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Argumentação

É preciso ter uma tese muito clara a ser defendida pela argumentação. Toda organização do texto e
sua coerência estará subordinada à defesa da tese. É a argumentação que vai justificar o
posicionamento do autor.
Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira convincente, ou seja, de maneira que elas sejam
compreendidas e aceitas pelo leitor ; e isso só acontece quando tais opiniões estão bem
fundamentadas, comprovadas, explicadas, exemplificadas, em suma: bem ARGUMENTADAS
(argumentar= convencer, influenciar, persuadir).
1) A redação deve apresentar-se de maneira IMPESSOAL, OBJETIVA e sem prolixidade ("encher
lingüiça"): a dissertação deve ser elaborada com VERBOS E PRONOMES EM TERCEIRA PESSOA. O
texto impessoal soa como verdade e, como já citado, fazer crer é um dos objetivos de quem
disserta.
2) O elo de ligação entre pontos de vista e argumento se faz de maneira coerente e lógica
através das CONJUNÇÕES (=conectivos); é por isso que as conjunções são chamadas de
MARCADORES ARGUMENTATIVOS.

Fonte: https://www.mundovestibular.com.br/articles/1245/1/COMO-SE-APLICA-CAUSA-E-CONSEQUENCIA-NA-DISSERTACAO-/Paacutegina1.html
Toda argumentação deve ser “de competência linguística”. A “argumentação de
competência linguística” é aquela que adequa a linguagem à situação de uso e ao
interlocutor intencionado (leitor, quer dizer, os corretores da prova). No caso da
redação do ENEM e dos vestibulares no geral, a linguagem esperada é da norma
culta da língua (o que não significa usar palavras difíceis, mas apenas palavras no
seu registro escrito e formal da língua).
Ex.: não use registros orais (“pra”, “tá”), empregue a ortografia aceita pela norma
padrão (apartir, a partir/ concerteza, com certeza), use a concordância que a
gramática apresenta (a maioria foram/ a maioria foi – a maioria das pessoas foram,
a maioria das pessoas foi)
Tipos de argumento
Argumento de autoridade (citação)
A validade da tese é suportada pela credibilidade da palavra de alguém
considerado publicamente autoridade na área. Pode-se também citar um famoso
ou um pensador para se referir a temas menos específicos.
A citação da fonte pode ser feita tanto de forma direta – quando há a transcrição
da citação, utilizando, em geral, as aspas – quanto de forma indireta, quando se
reescreve aquilo que foi dito pela autoridade escolhida.

“O cinema nacional conquistou nos últimos anos qualidade e faturamento nunca vistos
antes. ‘Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’ - a famosa frase-conceito do diretor
Glauber Rocha – virou uma fórmula eficiente para explicar os R$ 130 milhões que o
cinema brasileiro faturou no ano passado”.
(Adaptado de Época, 14/04/2004)
 

“A violência física ou psicológica sofrida muitas vezes em casa reflete no comportamento o jovem
na escola. O desejo de poder e realização é presente em grande parte das vítimas de bullying ou
qualquer outro tipo de agressão, e quando isso ocorre na infância existe bastante probabilidade de
se forma um adulto hostil. De acordo com o educador Paulo Freire no momento em que a educação
não é libertadora, o sonho de quem já foi oprimido é se tornar opressor, no qual se desenvolve um
ciclo de violência, onde a escola é muitas vezes palco e tem negligenciado as vítimas.”
(EFEITOS DO BULLYING NA SOCIEDADE)
Argumento por alusão histórica
Assim como na argumentação por citação, a intertextualidade é uma das intenções
dessa estratégia. Há, além disso, a relação com a argumentação por exemplificação,
uma vez que fatos históricos também são meios que podem comprovar
determinada afirmação/reflexão crítica.

“Cabe mencionar, em segundo plano, quais os interesses atendidos por tal controle de dados. Essa
questão ocorre devido ao capitalismo, modelo econômico vigente desde o fim da Guerra Fria, em
1991, o qual estimula o consumo em massa. Nesse âmbito, a tecnologia, aliada aos interesses do
capital, também propõe aos usuários da rede produtos que eles acreditam ser personalizados.
Partindo desse pressuposto, esse cenário corrobora o termo "ilusão da contemporaneidade"
defendido pelo filósofo Sartre, já que os cidadãos acreditam estar escolhendo uma mercadoria
diferenciada mas, na verdade, trata-se de uma manipulação que visa ampliar o consumo.”
(Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet)
“Ademais, a influência de milhares de usuários se dá pela negligência e abuso de poder
governamental. Durante a Era Vargas, a manipulação comportamental dos brasileiros foi uma
realidade a partir da criação do Departamento de Imprensa e Propaganda que possuía a função de
fiscalizar os conteúdos que seriam divulgados nos meios de comunicação usando o controle da
população.”

“Neste complexo cultural, residem relações de oprimido e opressor, uma vez que, do contrário que
muitos supõem, a miscigenação não torna o país mais inclusivo e igualitário. É preciso averiguá-la
do ponto de vista histórico reconhecendo a violência da origem deste híbrido étnico, a partir da
perspectiva da mulher negra, sendo que muitas delas foram assediadas por seus ‘senhores’ durante
o período escravista.”
Argumento por exemplificação
Baseia-se a tese em exemplos representativos. Consiste no relato de um pequeno fato (real ou
fictício). Esse recurso argumentativo é amplamente usado quando a tese defendida é muito
teórica e carece de esclarecimentos com mais dados concretos.

“Por conseguinte, presencia-se um forte poder de influência desses algoritmos no comportamento da coletividade
cibernética: ao observar somente o que lhe interessa e o que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar
consumindo as mesmas coisas e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da
série televisiva Black Mirror, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em
estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as que a máquina indicava – tornando o usuário passivo na
escolha. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores da Escola de Frankfurt:
produzir conteúdos a partir do padrão de gosto do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo,
facilmente atingível.”
(Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet)
“[...] Mesmo as mais ilustres personalidades negras no perfil literário nacional são representadas como
brancas ou mestiças, como é o caso do escritor Machado de Assis, ou não são tão largamente reconhecidos,
com pouca visibilidade, como é o caso dos literatos José do Patrocínio, Cruz e Souza e Lima Barreto.”
(CAMINHOS PARA COMBATER O RACISMO NO BRASIL)

“Muitas mulheres negras não têm os mesmos questionamentos que mulheres brancas, já que suas
reivindicações são mais basilares, como no caso da personagem Ponciá Vicencio, do livro homônimo de
Conceição Evaristo, que [...]”

“Precisamos enfatizar que a violação das convenções sociais, além de configurar um desvio de conduta, está
na contramão dos ideais igualitários desejados por todos. Situações encaradas como parte do cotidiano se
mostram nocivas e contribuem para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. A banalização de
atos egoístas e transgressores, como furar filas, burlar blitz da lei seca, dar ou aceitar troco errado e comprar
produtos falsificados, legitima a aceitação de grandes corrupções que de tempos em tempos vêm à tona nos
noticiários.”
(O Jeitinho Brasileiro em Discussão no Século XXI)
Contra-argumento
A contra-argumentação nada mais é do que contestar e derrubar o argumento
opositor. É uma espécie de "feitiço virou contra o feiticeiro", ou seja: eu uso o
argumento opositor ao meu favor, derrubando-o. É evidente que, para usá-lo, você
precisa ter a mente mais aberta e se imaginar a posição contrária ao da sua, pois
você precisa refutar os argumentos contrários aos da sua opinião. Você ataca a
opinião contrária. 
O contra-argumento consiste na refutação contra um argumento oposto. Como
assim?
Vamos pegar um exemplo bem polêmico. Supondo que o tema seja a respeito do
"aborto" e que eu seja contra ele. Ao invés de eu expressar argumentos contra o
aborto, eu posso expressar os argumentos contra os argumentos a favor do aborto.
Argumento a favor do aborto: "o aborto é uma solução para a gravidez
indesejada que evita que uma criança nasça em meios a graves
problemas familiares, evitando que ela não seja criada por pessoas que
não quiseram concebê-la". 
Contra-argumento: "o aborto realmente pode parecer uma solução
para a gravidez indesejada. Porém, existe uma solução muito melhor,
que são os eficazes e conhecidos métodos anticoncepcionais. É muito
melhor se prevenir com responsabilidade do que assassinar uma vida
inocente." 
“Existe uma solução muito melhor do que o aborto, que são os eficazes e conhecidos métodos
anticoncepcionais. É muito melhor se prevenir com responsabilidade do que ter de recorrer a esse
método invasivo. Contudo, muitos casais não tem acesso a políticas de educação sexual e a informação
tanto da possibilidade de uso dos métodos, quanto da gratuidade deles pelo SUS, não chega a essas
pessoas. Desse modo, muitas mulheres sem acesso a essas informações, por não poderem arcar com
uma gravidez, recorrem ao aborto clandestino e correm risco de vida. Frente a esse risco e ao número
exorbitante de mortes de mulheres devido ao procedimento, como reforça recorrentemente o médico
Dráuzio Varella, o aborto é uma questão de saúde pública."

“A legalização da maconha poderia ampliar seu acesso e não acabaria com o tráfico, já que o tráfico
sempre oferece meios, ainda que perigosos, mais facilitados para o consumo da droga e promete
preços mais baixos, a despeito da qualidade duvidável. No entanto, é comprovado que após a
legalização em muitos países, como nos EUA, o tráfego sofreu uma queda drástica, devido às políticas
governamentais. Além disso, a fiscalização impede, como muitos poderiam inferir, que o uso seja
desmedido e atinja menores de idade.”
Argumento de senso comum ou de consenso
A justificativa para defesa da tese é um princípio, ou seja, uma crença aceita como
verdadeira e de validade universal, a partir de constatações lógicas, científicas,
éticas. É o argumento que traz uma afirmação que representa consenso geral,
incontestável. São mais utilizados quando se quer defender um ponto de vista, uma
opinião, um argumento que é massificado; ninguém irá apelar contra, pois é
conhecido universalmente.
Assim, quando afirmamos que o investimento em educação é necessário para o
desenvolvimento de um país, trata-se de um consenso. Todos nós pensamos da
mesma forma.
“pois o desenvolvimento sustentável é necessário para o crescimento econômico sem danos
ambientais [...]”
Argumento por evidência (ou por comprovação)
Justifica-se a defesa feita da tese por evidências (provas concretas, pesquisas, fatos): dados quantitativos
– estatísticos (sempre citar fonte) - ou generalistas. Podemos usar “fatos notórios” (de domínio público).
Os textos jornalísticos são os que mais utilizam esse recurso. Esses dados podem vir de levantamentos
estatísticos, relatórios e pesquisas. No entanto, para um argumento ter força e credibilidade, a fonte
usada deve ser confiável.

“São expedientes bem eficientes, pois, diante de fatos, não há o que questionar... No caso do Brasil, homicídios estão
assumindo uma dimensão terrivelmente grave. De acordo com os mais recentes dados divulgados pelo IBGE, sua taxa mais
que dobrou ao longo dos últimos 20 anos, tendo chegado à absurda cifra anual de 27 por mil habitantes. Entre homens
jovens (de 15 a 24 anos), o índice sobe a incríveis 95,6 por mil habitantes”.
 (Folha de S. Paulo. 14/04/2004)

“Diante disso, cabe a pergunta: Será que a globalização possibilitou a disseminação de tecnologias voltadas à área da saúde
de forma igualitária? No ano de 2014, houve o maior surto de ebola na África, culminando na morte de milhares de pessoas,
que por falta de saneamento básico e boas condições financeiras morreram a míngua. Assim, a globalização não possibilitou
o acesso igualitário à saúde, visto que medidas profiláticas poderiam ser utilizadas, caso a população tivesse como arcar com
as contas.”
(SAÚDE GLOBAL EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO)
 “Vale acrescentar que o círculo do bullying possui também as testemunhas, que na maioria dos
casos não interfere e de certa maneira contribui, às vezes essas pessoas são profissionais da
educação que jamais receberam uma capacitação para lidar com essas situações. Somado a isso, a
ausência de psicólogos dentro das instituições de ensino, só tornam mais evidente a falta de
assistência à vítima. Os jovens que sofrem bullying em alguns casos desenvolvem problemas
emocionais e mentais como depressão e suicídio. A prova disso é que segundo a Fundação Oswald
Cruz (Fiocruz), o bullying é a principal causa de autodestruição entre os adolescentes no Brasil.”
(EFEITOS DO BULLYING NA SOCIEDADE)

As estatísticas explicitam a queda brusca na ocorrência de óbitos decorrentes de acidentes de


trânsito depois da entrada da Lei Seca em vigor. A proibição absoluta do consumo de álcool antes
de se dirigir e a existência de diversos pontos de fiscalização espalhados pelo país tornaram
menores as tentativas de burlar o sistema. Dessa forma, em vez de fugirem dos bafômetros e dos
policiais, os motoristas deixam de beber e, com isso, mantêm-se aptos a dirigir sem que
transgridam a lei.
(EFEITOS DA IMPLANTAÇÃO DA LEI SECA NO BRASIL)
Argumento por comparação (analogia)
Defende-se a tese por meio de semelhanças entre uma situação citada e a situação
tratada no texto.
“Em relação à violência dos dias atuais, o Brasil age semelhante a uma noiva abandonada no altar:
perdida, sem saber para aonde ir, de onde veio e nem para onde quer chegar. E a questão que fica é
se essa noiva largada, que são todos os brasileiros, encontrará novamente um parceiro, ou seja, uma
nova saída para o problema.”

“É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma o controle de dados na internet permite a
manipulação do comportamento dos usuários. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso
crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento.
Sob esse âmbito, a internet usufrui dessa vulnerabilidade e, por intermédio de uma análise dos sites
mais visitados por determinado indivíduo, consegue rastrear seus gostos e propor notícias ligadas aos
seus interesses, limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com
a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo
defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a
qual encontra-se sujeitado - neste caso, a manipulação.”
“Ademais, a influência de milhares de usuários se dá pela negligência e abuso de poder
governamental. Durante a Era Vargas, a manipulação comportamental dos brasileiros foi uma
realidade a partir da criação do Departamento de Imprensa e Propaganda que possuía a função de
fiscalizar os conteúdos que seriam divulgados nos meios de comunicação usando o controle da
população. Nos dias atuais, com o auxílio da internet, as pessoas estão mais expostas, uma vez que
o governo possui acesso aos dados e históricos de navegação que possibilitam a ocorrência de uma
obediência influenciada como ocorreu na Era Vargas.”
Argumento por causa e consequência
A tese é aceita por ser uma causa ou consequência dos dados
apresentados.
*As relações de causa e consequência podem ser utilizadas em apenas
um parágrafo ou nos dois parágrafos do desenvolvimento. Neste caso,
um dos parágrafos apresentaria a causa e o outro, a consequência.
“Não existem políticas públicas que garantam a entrada dos jovens no
mercado de trabalho. