Você está na página 1de 24

Seleção por Consequências

Psicologia Analítico-comportamental
Professor: João Rodrigues
Seleção por consequências: modo causal encontrado unicamente em
coisas vivas ou em máquinas feitas por elas;

“Assim como o astrônomo e o cosmologista, o historiador avança apenas


pela reconstrução do que pode ter acontecido ao invés de por meio de
uma revisão de fatos registrados.” (p. 129)

Introdução:
Início da seleção por consequências como modo causal: capacidade de
reprodução;
Segunda consequência: diversidade
Primeira consequência: reprodução;
de células, órgãos e organismos;

“O que denominamos comportamento evoluiu como um conjunto de


funções aprofundando o intercâmbio entre organismo e ambiente.” (p.
129)
Exclusão da possibilidade de criação de todas as espécies independentemente umas das outras

Espécies não podem ser consideradas imutáveis (processo constante de transformação gradual)

Variabilidade determinada pelas condições produzidas no ambiente em uma “trama complexa de relações”

Diversidade (diferenças individuais): condição fundamental para a sobrevivência

Ação acidental selecionada por sua eficácia


Os seres não podem ser entendidos isoladamente

Possível seleção de alterações colaterais

Hereditariadade da “tendência à variabilidade”


Primeiro momento:

Comportamento como “mero” Seleção de processos comportamentais


patrimônio genético; “por meio dos quais o organismos
individuais adquiriram comportamento
apropriado a ambientes novos” (Skinner,
Características típicas de cada uma das 1987, p.52)
espécies
Aquisição de respostas a novos estímulos

 Imitação e modelação filogenética;

 Condicionamento respondente:
 Primeiros indícios de individualização;
 Limitação: ambientes semelhantes;
 Não se aprende respostas novas.
Segundo tipo de seleção: condicionamento
operante.
Possibilitado pela sensibilidade a eventos subsequentes e pelo
surgimento de respostas não imediatamente eliciadas;

Possibilidade de evolução conjunta e redundante;

Aquisição de NOVAS RESPOSTAS de maneira mais rápida que o


curso da evolução da espécies;

Possibilidade de adaptação a ambientes em constante mudança;

“Efeito colateral”: Imediaticidade do reforço


 Comportamento social;
 Suplementado pela imitação;
 Controle operante da imitação e novo repertório: imitar
sob controle de novas contingências;
 Controle operante da musculatura vocal;
 Ampliação do controle social;
 Comportamento verbal:

 Definido (apenas) pela mediação da consequência;


 Ampliação da possibilidade humana de cooperação;
 Aprender com o que outros fizeram;
 Controle ético;
 Autoconhecimento e consciência;
Um terceiro tipo de seleção: evolução da cultura

“A cultura evolui quando práticas que se


originam dessa maneira [no condicionamento
operante de um indivíduo] contribuem para o
sucesso de um grupo praticante em solucionar
os seus problemas.” (p. 131)
Similaridades e diferenças:
 Possibilidade que há apenas para o segundo nível
de seleção: observação momento a momento.

 Possibilidade que há apenas para o primeiro e o


terceiro níveis: transmissão direta entre
gerações.
 Possibilita a formação (pelo distanciamento)
de espécies ou culturas isoladas;
Similaridades e diferenças:

“Enquanto espécies e culturas são definidas por


restrições impostas sobre a transmissão – por
genes e cromossomos e, digamos, isolamento
geográfico, respectivamente – um problema de
definição (ou identidade) surge em relação ao nível
(b) somente quando contingências de
reforçamento diferentes criam repertórios
diferentes, como eus ou pessoas.” (p. 132)
Similaridades e diferenças:
 Processos presentes nos três níveis: Variação e seleção;

 PRIMEIRO NÍVEL:
• Variam fenótipos como expressões de genes;
• Ambiente selecionador (sobrevivência e reprodução);
 SEGUNDO NÍVEL:
• Variam respostas;
• Ambiente selecionador (reforçamento);
 TERCEIRO NÍVEL:
• Variam práticas culturais;
• Ambiente selecionador (manutenção da cultura)
Impactos do modelo de seleção sobre a compreensão
do comportamento humano:

 Especificidade dos organismos vivos;


