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UFCD 10372 -

Populações
vulneráveis em saúde
mental

1
Definição
A Organização Mundial de Saúde entende a
saúde como "um estado de bem-estar físico,
mental e social, e não apenas a ausência de
doença ou dor". Nesta definição, a "saúde mental"
é entendida como um aspecto vinculado ao bem-
estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar,
trabalhar e de se relacionar com os outros.

2
Como é entendida a definição
Baseada em:

bem-estar
trabalhar

qualidade de vida

e de se relacionar com os outros


capacidade de amar

3
• Medicamente, a Doença Mental pode ser entendida
como uma variação do normal, variação esta, capaz
de produzir prejuízo na pessoa e/ou das pessoas com
quem convive.

4
Prejuízos a nível:

Social
Ocupacional
Familiar
Pessoal

5
Problemas de saúde mental mais frequentes:

• Ansiedade
• Mal-estar psicológico ou stress continuado
• Depressão
• Dependência de álcool e outras drogas
• Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia
• Atraso mental
• Demências

6
Os Mitos e Preconceitos…

7
Consequências:

são muitas vezes incompreendidas, estigmatizadas,


excluídas ou marginalizadas, devido a falsos conceitos,
que importa esclarecer e desmistificar, tais como:

8
• As doenças mentais são fruto da imaginação;
• As doenças mentais não têm cura;
• As pessoas com problemas mentais são pouco
inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis ou perigosas.

9
Consequências:

Estes mitos, a par do estigma e da discriminação


associados à doença mental, fazem com que muitas
pessoas tenham vergonha e medo de procurar apoio ou
tratamento, ou não queiram reconhecer os primeiros
sinais ou sintomas de doença.

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• Ao longo da vida, todos nós podemos ser afetados por
problemas de saúde mental, de maior ou menor gravidade.

A entrada na
A adolescência A menopausa O envelhecimento
escola

Divórcio Desemprego Maternidade

11
• A escola deverá promover a integração das crianças
com este tipo de perturbações no ensino regular.

12
13
Conceitos básicos de saúde mental

14
Do ponto de vista da saúde mental infantil, a
compreensão das etapas de desenvolvimento do ciclo
vital é fundamental, é nela que se estrutura o psiquismo e
se constituem os recursos essenciais numa perspetiva de
evolução.

15
Uma intervenção inicial na promoção de competências
que visem aumentar o bem-estar pode ter efeitos
preventivos importantes, como é o caso do aumento da
auto-estima e da diminuição do comportamento anti-
social.

16
Doente Mental

Fraca relação com o Fatores de risco


grupo ou a pouca familiar: filhos de pais
auto-estima com doença física ou
mental

Origina:
depressões e
comportamento
anti-social

17
A maior possibilidade para que, crianças com
problemas de conduta e perturbações emocionais
mudem o seu comportamento, reside principalmente na
melhoria dos fatores circunstânciais familiares, nas
relações positivas de grupos de pares e nas boas
experiências escolares.

18
As crianças agressivas provocam, muitas vezes,
retaliações e provocações nos outros, o que
incrementa e amplia o desenvolvimento dos seus
problemas anti-sociais, tendo igualmente a
probabilidade de serem rejeitadas pelos pares que são
menos agressivos.
19
vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=2R9JZy-w-44

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21
O Conselho Nacional de Saúde Mental aprova, ainda, nos termos do
Artigo 3° n° 1 do Decreto-lei n° 35/99, de 5 de Fevereiro, as seguintes
Recomendações:

• Seja reconhecida a necessidade de disponibilizar


cuidados de saúde mental às crianças e jovens;

• Seja garantida ás crianças e jovens em situação de


maior vulnerabilidade psicossocial a prioridade no acesso
aos cuidados de saúde mental;

22
• Seja assegurada que a vertente da saúde mental
integre o projeto de vida destas crianças e jovens;

• Seja assegurada uma intervenção integrada através da


criação de uma plataforma transitória que abranja as
áreas da Saúde, Segurança Social e Justiça;

• Seja promovido um plano de formação de saúde


mental, dirigido a todos os agentes educativos e sociais
que atuam junto das crianças e jovens alvo de medidas
de proteção e medidas tutelares educativas;

23
• Seja criada uma rede de serviços de saúde mental e
psiquiatria infantil, e da adolescência, devidamente
apetrechados, em ordem a facilitar o acesso aos cuidados
de saúde e garantir o apoio às famílias e estruturas de
intervenção;

• Seja criada uma unidade residencial de acolhimento


para crianças e jovens que necessitem de
acompanhamento de saúde mental;

• Seja designada a entidade responsável pela criação de


condições jurídicas, técnicas, orgânicas e funcionais que
possibilitem a implementação das presentes
recomendações.
24
• Seja constituída uma comissão permanente de
acompanhamento, composta por representantes dos
ministérios envolvidos, destinada a monitorizar e avaliar
o cumprimento das recomendações propostas.

