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Inclusão de deficientes no

ensino público:
Um estudo da atuação de
Centros de Atendimento
Educacional Especializado –
CAEEs
Kátia Cristina Monteiro Dias
Profa. Msc. Liliane Aparecida da Silva Santos
I. Introdução
• A promulgação da lei nº 13.146 de 06 de julho de 2015, que instituiu a “Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência” trouxe a garantia da educação
inclusiva ao Brasil.
• Em 2008, foi lançada, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva de
Educação Inclusiva ofertando o AEE para os alunos com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação (BRASIL, 2008).
• O AEE funciona como um importante recurso de inclusão de pessoas com
deficiência no ambiente escolar, sendo ofertado em uma sala instalada na escola
comum e equipada com recursos multifuncionais ou em Centros de AEE da rede
pública (BRASIL, 2009).
II. Objetivos
• Geral: investigar a atuação dos CAEEs e a visão dos professores que atuam
nesses centros.
• Específicos: analisar a estrutura dos CAEEs assim como a perspectiva de seus
professores descrevendo suas percepções sobre o AEE, englobando as principais
dificuldades para sua atuação.
III. Justificativa
• O estudo é relevante para perceber que por meio de leis sobre os direitos da
pessoa com deficiência, a educação inclusiva proporciona contribuições e diretrizes
que tornam instigante analisar e compreender a importância da inclusão escolar
para o desenvolvimento dos estudantes com deficiência.
IV. Referencial Teórico
• Educação Inclusiva.

• Legislações de apoio a educação inclusiva.

• Atendimento Educacional Especializado (AEE).

• Papel do professor de AEE.


V. Metodologia
• Pesquisa exploratória.
• Aplicação de questionário virtual, direcionado para gestores e professores de
CAEEs, de todas as regiões do Brasil.
• Análise dos resultados: quantitativa e qualitativa.
• Coleta de dados entre 19 de maio a 20 de julho de 2020.
VI. Resultados
Figura 1: Relação de CAEEs participantes da pesquisa
Instituição Cidade Estado Gestores Professores
respondentes respondentes
1 CAEE Arcoverde Arcoverde PE 01 07
2 CAEE de Itapetinga Itapetinga BA 01 02
3 CAEE Panambi Panambi RS 01 04
4 Centro de Educação Especial Girassol Campo Grande MS 01 01
(CEDEG/APAE)
5 Centro Experimental Helena Antipoff Niterói RJ 01 05
(Associação Pestalozzi de Niterói)
6 Centro Municipal de AEE e Gongogi BA 01 01
Multiprofissional
7 Escola Estadual de Cegos Cyro Accioly Maceió AL 01 10
8 Zezé Gabeira (APAE Vitória) Vitória ES 01 02
Total 8 32
Fonte: Elaborado pelas autoras (2020)
VI. Resultados
• As deficiências mais citadas foram transtorno do espectro autista (TEA), transtorno
global do desenvolvimento (TGD) e deficiência intelectual (DI), conforme figura 2:
Figura 2: Deficiências citadas pelos gestores do CAEE
Paralisia Deficiência
Deficiência
Cerebral Múltipla Síndrome de
intelectual – DI
9% 4% Down
9%
Deficiência 9%
auditiva
9%
TEA
14% Outras
9%

Deficiência Deficiência
intelectual TGD visual
14% 14% 9%

Fonte: Elaborado pelas autoras (2020)


VI. Resultados
• Entre os órgãos que mantem o funcionamento dos centros, 37% eram mantidos
pelas prefeituras municipais, 25% pelas secretarias estaduais de educação e os
demais por parcerias com outras instituições como APAE e até mesmo o Sistema
Único de Saúde (SUS). Em 38% dos centros havia participação privada em sua
gestão. Os centros atendem em média 112 alunos e 50% deles atuam em outras
áreas que não sejam educação tais como saúde (oftalmologia, fisioterapia, terapia
ocupacional), psicologia e assistência social.
VI. Resultados
• Verificou-se que o AEE é realizado no contraturno e por intermédio do professor, o
qual trabalha as necessidades específicas dos alunos, busca a adaptação de
materiais, desenvolve estratégias que estimulam os aspectos cognitivos e sociais,
além de oferecer apoio ao professor do ensino regular. Também foi observado que
os professores são fundamentais no processo de desenvolvimento das habilidades,
potencialidades e peculiaridades individuais do discente, sua atuação relaciona
estratégias psicopedagógicas que atendem especificidades, elaborando,
produzindo e organizando os recursos acessíveis aos estudantes da educação
especial.
VI. Resultados
• Referente ao perfil dos professores: 44% dos profissionais possuem graduação,
38% possuem especialização, os demais magistério, mestrado e graduação em
andamento. Ressalta-se que de acordo com a Resolução nº 4/2009 CNE/CEB, para
estar apto a atuar no AEE, o professor deve ter formação inicial que o habilite para
o exercício da docência e formação específica para a Educação Especial (BRASIL,
Figura 3: Formação acadêmica dos professores
2009). 6% 6% Magistério
6%

