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Economia do Meio Ambiente:

Teoria e Prática

MacroEconomia Ecológica: evolução e perspectivas

Capa

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Sumário

Introdução
Por que MacroEconomia Ecológica?
Suas origens a partir das contribuições de Herman
Daly
Um primeiro avanço: a economia da prosperidade
sem crescimento de Peter Victor e Tim Jackson
A MacroEconomia Ecológica Keynesiana
Perspectivas futuras

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Introdução

O grande desafio ecológico para a Macroeconomia


é propor instrumentos de políticas públicas que
levem à estabilização dos níveis de consumo
material/energético em países desenvolvidos;
No caso dos países em desenvolvimento, a
definição de políticas que tornem mais eficiente
ecologicamente o ainda necessário crescimento
do consumo.

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Introdução

A dinâmica dos agregados macroeconômicos


(PIB, emprego, inflação etc.) depende dos
processos naturais e de geração de resíduos;
Como os danos ambientais influenciam a
Macroeconomia?
Neste contexto, a MacroEconomia Ecológica
busca ir além dos sistemas de extração dos
recursos naturais e da gestão dos resíduos.

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Introdução

Até recentemente a agenda de pesquisa dos


Economistas Ecológicos esteve concentrada na
contabilidade verde e na modelagem
econômico-ecológica;
Desse modo, a MacroEconomia vem ocupar essa
lacuna na agenda de pesquisa dos Economistas
Ecológicos.

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Por que MacroEconomia
Ecológica?

A análise da evolução do pensamento


macroeconômico mostra que a dimensão
ambiental é ignorada nos modelos teóricos;
Demonstra a marginalidade da problemática
ambiental nas abordagens teóricas da
Macroeconomia;
O objetivo da Macroeconomia tem sido tratar das
questões relacionadas ao crescimento
econômico.

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Por que MacroEconomia
Ecológica?

A Ciência Econômica possui vasta literatura sobre


crescimento econômico;
Contudo, pouco tem sido discutido na Ciência
Econômica sobre o papel da dimensão
ambiental na dinâmica econômica;
Desse modo, as recomendações de política
econômica desconsideram os efeitos da relação
sociedade, economia e meio ambiente;
Esta lacuna deve ser ocupada pela
MacroEconomia Ecológica.

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Suas origens a partir das
contribuições de Herman Daly

Ponto de partida da MacroEconomia Ecológica é a


visão pré-analítica da Economia Ecológica;
O sistema econômico (aberto) está contido em um
sistema maior (ecossistema global,
materialmente fechado) em contraste ao modelo
do fluxo circular da renda e do produto;
Herman Daly dedica sua trajetória acadêmica à
crítica ao paradigma do crescimento.

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Suas origens a partir das
contribuições de Herman Daly

Em 1991, Herman Daly destaca a necessidade de


uma “Environmental Macroeconomics”;
Não existe na macroeconomia uma “when to stop
rule” como existe na microeconomia;
Custos marginais iguais aos benefícios
marginais.
É fundamental à incorporação na análise
macroeconômica dos custos de oportunidade
do crescimento econômico.

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Suas origens a partir das
contribuições de Herman Daly

O aumento dos custos do crescimento podem


superar seus benefícios, gerando a situação
chamada por Herman Daly de crescimento não-
econômico;
É necessário que a escala do subsistema
econômico vis-à-vis ao sistema natural seja
sustentável;
A estabilização do consumo de matéria e energia
exige uma economia do estado estável (steady
state economy).

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Suas origens a partir das
contribuições de Herman Daly

Assim, toda macroeconomia deve ser ecológica;


A análise passaria pela definição de uma escala
macroeconômica ótima;
Isto porque é impossível a expansão biofísica
contínua da economia;
A MacroEconomia Ecológica ainda está em
construção, mas neste início de século XXI
ganhou um impulso com o avanço dos
problemas ambientais e a crise econômica.

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A economia da prosperidade
sem crescimento

Peter Victor e Tim Jackson propõem a construção


de modelos que visem a prosperidade sem
crescimento econômico;
A MacroEconomia Ecológica implica em uma
redefinição normativa da economia;
Uma sociedade sem crescimento do PIB;
A teoria econômica devem ir além das situações
de crescimento do PIB ou recessão.

