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16.

INVENTÁRIO

16.1. CONCEITO E ESPÉCIES DE INVENTÁRIO

Inventário, no sentido estrito, é a relação de bens existentes de uma


pessoa, casal ou empresa; no direito das sucessões é o processo
judicial de levantamento e apuração de bens pertencentes ao
falecido, visando repartir o patrimônio entre seus herdeiros,
realizando o ativo e o pagamento do passivo.
A Lei n. 11.441, de 4 de janeiro de 2007, deu nova redação ao art.
982, CPC/1973 e inovou ao admitir o inventário extrajudicial, lavrado
por escritura pública, no tabelionato de notas, se todas as partes
interessadas forem capazes, estiverem assistidas por advogado e
concordes, o que foi reproduzido no art. 610 do CPC atual.
O inventário, portanto, pode ser judicial ou extrajudicial e é
obrigatório, mesmo na existência de um único herdeiro.
O inventário judicial possibilita três ritos distintos, em
razão da presença dos interessados, acordo entre eles,
valor dos bens ou incapacidade das partes:

inventário comum ou tradicional (arts. 610 a 638 NCPC),


com fase distinta de partilha;

inventário na forma de arrolamento sumário (arts. 659 a


663 NCPC), quando todas as partes forem capazes e
concordes, qualquer que seja o valor dos bens;

inventário na forma de arrolamento comum (art. 664


NCPC), quando, mesmo existindo partes incapazes, o
valor dos bens for de pequeno valor (até 1.000 SM).
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O inventário judicial deve ser instaurado no prazo de
dois meses a partir da morte e concluído no prazo de
doze meses subseqüentes à sua abertura, podendo o
prazo ser prorrogado pelo juiz de ofício ou a
requerimento das partes (art. 611 NCPC).

Inventário comum ou tradicional


Inventário
Arrolamento sumário
Judicial
Arrolamento comum
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16.2. INVENTARIANTE

Requerido o inventário judicial, no prazo de dois meses da


morte( art. 611 novo CPC) por uma das pessoas legitimadas
ou iniciado de ofício pelo juiz, será nomeado o inventariante,
que é a pessoa responsável pela representação do espólio e
administração da herança, tanto faz no inventário quanto no
arrolamento.

De Plácido e Silva ensina que o inventariante é a pessoa a


quem se comete o dever de administrar o espólio, até que se
julgue a partilha e sejam os quinhões hereditários e os legados
atribuídos e entregues aos herdeiros e legatários.
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Só existe inventariante após a nomeação pelo juiz. Da
abertura da sucessão até a nomeação, o espólio será
administrado provisoriamente por quem se encontra na
posse da maioria dos bens, e não precisa ser herdeiro,
conhecido como administrador provisório, que é
automaticamente o representante legal (arts. 613 e 614
NCPC).

A nomeação do inventariante obedece ordem de


preferência prevista na lei processual, entretanto, como já
decidiu o STJ, não é absoluta, admitindo-se a inobservância
no interesse, por convenção ou comodidade dos herdeiros,
e até mesmo para evitar litígios, não ofendendo o art. 617
novo CPC a nomeação de inventariante dativo em razão da
necessidade de eliminar discórdias atuais e prevenir outras.
Dispõe o NCPC – art. 617, incluindo o herdeiro menor e 5o
• Art. 617.  O juiz nomeará inventariante na seguinte
ordem:
• I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que
estivesse convivendo com o outro ao tempo da morte
deste;
• II - o herdeiro que se achar na posse e na administração
do espólio, se não houver cônjuge ou companheiro
sobrevivente ou se estes não puderem ser nomeados;
• III - qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na
posse e na administração do espólio;
• IV - o herdeiro menor, por seu representante legal;
• V - o testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a
administração do espólio ou se toda a herança estiver
distribuída em legados;
• VI - o cessionário do herdeiro ou do legatário;
• VII - o inventariante judicial, se houver;
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A inventariança possui três espécies:
legal ou legítima, judicial ou dativa.

Legal ou legítima é fixada por lei, recaindo no cônjuge,


herdeiro, companheiro, testamenteiro ou cessionário,
observando que a ordem de preferência estabelecida recai
primeiro no cônjuge sobrevivente ou companheiro, desde
que conviviam com o falecido, depois no herdeiro que se
achar na posse e administração do espólio, após, em
qualquer herdeiro maior, depois no herdeiro menor, por
seu representante, no testamenteiro , e, por fim, no
cessionário (art. 617, I a VI, CPC).

