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PROCESSO DE QUALIFICAÇÃO PARA

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EM
ESCOLAS TÉCNICAS ESTADUAIS
DE SÃO PAULO:
um estudo exploratório

Helena Cibele de Souza Silva


Etec de Monte Mor

Prof. Dr. Paulo R.P. Constantino


VII CBE – Unesp Bauru Centro Paula Souza
25/07/2019 Unesp Marília / Unesp P. Prudente
Objetivo
Debater a realização do processo de seleção e
qualificação de professores responsáveis pela
coordenação pedagógica nas Escolas
Técnicas Estaduais [Etec] de São Paulo.

Métodos
Estudos exploratórios, sobre dados obtidos por
meio de pesquisa documental.

Realizado entre junho e outubro de 2018.


Contexto e justificativa
Para Celso Vasconcellos (2002, p.85), a esfera de atuação
de CP: “envolve questões de currículo, construção do
conhecimento, aprendizagem, relações interpessoais, ética,
disciplina, avaliação da aprendizagem, relacionamento com a
comunidade, recursos didáticos”, entre outros.

O Estado de São Paulo em 2018: 223 Escolas Técnicas


Estaduais [Etecs], administradas pelo Centro Paula Souza,
com mais de 207 mil estudantes, nos ensinos Técnico, Médio
e Técnico Integrado ao Médio (CPS, 2018), além da
qualificação básica.

Entre 2008 e 2018, a expansão das escolas atingiu 58%,


passando de 140 para 223 unidades.
CP nas Escolas Técnicas Estaduais
Nas Etecs, a coordenação pedagógica compõe a
administração da unidade, conforme consta no seu Regimento
Comum.

Funções de apoio e suporte pedagógico, como a referida


coordenação, foram criadas em 2009.

Não se trata de um cargo previsto em plano de carreira, mas


uma função em confiança para a qual os professores precisam
qualificar-se por meio de provas periódicas, além de
preencherem os requisitos de tempo e experiência nas Etecs.

O ‘documento próprio’ mencionado no Regimento Comum das


Etecs é a Deliberação CEETEPS 20, de 16 de julho de 2015.
Processo de qualificação de CP

• O processo de qualificação nas Etecs consiste em:

- Atender os requisitos estabelecidos na


Deliberação CEETEPS 20/2015: tempo de
docência [3] e gestão [2], licenciado, concurso
indeterminado, qualificação em processo;

- Realizar uma prova escrita: conteúdos sobre a


legislação do Centro Paula Souza e as atribuições
que o CP deverá executar.
• Após aprovados no processo de qualificação, os
professores se candidatam às vagas de
coordenador pedagógico disponíveis nas escolas.
Havendo mais de um candidato por vaga, o Diretor
da Etec avalia um projeto a ser escolhido para a
função.

• A aprovação final ocorre após apreciação deste


projeto pela Supervisão Regional e a Coordenação
de Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza.
Análises

• Nos últimos anos, aumento exponencial do


número de professores e de unidades das
Escolas Técnicas Estaduais.

• De 2008 a 2018, o número de Etecs passou de


140 para 223 escolas (CPS, 2018).

• O processo de qualificação para CP deveria


acompanhar a expansão das Etecs, porém, entre
2009 e 2018, foram abertos apenas 6 processos:
Média - relação
Nº de professores Nº de Etecs
qualificados por
Ano Processo qualificados por existentes no
escola no
processo no CPS ano
processo
4186/2009 (ext.
2009 185 173 1,06
até 2013)
2011 4241/2011 321 203 1,5
2012 5221/2012 252 210 1,2
2013 5213/2013 224 211 1,06
5198/2014 (ext.
2014 208 219 0,9
até 2016)
2016 4724/2016 376 220 1,7
Média geral –
prof. qualificados
      1,2 c/v
por escola nos
anos

Tabela 1: Processos de Qualificação para Professor Coordenador


de Projetos Responsável pela Coordenação Pedagógica.
(AUTOR, 2019)
Fonte: Centro Paula Souza, 2018.
• Quantidade de postulantes muito pequena, acarreta
falta de oportunidade aos Diretores em receberem
mais de um projeto de CP para avaliar e escolher o
que mais se adequaria ao perfil de sua unidade.

• Em alguns casos, as Etecs ficam sem nenhum


profissional qualificado disponível.