25
Perspectivas preventivas em saúde mental

Normal Patológico

26
A avaliação de normalidade ou patologia tem pois de ter
em conta três aspetos fundamentais:

• Fase de desenvolvimento em que se encontra a


pessoa

• O local e a cultura

• A época e a circunstância histórica em que ela se


situa

27
Em saúde mental da infância e da adolescência é por
vezes difícil traçar uma fronteira entre o normal e o
patológico. Por si só um sintoma não implica
necessariamente a existência de psicopatologia.

diversos sintomas podem aparecer


ao longo do desenvolvimento
normal de uma criança, sendo
geralmente transitórios e sem
evolução patológica.

28
Por outro lado, o mesmo sintoma pode estar presente nos
mais variados quadros psicopatológicos. Os sintomas
adquirem significado no contexto sócio-familiar e no
momento evolutivo da criança.

Família intolerante, agressivo ou


Família tolerante e
angustiante: síntomas perduram e
tranquilizadora: síntomas tendem
afetam o desenvolvimento da
a diminuir ou desaparecerem.
criança.

29
•Em saúde mental da infância e da adolescência é por vezes, difícil
traçar uma fronteira entre o normal e o patológico.
- Um sintoma não é sinónimo de existência de patologia
- O mesmo sintoma aparece em diferentes quadros;
- O ambiente familiar é determinante para a evolução destes sintomas
(desaparecimento ou agravamento).
-É muitas vezes a causa do seu surgimento.

30
Sintomas normais (inerentes ao
desenvolvimento)

• Surgem no decurso de conflitos inevitáveis e


necessários ao desenvolvimento psicológico da criança.
• Características:

- Transitórios;
- Pouco intensos;
-Restritos a uma área da vida da criança;
- Sem repercussão sobre o desenvolvimento;
- A criança fala neles com facilidade;
-Sem disfunção familiar evidente;

31
Sintomas Patológicos
Características:

- Intensos e frequentes;
-Persistam ao longo do desenvolvimento;
-Causam grave restrição em diferentes áreas da vida da criança;
-Repercussão no desenvolvimento psicológico normal;
-Meio envolvente patológico;
-Desadequados em relação à idade;
-Associação de múltiplos sintomas;

32
Sinais de alerta para referenciação
• Na primeira infância

-Dificuldade na relação mãe/bebé;


-Dificuldade do bebé em se autorregular e mostrar interesse
pelo mundo;
-Dificuldade do bebé em envolver-se na relação com o outro
e em estabelecer relações diferenciadas;
-Ausência de reciprocidade interativa e da capacidade de
iniciar interação;
-Perturbações alimentares graves com cruzamento de
percentis e sem causa orgânica aparente;
-Insónia grave;

33
• Na idade escolar

-Dificuldade de aprendizagem sem défice cognitivo e na


ausência de fatores pedagógicos adversos
-Recusa escolar
-Hiperatividade/agitação (excessiva ou para além da idade
normal e com práticas educativas parentais adequadas);
-Ansiedade, preocupações ou medos excessivos
-Dificuldade em adormecer, pesadelos muito frequentes;
34
- Agressividade, violência, oposição persistente, birras
inexplicáveis e desadequadas para a idade;
-Dificuldades na socialização, com isolamento ou
relacionamento desadequado com pares ou adultos;
-Somatizações múltiplas ou persistentes;

35
Modelo preventivo- fatores de risco

• O risco é deste modo, o resultado da interação dos vários


fatores vivenciados pela criança.

• Fala-se em fatores de risco quando o desenvolvimento da


criança pode ser afetado por um conjunto de causas de
carácter limitativo que originam situações desfavoráveis ao
mesmo.

36
Existem duas categorias principais de “risco”:

- No risco biológico incluem-se crianças com antecedentes


pessoais e familiares preocupantes e que podem sugerir futuros
défices.

A 2º categoria de risco, denominada de risco ambiental, é


aquela em que se incluem as crianças cuja história pessoal e
familiar inclui ambientes familiares alterados ou problemas
sociais graves, que podem estruturar défices, sobretudo de
natureza psicológica.

