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Unidade II- PRÁTICAS

PROFISSIONAIS - INSTITUIÇÕES E
PRÁTICAS DO
SERVIÇO SOCIAL
Profa. Camila Barbosa Sabino
Unidade II-
Temas:
1-Diferenças entre assistencialismo e atuação profissional;
2-Os meios de intervenção profissional e prática e conversaremos sobre
recursos técnicos e instrumentos utilizados pelos Assistentes Sociais
Área do
Objetivos da aprendizagem Vídeo
Objetivos da aprendizagem

- Analisar as diferenças entre assistencialismo e atuação


profissional
- Conhecer os meios de intervenção profissional e
compreender quais os recursos técnicos e instrumentos
utilizados pelos Assistentes Sociais.
Área do
Introdução: Vídeo
Assistencialismo X
Atuação Profissional
Assistencialismo X Atuação profissional

A assistência social está num novo patamar, e tem se


afastado das práticas pretéritas de responsabilização
filantrópica pelo atendimento da população pobre e
vulnerável.
Introdução:
O Brasil vem numa tentativa de estruturar e
institucionalizar as políticas de assistência
social no país em esforços contínuos ao longo
dos anos. Esse empenho se apresenta, de um
lado numa maior densidade legal, a qual
sustenta a intervenção pública. E, em outro,
na ampliação dos programas oferecidos aos
brasileiros, aos benefícios e serviços àqueles
que perpassam pela vulnerabilidade social.
Assim, a assistência social adquire um novo
patamar, afastando-se das práticas pretéritas de
responsabilização filantrópica pelo atendimento
da população pobre e vulnerável. Assim como do
uso clientelista de bens e serviços sócio-
assistenciais, trilhando o caminho de sua
efetivação como direito social, condição
necessária para a construção de cidadania plena.
Área do
A construção da Vídeo
assistência social
Assistêncialismo X Atuação profissional

brasileira
Assistência Assistência Social Assistência Social
Social no Brasil, partir da década partir da década de
até a década de de 1980 1988
1940:

Caminho para a
Estava baseada, na  Reconhecimento da
formulação de uma
caridade e assistência social
política pública de
solidariedade religiosa como direito
assistência social
A construção da assistência social brasileira

A Assistência Social no Brasil, até a década de


1940 estava baseada, na caridade e
solidariedade religiosa, atendendo famílias em
situações de vulnerabilidade advindas da
Segunda Guerra Mundial, inicialmente com
foco no atendimento materno-infantil.
A partir da década de 1980, o contexto começou a
exigir da assistência social práticas mais
inovadoras, devido à nova realidade nacional de
transição democrática. A partir de então discutiu-
se de forma mais intensa o caminho para a
formulação de uma política pública de assistência
social através da inclusão de direitos sociais e,
mais especificamente, do direito à seguridade
social, e nela, a garantia à saúde, à assistência e
Outros programas assistenciais foram,
assim, criados e vêm beneficiando cada
vez mais brasileiros. Como exemplos
destaca-se o Benefício de Prestação
Continuada (BPC) ao idoso e à pessoa
portadora de deficiência, o Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) ou
o Serviço de Atenção Continuada (SAC)
ao idoso.
Área do
O assistencialismo como Vídeo
o principal desafio a ser
Assistencialismo X Intervenção Profissional

superado
Definição Aurélio: doutrina, sistema ou prática
(individual, grupal, estatal, social) que preconiza e/ou
organiza e presta assistência a membros carentes ou
necessitados de uma comunidade, nacional ou
mesmo internacional, em detrimento de uma política
que os tire da condição de carentes e necessitados.
O assistencialismo como o principal desafio a ser superado
Partindo do conceito “Assistencialismo”, o que temos?
A Definição Aurélio diz o seguinte: O assistencialismos é uma
doutrina, sistema ou prática que preconiza e/ou organiza e presta
assistência a membros carentes ou necessitados de uma comunidade,
nacional ou mesmo internacional, em detrimento de uma política que
os tire da condição de carentes e necessitados.

Ou seja, assistencialismo pode ser compreendido também como,


uma forma de dominação e, quando se torna vitorioso, produz a
manipulação. Pelo valor da, entre aspas, gratidão, os assistidos se
vinculam ao titular das ações de caráter assistencialista. Trata-se de
uma prática que estimula a subserviência e a troca de favores
Já na lógica da assistência social, como
intervenção profissional deve-se levar em conta
todo o histórico de uma família, suas necessidades
mais básicas, como alimentação e habitação,
porém, todos esses benefícios devem ser
oferecidos através de iniciativas que
proporcionem às famílias um espaço em que elas
reencontrem o seu caminho e aprendam formas
diferentes de se posicionarem na sociedade,
enquanto cidadãos de direitos, deveres e com
oportunidades.
Área do
De que forma a equipe Vídeo
pode superar o
Assistencialismo X Intervenção Profissional

assistencialismo?
A proposta maior é a possibilidade dos assistidos se
organizarem de forma independente, elaborarem suas
demandas de forma coletiva e passarem a crer mais em si
próprios do que na intervenção de qualquer liderança ou
autoridade que lhe apareça como superior.
De que forma a equipe pode superar o assistencialismo?

A proposta maior foca-se na possibilidade dos assistidos se


organizarem de forma independente, elaborarem suas
demandas de forma coletiva e passarem a crer mais em si
próprios do que na intervenção de qualquer liderança ou
autoridade que lhe apareça como superior.
Ideias como rodas de conversas temáticas são boas
alternativas de espaço para o sujeito expor e discutir o que
pensa, suas principais dificuldades, favorecendo, assim, seu
posicionamento enquanto cidadão.
As trocas entre os membros de um grupo, por si só, já
causam um impacto muito grande no dia a dia do
assistido, dando a oportunidade deste levar a
discussão, para diversos níveis de convivência aos
quais possui.

Assim, a política de assistência social bem executada


e planejada possibilita a emancipação do sujeito, o
torna capaz de se posicionar socialmente em
diferentes esferas.
Espera-se, portanto, que a expansão
da assistência não termine por se
converter tão somente em parte das
estratégias, utilizadas pela burguesia
brasileira com o fim último de
aumentar os níveis de acumulação em
tempos de crise econômica.
Ou seja, é importante ressaltar que por
melhor que seja uma política de assistência
social, a prática de incentivar os cidadãos a
serem sujeitos mais críticos e participantes é
de suma importância. Se isso não acontecer,
cada vez mais as políticas terão, somente, um
caráter assistencialista sem promover nenhum
tipo de mudança a longo prazo, o que seria
muito danoso a evolução do país
Área do
2-Os meios de intervenção Vídeo
profissional e prática.
Serviço Social: Intervenção e Prática

Serviço Social

É uma profissão de
natureza interventiva
2-Os meios de intervenção profissional e prática.

