro/banheira;
Banho na cadeira de banho;
Assistido banho na maca banheira;
Técnicas de substituição de roupa de cama e macas ocupadas
Técnicas de vestir e despir o utente.

Materiais e equipamentos de higiene e conforto.

Produtos de higiene e conforto: características e sua aplicação.


9
Outros cuidados básicos de higiene e apresentação.
Unhas;
Cabelo;
Barba;
Higiene oral;
A colaboração em cuidados de higiene a utentes com sistemas de soros,
drenagens, tubagens e/ou outros dispositivos.

A eliminação;
Cuidados a ter no antes e após a eliminação;
Condições ambientais e de privacidade;
A limpeza e higiene parcial dos genitais;

10
Materiais e técnicas de apoio á eliminação:
Colocação e remoção do urinol
Com a colaboração do utente;
Auxiliando o enfermeiro;
Colocação e remoção da arrastadeira
Com a colaboração do utente;
Auxiliando o enfermeiro;
Colocação e substituição de fraldas
Com a colaboração do utente;
Auxiliando o enfermeiro;
Transferência e posicionamento da cadeira sanitária
Com a colaboração do utente;
Esvaziamento dos sacos coletores de urina com válvula
Cuidados de manuseamento
Outros dispositivos de apoio à eliminação- noções básicas:
Algalias, sondas vesicais, sondas rectais, sacos de urostomia, sacos de
nefrostomia, sacos de colostomia.
11
Produtos de eliminação vesical e intestinal
Urina: características, alterações e sinais de alerta.
Fezes: características, alterações e sinais de alerta.

Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de


intervenção do/a técnico/a auxiliar de saúde.

Tarefas que, sob orientação de um enfermeiro, tem de executar sob sua


supervisão direta.

Tarefas que, sob orientação e supervisão de um enfermeiro pode executar


sozinho/a.

Noções gerais sobre necessidades humanas básicas

12
Necessidades humanas básicas ao longo do ciclo de vida
do individuo no contínuo saúde/doença

Necessidade deve ser entendido como “carácter daquilo que é


imprescindível”

Iremos fazer referencia apenas a 2 autores que se debruçaram sobre o


estudo das necessidades humanas básicas : Maslow e Virgínia
Henderson.

Maslow identificou várias necessidades humanas e defendeu a existência de


5 níveis dessas mesmas necessidades hierquizou-as de acordo com a sua
importância em:
Necessidade fisiológicas-1º nível;
Necessidades de segurança e proteção-2º nível;
Necessidades de amor e de pertença-3º nível;
Necessidades de afeto e auto-estima-4ºnível;
Necessidades de autorrealização-5ºnível

13
As necessidades fisiológicas são as mais importantes.
Exemplos tais como respirar e alimentar-se.
Cada nível superior representa algo menos importante à
existência humana do que as anteriores.
Maslow acreditava que só depois das necessidades
fisiológicas estarem satisfeitas, é que os indivíduos
procurariam a satisfação das necessidades menos cruciais da
vida.

14
Para Virgínia Henderson existem 14 necessidades fundamentais que são
comuns a todos os indivíduos:
Respirar normalmente ;
Comer e beber adequadamente ;
Eliminar os resíduos corporais;
Movimentar-se e manter uma postura correta;
Dormir e repousar;
Vestir-se e despir-se (selecionando roupas adequadas);
Manter a temperatura do corpo dentro dos limites normais, adaptando a roupa
e modificando o ambiente;

15
Comunicar com os seus semelhantes;
Prestar culto de acordo com a sua fé (agir de acordo com as suas crenças e valores)
Trabalhar de forma a ter uma sensação de realização;
Divertir-se ou participar em atividades recreativas;
Aprender, descobrir ou satisfazer a curiosidade que leve ao desenvolvimento norma
e à saúde.

Manter o corpo limpo, cuidando e protegendo a pele;


Evitar perigos ambientais e impedir que prejudiquem outros;

16
Virgínia Henderson defende que indivíduo é um todo, com necessidades
fundamentais, e que quando uma necessidade não está satisfeita, o
indivíduo não está completo, inteiro, independente.
Para esta autora, uma necessidade é algo que se precisa.

Ela considera a saúde como o estado no qual o ser humano satisfaz todas as suas
necessidades, por si só e sem esforço; é independente.

17
Os cuidados de enfermagem são direcionados para a satisfação das necessidades
humanas afeitadas, e todas as intervenções efetuadas são feitas com o objetivo de
manter ou restaurar a independência do indivíduo na satisfação das suas
necessidades fundamentais, o mais rápido possível

Ao descrevermos cada uma das 14 necessidades, iremos fazer referência à forma


como elas podem afetar o indivíduo, e particularmente o idoso, visto que cada vez
mais este é o utente predominante dos serviços de internamento hospitalar.

18
Respirar normalmente

Os principais sintomas das doenças respiratórias são a tosse, a


expetoração e a dispneia.

Os problemas associados à função respiratória podem desencadear outros


problemas de dependência, ao nível das outras necessidades fundamentais. Por
exemplo, a respiração ineficaz pode desencadear uma intolerância à atividade física
e interferir com a necessidade de mobilização e manutenção de uma boa postura.

A necessidade de respirar é razoavelmente afetada pelo envelhecimento.

Os idosos inativos também correm maior risco de infeções respiratórias,


porque fazem uma respiração menos profunda.

19
Beber e comer adequadamente

A alimentação equilibrada ocupa um lugar importante na aquisição de hábitos de


vida saudável, e é um dos principais fatores para a manutenção da saúde.

Para a manutenção da saúde, o ser humano tem necessidade de uma determinada


quantidade de alimentos que contenham os nutrientes indispensáveis à vida.

Ainda que seja possível viver até 10 semanas sem alimentos, é impossível viver
mais de alguns dias sem água. Esta assegura o bom funcionamento da maior parte
dos processos fisiológicos e tampem a manutenção da temperatura corporal.

A qualidade de vida dos idosos depende em grande parte daquilo que bebem e
comem.

20
Esta necessidade é influenciada por fatores culturais, económicos, emocionais e
sociais. Os mais frequentes são: dentição em mau estado, atrofia dos maxilares com
fraqueza muscular, ansiedade, depressão, confusão, anorexia e até a solidão.

Quando os idosos são deixados sós, sem ter ninguém que se ocupe deles, ficam
apáticos perante os alimentos, ou recusam a alimentação, como chamada de
atenção.

21
Eliminar os resíduos corporais

Para se manter saudável, o organismo deve eliminar os produtos resultantes do


metabolismo. Este processo denomina-se eliminação, constituindo uma necessidade
fundamental.

A necessidade de eliminação dos resíduos corporais é particularmente afetada pela


imobilidade e pelo envelhecimento.

As situações de dificuldade na eliminação dos resíduos corporais, nem sempre são


devidas a transtornos patológicos ou fisiológicos (envelhecimento), pois muitas das
vezes ocorrem por razões psicológicas ou por simples modificação dos hábitos do
indivíduo. Lembremos que muitas vezes, no hospital, o doente não tem o clima de
privacidade a que está habituado, particularmente quando não pode deslocar-se às
instalações sanitárias, para satisfazer as suas necessidades de eliminação.

22
23
Movimentar-se e manter uma postura correta

A saúde e o bem-estar dum indivíduo depende da sua capacidade de se mover e


mobilizar os membros.
A mobilização ativa adequada estimula o apetite e reduz a fadiga
As alterações sofridas ao longo do processo de envelhecimento do organismo
desencadeiam uma diminuição fisiológica da atividade e um acréscimo de
dificuldades ao nível da mobilização.

Quando um doente não pode, por qualquer razão, satisfazer esta necessidade, a
nossa ajuda é muito importante.

24
Em função desta necessidade de mobilização, podemos classificar os doentes em
três tipos, que de alguma forma nos possibilitam prever a quantidade de cuidados de
que necessitam:
Independentes, se não necessitam de ajuda;

Semi-dependentes, se necessitam de alguma ajuda para se deslocarem;


Dependentes, se dependem totalmente dos nossos cuidados.

25
Alguns doentes estão tão inativos que a sua saúde se deteriora. A força muscular
reduz-se significativamente a partir dos 70 – 80 anos, e muitos idosos necessitam
ajuda e exigem tempo na mudança de posição, levante para a cadeira e auxílio na
marcha.

A imobilidade dos idosos é particularmente perigosa pois aumenta o risco de


pneumonia, úlceras de pressão (escaras), incontinência, défices cognitivos,
depressão e osteoporose.