Graduação em
38% andamento

44% Graduação

Especialização

Fonte: Elaborado pelas autoras (2020)


VI. Resultados
• Sobre a visão dos professores dos CAEEs: Como você definiria o papel do
professor do AEE? A análise do conjunto das respostas dos professores
apresentou: um profissional habilitado para desenvolver o processo de ensino
aprendizagem para os alunos público alvo da educação especial, contribuindo no
desenvolvimento das habilidades, potencialidades e peculiaridades no
planejamento educacional individual; sendo sua função identificar as necessidades
específicas de cada aluno e por meio do plano de AEE criar estratégias para
atender essas especificidades, elaborando, produzindo e organizando os recursos
pedagógicos acessíveis para atender esses estudantes.
VI. Resultados
• Há articulação entre os professores de AEE e os professores do ensino
regular? Apenas uma das respondentes afirmou que não havia articulação, os
demais professores responderam que existia articulação, sendo que algumas visitas
acontecem na escola regular para a troca de ideias, adaptação, permanência e
inclusão efetiva do aluno especial na escola, e mediante algumas dificuldades
encontradas debatem em busca de uma solução comum no processo de ensino e
aprendizagem. Enquanto, um pequeno número de professores, falaram a respeito
da raridade, dificuldade e anseio da articulação.
VI. Resultados
• Na sua perspectiva quais as diferenças entre o trabalho do AEE e o trabalho
desenvolvido pelos professores do ensino regular? Para os educadores, o AEE
é um atendimento diferenciado, realizado no contraturno e por meio do professor
especialista trabalha as potencialidades, habilidades e necessidades específicas do
aluno, sendo responsável pela adaptação de materiais e métodos para sanar a
deficiência do aprendizado, de modo a buscar estratégias que estimulem o
estudante a desenvolver os aspectos cognitivos e sociais, além de oferecer serviço
de apoio ao professor do ensino regular. Já o trabalho da sala de aula comum é
responsável pelo ensino das áreas de conhecimento, ministrando os conteúdos
pedagógicos do programa curricular.
VI. Resultados
• De que forma a família participa do AEE? Ao responderem, a maioria dos
professores falou da importância da família para o desenvolvimento do aluno, que
participa procurando estar presente nas reuniões, palestras e eventos
proporcionados pelos CAEE, além de acompanhar o processo de evolução dos
filhos e ajudar nas atividades propostas. Embora dois profissionais divirjam das
opiniões dos demais ao falar que as famílias são pouco participativas, e a
expectativa é diferente da realidade.
VI. Resultados
• Na sua opinião, quais as dificuldades para a realização do trabalho
pedagógico no AEE? As respostas dos professores foram diversas, porém a
escassez de recursos no espaço escolar como materiais didáticos e pedagógicos
adaptados, a preparação e capacitação profissional continuada e a ausência da
família no processo do desenvolvimento de ensino aprendizagem dos alunos, foram
as principais causas citadas na dificuldade para a realização do trabalho
pedagógico no AEE. Outras dificuldades citadas são as adaptações nas escolas
como acessibilidades e infraestruturas, a distância geográfica, a falta de material
para produção e adaptação de conteúdos, e a falta de apoio do governo para com
esse público.
VII. Considerações Finais

Embora os direitos dos estudantes deficientes sejam assegurados por lei, na prática,
são encontradas dificuldades que evidenciam os impasses e impedimentos na busca
da educação inclusiva brasileira.
Salienta-se que políticas públicas na perspectiva da educação inclusiva devem ser
praticadas com a participação de todos, num trabalho conjunto que objetive avanços
na inclusão dos deficientes no ensino público, pois a importância da promoção da
igualdade de ensino promovem melhorias nas práticas pedagógicas e valorizam a
diversidade, causando efeitos benéficos tanto para os alunos deficientes como para
os sem deficiência.
Obrigada!