37
• Centrados na criança (prematuridade, sofrimento
neonatal, défice cognitivo, separação materna precoce.

• Fatores socio-ambientais (pobreza, fragilidade


socioeconómica, desemprego, habitação sobrelotada,
isolamento relacional, internamento da criança numa
instituição…)

• Configuração familiar (separação dos pais, violência,


alcoolismo, desentendimento crónico, doença crónica de um
dos pais…)

38
Criança e família

• A família representa um grupo social primário que


influencia e é influenciado por outras pessoas e
instituições.

39
https://www.youtube.com/watch?v=WBSIROrlPwA
Comentário sobre a família “Não seja refém dos seus filhos”
https://www.youtube.com/watch?v=4zjj1U0B4QA
“Conselhos do que nunca se deve dizer a um filho”
•https://www.youtube.com/watch?v=7w8O9plKWjI
“O que fazer com filhos rebeldes, agressivos”

40
Funções familiares
• Promover o afeto entre os membros da família;

• Proporcionar segurança e aceitação pessoal promovendo o


desenvolvimento pessoal;

• Proporcionar satisfação e sentimentos de utilidade através


das atividades que satisfazem os membros da família;

• Assegurar a continuidade das relações proporcionando


relações duradouras entre os familiares;

• Proporcionar estabilidade e socialização assegurando a


continuidade da cultura da sociedade correspondente;
41
• Geradora de autoridade e do sentimento do que é correto
relacionado com a aprendizagem das regras, normas, direitos
e obrigações caraterísticas das sociedades humanas;

• Uma das suas principais responsabilidades é a educação e


a formação das pessoas. Na família dão-se múltiplas e
exclusivas aprendizagens estruturantes da personalidade, as
quais são fundamentais para a aquisição de outros saberes
mais formais.

• A par disto tudo, está o desenvolvimento da segurança


porque na rede de laços e de relações temos as experiencias
de reencontro, aprendemos a responsabilidade e a
interdependência.
42
• O processo educativo familiar é um composto por mitos e
realidades, ideias, sentimentos e comportamentos, onde os
pais tratam de facilitar o desenvolvimento pessoal e social de
seus filhos, numa missão 24h/dia, sem noites de descanso,
sem férias e com uma duração legal de (pelo menos) 18 anos.

• Entende-se por modelo educativo familiar o conjunto de


crenças, valores, mitos e metas que fundamentam a educação
dos filhos e que se manifestam em normas, estilos de
comunicação, estratégias e regras de comportamento que
regulam a interação dos pais com os seus filhos;

43
Importância da abordagem familiar

• A influência da família e o desenvolvimento das suas


crianças, dá-se, primordialmente, através das relações
estabelecidas por meio de uma via fundamental: a
comunicação, tanto verbal como não-verbal;

44
• O envolvimento da família é crucial durante o tratamento;

- Verificou-se que a implementação de


programas de intervenção familiar ajuda a reduzir o número
de recaídas, melhorando ainda a adesão à terapêutica;

45
ALGUMAS SITUAÇÕES DE RISCO

CARÊNCIA AFECTIVA MATERNA

A teoria do vínculo afetivo foi desenvolvida pelo psicólogo


John Bowlby, e encara o crescimento de uma criança como
resultado do seu relacionamento com os pais.

Na ausência de uma relação próxima com uma figura adulta,


as crianças desenvolvem um fenómeno designado por
hospitalismo.

46
Hospitalismo?

O hospitalismo é um conjunto de perturbações vividas


por crianças institucionalizadas e privadas de cuidados
maternos e caracteriza-se por: atraso no
desenvolvimento corporal, dificuldades na habilidade
manual e na adaptação ao meio ambiente, atraso na
linguagem, menor resistência a doenças e apatia.

47
Contudo, o fenómeno de hospitalismo não acontece
a todas as crianças porque há crianças que, apesar
das circunstâncias negativas, conseguem
desenvolver-se equilibradamente.

48
Fatores de proteção

• Passamos agora a sintetizar os principais aspetos que


favorecem a proteção, os quais podem ser:
• • Individuais
• • Familiares
• • Extra-familiares

49
50
• Os fatores de proteção contribuem assim para a
diminuição do risco e resultam sobretudo da
conjugação eficaz dos suportes familiar e social.

51
Crises de desenvolvimento e crises acidentais

A origem etimológica da palavra crise, vem do grego e


significa decidir e ocorre quando os indivíduos enfrentam
obstáculos aos objetivos considerados relevantes,
obstáculos esses que parecem ser intransponíveis pela
utilização dos métodos comuns de resolução de problemas.

