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Estudos de Paz e Conflito

Instrumentos da Luta Diplomática

Zimpeto, 24 de Março de 2011


Introdução

 Luta diplomática é uma expressão


que simboliza a combinação de
instrumentos políticos, diplomáticos,
militares, económicos;

 Principal objectivo é resolução de


crises, guerra ou conflito armado
intra e inter-estatais;
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Introdução

 Principais instrumentos incluem, entre


outros, os seguintes (Joseph Nye ):
1. Hard power (militar e económico); e

2. Soft power (diplomacia, diálogo,


cultura);

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LUTA DIPLOMÁTICA

 Luta diplomática insere-se no conjunto de


actividades da diplomacia como “a arte e a
prática” de conduzir as relações exteriores
ou os negócios estrangeiros de um
determinado Estado ou outro tipo de sujeito
de direito internacional, tais como os
movimentos de libertação em luta pela sua
emancipação política (Tunking, 1986).
Aplicável ao caso da Líbia????????

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LUTA DIPLOMÁTICA
 Na luta diplomática a tarefa de informar é dever e
prerrogativa do diplomata ou representante do
Estado ou organização para se inteirar da situação;

 Luta diplomática sua “todos os meios lícitos das


condições existentes e da evolução dos eventos de
um determinado Estado e comunicar a este respeito
o Governo do Estado que representa” (White, 2001:
317).

 Relatórios diplomáticos da Weakleaks.

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Luta diplomática

 As funções tradicionais da diplomacia


circunscrevem-se nas tarefas de negociar,
informar e representar do Estado ou organização;

 A tarefa de negociar consiste em manter


relações outros actores, visando concluir algum
acordo sobre algo incompatível entre partes ou
para estabelecer parcerias, cooperação etc.

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Luta diplomática
 O representante do Suj.Inter., tal como Movitos nacionalistas,
negocia “em nome e por conta da entidade que
representa, com o propósito de defender os seus
interesses”.

 A função de representar inclui a tarefa de garantir a presença


do Estado representado em actos e eventos internacionais;

 Os representantes permanentes destacados no exterior ou


enviados especiais a eventos internacionais (conferencias e
simpósios) garantem a função de representação do actor.

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 Na luta diplomática a tarefa de informar é
dever e prerrogativa do diplomata ou
representante do Estado ou organização
para se inteirar por “todos os meios lícitos
das condições existentes e da evolução dos
acontecimentos de um determinado Estado e
comunicar a este respeito o Governo do
Estado que representa” (White, 2001: 317).

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O que é diplomacia?

1. Diplomacia
 Diplomacia é processo de comunicação entre actores
internacionais que procuram através da negociação
resolver disputas, crises, conflitos e outras situações
de falta de consenso;

 Diplomacia visa ainda estabelecer acordos sobre


determinados aspectos do seu relacionamento;

 Diplomacia é exercida, normalmente, por diplomatas


de carreira: MINEC, MExterior (Angola), MRI (Ras).

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PeRspectiva Macro da diplomacia

 O conceito de diplomacia pode ser abordado sob


duas perspectivas: “macro” e “micro”.

 Perspectiva “MACRO” - procura dar sentido ao


mundo político como um todo, olhando para a
composição e inteiração dos diversos actores da
vida política;

 Perspectiva Macro constitui um verdadeiro processo


de comunicação entre os diversos actores que dão
vida ao funcionamento do sistema global.

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Pespectiva Macro

 Porque todos actores do sistema global


possuem objectivos, fins e interesses que
determinam a sua política externa (extensão
dos objectivos domésticos);

 Para se alcançar esses objectivos os actores


precisam de meios conhecidos por
“instrumentos da política” (diplomacia,
diálogo, contactos abertos ou secretos).
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PRespectiva Micro
 A perspectiva “micro” tenta explicar o mundo político,
enfatizando o comportamento dos actores internacionais no
sistema internacional. A diplomacia constitui um “instrumento
da política e não como um processo global” (white, 2001: 317);

 Perspectiva “micro” focaliza acção dos Estado e Governos


que agem em seu nome na vida política;

 Todos actores do SI possuem objectivos e interesses que


determinam a definição da política externa e sua execução. A
Realização desses objectivos e interesses os actores usam
meios conhecidos por “instrumentos da política”.

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O que é política externa

 Política externa é conjunto de princípios, objectivos,


valores que um Estado defende no Sistema
Internacional.

 Diplomacia é instrumento operacionalizador da


política externa, por meio da actuação de diplomatas
nos diversos assuntos como de guerra, paz,
segurança e estabilidade, desenvolvimento, clima,
comércio exterior e cultura, etc.

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Diplomacia e Política externa

 O Estado define sua política externa em função aos


seus objectivos domésticos e meios para os
alcançar (coercivos e pacíficos);

 Diplomacia é instrumento que operacionaliza a


política externa, através a actuação de diplomatas
nos diversos assuntos como de guerra, paz,
segurança e estabilidade, desenvolvimento, clima,
comércio exterior e cultura, etc.

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Intrumentos da luta diplomática

Alguns dos instrumentos da luta diplomático são:


(i) Hard power; e
(ii) Soft power

Existe uma intrínseca relação entre o hard power e soft


Power:
1o. Porque há uma grande complementaridade entre os dois
conceitos;

2o. Porque o recurso da força militar numa fase do conflito ou


crise acaba terminando em diálogo, quando se regista
alguma mudança na atitude e comportamento das partes;

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1. Soft Power
 Os termos hard & soft power têm sido usados com frequência
nas relações internacionais e diplomacia;
 Joseph Nye é inventor dos dois conceitos (descrição do poder
dos EUA);

 Joseph Nye entende hard power como uma estratégia que


inclui um conjunto de medidas e meios (militar e económico)
para coagir ou ameaçar outras entidades a obedecer os seus
desejos (Nye, 2002);

 Essas medidas podem incluir o uso do chamado “sticks” (pau),


tais como as ameaças militares ou a aplicação de um embargo
económico;

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Soft Power
 Hard power dá maior enfatiza a intervenção militar, sanções
económicas e diplomacia coerciva;

 Hard power é uma teoria que descreve o uso de meios


militares e económicos para influenciar o comportamento ou
interesses de outros actores. É usado como contraste ao soft
power que é poder que emana da diplomacia, cultura e história;

 Hard power descreve a habilidade ou capacidade de um


Estado ou entidade política de fazer uso de acções ou
instrumentos económicos (sanções) e/ou militares para
influenciar o comportamento dos outros actores;

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Cont.
 O hard power enquadra-se na filosifia e lógica do realismo na
disciplina de Relações internacionais, onde a força militar
constitui a expressão do poder do Estado na comunidade
internacional

 hard power reside no comando do espectro dos


comportamentos e descreve uma habilidade do Estado coagir
ou induzir o outro a tomar um certo curso de acção. Isto pode
ser feito através da força militar que consiste de diplomacia
militar, guerra e estabelecimento de alianças, usando ameaças
e força com o objectivo de coagir, persuadir e protecção;

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Soft Power

 Alternativamente poder económico pode ser


utilizado para alcançar os mesmos objectivos
(militares), usando ajuda, suborno e sanções
económicas. Isto porque o poder económico tem a
capacidade de induzir e coagir a parte adversária.

 RESUMO: Hard power define-se pelo uso de tais


recursos para influenciar o comportamento de outras
entidades.

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Soft Power

 O termo soft power foi desenvolvido


também por Joseph Nye para diferenciar
com hard power e como conceito novo e
diferente na abordagem do poder do Estado
na execução da sua política externa;

 É a forma indirecta de exercer o poder, por


exemplo, a capacidade de atrair outros aos
seus interesses (ameaças ou uso da força);
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Soft Power

 Persuadir outros para o que queremos é,


segundo Joseph Ny Jr., Soft power. É
questão de co-optação e não de coersão;

 É habilidade de estabelecer uma agenda que


possa moldar (pensamento, atrcção) os
outros, parceiros, adversários. Exemplo:
crenças, valores.
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Soft Power

 António Gramsci (poder da agenda);


 Habilidade de estabelecer preferências
tende estar ligado aos recursos do poder
intangível como:
1. Atractivos culturais;
2. Ideológicos;
3. Instituições.

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Soft power

 Soft power surge dos “nossos valores”;

 Valores expressos através da nossa cultura,


nas políticas domésticas e como actores se
comportam na arena internacional;
 Exemplo: ZUMA, Tambo Mbeki;
 Bush vs Obama
 Chissano vs Guebuza

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Relação entre Hard power e Soft power

 As teorias de resolução de conflitos consideram que é útil fazer


alguma distinção entre o hard power e soft power, tendo em
conta que existe uma aparente contradição entre elas;

 Com efeito, o poder coercivo ou hard power reside na


habilidade de dirigir e aplicar a força, enquanto que o poder
persuasivo ou soft power é a capacidade de promover a
cooperação para oferecer a legitimidade e servir de fonte de
inspiração;

 O hard power é dominante em conflitos violentos onde os


exércitos ou milícias usam a força das suas armas para obter
alguma vitória, através da solução soma zero, em que a vitória
de um é a vitória do outro;

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Hard power e Soft power

 O soft power, por seu turno, é vital para a promoção da paz e


processo de construção da paz. Alguns pensadores, dividem a
ideia do soft power em dois tipos:

 (i) substituição de uso da força como regra chave assente no


compromisso e negociação para a resolução do conflito;
 e
 (ii) poder integrativo em que a estratégia básica são a
persuasão e resolução do problema - problem-solving (Simon
et al (2000).

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Limitações do hard power
 A estratégia de uso do hard power não toma em conta os riscos e as
consequências sobre a imagem internacional do país.

 Quando a credibilidade do país deteriora na arena internacional, a


atitude de desconfiança tende a crescer, enquanto a cooperação
internacional decresce, tais como a capacidade do Estado conseguir
executar os seus objectivos afectados por essa acção;

 As consequências da confiança americana no hard power na remoção


de Saddam Hussein do poder e o controle sobre a subsequente crise
no Iraque constitui um bom exemplo das consequenciais negativas do
uso do hard power.

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Limitações do hard power
 Ela define-se como a disseminação ou troca de ideias, e
elementos culturais entre diferentes grupos para construir
elementos de empatia rumo ao entendimento mútuo das
partes;

 Neste contexto, a diplomacia cultural constitui um habilidade


de fazer uso da cultura, valores e ideias para persuadir a outra
parte.

Este processo pode ser concretizado através da troca de
informações, de ideias, da arte, do estilo de vida e sistema de
valores, tradições crenças e de outras formas de cultura;

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Limitações do hard power

 Este processo pode ser concretizado através da


troca de informações, de ideias, da arte, do estilo de
vida e sistema de valores, tradições crenças e de
outras formas de cultura;

 Diplomacia cultural é a prática intrínseca de um


Estado para resolver problemas ou estabelecer
parcerias ou cooperação através da diplomacia, isto
é, a diplomacia faz parte da maneira de ser do
referido Estado.

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Diplomacia Militar
 O conceito da “diplomacia militar”, foi introduzido pela
primeira vez, em Março de 1962, por John F. Kenedy
(EUA), perante a alegada ameaça do Movimento
Comunista Iinternacional na América Latina;

 A acção enquadrou-se na luta contra o “efeito dominó”


na América Latina;

 a diplomacia militar materializa-se através da promoção


da cooperação em matérias de interesse comum,
especificamente, no âmbito da defesa e segurança
(General James Willard);

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Diplomacia Militar
 Consiste na realização de um conjunto de acções
diplomáticas na componente de defesa, segurança e
manutenção da paz;

 É um dos componentes essenciais das FA na


coordenação e cooperação entre os Estados;

 É instrumento valioso cooperação sobre analise,


debate, intercâmbio e troca de experiência alusivas
a defesa e segurança.

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Diplomacia Militar
 “diplomacia militar” tem em vista fazer a gestão de
assuntos ligados ao uso efectivo ou de ameaça de
uso da força de modo a evitar a guerra, promovendo
a cooperação e consolidação da paz através de
troca de experiências, informações, entre outros
aspectos;

 A “diplomacia militar” é um mecanismo que visa


garantir acções de antecipação na prevenção e
gestão das crises políticas e militares, evitando o
recurso da força de armas de fogo;

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Diplomacia Militar

 diplomacia militar é um dos instrumentos a


disposição dos Estados para promoção e execução
da cooperação político-militar em matéria de defesa
e segurança;

 eficácia da “diplomacia militar” na promoção e


gestão da cooperação militar e realização dos
objectivos traçados depende da vontade políticos
das lideranças, do contexto, desempenho e das
circunstâncias de cada Estado;

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Diplomacia Militar
 É um dos instrumentos a disposição dos Estados na
promoção e execução da cooperação em matéria de
defesa e segurança;

 A eficácia da Dipl.Mtar na gestão do programa de


cooperação militar e realização dos objectivos
traçados depende fundamentalmente da vontade
políticos das lideranças, contexto, desempenho e
das circunstâncias de cada Estado.

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Diplomacia militar vs de carreira

A diplomacia militar é pouco diferente da diplomacia formal/carreira


porque:

(i) Ambas contribuem para promoção e implementação da politica


externa do Estado;

(ii) Ambas defendem os interesses nacionais, embora usem meios e


formas diferentes;

(iii) Todavia, diplomacia militar actua através de meios e instituições de


defesa e segurança dos Estado; e

(iv) Diplomacia de carreira funciona através de diplomatas de carreira


que negoceiam acordos, tratados, etc.

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Em suma
(i) promove a colaboração e integração de instituições de cariz
militar de uma determinada região;

(ii) contribui, para formação de um pensamento político e militar


comum, sobre as considerações de segurança e de
desenvolvimento e democracia dos países; e

(iii) Na África Austral desempenhou e continua a desempenhar


um papel crucial no campo da política externa dos Estados
membros. Exemplo: Órgão da SADC (Presencia: Zâmbia;
Vice: RAS; Cessante: Moçambique).

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F I M

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