26
Dormir e repousar

A importância da satisfação da necessidade de dormir e repousar para o ser humano,


tem a ver com a recuperação e o funcionamento geral do organismo, tornando -se
indispensável um período de sono em cada ciclo de 24 horas.

Os idosos queixam-se frequentemente de ter um sono muito leve, de não dormir


o suficiente ou ainda de acordar muitas vezes durante a noite.
Para a satisfação desta necessidade, a nossa principal função é proporcionar um
ambiente calmo e acolhedor.

27
Vestir-se e despir-se

O vestuário desempenha um papel primordial no bem-estar psicológico dos


indivíduos. Estar bem arranjado e bem vestido, proporciona segurança e
autoconfiança.

O vestuário deve ser adequado ao doente, tendo em conta o seu conforto,


apresentação e ser prático.

Vestir e despir-se, exige muita coordenação, destreza, equilíbrio, uma boa amplitude
de movimentos e força muscular. Estas funções são afetadas por um grande número
de doenças e também pelo envelhecimento do sistema músculo-esquelético,
situações em que é necessário dar ajuda às pessoas afetadas.

28
Manter a temperatura do corpo dentro dos
limites normais

O ser humano tem de manter a temperatura corporal dentro dos limites normais,
para conservar o seu estado de saúde e bem-estar. A termorregulação permite
manter o equilíbrio entre a produção e a perda de calor.

As temperaturas elevadas podem surgir em qualquer idade na presença de


processos infeciosos. Podem ser de aparecimento súbito ou gradual, de forma
contínua ou intermitente, com grandes ou pequenas oscilações durante o dia.

Também as temperaturas baixas ou muito baixas revelam situações patológicas,


algumas delas podendo estar relacionadas com a insatisfação da necessidade de e
beber comer adequadamente.

29
Os idosos, de uma maneira geral, têm capacidades para manter a temperatura do
corpo dentro dos limites normais. No entanto o seu equilíbrio homeostático é muito
mais frágil e a sua capacidade de adaptação é muito menor, tolerando mais
dificilmente as temperaturas extremas.

A eficácia dos mecanismos de termorregulação diminui com a idade. A diminuição


do metabolismo e a redução da produção de calor culmina no abaixamento da
temperatura corporal.

Quando a temperatura normal do adulto saudável for cerca de 37º C, a de um idoso


pode ser inferior a 36,6º C ou mesmo 36º C. No entanto esta diminuição da
temperatura parece normal, dado que o envelhecimento se acompanha de uma
diminuição da atividade de todos os sistemas fisiológicos.

30
Manter o corpo limpo, cuidado e proteger a pele

A independência na satisfação da necessidade de estar limpo e cuidado, permite ao


ser humano manter a saúde física e emocional. O significado da necessidade de
limpeza e os meios utilizados para a satisfação dessa necessidade, variam em
função dos indivíduos.

Tal como em relação ao vestuário, é necessária muita coordenação, destreza e


equilíbrio, assim como uma boa amplitude dos movimentos e força muscular
para efetuar os cuidados de higiene corporal.

O processo de envelhecimento ao nível do sistema músculo-esquelético, afeta


a motricidade e as medidas de higiene pessoal tornam-se mais difíceis de
realizar. Também as alterações ao nível da pele (perda de elasticidade) afetam
esta necessidade no idoso, tornando-o mais vulnerável aos problemas de
dependência.
31
Os cuidados relacionados com a higiene corporal são muito importantes para a
manutenção ou restabelecimento da independência do doente, particularmente do
doente idoso. Fazem parte da higiene corporal o banho, o escovar os dentes, o corte
e limpeza das unhas, a barba, lavagem do cabelo e o pentear.

Uma pele limpa e íntegra ajuda a prevenir infeções e outras complicações, e


promove a autoestima.

32
Evitar os perigos

O ser humano deve proteger- se contra qualquer agressão interna e externa, e manter
a sua integridade física e psicológica. Os estabelecimentos hospitalares são
favorecedores de certas agressões e perigos para os doentes, não só os de possível
provocação pelos equipamentos que possuem, como também pelo próprio pessoal e
pelos outros doentes.

Mencionamos entre outros as infeções nosocomiais ou infeções hospitalares, os


riscos de alguns medicamentos, riscos elétricos, riscos de gases, quedas acidentais,
agressões físicas e psicológicas, etc..

33
No início e no fim da vida, o indivíduo é mais vulnerável e frágil. Ao longo de
toda a sua vida o indivíduo é agredido por elementos “stressantes”, provenientes
do seu ambiente e do que o rodeia, e também de si próprio (hereditariedade,
hábitos de vida, etc.). Para se defender e manter integridade biológica,
psicológica e social, dispõe de meios naturais (imunidade, força física,
inteligência, etc.), de mecanismos de defesa psicológica e de medidas
preventivas (boa alimentação, higiene, etc.).

Regra geral o ser humano é capaz de se adaptar ao meio e preservar a vida. Na


velhice, no entanto, esta adaptação faz-se com mais dificuldade. Assim, os idosos
correm mais riscos de acidentes devidos às mudanças associadas à idade, como as
que afetam a mobilidade, o equilíbrio e os órgãos dos sentidos.

34
Comunicar com os seus semelhantes

A comunicação é uma necessidade fundamental, cuja satisfação assenta num


conjunto de condições bio-psico-sociais.

Para que o ser humano possa ser independente na satisfação da sua necessidade de
comunicação, os seus órgãos sensoriais devem estar íntegros, as emoções não o
devem impedir de comunicar e terá que ter uma vida social.

35
A diminuição das capacidades sensoriais causadas pelo envelhecimento, afeta a
necessidade de comunicar de cada indivíduo. Esta diminuição manifesta- se por uma
redução da capacidade de receber e tratar informação proveniente do meio ambiente.
Há idosos que gostam pouco de falar e isso deve ser respeitado. Devem ser tratados
pelo seu nome e nunca como se fossem crianças.

Comunicar é uma “arte” que não consiste somente numa troca de palavras, mas
num partilhar de emoções, de sentimentos e ideias. Comunicar exige de nós
capacidade de falar e principalmente a capacidade de escutar.

36
Agir de acordo com as suas crenças e
valores

Todo o ser humano deve possuir um quadro de referência pessoal para apoiar o seu
comportamento.

O ser humano tem necessidade de agir de acordo com as suas crenças e valores, e de
executar gestos e ações conformes com a sua noção pessoal do bem, do mal e da
justiça. É isto que constitui a sua dimensão espiritual, quer ele participe ou não nas
práticas formais da sua religião.

Para conservar a saúde física e mental, o ser humano deve manter-se em harmonia
com a natureza, consigo próprio e com os outros; as suas crenças e valores ajudam-
no a conservar este equilíbrio. O bem-estar espiritual, faz parte da definição de
saúde.

37
A crença é uma convicção , uma certeza que uma pessoa tem, face à sua visão da
verdade. As crenças são, em geral, de natureza religiosa, filosófica ou política.

O valor é uma forma de crença que dita o comportamento a adotar ou a evitar.

38
Ocupar-se tendo em vista a autorrealização

A necessidade de se ocupar tendo em vista a autorrealização, está diretamente ligada


com os diferentes papeis sociais vividos e assumidos por um indivíduo. Realizar um
trabalho, adquirir conhecimentos, partilhar o que sabe fazer, são alguns exemplos de
realizações que permitem satisfazer esta necessidade fundamental.

O envelhecimento arrasta consigo diferentes mudanças biofisiológicas


que levam o ser humano a modificar os meios de que dispõe, para se
sentir útil.
Todas as pessoas que trabalham junto de idosos devem estimular a ocupação dos
mesmos, a fim de aumentarem a sua autoestima, de se poderem sentir úteis, não
apenas face à sociedade, mas também em relação à família e às pessoas que os
rodeiam.

39
Jogar ou participar em atividades recreativas

Distrair -se é uma necessidade de todo o ser humano, e o indivíduo que se diverte
com uma ocupação agradável, com o fim de se descontrair física e
psicologicamente, satisfaz esta necessidade.

40
Aprender, descobrir ou satisfazer a curiosidade

O ser humano que deseja manter ou recuperar a saúde, deve por vezes modificar os
seus comportamentos, ou aprender comportamentos novos. Para isso deve adquirir
conhecimentos e desenvolver capacidades.