52
CRIANÇA PREMATURA

• No contexto de desenvolvimento normativo da


criança, o nascimento prematuro tem sido
destacado como um fator de elevado risco
biológico, que pode comprometer o
desenvolvimento da criança.

53
• A maioria dos problemas apresentados nas idades pré-
escolar e escolar consiste em dificuldades de aprendizagem,
perturbação de hiperatividade com défice de atenção,
dificuldades na linguagem, comprometimento neurológico e
problemas escolares gerais.

54
CRIANÇA HOSPITALIZADA

• A experiência de hospitalização é fonte de stress e


ansiedade para a maioria das crianças, podendo mesmo
contribuir para um risco acrescido de perturbações de
comportamento e de psicopatologia a médio e longo prazo.

55
• a hospitalização é uma experiência mais perturbadora durante a primeira
infância e período pré-escolar, nomeadamente entre os 6 meses e os 4
anos. Estes estudos tendem a considerar este período como o mais
problemático, e apontam como causas para este facto o tratar-se de um
período em que a separação dos pais, e a própria descontinuidade dos
cuidados educativos, é mais perturbadora.

56
A aproximação atual a esta problemática orienta-se para uma
política que preconiza:

Evitar o internamento hospital sempre que possível


• Reduzir o período de internamento ao mínimo
necessário

57
Organizar o espaço e serviço de pediatria em função das
necessidades globais da criança e da família
• Integrar os pais como participantes informados e ativos
da equipa de saúde

58
• Preparar pais e criança para a hospitalização
• Incentivar a presença de um familiar e a sua
participação ativa nos cuidados à criança
• Acompanhar psicologicamente e educacionalmente a
criança e a família, sempre que possível antes, durante e após
o período de internamento.

59
CRIANÇA DE FAMÍLIA DESMEMBRADA

O divórcio determina sempre mudanças importantes no dia-


a-dia da criança, gerando insegurança e fragilidades.
O efeito do divórcio sobre os filhos depende de vários fatores
como por exemplo:

60
• O modo como decorre a separação e o divórcio. Quantos
mais conflitos e pressões envolverem a criança (antes e
durante o processo de separação e divórcio), mais negativo
será o impacto e mais graves as consequências.

61
• Também um estado de indefinição prolongada (por exemplo
pais separados mas a viver na mesma casa) é fonte de
potenciais conflitos e de angústia para a criança.

62
• A idade da criança:

* A criança pequena tem mais dificuldade em perceber o


que se passa mas sente intensamente a tensão e os conflitos
vividos pelos pais.

63
• com comportamentos de oposição e agressividade, com
atitudes regressivas (aumentando a dependência em relação
aos pais, voltando a fazer chichi na cama) ou com medos,
pesadelos, etc.

64
* A criança de idade escolar é capaz de
compreender melhor a situação, tendendo a reagir
com tristeza, sentimentos de perda ou diminuição do
rendimento escolar.

65
• O adolescente sente-se muitas vezes dividido na
sua lealdade face a cada um dos pais; por vezes
revolta-se, isola-se ou, por outro lado tenta assumir a
responsabilidade e proteger o pai / mãe que sente
estar mais fragilizado.

66
Globalmente os sentimentos mais frequentes na criança são:

Sentimento de perda (de um dos pais, da casa, do seu modo


de vida).

• Insegurança, medo de ficar só e de ser rejeitado ou


abandonado.

• Revolta ou agressividade contra um ou até contra ambos os


pais.

67
Sentimentos de culpa, sentindo-se responsável pela
separação.

•Sentimento de estar “dividido por dentro”, tendo de tomar o


partido de um dos pais contra o outro.
* Desejo de juntar novamente os pais e recuperar a segurança
perdida.

68
SÍNDROME DA CRIANÇA NEGLIGENCIADA
E BATIDA

Todos os pais necessitam de impor regras e podem desta


forma intimidar por vezes a criança. Lidar com birras e
comportamentos difíceis, dizer “não” e impor limites, são
tarefas essenciais dos pais para a educação da criança.

69
• Se os pais estão cansados, tensos ou irritados, podem por
vezes perder o controle, fazer ou dizer coisas de que se
arrependem mais tarde ou até magoar a criança. Se isto
acontece repetidamente, prejudica seriamente a criança e o
seu desenvolvimento.