• Pode-se considerar que tal cargo não seja atrativo


aos professores e algumas hipóteses podem ser
levantadas:
A) por não se tratar de cargo efetivo, os professores podem não ter
segurança de trabalhar em própria sua escola sede: mesmo havendo a
vaga, podem ter seu projeto rejeitado pelo Diretor da unidade;

B) os professores podem considerar que as horas de atividade [HAE]


atribuídas para execução do projeto não são suficientes para se dedicarem
ao trabalho da coordenação, além de que, nos casos de professores com
mais tempo na instituição, a remuneração final pode ser inferior à recebida
quando se está somente lecionando;

C) por não ser uma função com dedicação exclusiva, além da coordenação
pedagógica, o professor ainda precisaria se manter em sala de aula
completar sua carga horária, o que ampliaria seu trabalho;

D) os professores podem considerar que a gratificação paga para exercer


tal função não é suficientemente atrativa.
• Entre 2017 e 2018 não ocorreu nenhum processo
de qualificação para a função. Parte dos CP estão
dentro da prorrogação dos editais anteriores e
outros tantos professores foram indicados pelos
diretores sem atender todos os requisitos previstos,
sendo que se considera para a indicação em
caráter excepcional apenas o docente ser
contratado por prazo indeterminado e possuir
licenciatura.

• Professores indicados excepcionalmente acabam,


por vezes, não tendo domínio dos conhecimentos e
atribuições do CP, o que acarreta numa atuação
parcial.
• Sobre a forma de disponibilização e oferecimento da função
de Coordenador de Projetos Responsável pela Coordenação
Pedagógica, sugerimos:

a)considerar o coordenador pedagógico um cargo e não um


projeto a ser cumprido pelo prazo de apenas 1 ano;
b)consequentemente, a remuneração não seria por HAE e sim
com uma faixa salarial fixada e uma gratificação mais
atrativa, baseada em plano de carreira;
c) a carga horária ser de 40 horas semanais, como acontece
com o Diretor de Escola, para dedicação exclusiva nas
Etecs;
d)autonomia da direção das escolas na contratação e
dispensa destes cargos, reduzindo a burocracia estatal para
este fim.
Considerações finais
• CP tem papel fundamental nas escolas:
gestão escolar democrática; responsabilidade
na formação continuada dos professores e o
processo de ensino aos alunos.

• Repensar as diretrizes para os CP pode


estimular o aumento da participação dos
professores no processo de qualificação,
acarretando em mais professores
qualificados e em projetos com qualidade e
alinhados aos planos plurianuais de gestão das
unidades.
Considerações finais

• Repensar as diretrizes para os CP pode


estimular o aumento da participação dos
professores no processo de qualificação,
acarretando em mais professores
qualificados e em projetos com qualidade e
alinhados aos planos plurianuais de gestão das
unidades.
Considerações finais

• Como continuidade deste estudo, faz-se


necessária uma pesquisa sobre as
possibilidades de revisão da legislação e o
atendimento a realidade do Centro Paula Souza
e do Estado de São Paulo.

• Produção de recursos pedagógicos


adaptados às demandas da educação
profissional.
Principais referências
CPS. Deliberação CEETEPS Nº 03, de 18 de julho de 2013. Aprova o Regimento
Comum das Escolas Técnicas Estaduais do Centro Estadual de Educação
Tecnológica Paula Souza. Disponível em: <http://www.cpscetec.com.br/>.
Acesso em: 11 nov. 2018.

____. Deliberação CEETEPS Nº 20, de 16-07-2015. Dispõe sobre a atividade de


Professor Coordenador de Projetos Responsável pela Coordenação Pedagógica
nas Escolas Técnicas Estaduais do CEETEPS. Diário Oficial de São Paulo. 18 de
julho de 2015.

LIMA, P.G; SANTOS, S.M. O coordenador pedagógico na educação básica:


desafios e perspectivas. Educere et Educare – Revista de Educação, v. 2, n.4
jul./dez. 2007, p. 77-90.

PLACO, V.M.N.S; ALMEIDA, L.R. O coordenador pedagógico e o cotidiano da


escola. 5ª Edição. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

VASCONCELLOS, C. S. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto


político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2002.
Helena Cibele de Souza Silva
E-mail: helena.silva41@etec.sp.gov.br

Paulo Constantino
E-mail: pconst2@gmail.com