Gerir os tempos livres dos doentes hospitalizados que possuem alguma autonomia
constitui uma tarefa bastante complexa. O mesmo se pode dizer em relação ao
idoso. Geralmente este passou toda a sua vida a trabalhar ou a educar a família sem
ter tempos livres e de repente dispõe de todo o tempo que sonhou ter.

41
O contributo do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde, na
equipa multidisciplinar, para a satisfação das
necessidades humanas básicas do utente

“Para que não haja problemas, as condutas de intervenção e diagnóstico


profissional deve ser sempre realizada por um profissional legalmente
habilitado para tal prática.”

42
Premissas éticas importantes na relação com o paciente:

Respeitar a libido do paciente, conquistando gradualmente a


confiança técnica , ética e moral do mesmo. Desta forma todo
procedimento realizado deve ser explicado, fazendo com que o mesmo se
mantenha sempre seguro.

Manter os registos, relatórios e as evoluções clínicas do paciente sempre


atualizadas.

Não divulgar, em particular ou em público, quaisquer informações que


tenham origem nas palavras dos pacientes, mesmo que estes tenham dito que as
mesmas não eram confidenciais. Da mesma forma deve-se manter em sigilo as
informações clínicas ou de estudo clínico compartilhadas entre a equipa
multidisciplinar, as quais forem obtidas em discussões clínicas, prontuários e
relatos para atuação multi, inter ou transdisciplinar.

43
Ética profissional: Regulamento tomado como consenso para se
seguir de acordo com os conceitos morais intrínsecos específicos de
cada profissão. Vide: Código de Ética Profissional

Ter cuidado ao gerar aproximações emocionais com um paciente. Deve haver


uma separação formal do profissional e do amigo, do profissional e do esposo.
Deve-se utilizar um ritual formal a ser incorporado para que haja uma sinalização da
distinção destas partes do todo. Instrumentos como o tratamento pela titulação
profissional, uso do jaleco ou uniforme, auxiliam neste ritual, mas o comportamento
também deve modificar. Muitas condutas ou intervenções terapêuticas não são
executadas por profissionais com membros da sua própria família para evitar a
influência emocional ou mesmo a banalização da intervenção.

44
É dever de cada profissional admitir os limites de intervenção técnica e ética da sua
profissão, encaminhando o paciente a um especialista de acordo com as necessidades
clinicas específicas de cada situação, sempre explicando claramente ao paciente.

Nunca desacreditar ou menosprezar o médico ou qualquer outro profissional


de saúde, valorizando sempre o seu trabalho e quando houverem diagnósticos
equivocados, os mesmos devem ser primariamente debatidos e discutidos com o
profissional antes de trazer algum dolo moral do aludido profissional perante o
paciente
Ter cuidado ao comentar casos de pacientes com outros pacientes mesmo com a
intenção de encorajá-los, pois isto tanto foge da técnica quanto amedronta o
paciente.

45
Cuidados de higiene e conforto a utentes que
necessitam de ajuda parcial ou total

A importância da higiene e do conforto para a saúde do utente


higiene é um ramo da medicina que visa a prevenção da
doença.

A limpeza do corpo, das roupas, dos utensílios e das habitações, diminuiu


sensivelmente o risco de infeção por fungos, bactérias e vírus.

46
A higiene pessoal, cuidado básico para a saúde e bem-estar do ser
humano, é uma atividade incorporada na rotina diária e difere entre
culturas e épocas. Entende-se por higiene pessoal a corporal e íntima,
a oral e a do couro cabeludo.

A higiene pode ser:

Parcial: É aquela que tem em conta os cuidados


específicos de cada parte do corpo, frequentemente as
regiões com secreção abundante e maior carência de
higiene (cara e boca, mãos, axilas, pés e genitais).
OU…

47
Total: consiste no banho total, completo, desde a higiene ao corpo até ao
cortar das unhas e cuidados com o cabelo.

Na cama OU no chuveiro, consoante as características da pessoa de quem se


cuida.

O banho é, normalmente, realizado mais para agradar a quem cuida


(senso de responsabilidade) do que para atender a uma real necessidade
ou desejo da pessoa cuidada.

O banho diário não se baseia tanto em requerimentos clínicos, mas sim em normas
culturais.

48
A frequência do banho depende das necessidades apresentadas pelas pessoas idosas.
Em algumas circunstâncias, pode ser dado apenas, por exemplo, duas vezes por
semana. É o caso dos idosos com peles demasiado secas, dos muito enfraquecidos
ou dos que, por problemas de saúde, se cansam facilmente.

49
Questões relativas à privacidade, intimidade e
sexualidade do utente

Aspetos a ter em conta na


interação:

O doente tem direito a que todo o ato diagnóstico ou terapêutico seja


efetuado só na presença dos profissionais indispensáveis à sua execução,
salvo se pedir a presença de outros elementos, podendo requerer a de um
familiar (excluindo, por exemplo os atos cirúrgicos que não o permitam).

Nos atos cirúrgicos a crianças, deverá ser permitida a presença de um elemento


securizante ante (habitualmente um dos pais), na indução anestésica, de modo a
minimizar as repercussões psicoemocionais

50
A vida privada do doente não pode ser objeto de intromissão, salvo em caso de
necessidade para efeitos de diagnóstico ou tratamento e tendo o doente expressado o
seu consentimento.
No que respeita às crianças a vida privada pode ter de ser investigada, por vezes sem
a concordância dos pais se tal for necessário para a terapêutica ou bem- estar da
criança.

Nas enfermarias o banho dos doentes deve ser realizado tendo em conta o pudor do
doente. Devem ser utilizados cortinas ou biombos com esse fim.

51
O respeito pela intimidade do doente deve ser preservado durante os
cuidados de higiene, as consultas, as visitas médicas, o ensino, os
tratamentos pré e pós operatórios, radiografias, o transporte em maca e
em todos os momentos do seu internamento.

Embora as urgências não constituam, necessariamente, um internamento,


recomenda-se que a privacidade e o respeito pelo pudor sejam garantidos nestas
situações, apesar da oportunidade e rapidez da intervenção o poderem fazer
esquecer.

52
Os principais fatores ambientais e pessoais propiciadores de
conforto/desconforto para o utente

A humanização é central num processo de prestação de cuidados, e neste contexto


deve-se, entre outras:
Respeitar a forma como o utente quer ser tratado – nome de batismo, apelido
com ou sem título profissional ou outro;
Respeitar a intimidade, privacidade e confidencialidade do utente, em todos
os atos de prestação de cuidados;
Informar o utente, na medida do possível e de acordo com a equipa, quanto à
sua situação e respetivo prognóstico;
Fazer o inventário de todos os bens do utente, quando da sua entrada na
Unidade de RNCCI e arquivar uma cópia da lista de bens;
Assegurar-se do consentimento informado do utente para os atos da prática do
cuidar;

53
Informar o utente como aceder ao telefone, outros meios tecnológicos e
horários do funcionamento das várias atividades e serviços;

Respeitar os horários estabelecidos quanto a toma de medicamentos, sessões


de reabilitação, exames complementares de diagnóstico;

Tornar as horas das refeições, momentos de prazer – arranjo das mesas,


música ambiente calma e repousante, tratamento calmo e sereno de eventuais
conflitos, permissão da partilha do momento das refeições com os familiares (preço
afixado) e respeito pela dieta;

Assegurar assistência religiosa, se desejada e de acordo com a convicção


do utente.

54
Criar condições para a existência de meios (espelhos, quadros, relógios,
informações emorientação
carateres grandes e cores apelativas) que permitam a
para a realidade;

Contribuir com a sua opinião para a criação de ambientes agradáveis


– pintura de paredes de tons coloridos, cortinas e colchas de padrões de
bom gosto e decoração agradável, respeitando as características locais
(quadros, flores e outras).

55
Etapas dos cuidados de higiene a idosos dependentes

1.º – Preparar todo o material necessário:


Luvas e aventais descartáveis Esponja
Sabão líquido neutro
Uma bacia com água tépida (se banho na cama) Toalhas limpas
Creme hidratante e anti alergénico Escova ou pente para o cabelo
Escova de dentes e pasta dentífrica ou elixir Fraldas descartáveis, se necessário
Sacos de plástico para o lixo e para a roupa suja Roupa limpa para o idoso e/ou
para a cama

56
Banho na cama

O banho no leito, providencia- se quando o idoso é totalmente dependente ou


quando há uma restrição do exercício. Se o idoso for semi-dependente e seja
necessário o banho no leito, deve providenciar-se o material e auxilia-lo na higiene.

