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SEMÂNTICA DA LÍNGUA

PORTUGUESA
CURSO: LETRAS – 6º PERÍODO

PROFª CELESTE CARDOSO

03/08/2020
DÊIXIS E ANÁFORA

• Os elementos dêiticos permitem identificar pessoas, coisas,


momentos e lugares a partir da situação da fala, a partir do contexto;

• São associados aos pronomes demonstrativos, aos pronomes


pessoais, aos tempos de verbos e aos advérbios de tempo e lugar.

• O falante tem que apontar o objeto e/ou localizar o indivíduo para


que o ouvinte o encontre e/ou localize.
EXEMPLOS (DÊIXIS)

• Este gato é muito bonito.

• Eu adoro chocolate.

• Aqui é o país da impunidade.

• Aquele ali, eu levo.


• A anáfora consiste em identificar objetos, pessoas, momentos, lugares e
ações; anteriormente mencionados no discurso ou na sentença.

Ex: Tem uma mulher aí fora. Ela quer vender livros.


Avise a Teresa que saí, se ela ligar.
O técnico insistiu que ele não achava nada errado no computador.

• A Anáfora é uma maneira de dar ênfase ao texto. Transmitir a mensagem


através deste recurso é uma alternativa muito utilizada por escritores,
poetas e compositores.

Ex: “Se você gemesse/ Se você tocasse/ [...]/ Se você dormisse/Se você
cantasse/Se você morresse [...] (E agora José?, Carlos Drummond).
ANÁFORA COMO FIGURA DE
LINGUAGEM
• ANÁFORA é a figura de repetição. Ocorre quando uma mesma palavra ou várias,
são repetidas sucessivamente, no começo de orações, períodos, ou em versos. A
repetição tem o objetivo de dar ênfase e tornar mais expressiva a mensagem.

Ex: “Quando não tinha nada eu quis


Quando ... Esperei
Quando tive frio tremi
[...]
(Daniela Mercury)
• Em Quadrinhas Populares:
“Nem tudo que ronca...
Nem tudo que berra é bode
Nem tudo que reluz é ouro
Nem tudo que se quer...”

• Em Cantigas de Roda:
Na Bahia tem
Tem, tem, tem
Na Bahia tem morena
Coco de vintém
[...]
TIPOS DE ANÁFORA

• ANÁFORA CORREFERENCIAL (OU ANÁFORA DIRETA): corresponde às


expressões anafóricas que retomam uma mesma referência anterior.

• ANÁFORA NÃO CORREFERENCIAL (OU ANÁFORA INDIRETA):


também conhecida como anáfora infiel, é aquela que apresenta uma
parte de informação antiga e uma parte de informação nova.
ANÁFORA CORREFERENCIAL (OU ANÁFORA
DIRETA)

• DIVIDE-SE EM TRÊS GRUPOS:


1. POR REPETIÇÃO;
2. POR ELIPSE;
3. POR SUBSTITUIÇÃO.
ANÁFORA POR REPETIÇÃO
• Também conhecida como anáfora fiel, implica na retomada de um
segmento anterior mediante o uso do pronome demonstrativo/definido,
diferenciando-se só o determinante de uma ocorrência em relação à
outra, pois o nome-núcleo se mantém. Traz, portanto, pouca informação
nova.

Ex: “Era uma estrela tão alta!


Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.”
(Manuel Bandeira)
ANÁFORA POR ELIPSE

• A retomada é realizada pelo apagamento do termo anafórico. No


entanto, alguns linguistas a consideram como um processo de
substituição, porém, para outros, os dois processos só tem em
comum o fato de evitarem a repetição vocabular.

Ex: Ana saiu cedo de casa essa manhã. Ela foi trabalhar na loja e mais
tarde (ela) foi ao curso de dança.
ANÁFORA POR SUBSTITUIÇÃO

• Utilizam-se recursos léxico-gramaticais que evitam a repetição


vocabular, podendo realizar-se ou por pronominalização ou por
substituição lexical (nominal), tendo, este último, a sua subdivisão em
substituição por sinonímia (uso de sinônimos) e/ou por hiperonímia
(relação entre hiperônimo e seus hipônimos).