A preferência recai, em primeiro lugar, no cônjuge ou


companheiro se convivia com o falecido ao tempo da 7
Em segundo lugar recairá no herdeiro que se achar na
posse e administração do espólio, não fazendo a lei
distinção entre herdeiro legítimo ou nomeado, podendo
ser nomeado herdeiro direto, por representação ou
concorrente;

Em terceiro lugar a preferência recairá em qualquer


herdeiro, cabendo a escolha ao juiz, de acordo com seu
critério e prudente arbítrio;

Em quarto lugar recairá no herdeiro menor ( art. 617,V);

 Em quinto lugar na inventariança legítima, a preferência


recairá no testamenteiro universal, ou seja, quando lhe
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foi confiada a administração do espólio pelo testador;
• Em sexto lugar, no NCPC, recairá no cessionário do
herdeiro ou legatário ( art. 617, VI).

A inventariança judicial ocorre quando exercida pelos


órgãos auxiliares do juiz, onde houver, que assume a
representação legal do espólio. Somente funcionará se não
for possível nomear o legal (art. 617, VII, CPC).

A inventariança dativa ocorre quando, na falta do legal ou


judicial, o juiz nomear inventariante pessoa estranha, idônea
e de sua confiança (art. 617, VIII, CPC). A jurisprudência
dominante exige que o inventariante seja domiciliado na
comarca em que corre o inventário.
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• Cônjuge ou companheiro
• herdeiro na posse dos bens
Legal ou legítimo – inc. I a VI • qualquer herdeiro
•herdeiro menor
Inventariante • testamenteiro universal
CPC – art. 617 Judicial – inc.VII •cessionário do herdeiro

Dativo – inc. VIII

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Compromisso do inventariante

Dispõe o parág. único do art. 617 que o inventariante,


intimado da nomeação, prestará, dentro de 5 (cinco)
dias, o compromisso de bem e fielmente desempenhar a
função, sendo que desde a assinatura do compromisso
até a homologação da partilha, a administração da
herança será exercida pelo inventariante (art. 1.991, CC).

No inventário sob o rito de arrolamento, para simplificar


o procedimento, o inventariante é apenas nomeado,
dispensando-se o compromisso (art. 660, NCPC).

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Representação do espólio

Quando o inventariante for o legal representa


exclusivamente o espólio, demandando e sendo
demandado em nome deste ( 75, VII, NCPC), já o dativo
exige-se a intimação dos sucessores no processo em que o
espólio é parte(art. 75 § 1º, NCPC). Assim, ainda que
representado pelo inventariante dativo, em todas as ações
que o espólio for autor ou réu, os herdeiros e legatários
serão intimados.

O espólio é representado pelo inventariante, desde a


assinatura do compromisso até o trânsito em julgado da
partilha (art. 1.991, CC), momento em que cessa a
comunhão hereditária, desaparecendo a figura do espólio
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Nos termos do 618, NCPC, incumbe ao inventariante, no
exercício da administração do espólio:

• I - representar o espólio ativa e passivamente, em juízo ou


fora dele, observando-se, quanto ao dativo, o disposto
no art. 75, § 1º ;
• II - administrar o espólio, velando-lhe os bens com a
mesma diligência que teria se seus fossem;
• III - prestar as primeiras e as últimas declarações
pessoalmente ou por procurador com poderes especiais;
• IV - exibir em cartório, a qualquer tempo, para exame das
partes, os documentos relativos ao espólio;
• V - juntar aos autos certidão do testamento, se houver;
• VI - trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro 13
• VII - prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou
sempre que o juiz lhe determinar;
• VIII - requerer a declaração de insolvência.

• Incumbe-lhe ainda, ouvindo os interessados e com


autorização do juiz

• I - alienar bens de qualquer espécie;


• II - transigir em juízo ou fora dele;
• III - pagar dívidas do espólio;
• IV - fazer as despesas necessárias para a conservação e
o melhoramento dos bens do espólio.