 Diversidade como central à compreensão do comportamento e da cultura;
 Seleção de variedades úteis em um dado contexto;
 Ausência de diversidade: risco de extinção;
 Mutabilidade do comportamento e da cultura;
 História como determinante do comportamento;
 Efeito futuro das ações;
 Recusa a um agente iniciador;
 Práticas culturais que reforcem o fazer;
 Papel da interpretação na compreensão do comportamento;
 Produção de variabilidade planejada.
Sistemas explicativos tradicionais:

Descoberta tardia da seleção por consequências;

Enquadramento imposto das explicações ao modelo da


Mecânica Clássica;
Propósito ou intenção;
Ato anterior de criação; • Noção teleológica;
• Essências;
Sistemas explicativos
tradicionais:

“Dizer que a seleção por


consequências é um modo causal
encontrado apenas em coisas
vivas é unicamente dizer que a
seleção (ou a ‘replicação com
erro’ que a tornou possível)
define o ‘viver’.” (p. 132)
Algumas definições de bem e de valor:

• O que promove a sobrevivência e reprodução da


espécie;
• O que é efetivo nas contingências em vigor;
• O que é efetivo para o reforçamento de outros;
• O que mantém a cultura coesa e transmite suas
Sistemas práticas;
explicativos
tradicionais:
Ética descritiva: o que são valores;
Alternativas à seleção:
 Pressão seletiva: seleção como algo que força
a mudança;
 Skinner: seleção como processo histórico do qual
se observam os efeitos no presente;
 Noção de “armazenagem”:
 Skinner: mudamos em relação com consequências
dos três níveis, não acessando coisas armazenadas;
 Armazenagem presente, literalmente, no terceiro
nível;
Alternativas à seleção:

 Noção de estrutura:
 Organização:

“É verdade que todas as espécies, pessoas e culturas


são altamente organizadas, mas nenhum princípio de
organização explica o fato de o serem. Ambos,
organização e os efeitos a ela atribuídos, podem ser
retraçados às respectivas contingências de seleção.”
(p. 134)
Alternativas à seleção:

 Crescimento:

“...em todos os três níveis, as mudanças podem ser


explicadas pelo ‘desenvolvimento’ de contingências de
seleção. ” (p. 134-135)

 Noção de causação bidirecional;


A seleção negligenciada:

 Problemas ao recorrer a estruturas quando se assume


que características em um nível explica uma
característica em outro nível;
 Favorecimento da seleção natural;

“As contingências de seleção nos três níveis são


consideravelmente diferentes, e a similaridade estrutural
não confirma um princípio iniciador comum.” (p. 135)

 Possível conflito entre contingências evolutivas,


operantes e culturais e conflitos entre bens e
valores;
A espécie se O indivíduo se O grupo soluciona
Um agente adapta X o
ambiente
ajusta X a
situação modela e
questões X
circunstâncias
iniciador: seleciona mantém classes selecionam
características de resposta; práticas que as
adaptativas da resolvem;
espécie;
Possibilidade de intervirmos na seleção:

 Modificação ou criação de espécies por geneticistas;


 Modificação de genes ou reprodução seletiva;
 Modificação ou produção de classes de respostas por
quem pode manipular o ambiente de um sujeito;
 Dicas ou mudanças nas contingências;
 Planejamento de práticas culturais;
 Introdução de novas práticas ou arranjo de condições
selecionadoras na cultura;
“...devemos considerar a possibilidade de que nosso
comportamento de intervir é em si mesmo um produto da seleção.”
(p. 136)
Reconhecer o papel da seleção pode nos
Sabemos e lembramos pouco da(s)
auxiliar a intervir mais adequadamente
história(s) de seleção;
no “nosso destino”;

Possibilidade de
intervirmos na
seleção:
“Um reconhecimento apropriado da ação seletiva do ambiente significa uma
mudança em nossa concepção sobre as origens do comportamento que é
possivelmente tão grande quanto aquela acerca da origem das espécies. Enquanto
nos apegarmos à concepção de que uma pessoa é um executor, um agente ou
um causador inicial do comportamento, continuaremos provavelmente a
negligenciar as condições que devem ser modificadas para que possamos
resolver nossos problemas.” (p. 137)
SKINNER, B.F. Seleção por consequências. Revista
Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, vol.
IX, n. 1, p. 129-137, 2007.