A transição do século XX para o século XXI foi marcada por


profundas transformações societárias que alcançaram todos os níveis
da vida social e inclusive as profissões. Evidentemente não somente
o Serviço Social, mas o conjunto das profissões.
Na verdade, neste período histórico assistimos a um redesenho.
da própria sociedade. A filósofa Marilena Chauí nos seus
estudos sobre a sociedade contemporânea, afirma que nas últimas
décadas do século passado assistimos a um verdadeiro desmonte da
sociedade, a uma verdadeira implosão de direitos sociais
conquistados há mais de duzentos anos, com duras lutas, desde a
Revolução Francesa em 1789.
O trabalho socialmente protegido, uma legislação trabalhista
consistente, acesso aos bens e serviços socialmente
produzidos, direitos consagrados em Cartas Constitucionais e
em legislação pertinente, ruíram diante de nossos olhos. Com o
avanço do processo de globalização e com os ajustes
neoliberais caíram por terra todos estes direitos.
A edificação com a qual convivemos durante décadas sumiu
de nosso horizonte. Que edificação era esta, que sociedade era
esta?
Uma sociedade que se organizava através do trabalho e a partir
do trabalho contava com a proteção trabalhista, com a proteção
social.
O trabalho é expressão do humano, é constitutivo da práxis
humana, afirma MARX. Porém, a partir da década de setenta
começa a ocorrer um descentramento do trabalho como modo
de organização da vida em sociedade. Nesse momento, torna-
se bastante claro que no âmbito das políticas neoliberais,
somos considerados cidadãos, trabalhadores enquanto estamos
à disposição do capital. Ao deixar o mercado formal de
trabalho, rapidamente o trabalhador perde a sua inserção de
classe e os seus direitos trabalhistas e sociais.
Os estudiosos franceses deste tema, e entre eles especialmente
Robert Castel (1998), consideram que todas estas perdas o
levam a entrar em uma rota de exclusão.
E ESTE realmente um quadro muito preocupante.
Eric Hobsbawn, um dos maiores historiadores
marxistas de nosso tempo, em seu livro “A Era dos
Extremos” (1995, p. 421 a 430), realiza uma análise
sobre a América Latina e, em seu interior, faz uma
referência ao Brasil concluindo com uma frase que
expressa camadas de história, DIZ ELE: “O Brasil é
um verdadeiro monumento vivo à desigualdade
social.” DESSA FORMA, ESSE é o momento
histórico que vivemos hoje, esta é a realidade na qual
cabe ao Assistente Social intervir.
OS profissionais de Serviço Social são aqueles cuja
prática está direcionada para fazer enfrentamentos
críticos da realidade, portanto precisam de uma sólida
base de conhecimentos, aliada a uma direção política
consistente que nos possibilite desvendar
adequadamente as tramas conjunturais, as forças
sociais em presença.
É neste espaço de interação entre estrutura, conjuntura
e cotidiano que a prática se realiza. Portanto, assim
como precisamos saber ler conjunturas, precisamos
saber ler também o cotidiano, pois é aí que a história se
A possibilidade de trabalhar no cotidiano a partir
desta perspectiva é de uma riqueza ímpar, e aí se
institui uma particularidade da profissão de
assistente Social, pois esta é uma profissão de
natureza interventiva, com um profundo significado
social.
O Serviço Social, desde as suas origens, é uma
profissão que tem um compromisso com a
construção de uma sociedade humana
digna e justa.
Este é o núcleo fundante de seu projeto ético-político, é o
seu compromisso de cada dia.
Ou seja, o social que está presente na denominação dessa
profissão, é parte da sua identidade. É um social que é síntese de
múltiplas determinações: políticas, econômicas, históricas,
culturais. Portanto, para bem realizar esse ofício, deve-se intervir
de modo a alcançar esta gama de determinações, que estão
presentes até mesmo no menor ato de nossa vida cotidiana: no
atendimento do plantão, na solicitação do benefício, na visita
domiciliar. Assim como estão presentes também no trabalho com
os movimentos sociais, com lideranças comunitárias, nas
negociações políticas.
Área do
3- Recursos técnicos e Vídeo
instrumentos
Recursos Técnicos e Instrumentos

A Instrumentalidade, além de fazer referência à


instrumentalização técnica, condiz com a propriedade que
a profissão apresenta no âmbito das relações sociais, seja
em seu processo objetivo ou subjetivo.
Recursos técnicos e instrumentos

Instrumentalidade, além de fazer referência à instrumentalização


técnica, condiz com a propriedade que a profissão apresenta no
âmbito das relações sociais, seja em seu processo objetivo ou
subjetivo.
Os instrumentos técnico-operativos, da forma com que se concebe,
incidem em um conjunto de procedimentos técnicos necessários à
realização das ações profissionais, o que possibilita identificar as
diferentes expressões do objeto de intervenção. Em outras palavras,
eles são empregados para dar ação a uma determinada intervenção,
buscando produzir mudanças no cotidiano da vida social dos
usuários.
De fato, os instrumentos de trabalho do Assistente Social
são os principais mediadores do desenvolvimento da prática
profissional, pois estão intrinsecamente vinculados ao
trabalho deste, na medida em que implica na constituição e
no desenvolvimento do exercício profissional.
A necessidade de compreensão da instrumentalidade do
Serviço Social situa-se na perspectiva de vislumbrar o
espaço e inserção sócio-institucional, para, a partir disto,
apreender as relações que decorrem neste contexto e
verificar de que forma são utilizadas, na busca de construir
mediações da prática profissional no que tange as respostas
às demandas apresentadas.
É notável que para executar qualquer tipo de
intervenção torna-se indispensável que o profissional
utilize diferentes instrumentos para exercer sua ação.
A partir daí, o assistente social busca transformar a
natureza da realidade social apresentada, pois adquire
novos conhecimentos, produzindo sua objetivação.
Cabe lembrar que cada demanda apresentada tem
especificidades próprias, por isso vai do profissional
fazer a escolha das técnicas peculiares para melhor
atender as necessidades de seus usuários e assim
conseguir resultados positivos, não apenas de forma
Por esse motivo que o assistente social ao entrar em
contato com determinada realidade social utiliza o
princípio da racionalidade, tendo na razão o guia para
executar sua ação.
No entanto, além de saber dominar e estar
tecnicamente preparado para fazer uso dos
instrumentos de trabalho, faz-se necessário que os
profissionais tenham clareza dos três requisitos
relativos à competência profissional. Iamamoto (2003),
após realizar uma análise dos desafios colocados ao
Serviço Social nos dias atuais, apontou 03 dimensões
Área do
Competência do A.S: Vídeo
Recursos Técnicos e Instrumentos