Temperar a água, tendo o cuidado de não queimar a pessoa ou provocar


desconforto.
O idoso deve ser lavado com uma esponja embebida em água e sabão, ou com
um gel de banho hipoalergénico.
Iniciar a higiene com a limpeza dos olhos, usando uma compressa com água
ou soro fisiológico para cada olho, limpando sempre de dentro para fora, de uma só
vez.

57
o

De seguida: lavar a cara, as orelhas e a cabeça. A lavagem desta deve ser feita
com regularidade, devendo, contudo, respeitar a vontade do idoso, sempre que
possível.
Lavar os braços e o tronco e seguir para as pernas e os pés, secando o corpo
medida que lava e tapando-o.

Promover uma relação interpessoal e agradável com o idoso durante o banho.

Respeitar a sua vontade, privacidade e integridade.

Retirar todos os objetos das mãos que possam ferir o idoso



Usar um par de luvas para cada idoso e lavar SEMPRE as mãos antes e depois d
cada higiene, de forma a evitar infeções.

58
Começar os cuidados de higiene sempre das partes mais limpas para as
partes mais sujas, (da cabeça para os pés)
Observar o corpo e detetar todas as feridas que possam ter

Ter atenção à fragilidade da pele, tanto ao lavar como a secar o corpo.


Ter especial cuidado nos movimentos com idosos dependentes quer seja da
cama para a cadeira, ou para o local do chuveiro, devendo desviar-se tudo o que
possa magoá -los.

Retirar sempre as placas dentárias e lavá-las ou incentivar o idoso a limpá-las.


Estas só devem ser colocadas depois da limpeza da boca, que nunca deve ser
deixada para trás, mesmo em pessoas sem dentes, para se evitar infeções.

59
Vestir a pessoa e penteá-la.

Banho no chuveiro/banheira:

Temperar a água, tendo o cuidado de não queimar a pessoa ou provocar


desconforto
Começar sempre pela cabeça, em direção aos pés. Lavar a cabeça, cara e
orelhas do idoso.

Seguem-se o pescoço, braços, axilas, costas, pernas e pés, entre os dedos e,


por fim, partes genitais.

Secar o corpo com toalha macia, sem esfregar.

Aplicar creme hidratante no corpo.


Vestir a pessoa e penteá-la.

60
Não esquecer a lavagem da boca, usando uma escova de dentes
ou compressas embebidas em elixir ou pedir ao idoso para bochechar.

Verificar sempre se não existem secreções, feridas, caspa ou parasitas.

Cortar as unhas, cuidar dos cabelos e toda a aparência do idoso.

61
Banho na cadeira de banho
assistido

Para que a ajuda técnica seja eficaz terá que permitir uma atividade mais
independente ou com menor dispêndio de esforço, de outro modo,
provavelmente não será utilizada.

A avaliação da necessidade de ajuda técnica deve ser feita por uma Equipa de
reabilitação especializada, e a sua subsequente prescrição deverá ser feita pelo
médico Especialista, com experiência nesta área.

Para uma adequada avaliação e prescrição de ajuda técnica, deverá contatar o seu
Centro de Saúde, que o encaminhará para os Serviços de Reabilitação mais
próximos do seu local de residência.

62
Aspetos importantes a tomar em consideração, sempre
que é feita uma prescrição:

Em relação à ajuda técnica:

Conforto
Segurança
Estabilidade
Facilidade de utilização
Tipo de banheiro – para banho de imersão ou duche
Tamanho
Peso

63
Em relação ao meio ambiente:

Relação entre a largura das portas e a largura das cadeiras


Arrumação
Durabilidade
Estética
Relação custo/benefício

A comparticipação na compra das Ajudas Técnicas necessárias pode ser conseguida,


salvo algumas exceções, através dos Serviços de Reabilitação dos Hospitais, ou
através dos Centros Regionais de Segurança Social.

64
Cadeira de banho com assento longo

Características:

Estrutura metálica cromada e forro em material


sintético permite o apoio completo dos membros
inferiores em extensão (importante na ausência de
movimentos, na hipotonia dos membros inferiores, na
hipertonia em extensão ou ainda na ausência de
sensibilidade).

Pode ser usada na praia

Ocupa pouco espaço quando fechada

65
Banho na maca banheira

66
67
Técnicas de substituição de roupas de cama e macas
ocupadas

Providenciar os recursos para junto do indivíduo.

Aprontar uma cadeira aos pés da cama com as costas voltadas para quem executa

Lavar as mãos

68
Trocar as roupas de cama segundo a técnica abaixo
descrita:

Posicionar-se de um dos lados da cama


Remover a roupa debaixo do colchão de toda a cama, começando pela
cabeceira até aos pés (à esquerda) e continuar a desentalar dos pés para a cabeceira
(à direita), ou vice-versa;
Executar três dobras na colcha começando de cima para baixo, depois
dobrar outra vez ao meio, no sentido da largura e colocar nas costas da
cadeira;

69
Executar de igual modo para o cobertor;

Manter a dobra em cima do lençol que cobre o indivíduo, fazer outra em


baixo, seguida de duas dobras laterais, começando pelo lado oposto;

Assistir o indivíduo a voltar-se para o lado oposto da cama, ajustando a almofada;

Remover o resguardo, enrolando-o ou dobrando-o em leque até ao meio da


cama, encostando -o bem ao indivíduo. Executar do mesmo modo ao lençol de
baixo.
Posicionar o lençol de baixo limpo a meio da cama, da cabeceira para os pés,
abri-lo e enrolar ou dobrar em leque a metade oposta para dentro até meio da cama.

70
Entalar a metade da cabeceira e fazer o canto, depois a metade dos pés e respetivo
canto e por fim a parte lateral.
Posicionar o resguardo a meio da cama e enrolar a metade oposta para dentro
até junto do indivíduo, enrolando-o desse lado.
Virar o indivíduo, ajustando a almofada
Posicionar-se do lado oposto

Remover o resguardo e o lençol de baixo descartando-os no saco da roupa suja.

Tapar o colchão desenrolando e entalando o lençol


de baixo, fazendo os cantos na extremidade superior
e inferior.

71
Entalar o resguardo desse lado.
Posicionar ou assistir o indivíduo a posicionar-se no meio da cama
aprontar o lençol que cobre o indivíduo, desfazendo as dobras laterais Posicionar-se
de novo no lado oposto onde iniciou a cama.

Cobrir o peito do indivíduo com o lençol de cima limpo e dobrado, pedindo-


lhe para o segurar. Se não for possível, entalar sob os ombros.

Reunir a extremidade inferior do lençol limpo e a extremidade superior do


que se vai retirar.

72
Remover o lençol sujo, cobrindo simultaneamente o indivíduo com o limpo.
Executar o canto desse lado.

Aplicar um cobertor ou edredão sobre o lençol de cima executar o canto do


cobertor ou edredão e do lençol em simultâneo, fazendo uma dobra junto aos pés,
depois de entalar a roupa na extremidade inferior da cama
Aplicar a colcha sobre o cobertor ou edredão e
fazer o respetivo canto.
Executar uma dobra para dentro na
extremidade superior da colcha, de forma a envolver
o cobertor ou edredão e executar a dobra do lençol
sobre ambos.

73
Posicionar ou assistir o indivíduo a posicionar-se.
Assegurar a recolha do material.
Lavar as mãos.

74
Técnicas de vestir e despir o utente

As roupas devem ser confortáveis, simples de se vestir e adequadas ao clima e aos


desejos do paciente; sempre que possível, dê preferência aos tecidos de algodão por
serem macios e permitir uma melhor movimentação.

Resíduos de produtos químicos usados na lavagem das roupas podem ser causa de
irritações na pele. O uso de tecidos sintéticos e inflamáveis e de colchetes, correntes
e alfinetes deve ser abolido, evitando, com isso, possíveis acidentes e traumatismos.

75
É importante que, para o paciente impossibilitado de manifestar a sua
sensibilidade à temperatura externa, o profissional esteja atento para a colocação
ou retirada de agasalhos.

Também é importante que os cuidadores mantenham a calma no auxílio do


vestuário. Os pacientes cansam-se com facilidade e, por isso mesmo, é correto
manter roupa simples com aberturas laterais ou frontais e uso de fechos de velcro.
Aos pacientes limitados a cadeiras de rodas, é bom optar por roupas confortáveis,
largas, especialmente nos quadris.