70
Maus Tratos

Definem-se como prejuízos


graves à criança tanto físicos
como mentais

Podem ser:

* Bater-lhe, “abaná-la” ou magoá-la (maus-tratos


físicos).
• Castigar a criança com demasiada frequência ou
intensidade, ameaçá-la, rejeitá-la ou criticá-la
constantemente (maus-tratos psicológicos).

71
* Interferir de modo intrusivo, seduzir, abusar ou atacar
sexualmente a criança (abusos sexuais).

• Não tratar adequadamente da criança, quer a nível dos


cuidados básicos (alimentação, higiene, repouso, proteção,
educação, saúde), quer nos aspetos afetivos e emocionais (ignorá-la,
não a estimular, conversar ou brincar com ela), (negligência).

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O autor (ou autores) dos maus-tratos é quase sempre alguém próximo e
conhecido da criança, geralmente alguém da família: pai/mãe,
padrasto/madrasta, avós, tios, irmãos, amas ou respetivos familiares,
educadores, professores. É muito raro o mau trato ser causado por
estranhos.

73
Uma criança maltratada fisicamente pode:

• Mostrar-se atenta, constantemente alerta, cautelosa e


desconfiada em relação aos adultos.
• Ter dificuldade em confiar nos outros e fazer amigos.
• Ser inibida, incapaz de brincar ou expressar-se
espontaneamente, colocar-se em posição de ser ameaçada
ou agredida.

74
• Fazer birras, ser agressiva, violenta e ameaçar ou maltratar
outros.
• Mentir, roubar, faltar às aulas e até envolver-se em problemas
com a polícia.
• Ter mau rendimento escolar, falta de concentração e evitar as
atividades em que tem de tirar a roupa (por exemplo
ginástica).

75
Quando abusada sexualmente, a criança
pode:
Mudar subitamente o seu modo de agir (quando o abuso
começa).
Mostrar-se receosa ou assustada perante os contactos físicos.

76
• Usar uma linguagem ou ideias sexualizadas nos jogos e
brincadeiras.
• Recomeçar a urinar ou defecar nas calças ou na cama.
• Ter dificuldade em dormir ou pesadelos frequentes.
• Desenvolver uma doença do comportamento alimentar como
uma anorexia ou bulimia nervosa.

77
• Deixar de cuidar de si, ter uma má imagem de si própria,
deprimir-se ou auto-agredir- se (ou tentar suicidar-se).

• Ter comportamentos de risco, tais como: fugir de casa, ter


comportamentos promíscuos, prostituir-se, consumir álcool ou
drogas.

78
A criança negligenciada ou vítima de maus-
tratos psicológicos, tende a:

* Ter um atraso no seu desenvolvimento (andar, falar e


controlar a urina e fezes tardiamente e ter dificuldade em
aprender).
• Ter problemas alimentares e um atraso de crescimento.
• Ser passiva, apática e pouco espontânea; o seu jogo é
pobre e pouco imaginativo.

79
* Ter carência de afeto
• Ser agressiva e conflituosa nas brincadeiras com outras
crianças da sua idade.

•Ter dificuldade de concentração e aprendizagem na escola.

80
Efeitos negativos futuros

* Muitas das crianças abusadas e maltratadas podem tornar-


se mais tarde pais maltratantes para os próprios filhos.

• Quando chegam a adultos, têm grandes dificuldades no


relacionamento com outros, em particular nas relações mais
próximas, íntimas e de confiança.

* Existe um risco elevado de perturbações tardias:


ansiedade, depressão, abuso de substâncias, doenças
médicas e problemas no meio escolar ou laboral.

81
Como podem ser prevenidas ou diminuídas estas situações e
os seus efeitos negativos para a criança?

Perante uma situação de suspeita de


maus-tratos à criança, a prioridade
será protegê-la de mais abusos e
esclarecer a situação:

82
• O que aconteceu?
• • Poderá acontecer de novo?
• • O que tem de ser feito para proteger a criança?

83
A quem recorrer?

Comissão de Proteção de Crianças e Jovens


em Risco (CPCJ) ou os serviços sociais da
área, para que estudem e se ocupem da
situação.

As linhas telefónicas de apoio à criança (SOS


Criança, Criança Maltratada).

84
Se os maus tratos forem no ceio familiar, o familiar em questão
é abordado para realizar um tratamento, uma análise
psicológica. Se a criança continuar em risco, será retirada à
família. Seguindo para casa de um familiar ou instituição.