• Competência ético-política ;
• Competência teórico-metodológica;
• Competência técnica-operativa
- Competência ético-política – o profissional deve ter
um indispensável conhecimento político necessária a
sua prática, pois está sobreposto com as relações de
poder e de forças sociais da sociedade. No entanto, o
exercício profissional do Serviço Social não emana
de si próprio e sim das relações sociais existentes na
sociedade capitalista. Sendo assim, faz-se necessário
que o assistente social apresente uma posição política
frente às situações conflituosas que surgem na
realidade social, articulando sua intervenção aos
-•Competência teórico-metodológica – o profissional
deve obter novas possibilidades para o exercício
profissional no campo das grandes fontes do
pensamento social. No entanto, vê-se a necessidade
de uma fundamentação teórico-metodológica como
um percurso indispensável para constituir e inovar o
exercício profissional. Para isso é preciso ter domínio
na teoria crítica, da aproximação à realidade, da
participação política ou de um embasamento técnico-
operativo para alcançar novos rumos ao trabalho
profissional;.
-• Competência técnica-operativa – profissional deve possuir uma
gama de conhecimentos e competências para utilizar-se de
instrumentos operativos, com o intuito de efetuar a ação. Sobretudo,
deve-se ter habilidades (técnicas) capazes de propiciar uma atuação
crítica e eficaz na intervenção profissional junto à população usuária
e as instituições contratantes.
Para efetuar os objetivos mencionados acima é preciso ter à luz da
formação profissional a clareza das especificidades profissionais e de
sua função social. A partir disso, a definição de instrumentos,
ressaltando que alguns deles podem ser ou não específicos do
assistente social, conduzirá a efetivação das competências definidas.
Estas técnicas, ao estarem direcionadas à última dimensão, darão
efetividade à profissão, mediando a produção dos serviços que são
resultados de habilidades e concepções da realidade social no
Como explicitam Lewgoy e Silveira (2007, p.239), o
Serviço Social “é um serviço peculiar, fundado em intensa
relação interpessoal, de natureza dialógica e depende do
estabelecimento de vínculo entre os envolvidos para a
eficácia do ato
Neste sentido, apresentam-se os principais instrumentos
utilizados pelo Serviço Social, lembrando que a definição
dos instrumentos depende exclusivamente do objetivo
estabelecido pelo assistente social, ou seja, os instrumentos
que serão mencionados “não devem ser vistos de maneira
estática. Eles são criados e recriados de acordo com os
objetivos e com as exigências da ação profissional”
(MIOTO, 2001 p. 148).
Área do
Instrumentos utilizados Vídeo
pelo Serviço Social
Recursos Técnicos e Instrumentos

- Entrevista: abordagem individual ou grupal;


- Observação participante ou observação ativa:
envolvimento conjunto;
- Diário de campo ou livro de registro: anotações da
ação profissional;
- Visita domiciliar: apreensões acerca da realidade
social;
- Estudo social: especificidade profissional do
assistente social;
Área do
Instrumentos utilizados Vídeo
pelo Serviço Social
Recursos Técnicos e Instrumentos

- Parecer social: opinião profissional fundamentada;