76
Para pacientes com lesões extensas de pele, independentemente da causa,
oriente adaptações de roupas e camisolas: as mangas podem ser desmembradas do
corpo da roupa e adaptadas ao corpo do paciente através dos dispositivos acima
citados.

77
Materiais e equipamentos de higiene e conforto

Relativamente a este aspeto, é importante:

Colaborar na execução da cama, quando o doente está acamado


Colaborar no posicionamento dos doentes nos diversos decúbitos ( dorsal,
lateral direito, lateral esquerdo, ventral)
Posicionar os doentes de forma a que a roupa da cama se mantenha sempre
esticada e sem rugas
Deixar sempre o doente em posição confortável

78
Colaborar na massagem das principais zonas de pressão ( ombros, costas,
trocanteres e calcanhares ) com creme hidratante
Ajudar a vestir/despir o doente em caso disso

Manter as regiões mais íntimas do corpo dos doentes sempre cobertas

Ajudar na passagem dos doentes da cama para o cadeirão e vice versa,


aquando do seu levante

79
Algumas dicas a ter em conta na casa de
banho/banheiro de um idoso:

Com o intuito de cuidar corretamente da higiene de um idoso deve seguir as dicas


seguintes:
Opte pela colocação de portas de correr, assim o acesso à casa de
banho/banheiro é mais prático;

Privilegie o espaço da sua casa de banho/banheiro. Caso exista a necessidade de


retirar um móvel, deve-o fazer para obter um espaço mais funcional e alargado;

Certifique-se que as toalhas, o sabonete, a esponja e o champô estão


guardados em locais de fácil acesso;
Instale aparelhos de emergência que estejam situados em locais de fácil
acesso como, por exemplo, um intercomunicador. Este tipo de aparelhos garante
uma maior segurança ao idoso;

80
Ilumine as paredes se estas forem coloridas;

Armazene na casa de banho/banheiro uma quantidade mínima de roupas


e coloque-as num local de fácil acesso;
Suavize todos os cantos para reduzir as hipóteses de ferimentos resultantes
de uma queda;
Utilize sabonetes líquidos para lavar as mãos, pois estes são mais práticos
do que as barras de sabão;

81
Coloque barras de apoio para ajudar um idoso a movimentar-se e reforce as
saboneteiras e o corrimão das toalhas para que eles possam atuar como suporte;

Disponha os acessórios para o banho num local de fácil acesso. Essa é uma
maneira de garantir uma certa independência e autonomia ao banho de uma pessoa
idosa.

82
Produtos de higiene e conforto: características e sua
aplicação

Os produtos de saúde e higiene englobam uma vasta gama de materiais fibrosos,


para diferentes aplicações, e surgem da necessidade de proteger, quer o paciente,
quer a equipa médica, de qualquer contacto com fluidos potencialmente
contaminados.

Com o crescente aumento de infeções transmitidas pelo vírus da SIDA e outros


altamente resistentes, estes produtos assumem, cada vez mais, um papel
fundamental.

Tal como os restantes materiais fibrosos de aplicação médica, os produtos de


higiene e saúde devem ser: antialérgicos, resistentes a microrganismos,
permeáveis ao ar, não tóxicos, capazes de serem esterilizados e impermeáveis a
líquidos. Para além disso, estes produtos devem proporcionar conforto e não
limitar os movimentos de quem os utiliza.

83
Tal como os restantes materiais fibrosos de aplicação médica, os produtos de
higiene e saúde devem ser: antialérgicos, resistentes a microrganismos, permeáveis
ao ar, não tóxicos, capazes de serem esterilizados e impermeáveis a líquidos. Para
além disso, estes produtos devem proporcionar conforto e não limitar os
movimentos de quem os utiliza

Os produtos de saúde e higiene mais comuns são as batas, os gorros, as


máscaras e os campos cirúrgicos.

84
Outros cuidados básicos de higiene e apresentação

Cabelo
Colocar o paciente de barriga para cima de forma que a cabeça fique livre. Para
isto, pode -se retirar o travesseiro e colocar alguns lençóis enrolados em baixo dos
ombros;
Forrar a cama para que não fique molhada e colocar uma bacia debaixo da
cabeça do idoso;
Colocar tampões de algodão no ouvido do paciente;
Molhar o cabelo, aplicar o xampu e enxaguar com bastante água;
Enxugar o cabelo com uma toalha, e, se for possível, usar um secador;

Pentear e escovar o cabelo do idoso.

85
Unhas
Manter a higiene pessoal em dia é um caminho essencial para evitar estímulos
externos e garantir a saúde de todo o organismo. Como manter as mãos e unhas
limpas?

O que usar: água, sabonete e lixa de unha.

Como higienizar: o ideal é manter as unhas sempre curtas e lixá-las a cada três
dias. Pessoas que cultivam unhas compridas devem lavar as mãos com maior
frequência e sempre antes de preparar alimentos.

86
O que não fazer: enfiar palitos e outros materiais que agridam as unhas e as
descolem do leito. Caso exista a necessidade desse tipo de intervenção, consulte um
especialista.
Frequência da limpeza: diária.

Barba
Assim como os cabelos, a barba também acumula impurezas ao longo do dia e, por
isso, precisa ser higienizada diariamente.
A necessidade torna-se ainda maior para homens com bigode, pois este entra em
contato direto com alimentos e bebidas.
A solução? Lavar o rosto duas vezes ao dia ou após as refeições com um sabonete
neutro, que é menos propenso a causar irritações.

87
Higiene oral
A higiene da boca deve ser feita após cada refeição, e sempre que for necessário.

Se o paciente for capaz, ele mesmo poderá fazer sua higiene bucal, mas caso
contrário, siga as instruções passo a passo:

Reunir todo o material: escova de dente,


pasta de dente, antisséptico oral, gases
esterilizadas, espátula;
misturar, em um recipiente, o antisséptico e a água
em partes iguais;

Pegar uma espátula e envolvê-la com a gaze, para


que ela seja embebida na solução;
88
Fazer a limpeza da língua do idoso com a espátula, movendo-a de um lado
para o outro para evitar náuseas. Não esquecer de limpar também as laterais e a
parte superior (céu da boca) e inferior da boca, além das gengivas;

Caso o paciente possua prótese dentária, esta deve ser lavada com escova e
pasta de dente;

Hidratar sempre os lábios do paciente com manteiga de cacau ou vaselina.

89
A colaboração em cuidados de higiene a utentes com
sistemas de soros, drenagens, tubagens e/ou outros
dispositivos

Higiene das Sondas:

Lave o local de preparo da alimentação com água e sabão.


Lave bem as mãos com água e sabão antes de preparar a dieta.
Pese e meça todos os ingredientes da dieta , seguindo as instruções da equipe de
saúde.
Utilize sempre água filtrada ou fervida.
Lave todos os utensílios com água corrente e sabão.
Lave com água e sabão o equipo, a seringa e o frasco e enxague com água
fervendo

90
Deve ser providenciada uma cama/ leito apropriado e confortável. Assim,
torna-se fundamental a cama e o colchão, podendo ser uma cama vulgar ou
articulada (como na imagem), onde se pode elevar a cabeça e/ ou os pés.

Poderá também ser necessária a utilização de outros acessórios, tais como


grades de proteção/ segurança (prevenção de quedas), etc.

91
Quanto ao colchão também pode ser normal ou então especial para idosos com
problemas músculo- esqueléticos ou de mobilidade, para prevenção de úlceras de
pressão (colchões de alto risco ou de pressões alternas – imagem).

92
Cuidados a ter no antes e após a eliminação

A Eliminação

Cuidados a ter no antes e após a eliminação

Condições ambientais e de privacidade

Uma parte importante dos cuidados prestados, ao paciente, centra-se em ajudá-lo a


superar as dificuldades de eliminação de fezes e urina .Consiste em ensinar,
supervisionar, ajudar ou realizar procedimentos

Sempre que possível tornar o paciente autónomo, dando-se especial importância à


higiene e ao conforto

93
Antes de se estabelecer qualquer plano de cuidados:

Deverá ser avaliada a capacidade do paciente em identificar a localização do


WC, chegar até ele, tirar a roupa, sentar-se na sanita, alcançar e utilizar os utensílios
de higiene, levantar-se, voltar e vestir-se e lavar as mãos.

Uma parte importante dos cuidados prestados, ao idoso, centra-se em ajudá-lo a


superar as dificuldades de eliminação de fezes e urina.
Consiste em ensinar, supervisionar, ajudar ou realizar procedimentos

 Sempre que possível tornar o idoso autónomo, dando-se especial importância à


higiene e ao conforto

94
Para manter um funcionamento efetivo, o organismo humano deve
livrar-se de substâncias indesejadas (dejetos):

95
96
A maioria dos resíduos nitrogenados do metabolismo celular é excretada na urina.
O sistema urinário desempenha um papel importante na manutenção do equilíbrio
hidroeletrolítico. O controlo da micção representa para as pessoas um ato
independente, que é aprendido na infância, e a perda desta independência, significa
uma ameaça ao bem estar social e emocional, pondo em risco os sentimentos de
autoestima.

97
Fatores que influenciam a excreção urinária:

98
Eliminação Intestinal:

É o movimento e evacuação de fezes pela defecação. Pode ser influenciada por


fatores físicos e/ou psicológicos.

Fatores que afetam a atividade intestinal


•FALTA DE FIBRAS NA DIETA

99
A lista a seguir apresenta os principais inimigos do bom funcionamento intestinal:

100
101
A limpeza e higiene parcial dos genitais

A higiene perineal refere-se à limpeza dos genitais externos e região circundante,


que normalmente é realizada durante o banho. No entanto, em idosos dependentes,
há necessidade de realizar os cuidados perineais várias vezes ao dia.

Este facto deve-se a situações como: infeções genitourinárias, incontinência fecal e


urinária, secreções excessivas, irritações ou escoriações, presença de algália,
cirurgia perineal, etc. O períneo está localizado entre as coxas e estende-se desde o
topo dos ossos pélvicos até ao ânus, contendo as estruturas anatómicas sensíveis ,
relacionadas com a sexualidade, eliminação e reprodução.

102
Os cuidados perineais são providenciados com a finalidade de prevenir a infeção,
promover a saúde e conforto. Devido a existência de vários orifícios no períneo, esta
é uma área vulnerável a entrada de microrganismos patogénicos.

Para a realização dos cuidados perineais dever-se-á:


Reunir material necessário: luvas, bacia, aparadeira, urinol,
dispositivo urinário, saco coletor, esponjas, toalhas, resguardos, cremes,
sabão , fralda, pomadas, etc.;

Questionar o Idoso se pretende urinar ou evacuar antes de proceder a higiene


perineal. Colocar urinol ou aparadeira, se necessário.

103
Colocar o Idoso em decúbito dorsal (barriga para cima), se possível com pernas
fletidas, lavar a região de eliminação urinária e posteriormente, colocar o idoso de
decúbito lateral (de lado) para proceder a higiene da região de eliminação intestinal.

No Homem:

104
Começar a lavar com movimentos circulares pela ponta do pénis, puxando o
prepúcio para baixo e lavando a glande, posteriormente o pénis e o escroto (não
esquecer de voltar a colocar o prepúcio na sua posição normal.

Na Mulher:

Lavar da frente para trás (do meato


urinário para orifício vaginal e
posteriormente para a região anal),
prestando atenção à sujidade acumulada
entre os lábios, utilizando uma mão para
afastar os lábios e outra para lavar.

105
Mudar a água da bacia após a higiene dos genitais.
Colocar o idoso de lado e proceder à lavagem das costas e nádegas,
secando de seguida.
Colocar a roupa lavada e a fralda, fazendo a cama de um lado.

Virar o idoso para o lado seguinte e terminar de fazer cama e de colocar a fralda.

Terminar de vestir o idoso e deixá-lo confortável.


Não esquecer de pentear o cabelo, colocar creme hidratante no corpo e de
lavar a boca do idoso.

106
Materiais e técnicas de apoio à
eliminação

Colocação e remoção do urinol e arrastadeira com a colaboração do utente e


auxiliando o enfermeiro

Manipulação de arrastadeiras e urinóis

Urinóis e arrastadeiras deveriam ser preferencialmente em inox por permitir


uma melhor desinfeção do dado material. A manipulação destes utensílios deveria
ser o mais cuidadosa possível no sentido de evitar focos de infeção, quer para quem
a utiliza (cliente) quer para quem a manipula (cuidador).

O cuidador deveria utilizar material de proteção, nomeadamente luvas,


aquando da sua manipulação e lavar frequentemente as mãos, antes e após, da
manipulação do referido material já que as luvas não substituem a lavagem.

107
Tipos de urinóis e arrastadeiras

108
Colocação da arrastadeira
 Se o doente for colaborante devemos pedir que flita os joelhos e faça força de
modo a levantar o corpo;
Se o doente não for colaborante, deve colocar-se em decúbito lateral para
aplicação da arrastadeira e após a colocação posicionar a pessoa em decúbito
dorsal (barriga para cima);

A parte achatada da arrastadeira fica posicionada para a parte superior do corpo;

109
A arrastadeira deverá ficar corretamente colocada de modo a que o conteúdo
excretado fique no interior da arrastadeira;

Colocação correta da arrastadeira

110
Colocação do Urinol
O urinol é um utensílio exclusivo para homens permitindo que
estes quando acamados possam urinar. É colocando introduzindo o
pénis no urinol.

Cuidados na Desinfeção
A lavagem dos utensílios é fundamental no controlo da infeção.

Arrastadeiras e urinóis após utilização deveriam sofrer uma esterilização


em esterilizadores próprios para o efeito, uma vez que as lavagens manuais com
antisséptico não removem todos os microrganismos desejáveis.

111
Colocação e substituição de fraldas com a colaboração do
utente e auxiliando o enfermeiro

Na maioria das vezes, um adulto que usa uma fralda pode precisar de ajuda na
sua mudança. Pode haver casos em que a pessoa pode ficar acamada. Assim, torna-
se ainda mais evidente que um cuidador precisará de saber como o fazer.
Em primeiro lugar, e antes de começar a mudar a fralda deve reunir o material:
Saco de lixo
Fralda nova
Material de higiene

112
Para começar o utente deve ser colocado no leito. Primeiramente
descola-se a fita adesiva da fralda e dobra-se para dentro de forma a
que quando for posicionado em lateral essa aba fique por baixo.
Posiciona-se delicadamente para esse lado. Descola a outra fita
adesiva do lado oposto e após esse procedimento pode retirar a fralda
suja por trás.
Antes de colocar uma fralda limpa, deve limpar bem a zona com
água e sabão. Deve proceder à higiene dos genitais segundo a técnica
correta (já explicado noutro tópico). Depois secar muito bem. Pode
colocar um creme hidratante e protetor. Coloca a nova fralda e inverte
todo o processo anterior quando retirou a mesma.

113
Transferência e posicionamento na cadeira sanitária: Com a
colaboração do utente

Posicione-se atrás do paciente com a cadeira travada.


Trazer o paciente para cima e para trás sentando-o na cadeira.
Passar os seus braços sob os do paciente.
Cruzar os braços do paciente e segurar os seus antebraços com ambas as
mãos.

114
Esvaziamento dos sacos coletores de urina com
válvula: Cuidados de Manuseamento

Orientar o paciente sobre o procedimento;


Reunir todo o material necessário e levar para perto do paciente;
Higienizar as mãos;
Equipar-se com o EPI (luvas de procedimentos, máscara, óculos e avental);
Higienizar a região perineal com água e sabão.
Retirar o saco coletor;
Posicionar o saco para o recipiente que irá receber a urina, evitando contato
entre as superfícies durante o procedimento;
Colocar a urina na sanita;
Retirar as luvas e higienizar as mãos.

115
Outros dispositivos de apoio à eliminação - noções
básicas: algalias, sondas vesicais, sondas rectais, sacos de
urostomia, sacos de nefrostomia, sacos de colostomia

A algaliação é uma das técnicas que os enfermeiros executam mais amiúde. Foi
para debelar e ultrapassar algumas situações mais difíceis e delicadas que a
enfermagem foi desenvolvendo e adotando técnicas e saberes acessórios que
permitem obter o sucesso em algaliações complicadas e gerir com eficácia muitas
das complicações associadas a esta prática.
Embora os princípios básicos sejam os mesmos existem diferenças acerca dos
métodos usados na algaliação mediante se trate de um paciente do sexo masculino
ou feminino. O procedimento realizado em doentes do sexo feminino geralmente
não oferece contrariedades face ao trajeco e reto da uretra. Os doentes do sexo
masculino, uma vez que nestes a uretra tem uma longitude maior, oferecendo
angulações e zonas em que diversos processos patológicos ou fisiológicos podem
provocar apertos uretrais dificultando assim a passagem de uma sonda vesical.