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Remoção do inventariante

O inventariante, além de outras causas incompatíveis com a


inventariança, poderá ser removido, de ofício ou a requerimento de
interessado – art. 622, NCPC:
• I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras ou as últimas
declarações;
• II - se não der ao inventário andamento regular, se suscitar
dúvidas infundadas ou se praticar atos meramente protelatórios;
• III - se, por culpa sua, bens do espólio se deteriorarem, forem
dilapidados ou sofrerem dano;
• IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, se
deixar de cobrar dívidas ativas ou se não promover as medidas
necessárias para evitar o perecimento de direitos;
• V - se não prestar contas ou se as que prestar não forem julgadas
boas; 15
O inventariante só pode ser removido por sonegação depois
de prestar as últimas declarações, com a declaração de não
existirem outros bens por inventariar (arts. 621 CPC e 1.996,
CC).

O inventariante será intimado para apresentar defesa no


prazo de quinze dias e produzir provas ( 623, NCPC).

Transcorrido o prazo, com ou sem defesa, o juiz decidirá,


mantendo ou removendo o inventariante. Havendo remoção,
o juiz nomeia outro, observando a ordem de preferência (art.
624 NCPC).

O juiz, no processo de inventário, deve agir de ofício,


impulsionando o regular andamento do inventário(art. 622,
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NCPC).
Além da remoção, o inventariante responde pelos
prejuízos que porventura causou ao espólio, por dolo ou
culpa, indenizando os danos aos herdeiros, podendo
ainda o juiz aplicar multa de até 3% do valor dos bens
inventariados (inovação do art. 625 do NCPC).

Reembolso das despesas e prestação de contas

O inventariante tem direito ao reembolso do que


despender no interesse do espólio, não lhe cabendo,
porém, salvo quanto ao dativo, mesmo administrando a
herança, gerindo negócios alheios, remuneração pelos
encargos da inventariança.

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Cabe-lhe ainda prestar contas aos herdeiros.
A prestação de contas corre, em regra, em apenso aos
autos do inventário, como processo incidental, não
sendo impedido, entretanto, que as situações menos
complexas, como levantamento de importâncias e vendas
de bens, sejam feita nos próprios autos.

Apresentadas as contas, os interessados serão intimados


para manifestarem e, concordes, serão as contas
aprovadas. Ocorrendo discordância, aplica-se o
procedimento da ação de prestação de contas nas vias
ordinárias (arts. 550 a 553, NCPC).

O pagamento dos honorários do advogado contratado


pelo inventariante para o patrocínio do processo de
inventário deve ser arcado pela herança. 18
16.3. ADMINISTRADOR PROVISÓRIO

O exercício da administração do espólio pelo inventariante


inicia-se a partir da assinatura do termo de compromisso (art.
1.991, CC).

Determina a lei que a pessoa que se ache na posse da herança


continue até que o inventariante preste o compromisso,
denominando-a de administrador provisório (art. 613, CPC).

Administrador provisório é o que legitimamente se acha na


posse da herança por ocasião da morte de seu autor até o
compromisso do inventariante.

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O art. 614 do NCPC, dispõe que:

Art. 614. O administrador provisório representa ativa e


passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os
frutos que desde a abertura da sucessão percebeu, tem
direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis
que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa,
der causa.

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O art. 1.797,CC, regula a preferência das pessoas para
exercerem a administração provisória da herança, dispondo
que:

Art. 1.797. Até o compromisso do inventariante, a


administração da herança caberá, sucessivamente:
I – ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao
tempo da abertura da sucessão;
II – ao herdeiro que estiver na posse e administração dos
bens, e, se houver mais de um nessas condições, ao mais
velho;
III – ao testamenteiro;
IV – à pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das
indicadas nos incisos antecedentes, ou quando tiverem de ser
afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz.
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16.4. ARROLAMENTO

Arrolamento é um inventário simplificado, de


procedimento extremamente simples e mais célere,
eliminando termos e formalidades próprias do inventário
comum para agilizar sua conclusão.

O arrolamento não dispensa o caráter judicial e ocorre


quando a partilha for amigável entre partes capazes ou
em razão do pequeno valor da herança.

Possui duas espécies: arrolamento sumário e


arrolamento comum.
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16.4.1. ARROLAMENTO SUMÁRIO

É um procedimento judicial simplificado de inventário e


partilha e ocorre quando todas as partes são capazes e
podem transigir, estiverem representadas e acordarem
sobre a partilha dos bens, qualquer que seja o valor. A
existência de herdeiros incapazes e ausentes não
permite o inventário na forma de arrolamento sumário.