- Perícia social: contribuição na tomada de decisão;
- Laudo social: resultado da perícia social;
- Relatório social: descrição da intervenção
desenvolvida.
Instrumentos utilizados pelo Serviço Social

ENTREVISTA- Sendo a entrevista uma prática utilizada pelo


assistente social, é importante a compreensão mais aprofundada
desta técnica que está presente no cotidiano profissional.
Na contemporaneidade, a realização de uma entrevista não consta
apenas por “ir” ao encontro do usuário ou “esperá-lo” no âmbito
institucional para descarregar um amontoado de perguntas sem
nem mesmo entender o seu propósito. Para realizar com
competência é necessário passar por variáveis processos sendo
que, o primeiro chama-se “planejamento”.
...... Para Lewgoy e Silveira (2007, p. 236), “planejar
significa organizar, dar clareza e precisão à própria ação;
transformar a realidade numa direção escolhida; agir
racional e intencionalmente; explicitar os fundamentos e
realizar um conjunto orgânico de ações”.
Nesse sentido, é mister que o profissional esteja organizado
e amparado pelas linhas teóricas, técnico e ético-político de
forma que possa dar agilidade no manuseio de suas ações.
Além disso, para a concretização deste instrumento torna-se
necessário ter clareza acerca da “finalidade” da entrevista,
de forma que o profissional saiba aonde quer chegar e os
objetivos pelo qual está realizando tal entrevista
O segundo processo da entrevista é a sua
“execução”, momento em que o foco da avaliação, a
identificação das necessidades e demandas
apresentadas pelo entrevistado atenda aos
interesses do mesmo. Estas informações serão
aprofundadas e questionadas baseando-se nos
objetivos definidos anteriormente, compreendendo
os desejos, dificuldades e necessidades sociais da
realidade que se apresenta.
O terceiro processo é o “registro da entrevista”, o qual
refere aos apontamentos feitos no decorrer do atendimento,
é um documento intransferível. Tem como objetivo
subsidiar os demais trabalhadores da instituição e até
mesmo ao próprio profissional em outra oportunidade de
entrevista com o mesmo usuário.
Precisamos destacar também a “capacidade de escuta”, isso
porque muitas vezes ao conversar com o usuário distrai-se
da conversa e o pensamento se volta para outras questões,
mesmo que pareça estar atento na conversa. Por isso, no
momento da entrevista deve-se ouvir atentamente, pois,
“após ouvir há que se interpretar, avaliar, analisar e ter uma
atitude ativa” (LEWGOY & SILVEIRA, 2007, p. 240).
- Observação participante ou observação ativa:
envolvimento conjunto

A observação participante consiste em adquirir um


conhecimento através do olhar a uma determinada
realidade. Essa técnica possibilita analisar diversos
contextos e situações. Sendo assim, o observador
pode utilizar-se de filmagens e fotografias para fazer
os registros da observação da realidade que esta
sendo investigada, desde que autorizado pelo usuário.
- Diário de campo ou livro de registro: anotações da ação
profissional

Este instrumento trata-se de um caderno onde serão anotadas todas as


atividades desenvolvidas no cotidiano do trabalho profissional. Este
instrumento é importante para que toda a equipe esteja a par do que
esta sendo desenvolvido no âmbito do trabalho, salvo questões de
sigilo profissional que não podem ser socializadas na equipe
multidisciplinar. Nos termos de Sousa (2006, p. 130), o livro de
registro
-Visita domiciliar: apreensões acerca da realidade social

A visita domiciliar é um instrumento que consiste em conhecer a


realidade cotidiana de uma determinada família, ou seja, analisar as
condições sociais do modo de vida do usuário no local em que tais
produzem e reproduzem a vida cotidiana. Esta técnica permite ir
além do aparente na busca da essência das relações in loco, o que
oportuniza perceber questões para além dos fatos
Campelo, Bezerra e Campelo (2008), explicitam alguns cuidados que
devem ser tomados na visita domiciliar, de forma que não se torne
invasiva e desvirtue do objetivo traçado: abordar cuidadosamente,
respeitando costumes e valores; ter cautela para não possibilitar o
envolvimento emocional no processo de interação; procurar que o
ponto de vista pessoal não interfira ou direcione o diálogo; atentar
para não gerar situações duvidosas
linguagem adequada; explicar os motivos e as finalidades da visita;
e manter sigilo ao que foi ouvido ou informado.
A partir disto, a apreensão da realidade social dos sujeitos, das
demandas por eles apresentadas e das suas estratégias de
sobrevivência possibilitam “subsídios concretos para propostas mais
amplas de intervenção que conduzam à defesa e garantia de direitos e
o exercício da cidadania, dando visibilidade e materialidade [...] ao
projeto ético-político profissional