116
O tamanho neste caso é importante!. Nas mulheres o tamanho trivial é o 14Fr e
para os homens é o 16Fr. No entanto o tamanho pode variar consoante existam
estenoses uretrais ou coágulos a serem drenados. Muitas vezes existe o falso
conceito de que uma sonda fina passa com mais facilidade por uma região com
aperto do que uma mais calibrosa. Por outro lado, se queremos usar uma sonda de
baixo calibre devemos optar por uma sonda semi-rígida a não ser que tenhamos a
garantia de uma uretra livre de obstruções.
Lembre-se também que o potencial de desenvolver espasmos vesicais ou
intolerância à sonda é maior com sondas mais calibrosas.

117
Sondas vesicais e retais:

Para restaurar ou facilitar o funcionamento urinário geralmente envolve


a inserção temporária ou percular. A cateterização também permite a
monitorizarão dos sistemas renal e urinário, ajudando no diagnostico da
disfunção.
Os distúrbios mais frequentes do sistema urinário ocorrem por causa de
obstrução, neoplasias, cálculos ou infecção, ou uma inter-relação entre
todos.
Na glomerulonefrite, o processo inflamatório nos glomérulos tem uma
fase autoimune.
A absorção de substancias nefrotóxicas, mudanças vasculares tais como
as que ocorrem na hipertensão e algumas doenças sistêmicas podem
danificar os rins.
Qualquer redução do fluxo sanguíneo nos rins pode produzir
insuficiência renal. As lesões dos rins e da bexiga urinaria também poder
ser resultado de um traumatismo.
118
Objetivo da inserção de sonda:

Com a PM o objetivo é tratar das incontinências urinaria, retenção urinaria


distúrbios obstrutivos (cálculos urinários, hipertrófica prostática, estenose
uretral, neoplasia renais) drenos urinários, irrigação vesical,
Assim a equipe de enfermagem poderá fazer o controle de eletrólitos do
paciente, para que sua patologia seja tratada de forma adequada.
Em caso de pacientes pós-operatório, a sonda é inserida devido a não
deambulação do paciente, onde o controle de eletrólitos deve ser total
(dependendo do motivo da cirurgia, mas principalmente se for sobre o trato
urinário)
A sonda é introduzida também no pré-operatório conforme prescrição medica.

119
Sacos de urostomia; nefrostomia e de
colostomia

Urostomia é uma criação cirúrgica de uma abertura artificial ( estoma ) dos


condutos urinários na parede abdominal. A urina passará a fluir através desta
abertura situada na parede abdominal e será armazenada em uma bolsa coletora.
As urostomias podem ser ureteroenterocutâneas (uma parte do intestino é
utilizada para criar um novo reservatório de urina) ou cutâneas (a urina é drenada
através de um orifício criado na parede abdominal e pele). As urostomias cutâneas
são as mais comuns e incluem a ureterostomia cutânea (estoma criado a partir dos
ureteres), a vesicotomia (o estoma é feito a partir da bexiga) e a nefrostomia (a
drenagem de urina começa a partir do rim).

Quando a urostomia será permanente?


A urostomia será permanente nos casos de cancro de bexiga,
incontinência (atrofia da bexiga, atrofia vesical, carcinoma uretral e cistite
intersticial ). A urostomia será temporária nos casos de Mega uretra e refluxo
vesiculo-uretral.
120
 A nefrostomia é uma intervenção cirúrgica que consiste em realizar uma
abertura num rim, com o objetivo procurar um cálculo ou de o drenar.
Permite a resolução da obstrução ureteral e recuperação da função renal
em pacientes com uropatia obstrutiva.
Tem também um papel importante na obstrução das vias urinárias por
neoplasias abdominais avançadas.

A colostomia consiste na exteriorização do intestino grosso, mais


comummente do cólon transverso ou sigmóide, através da parede abdominal,
para eliminação de gases ou fezes.

121
Embora as colostomias sejam procedimentos cirúrgicos relativamente simples,
apresentam várias complicações, desde simples irritações cutâneas até problemas
potencialmente letais:
 irritação cutânea - evitada pelo uso de bolsas e pomadas protetoras, que
evitam o contato entre o contato fecal e a pele;
estenose por abertura insuficiente da parede abdominal;
 angulação do cólon exteriorizado por passagem sinuosa pelos diferentes planos d
parede abdominal;
estenose temporária decorrente do edema da boca cólica;
processo inflamatório que ocorre na serosa da alça exteriorizada; infeção - da
pele e/ou subcutâneo, causando celulite pericolostômica;

Hérnia paracolostômica - particularmente nas colostomias terminais;


 Necrose e retração do coto cólico - ocorre por falta de suprimento sanguíneo no coto
exteriorizado. As causas podem ser várias: ligadura inadvertida das artérias que irrigam o segmento;
exteriorização do coto cólico com tensão tal que prejudique sua irrigação;

122
Cólico: abertura muito estreita na parede abdominal, causando constrição
do coto

fístula - evento raro, ocorre como resultado da fixação da alça à parede


abdominal ou a partir de pequenos focos de necrose na parede da alça;
prolapso ou procidência do coto cólico - é a complicação mais freqüente nas
colostomias em alça.

123
Produtos de eliminação vesical e intestinal

Urina: características, alterações e sinais de alerta

Você já deve ter percebido que a quantidade de vezes que você faz xixi está
intimamente ligada aos seus hábitos. Por exemplo, num fim de semana, enquanto
você bebe alguns copinhos de cerveja, é normal que precise ir muitas urinar. O
mesmo não ocorre num dia qualquer da semana, no qual você toma a mesma
quantidade de líquidos que tem o costume de tomar.
Mas é verdade que a urina pode dizer muito mais sobre a sua saúde do que você
imagina!
É necessário diferenciar as mudanças de odor, cor e frequência da urina que são
consideradas normais, daquelas alterações que podem ser sinais de doenças.
Alterações de concentração da urina, odor mais ou menos forte e número de
micções (ato de urinar) podem ser apenas reflexo da ingestão hídrica, sem
representar anormalidades.

124
Alteração na cor da urina:

Mudanças na cor, como o escurecimento da urina, podem ser sinal de doenças


hepáticas (do fígado), em que os pigmentos biliares tingem a urina.
Convêm lembrar que alguns medicamentos também podem tingir a urina, tornando-
mais escura, laranja e até verde, sem que isso seja um problema. Nesse caso, suspenso
o medicamento, a coloração da urina volta ao normal.

Urina sem coloração:


Em caso de insuficiência renal avançada/terminal, a urina pode se apresentar
praticamente sem coloração (quase como água), o que representa a ausência das
toxinas que deveriam ser eliminadas na urina.

125
Urina sanguinolenta
É importante destacar que sangue na urina nunca é normal e merece sempre
atenção e investigação.
Sangue visível (macroscópico) na urina geralmente está relacionado à presença
de lesão em alguma porção do trato urinário, ou seja, na uretra, bexiga, ureteres ou
rins. Um exemplo muito comum disto é a presença de cálculo renal que, na sua
movimentação pelo trato urinário, pode prejudicar qualquer uma dessas porções,
levando ao sangramento.
Outras situações menos comuns, como tumores renais ou de bexiga, também se
podem manifestar com sangue na urina.
Outras doenças que se podem manifestar com sangue na urina (nesse caso, na
maioria das vezes, não visíveis a olho nu) são as glomerulonefrites ou nefrites,
como são mais conhecidas, que são doenças renais que geralmente cursam com
outros sintomas além das alterações da urina.

126
Aumento da frequência das micções

Se não estiver relacionada ao aumento na quantidade de líquidos ingeridos, o


aumento na quantidade de urina pode estar associado a algum tipo de doença,
como o diabete. Se o problema persistir é fundamental consultar um médico
para definir se há algo de errado.
Quando o aumento na frequência de micções é acompanhado de urgência
miccional e/ou dor ao urinar, este pode ser ainda um sinal de infeção urinária.

Redução do volume urinário


Se não estiver relacionada à redução na quantidade de líquidos ingeridos e/ou à
desidratação, a redução da quantidade de urina pode ser sinal de insuficiência renal
ou de obstrução das vias urinárias.