É também admitido para homologar a adjudicação dos


bens ao herdeiro único.

 É previsto no novo CPC nos arts. 659 a 663. 23


O art. 660 NCPC reproduziu o 1.032 do CPC/1973, dispondo
os requisitos da petição no rito de arrolamento sumário,
que:

• Art. 660.  Na petição de inventário, que se processará na


forma de arrolamento sumário, independentemente da
lavratura de termos de qualquer espécie, os herdeiros:
• I - requererão ao juiz a nomeação do inventariante que
designarem;
• II - declararão os títulos dos herdeiros e os bens do
espólio, observado o disposto no art. 630;
• III - atribuirão valor aos bens do espólio, para fins de
partilha.
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Necessário ainda, ocorrendo dívidas, a indicação de credores
do espólio, o valor da dívida e a indicação de bens reservados
para satisfação do crédito. Intimado o credor, se concordar
com a avaliação e dos bens reservados, o juiz homologa a
partilha, caso contrário determina avaliação judicial apenas
dos bens a serem reservados (art. 663, CPC).

Não se fazendo presentes os requisitos para o arrolamento


sumário, deve ser convertido em inventário comum, feitas as
devidas adaptações; inversamente, o inventário comum pode
a todo tempo ser convertido em arrolamento sumário, se for
cabível
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• A partilha será homologada de plano pelo juiz, sem
intervenção do MP já que as partes são capazes, mediante
prova da quitação dos tributos relativos aos bens e rendas
do espólio. Dispõe o art. 659 :

• Art. 659.  A partilha amigável, celebrada entre partes


capazes, nos termos da lei, será homologada de plano
pelo juiz, com observância dos arts. 660 a 663.
• § 1o O disposto neste artigo aplica-se, também, ao pedido
de adjudicação, quando houver herdeiro único.

Não se procede à avaliação judicial dos bens, salvo se


necessária reserva de bens para pagamento de dívidas de
credores do espólio e a estimativa for impugnada pelo
credor (arts. 663, parag. único, e 661, CPC). O imposto 26de
transmissão será recolhido o imposto de acordo com o
O NCPC modificou a redação do § 2º do art. 1031, CPC/1973
dispondo no art. 659,§ 2º que:

§ 2o Transitada em julgado a sentença de homologação de


partilha ou de adjudicação, será lavrado o formal de partilha
ou elaborada a carta de adjudicação e, em seguida, serão
expedidos os alvarás referentes aos bens e às rendas por ele
abrangidos, intimando-se o fisco para lançamento
administrativo do imposto de transmissão e de outros tributos
porventura incidentes, conforme dispuser a legislação
tributária, nos termos do § 2o do art. 662.

O NCPC não exige mais, para agilizar a expedição do formal de


partilha, a prévia comprovação pela Fazenda Pública do
recolhimento dos tributos, apenas determinando a intimação
do fisco para lançamento administrativo, se discordar dos 27
A prática forense recomenda prévia avaliação fiscal dos
bens objeto de inventário na administração fazendária e o
recolhimento dos impostos devidos de acordo com a
avaliação, inclusive para expedição da guia de
recolhimento, o que dispensa a intimação da fazenda
pública para a expedição do formal de partilha ou de carta
de adjudicação e o lançamento administrativo, conforme
art. 662, § 2º, NCPC:

§ 2o O imposto de transmissão será objeto de lançamento


administrativo, conforme dispuser a legislação tributária,
não ficando as autoridades fazendárias adstritas aos
valores dos bens do espólio atribuídos pelos herdeiros.

Ocorrendo algum vício na partilha, cabe ação anulatória, a


ser proposta no prazo de um ano no juízo de 1º grau (art.28
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16.4.2. Arrolamento comum

A segunda espécie de forma simplificada de inventário é


o arrolamento comum ou simples, cabível quando o valor
dos bens do espólio for igual ou inferior a um mil salários
mínimos (art. 664, NCPC).

