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Ateliê de Pesquisa em Educação II 

Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar,


Mestrado e Doutorado Profissional (PPGEEProf)
Pós-Graduação em Educação na Amazônia (PGEDA)

Professora Orientadora: Dra. Juracy Machado Pacífico


Pesquisa- ação
Michel Thiollent

Realização: Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação e


Infância (Grupo EDUCA/UNIR)
e Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação Infantil e Primeira
Infância (Grupo GEPEIN/UNIR).

Apresentação: Andreia Correia de Souza


 Não há certeza sobre quem inventou a pesquisa-ação.
 Muitas vezes, atribui-se a criação do processo a Kurt
Lewin (1946).
 Ele é um pioneiro da psicologia social aplicada e seu
foco de estudo era justamente a coletividade.
 Para ele a pesquisa-ação busca compreender
mecanismos que ocorrem no âmbito da coletividade
Definição
(Michel Thiollent)

“A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base


empírica, que é concebida e realizada em estreita associação
com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo
no qual pesquisador e pesquisados estão envolvidos de modo
cooperativo ou participativo”.

Não há sujeitos de pesquisa, há parceiros e colaboradores


Definição
(Michel Thiollent)

“Consiste essencialmente em elucidar problemas sociais e


técnicos, cientificamente relevantes, por intermédio de
grupos em que encontram-se reunidos:
• pesquisadores,
• membros da situação problema
• outros atores parceiros”.
A pesquisa-ação está inserida no âmbito das pesquisas de
caráter qualitativo.
Exploratória
Participante
Etnográfica
Pesquisa-ação
São pesquisas que tem como fenômeno de estudo a vida
real – os ambiente naturais.
A pesquisa qualitativa não precisa necessariamente produzir
um resultado generalizável, isto é, que seja aplicado em
qualquer contexto.
Campo de Atuação da Pesquisa-Ação

*Educação
*Comunicação
*Organizações
*Serviço-Social
*Difusão da Tecnologia Rural
*Práticas políticas e sindicais
Uma pesquisa poderá ser chamada de pesquisa-ação quando
realmente houver uma ação das partes envolvidas e não
poderá ser uma ação trivial. Deverá ser uma problemática que
realmente seja necessário acontecer uma investigação.

PESQUISA + AÇÃO
Pesquisa-Ação ou Pesquisa Participante?
Semelhanças
 Os dois tipos de pesquisas algumas vezes são tratadas
como sinônimas.
 Toda pesquisa-ação é de tipo participativo, mas nem toda
pesquisa de tipo participativo tem uma ação.
 A participação das pessoas implicadas nos problemas
investigados é absolutamente necessária.
 Consistem em dar aos pesquisadores e grupos de
participantes os meios de se tornarem capazes de
responder com maior eficiência aos problemas da situação
em que vivem.
Diferenças
A diferença se encontra no resultado final.

Na pesquisa-ação, é obrigatoriamente necessário executar


uma ação e avalia-la posteriormente.

Na pesquisa participante, a ação não é obrigatória, ainda


que seja necessário construir um plano de ação em sua
pesquisa, mesmo que teórica (cf. GIL, 2002).
Diferenças
Pesquisa Participante - O pesquisador(a) está no campo,
pode atuar como um observador apenas, ou pode atuar
como um participante-participante. Tem um contato direto,
participa das ações naquele ambiente natural,
porém, continua no papel de pesquisador - quem detém o
poder nas tomadas de decisão quanto à pesquisa.

Pesquisa-Ação - Há o compartilhamento do poder - o


pesquisador compartilha poder com os indivíduos.
Compartilhamento de Poder
 Em todo o processo.
 Desde o objeto de estudo, ou seja, o problema da pesquisa até a
finalização do processo o pesquisador compartilha poder com o
grupo.
Como seria esse compartilhamento?
 Identifica um problema... Define estratégias para solucionar esse
problema com a participação do grupo... Busca solução para esse
problema.
Principais Aspectos da Pesquisa-Ação
 Há uma ampla e explícita interação entre pesquisadores e
pessoas implicadas na situação investigada.
 Desta interação resulta a ordem de prioridade dos problemas
a serem pesquisados e das soluções a serem encaminhadas
sob forma de ação concreta.
 O objetivo de investigação não é constituído pelas pessoas e
sim pela situação social e pelos problemas de diferentes
naturezas encontradas nesta situação.
 O objetivo da pesquisa-ação consiste em resolver ou, pelo
menos, em esclarecer os problemas da situação observada.
Objetivos da Pesquisa-Ação
Objetivo Prático: Contribuir para o melhor
equacionamento possível do problema considerado como
central na pesquisa, com levantamento de soluções e
propostas de ações correspondentes às “soluções”.
Produzir resultados a partir da solução de problemas
identificados naquele grupo, naquele meio.
Objetivo de Conhecimento: Obter informações que
seriam de difícil acesso por meio de outros procedimentos,
aumentar, produzir conhecimento de determinadas
situações. Ex: reinvindicações, representações, etc.
Pesquisa-ação Pesquisa convencional