127
Fezes: características, alterações e sinais de alerta

Urina com odor fétido


O odor fétido, muitas vezes, está associado à presença de infeção urinária. Mas
é necessário lembrar que a urina tem um odor próprio, característico, que é
normal.
Fezes: caraterísticas, alterações e sinais de alerta
As fezes nada mais são do que resíduos de alimentos não digeridos, bactérias da
flora intestinal e produtos da descamação do nosso intestino que se renova
diariamente. O processo começa quando o alimento entra na boca: a mastigação, a
saliva, a contracção dos músculos gastrointestinais, as bactérias, o ácido clorídrico,
as enzimas digestivas, a bile e outras secreções agem em conjunto num complexo
processo que transforma a comida numa massa chamada quimo. Os nutrientes são
absorvidos ao longo do tubo digestivo, enquanto as partes não aproveitadas seguem
em frente até ao intestino grosso, onde se misturam com água e formam o bolo
fecal, ou seja, os excrementos. Se o processo seguir tranquilamente até ao final, é
uma visita saudável à sanita.

128
Ficar um bom tempo sem ir à casa de banho causa uma série de problemas
desagradáveis, como dor abdominal, sensação de inchaço, irritabilidade,
indisposição e alterações no apetite e no humor. Quem tem intestino preso ou
prisão de ventre sabe bem como é. A obstipação intestinal – nome médico para o
problema – acontece quando a pessoa evacua menos de duas vezes por semana ou
quando o esforço para evacuar é demasiado grande e pouco produtivo.
As causas mais comuns costumam ser uma dieta pobre em fibras, pequena ingestão
de líquidos, sedentarismo e consumo excessivo de proteína animal e de alimentos
industrializados.Muitas pessoas não conseguem usar a sanita em locais públicos –
muitas vezes porque se sentem desconfortáveis e constrangidas para fazer isso fora
do ambiente acolhedor do lar. Os médicos avisam que é um péssimo hábito.

129
Em primeiro lugar, quanto mais tempo os resíduos alimentares permanecem no
intestino, mais secos e duros ficam - o que os torna mais difíceis de expelir.
Segundo: com o tempo, o intestino acaba por acostumar-se e diminuindo a
frequência de «visitas» ao WC. Portanto, aquela história de «não consigo ir à casa
de banho fora de casa» pode acabar por criar um problema bem complicado.
Outros fatores emocionais, como stresse, depressão e ansiedade também são
capazes de interferir nos hábitos intestinais.

Cor é tudo
Além da frequência de visitas ao WC, a cor, o formato e a textura das fezes também
são importantes indicativos da saúde do intestino – e de todo o corpo.

130
As fezes normais devem ter coloração acastanhada e textura moldada e macia.
Apesar de haver uma grande variação de tons conforme a dieta de cada pessoa,
alterações muito grandes nesse padrão podem sinalizar problemas.
Pequenas bolinhas isoladas podem indicar falta de fibras na alimentação. A
presença de sangue, muco e pus pode ser sinal de um intestino inflamado.

Fezes compridas e finas são causadas por esforço excessivo, e se o problema


persistir por semanas, pode indicar a presença de um cancro no reto, pois o tumor
vai se expandindo e estreitando a cavidade do cólon. «Em todas essas situações
que saem do padrão normal, é preciso procurar ajuda médica», alerta Fernando
Gomes Romeiro, do Departamento de Clínica Médica na Faculdade de Medicina
da Unesp.

131
A cor também pode ser indicativa de que algo não está a funcionar bem. «Na
maioria das vezes, a coloração está relacionada com o tipo de alimento, mas às
vezes pode ser consequência de sangramento gástrico ou intestinal, doenças do
fígado», aponta Bruno Zilberstein, da Faculdade de Medicina da USP. «A perda de
gordura nas fezes indica quadros de falta de absorção intestinal e infecções.»

132
A cor das fezes pode variar pontualmente, de acordo com a dieta. É o caso da
ingestão de beterraba, que torna as fezes mais avermelhadas ou com um tom
castanho mais escuro, por exemplo. Atenção, porém, para colorações que devem ser
sinais de alerta. Se as fezes estiverem «pálidas», por exemplo, pode ser sinal de que
a vesícula não está a funcionar adequadamente, ou de que há presença de cálculos
biliares. Se a cor for castanho-avermelhada, pode ser consequência de sangramento
no trato digestivo inferior, um sintoma associado a cancro de intestino. Já fezes
negras podem indicar sangramento no estômago ou no intestino delgado,
provavelmente causado por uma úlcera.

133
executar sob sua supervisão direta
Tarefas que em relação a esta temática se encontram no
âmbito de intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde

Tarefas que, sob orientação de um profissional de saúde, tem de executar sob


sua supervisão direta
O técnico auxiliar de saúde tem com funções:
Auxiliar sob orientações do técnico auxiliar de saúde:

Na prestação de cuidados de saúde aos utentes, Na recolha e transporte de


amostras biológicas,
Na limpeza, higienização e transporte de roupas, materiais e equipamentos,
Na limpeza e higienização dos espaços e no apoio logístico e administrativo das
diferentes unidades e serviços de saúde.

134
Auxiliar na prestação de cuidados aos utentes, de acordo com orientações do
enfermeiro:
Ajudar o utente nas necessidades de eliminação e nos cuidados de higiene e
conforto de acordo, com as orientações do enfermeiro;
Auxiliar o enfermeiro na prestação de cuidados de eliminação, nos cuidados
de higiene e conforto ao utente e na realização de tratamentos a feridas e úlceras;
Auxiliar o enfermeiro na prestação de cuidados ao utente que vai fazer, ou
fez, uma intervenção cirúrgica;
Auxiliar nas tarefas de alimentação e hidratação do utente, nomeadamente na
preparação de refeições ligeiras ou suplementos alimentares e no acompanhamento
durante as refeições;
Executar tarefas que exijam uma intervenção imediata e simultânea ao alerta
do técnico auxiliar de saúde;
Auxiliar na transferência, posicionamento e transporte do utente, que
necessita de ajuda total ou parcial, de acordo com orientações do técnico auxiliar de
saúde.
135
Assegurar a limpeza, higienização e transporte de
roupas, espaços, materiais e equipamentos, sob a
orientação de profissional de saúde:

Assegurar a recolha, transporte, triagem e acondicionamento de roupa da


unidade do utente, de acordo com normas e/ou procedimentos definidos;
Efetuar a limpeza e higienização das instalações/ superfícies da unidade do
utente, e de outros espaços específicos, de acordo com normas e/ou procedimentos
definidos;

136
Efetuar a lavagem e desinfeção de material hoteleiro, material clínico e
material de apoio clínico em local próprio, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;
Assegurar o armazenamento e conservação adequada de material hoteleiro,
material de apoio clínico e clínico de acordo com normas e/ou procedimentos
definidos;
Efetuar a lavagem (manual e mecânica) e desinfeção química, em local
apropriado, de equipamentos do serviço, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;
Recolher, lavar e acondicionar os materiais e equipamentos utilizados na
lavagem e desinfeção, de acordo com normas e/ou procedimentos definidos, para
posterior recolha de serviço interna ou externa;
Assegurar a recolha, triagem, transporte e acondicionamento de resíduos
hospitalares, garantindo o manuseamento e transporte adequado dos mesmos de
acordo com procedimentos definidos.

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 Auxiliar O técnico auxiliar de saúde na recolha de amostras biológicas
e transporte para o serviço adequado, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos

138
Tarefas que, sob orientação e supervisão de um
profissional de saúde,
pode executar sozinho/a

O técnico auxiliar de saúde, para além das tarefas anteriormente descritas, possui um
conjunto de outras que realiza sem a supervisão de um profissional de saúde:
Assegurar atividades de apoio ao funcionamento das diferentes unidades e serviços
de saúde:
Efetuar a manutenção preventiva e reposição de material e equipamentos;
Efetuar o transporte de informação entre as diferentes unidades e serviços de
prestação de cuidados de saúde;

Encaminhar os contactos telefónicos de acordo com normas e/ ou procedimentos


definidos;
Encaminhar o utente, familiar e/ou cuidador, de acordo com normas e/ ou
procedimentos definidos

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Bibliografia e netgrafia

Manual do formador: Apoio a idosos em meio familiar – Maria do Carmo


Cabêdo Sanches e Fátima João Pereira, Projecto Delfim, s.d.

MURRAY, M.E.; ATKINSON, L.D. Fundamentos de Enfermagem –introdução


processo de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989.

SCHULL, P. D. Enfermagem básica – teoria e prática. São Paulo: Rideel, 2000.

www.forma-te.pt
www.wikipedia.com

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