Trata-se de procedimento simplificado admitido nas


heranças de pequeno porte, mesmo existindo herdeiros
ausentes, discordantes e incapazes, exigindo a
intervenção do Ministério Público, e se houver testamento,
a participação do testamenteiro. É previsto no art. 664 do
NCPC, que alterou o valor dos bens (antes eram 2.000
ORTNs – art. 1036, CPC/1973). Dispõe o art. 664, NCPC:
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Art. 664. Quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a 1.000
(mil) salários-mínimos, o inventário processar-se-á na forma de
arrolamento, cabendo ao inventariante nomeado, independentemente
de assinatura de termo de compromisso, apresentar, com suas
declarações, a atribuição de valor aos bens do espólio e o plano da
partilha.
§ 1o Se qualquer das partes ou o Ministério Público impugnar a
estimativa, o juiz nomeará avaliador, que oferecerá laudo em 10 (dez)
dias.
§ 2o Apresentado o laudo, o juiz, em audiência que designar, deliberará
sobre a partilha, decidindo de plano todas as reclamações e mandando
pagar as dívidas não impugnadas.
§ 3o Lavrar-se-á de tudo um só termo, assinado pelo juiz,pelo
inventariante e pelas partes presentes ou por seus advogados.
§ 4o Aplicam-se a essa espécie de arrolamento, no que couber, as
disposições do art. 672, relativamente ao lançamento, ao pagamento e à
quitação da taxa judiciária e do imposto sobre a transmissão da
propriedade dos bens do espólio.
§ 5o Provada a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às
No § 4o parece ter ocorrido erro na referência ao art. 672,
que trata da cumulação de inventários. O artigo que trata
do lançamento e pagamento do imposto é o 662.

A petição inicial do inventário pode conter desde logo os


requisitos do caput do art. 664 NCPC, noticiando o óbito e
incluindo o pedido de nomeação de inventariante.

A redação do dispositivo citado, dispondo que caberá ao


inventariante nomeado apresentar as declarações,
presume, todavia, o procedimento inicial de pedido de
abertura do inventário na forma de arrolamento comum e a
nomeação do inventariante, dispensando-se a lavratura do
termo de compromisso.
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Após o pedido de abertura e o despacho do juiz nomeando
o inventariante, independentemente da lavratura de
termos, devem serem apresentadas as declarações, se não
foram por ocasião do pedido de abertura.

Dispensa-se a citação das partes se todas estiverem


representadas por comum procurador ou por procuradores
em conjunto, caso contrário, os herdeiros não
representados devem ser citados para manifestar sobre as
declarações, intimando-se o Ministério Público, se
necessária sua intervenção, no prazo de 15 dias (NCPC, art.
Art. 627).

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No arrolamento comum, o pressuposto é o pequeno
valor da herança, mas exige-se concordância do MP e das
partes se existirem incapazes, conforme exige o NCPC
(inovação) no art. Art. 665:
Art. 665.  O inventário processar-se-á também na forma
do art. 664, ainda que haja interessado incapaz, desde
que concordem todas as partes e o Ministério Público.

Ocorrendo impugnação quanto aos valores atribuídos


aos bens pelas partes ou pelo Ministério Público, o juiz
nomeia avaliador judicial para avaliar os bens e
apresentar o laudo no prazo de dez dias (art. 664 § 1º,CPC)

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Discordando as partes do laudo, das dívidas
apresentadas, do plano de partilha ou existindo outras
impugnações, o juiz designa audiência e decidirá de
plano sobre todas as reclamações e impugnações,
mandará pagar as dívidas comprovadas e determinará
como se deve proceder à partilha.

Provada a quitação dos tributos relativos aos bens do


espólio e às suas rendas, bem como o imposto causa
mortis, se houver, o juiz julga a partilha ( 664 § 5º, CPC).

As taxas judiciárias e imposto de transmissão serão


calculadas sobre o valor dos bens atribuídos pelos
herdeiros, cabendo ao fisco, se discordar, fazer o
lançamento administrativo §§ 1º e 2º do art. 662, NCPC. 35
Julgada a partilha e transitada em julgado, expede-se o
formal de partilha ou a carta de adjudicação, se for apenas
um herdeiro incapaz.

Tratando-se de herança de pequeno valor, na sua maioria, é


dispensada do pagamento do imposto causa mortis,
cabendo ao juízo do inventário apenas intimar a Fazenda
Pública, no arrolamento comum, da expedição do formal de
partilha para verificar possível diferença nos valores a serem
recolhidos em razão da estimativa dos herdeiros, já que a
prova da quitação dos tributos é exigida antes do
julgamento da partilha, e se discordar, fazer o lançamento
administrativo.
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