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A economia da prosperidade
sem crescimento

Peter Victor desenvolve o modelo LowGrow para a


Economia Canadense;
Managing without growth: slower by design, not
disaster.

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A economia da prosperidade
sem crescimento

O modelo é baseado nos seguintes pressupostos:


O crescimento global não é mais uma opção
para a sociedade;
O crescimento dos países desenvolvidos tem se
tornado não-econômico;
O crescimento não é necessário e nem
suficiente para alcançar o pleno emprego,
redução da pobreza e proteção ambiental.

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A economia da prosperidade
sem crescimento

Resultados do Modelo LowGrow para o Canadá:


Eliminar a pobreza;
Reduzir o desemprego a níveis historicamente
baixos;
Manter o controle da dívida pública;
Atender aos compromissos internacionais de
melhoria da qualidade ambiental.

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A economia da prosperidade
sem crescimento
Recomendações políticas para o Canadá:
Adoção de programas de redistribuição de
renda;
Redirecionar o consumo de bens posicionais
para bens públicos;
Programas de alfabetização de adultos;
Aumentar os gastos com saúde;
Redução da jornada de trabalho;
Investimentos apenas para compensar a
depreciação;
Imposto para reduzir as emissões e a poluição.
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A economia da prosperidade
sem crescimento

Prosperity without growth: economics for a finite


Planet, Tim Jackson;
O objetivo da sociedade deveria ser:
Alcançar a prosperidade sem perder de vista os
limites ecológicos de um planeta finito.
A prosperidade (bem-estar) vai além do consumo
material;
O desafio seria criar as condições para tal
transição.

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A economia da prosperidade
sem crescimento

Recomendações para a transição:


Redefinir a prosperidade;
Investir em bens intangíveis;
Estabilizar a produção material/energética;
Assegurar a distribuição de renda e de riqueza;
Reduzir o uso de energia fóssil;
Proteger o capital natural;
Investir em infraestrutura e tecnologias
sustentáveis.

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A economia da prosperidade
sem crescimento
Fases uma sociedade sustentável
Fases Ações
Construindo uma 1. Desenvolver a capacidade macroeconômica;
Macroeconomia Sustentável 2. Investimentos em infraestrutura e ativos públicos;
3. Aumentar a prudência financeira e fiscal;
4. Reformar a contabilidade macroeconomia;
Protegendo a capacidade para a 5. Compartilhar o trabalho disponível para melhorar o
prosperidade balanço entre trabalho e lazer;
6. Enfrentar a desigualdade sistêmica;
7. Mensurar as capacidades e a prosperidade;
8. Fortalecer o capital humano e social;
9. Reverter a cultura do consumismo;
Respeitar os limites ecológicos 10. Impor limites para o uso dos recursos naturais
do Planeta (extração e emissão);
11. Implementar uma reforma fiscal para a
sustentabilidade;
12. Promover a transferência tecnológica e proteção dos
ecossistemas na esfera internacional.
Fonte: preparado com base em Jackson (2009).

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A MacroEconomia Ecológica
Keynesiana

A pesquisa em MacroEconomia Ecológica tem


relação com a abordagem Keynesiana;
O produto da economia poderia se manter abaixo
do pleno emprego;
Contudo, a evolução dos gastos é fundamental
para o entendimento da dinâmica
macroeconômica.

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A MacroEconomia Ecológica
Keynesiana

Dilemas enfrentados pela macroeconomia no


século XXI:
Equilíbrio no consumo e investimento para
manter o emprego e limitar o consumo material;
Provisão de gastos sociais e de serviços de
saúde considerando a mudança demográfica;
Investimentos para manter um nível crítico de
capital natural.

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A MacroEconomia Ecológica
Keynesiana

É necessário modelos dinâmicos:


Modelos de consistência entre fluxos e
estoques;
Modelos de crescimento orientado pela
demanda.

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Perspectivas futuras

É necessário reduzir ou controlar a atividade


econômica se o objetivo for a sustentabilidade;
É preciso considerar o trade-off intergeracional;
Promover a internalização das externalidades
ambientais e sociais;
Desenvolvimento de modelos socioeconômico-
ecológicos dinâmicos;
Investir em energias renováveis, tais como a solar;
Promover uma redistribuição dinâmica de renda.

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