85
CRIANÇA PSICOSSOMÁTICA
• são muito frequentes na criança que assim expressa
o seu mal-estar psicológico. Os sintomas mais
frequentes são as dores de barriga, dores de
cabeça, enjoos e vómitos, dores musculares (nos
membros ou nas costas) e cansaço.

86
• Estes sintomas são muitas vezes determinados por situações
de stress ou tensão emocional que afetam tanto o corpo
como a mente e contribuem para a origem e evolução de
algumas doenças e sintomas.

87
Estas queixas são mais frequentes em crianças e adolescentes que:
 Estão nervosos e angustiados, por qualquer motivo.
São muito sensíveis e preocupam-se com os sintomas físicos e a
dor.
 São hipersensíveis, ansiosos, preocupados e perfeccionistas.
Ansiosos e Depressivos.

88
No entanto, nalguns casos, os sintomas podem causar:
Faltas frequentes à escola, levando a situações de insucesso
escolar.
Diminuição da participação em atividades de lazer e no convívio
com amigos.
Manutenção de situações de dependência em relação à família e
atrasos na aquisição da autonomia e maturidade.

89
Tanto os pais como os professores/educadores têm muitas vezes
dificuldade em lidar com estas situações.

Em certos momentos é provavelmente difícil para os pais


saberem qual a atitude mais correta e sensata:

• Quando encorajar ou quando confortar.


• Quando insistir ou quando aliviar a pressão.
90
https://www.youtube.com/watch?v=NY8S1HrqjEo

Mary e Max – Uma Amizade Diferente


Doenças: Asperger, Ansiedade e Depressão

91
. Modelo preventivo - fatores de
equilíbrio e de risco

Os avanços nos domínios da genética e da fisiopatologia, da


clínica e do tratamento das doenças mentais trouxeram
alterações e começaram a focar-se na prevenção dessas
mesmas doenças.

92
As diretrizes da OMS apontam para uma abordagem dos
problemas de saúde mental na infância a partir da perspetiva
da compreensão, da intervenção e da elaboração de políticas
públicas para enfrentar a questão.

93
planear intervenções visando incrementando e
a saúde mental da criança e potencializando serviços de
do adolescente atendimento nesta área

identificando o seu reflexo nas


analisar a complexidade das trajectórias de desenvolvimento
situações adversas e de risco (individual, familiar, escolar,
social e comunitária)

94
São estratégias fundamentais tanto no
âmbito de prevenção dos problemas como
de intervenção.

95
Importância da abordagem familiar

A criança

As crianças interagem a maior parte do tempo com os pais,


porém, existem outras pessoas que desempenham um
importante papel no desenvolvimento global da mesma,
como: os professores, a família, os irmãos, os colegas, entre
outros.

96
Para além disto, há que ter em conta as mudanças que
ocorrem no contexto da vida da criança e que podem
produzir fortes influências no seu desenvolvimento.

Por exemplo:

as mudanças temporárias (como a visita de familiares, de


amigos ou vizinhos a casa; a ida dos pais para o trabalho) as
mudanças mais duradouras (como o nascimento de um bebé,
a separação dos pais).

97
A família

A família desempenha um papel de extrema importância no


desenvolvimento da criança, uma vez que é através desta
que se constroem pessoas adultas com uma determinada
auto-estima e onde estas aprendem a enfrentar desafios e
a assumir responsabilidades.

98
Esta deve assegurar a sobrevivência dos filhos, o seu
crescimento saudável e a sua socialização dentro dos
comportamentos básicos de comunicação.

99
À escola, cabe o papel de desenvolver nas
crianças as suas capacidades físicas, mentais e
afetivas, ajudando-as na formação do seu caráter,
para que se tornem seres éticos, autónomos e
atuantes na sociedade. É nessa etapa que a
criança começa a ter uma aprendizagem mais
relevante no seu desenvolvimento cognitivo.

100
Portanto, tanto as famílias como a escola exercem
papéis importantes e complementares no processo
ensino-aprendizagem da criança.

Torna-se relevante que haja parceria entre ambas,


para que as crianças se desenvolvam e alcancem
uma aprendizagem significativa, estando aptas para
atuarem em sociedade.

101
Vale lembrar que a família é essencial na
formação do sujeito, pois é nela que acontece o
desenvolvimento das primeiras habilidades e
ensinamentos, considerando que é por meio da
educação familiar que este, desde bem pequeno,
aprende a respeitar os outros e a conviver com
regras.

102
Filme
https://www.youtube.com/watch?v=oibfpeRYApU
Em Busca de um Lar

103
FIM

104