- Estudo social: especificidade profissional do assistente social

É um instrumento que visa analisar determinadas conjunturas da


realidade social a ser trabalhada, visando apresentar respostas às
demandas postas e contribuir para as decisões judiciais.
Para elaborar um estudo social é necessário que
o assistente social formule um plano de ação.
Este processo só será concluído quando o
profissional tiver dados suficientes para a
elaboração da análise da situação social. Esta
análise deve ser cautelosamente avaliada e
interpretada, uma vez que o profissional dispõe
de competências técnicas para melhor
compreender a situação estudada (MIOTO,
2001).
- Parecer social: opinião profissional fundamentada

Parecer Social é um documento que requer do profissional uma gama de


conhecimento específico das questões ou situações sociais que são
avaliadas pelo assistente social. Compete a este profissional opinar sobre
essas informações com base em uma fundamentação teórica.

- Perícia social: contribuição na tomada de decisão


A prova pericial é elaborada por um conjunto de profissionais de diversas
áreas do conhecimento científico, designados a auxiliar o juiz na
elucidação da questão demanda (demanda judicial, conflitos, disputas),
possibilitando-o a aplicação da lei com mais segurança. É imprescindível
que todos os profissionais que são chamados a desenvolver o relevante
trabalho de perito judicial tenham conhecimento técnico e ético sobre o
assunto do qual vão se ocupar.
-Laudo social: resultado da perícia social

“O laudo social é um documento resultante do processo de Perícia Social.


Nele, o perito ou uma equipe de peritos registram os aspectos mais
pertinentes do estudo e o parecer emitido” (MIOTO, 2001, p. 156).

Ressalta-se que a terminologia “Laudo” é universalmente utilizada por


todas as categorias que desempenham um trabalho na área da Perícia. O
termo “Laudo Social” é utilizado exclusivamente pelo assistente social
que neste caso foi contratado como “perito social”.
Enquanto termo utilizado em todo trabalho de perícia, apresenta registro
das informações mais significativas do Estudo Social (síntese do estudo e
da análise realizada) e o Parecer Social. Imbricados num todo estruturado,
o Laudo representa terminologia específica da área jurídica, mas
pertinente as competências profissionais do assistente social
-O Relatório social é um documento que traz descrições e interpretações
das intervenções e ações desenvolvidas pelo assistente social no seu
cotidiano de trabalho. É um instrumento muito utilizado junto ao Sistema
Judiciário, no qual tem como objetivo auxiliar o profissional na
elaboração do Laudo Social.
Tais instrumentos técnico-operativos utilizados no exercício profissional
buscam assegurar aos sujeitos da ação a garantia de direitos e,
consequentemente, de cidadania, assim como expressam uma dimensão
política perpassada no projeto ético-político do Serviço Social.
Neste contexto, percebe-se que a funcionalidade profissional só se efetiva
por meio da instrumentalidade em seu aspecto mais peculiar, onde os
instrumentos técnico-operativos refletem em concretude à intervenção
profissional.
Área do
Bibliografia Vídeo

RAICHELIS, R. Intervenção profissional do assistente social e as condições de trabalho no


Suas. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 104, p. 750-772, out./dez. 2010;

LACERDA. L. Exercício profissional do assistente social: da imediaticidade às possibilidades


históricas. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 117, p. 22-44, jan./mar. 2014;

GUERRA, Yolanda. A instrumentalidade do serviço social. São Paulo: Cortez, 1995

GOIN, M. A instrumentalidade de profissional do serviço social. As mediações da prática


profissional;

SOUSA, C. A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e intervenção


profissional. Revista Emancipação, Ponta Grossa, 8(1): 119-132, 2008. Disponível em
<http://www.uepg.br/emancipacao>