Ex: Ana saiu cedo de casa essa manhã. Ela foi trabalhar na loja e mais
tarde foi ao curso de dança.
ANÁFORA NÃO CORREFERENCIAL OU INDIRETA

• DIVIDE-SE EM TRÊS GRUPOS:

1. ASSOCIATIVAS;
2. NOMINALIZAÇÃO;
3. PRONOMINALIZAÇÃO.
ANÁFORA ASSOCIATIVA

• É aquela que apenas admite a presença do termo anafórico do


determinante definido. O objeto da segunda aparição não é evocado,
mas somente implicado pela primeira aparição.

Ex: Hoje pela manhã, na esquina da Av. Amazonas com a Rua Cordovil,
aconteceu um grave acidente envolvendo um Fusca e um Gol. Os
feridos foram imediatamente encaminhados ao Hospital Jofre Cohen.
ANÁFORA POR NOMINALIZAÇÃO

• É aquela que atribui novas categorias aos segmentos do discurso


precedente, condensando as informações num valor resumitivo ou
possibilitando uma mudança de categoria gramatical quando o
antecedente é um predicado e o termo anafórico é um nome
deverbal.

Ex: Indignado com os escândalos políticos, o designer Chester Martins


convidou os usuários do Facebook a participar de um protesto nas
ruas do Rio de Janeiro. A iniciativa estimulou várias pessoas a
organizarem outros protestos pela rede social. (Adaptado da Veja).
ANÁFORA POR
PRONOMINALIZAÇÃO
• Constitui o tipo mais comum de anáfora. Acontece quando um pronome
(pessoal ou demonstrativo) retoma um sintagma nominal.

Ex: “Com 800 milhões de usuários em seu Facebook, o americano Mark


Zuckerberg é o homem mais poderoso da internet. Há alguns dias ele mudou
as regras da sua rede social”. (Revista Veja).

“Será possível, por exemplo, assistir a filmes dos estúdios Dream Works,
Paramount e Universal, bastando para isso ter uma conta no Netfliz, site de
vídeo por demanda que acaba de chegar ao Brasil”. (Revista Veja).
AMBIGUIDADE, VAGUEZA E
INDICIALIDADE
• AMBIGUIDADE: quando há margem para várias interpretações, para
vários sentidos em uma mesma oração.

• VAGUEZA: está relacionada a expressões que fazem referências


apenas de uma maneira aproximada.

• INDICIALIDADE: está em expressões cujas referências variam de


contexto para contexto, mas seus sentidos permanecem constantes,
sem serem vagos.
AMBIGUIDADE X VAGUEZA

• A ambiguidade e a vagueza são fenômenos semânticos que só podem


ser resolvidos no contexto.

• Para a ambiguidade, o contexto tem a função de selecionar qual dos


possíveis sentidos será utilizado.

• Para a vagueza, o contexto pode apenas acrescentar alguma


especificidade que não está contida na própria expressão.
TIPOS DE AMBIGUIDADE
• LEXICAL: a dupla interpretação incide somente sobre o item lexical
(palavra).
Ex: Estou indo para o banco, neste exato momento.
Banco = instituição financeira; lugar em que se assenta.

• SINTÁTICA: a ambiguidade é gerada pela estrutura da frase. Não é


necessário interpretar cada palavra individualmente como ambígua, mas se
atribui a ambiguidade às distintas estruturas sintáticas que originam as
distintas interpretações.
Ex: Alugo [apartamentos e casas] [de veraneio].
Alugo [apartamentos] e [casas de veraneio].
TIPOS DE AMBIGUIDADE
• DE ESCOPO: a ambiguidade decorre de uma estrutura, mas não da
estrutura sintática, e, sim, da estrutura semântica da sentença, que gera as
duas interpretações.
Ex: Todos os alunos comeram seis sanduíches.

• POR CORREFERÊNCIA: é um tipo de ambiguidade sistemática que não tem


sua origem nem nos itens lexicais, nem na organização sintática da
sentença e nem no escopo da sentença. A ambiguidade é gerada pelo fato
de os pronomes poderem ter diversos antecedentes.
Ex: José falou com seu irmão?
O ladrão roubou a casa do José com a sua própria arma.
TIPOS DE AMBIGUIDADE

• AMBIGUIDADES MÚLTIPLAS: quando aparecem vários tipos de


ambiguidade em uma sentença.

Ex: O Jorge [não tinha] [ouvido].


O Jorge [não tinha ouvido].
O Arlindo tirou [os pés da mesa].
O Arlindo tirou [os pés] [da mesa].
O burro do Paulo anda doente.
ATIVIDADE

• RESPONDER AO EXERCÍCIO 03 e 04.

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