Há uma explícita interação entre Não há participação dos pesquisadores


pesquisadores e pessoas implicadas na junto com os usuários ou pessoas da
situação pesquisada. situação observada.
Não se trata de um simples levantamento Os usuários não são considerados
de dados. como atores, sendo um mero informante
Os pesquisadores pretendem ou um mero executor, cobaia.
desempenhar um papel ativo na realidade
dos fatos observados.
Função Política e Valores
Todas as partes devem ser consultadas. A pesquisa não pode ser
feita à revelia de uma das partes.
Cada parte tem direito de parar a experiência quando julgar que os
objetivos da pesquisa, sobre os quais haviam acordo, não estão
sendo respeitados.
Concepção e Organização
 O planejamento de uma pesquisa-ação é muito flexível.
 Não se segue uma série de fases rigidamente
ordenadas.
 Há sempre um vaivém entre várias preocupações a
serem adaptadas em função das circunstâncias e da
dinâmica interna do grupo.
A fase Exploratória
 Consiste em descobrir o campo de pesquisa, os
interessados e suas expectativas e estabelecer um
primeiro levantamento (ou diagnóstico), da situação.
 Apreciar a viabilidade de uma intervenção de tipo
pesquisa-ação no meio considerado.
 Trata-se de detectar apoios e resistências,
convergências e divergências, posições otimistas e
céticas etc.
 Primeiros contatos: Diagnóstico: Identificação das
expectativas, problemas da situação e
características da população.
A fase Exploratória
Nesta fase deve-se observar:
Quem são essas pessoas ou grupos em termos sociais e
culturais?
A que interesses políticos estão vinculados?
Já participaram em experiências semelhantes?
Com êxito ou fracasso?
Que tipo de crença está interferindo?
Existe vontade de participar?
Existe dificuldade de compreensão ou de expressão?
Lugar da Teoria
 No plano da organização prática da pesquisa-ação,
os pesquisadores devem ficar atentos para que a
discussão teórica não desestimule e não afete os
participantes que não dispõem de uma formação
teórica.
 Certos elementos teóricos deverão ser adaptados e
traduzidos em linguagem comum para permitir um
certo nível de compreensão.
Hipóteses e Comprovação
Muitos autores consideram que, na pesquisa-ação, não se aplica
o tradicional esquema de pesquisa.
 Formulação de hipóteses
 coleta de dados
 comprovação (ou refutação) de hipóteses.
Este esquema não seria aplicável nas situações sociais de
caráter emergente com aspecto de conscientização.
Na pesquisa-ação a hipótese é inversa das outras modalidades
de pesquisa, já que o pesquisador primeiro vai conhecer o objeto
de estudo para depois formular a hipótese.
Hipóteses e Comprovação

 Ela opera a partir de determinadas instruções (ou diretrizes)


relativas ao modo de encarar os problemas identificados
 Com os resultados da pesquisa, essas instruções podem sair
fortalecidas, alteradas, abandonadas, substituídas, etc.
 A formulação de hipóteses ou quase hipóteses, permite ao
pesquisador organizar o raciocínio estabelecendo “pontes”
entre as ideias gerais e as comprovações por meio da
observação concreta.
Campo de Observação, Amostragem e
Representatividade Qualitativa
 Trata-se de pessoas escolhidas intencionalmente em
função da relevância que elas apresentam.
 Quando o tamanho do campo delimitado é muito grande,
coloca-se a questão da amostragem e da
representatividade.
Coleta de Dados
A coleta de dados é efetuada por grupos de observação e
pesquisadores sob controle do seminário central e dever ser a
mais exaustiva possível.
As principais técnicas utilizadas são:
Entrevista coletiva nos locais de moradia ou de trabalho e a
entrevista individual aplicada de modo aprofundado.
Questionários convencionais que são aplicáveis em maior escala.
Observação participante;
Diários de Campo;
História de vida.
Plano de Ação
A elaboração do plano de ação consiste em definir com precisão:
 Quem são os atores ou as unidades de intervenção?
Como se relacionam os atores e as instituições: convergências,
atritos, conflito aberto?
Quem toma decisões?
Quais são os objetivos ou metas tangíveis da ação e os critérios de
sua avaliação?
Como dar continuidade à ação, apesar das dificuldades?
Como assegurar a participação da população e incorporar suas
sugestões?
O Alcance das Transformações
 Com a Pesquisa-Ação pretende-se alcançar realizações, ações
efetivas, transformações ou mudanças no campo social.
 A não definição das transformações permite ocultar o real alcance
da pesquisa-ação, frequentemente limitada aos efeitos sobre
pequenos grupos, e alimentar ilusões sobre a transformação geral
da sociedade em sentidos modernizador ou revolucionário.
 É preciso deixar de manter ilusões acerca de transformações da
sociedade global quando se trata de um trabalho localizado ao nível
de pequenos grupos desprovidos de poder.
Um Exemplo de Pesquisa-Ação
Super Nanny

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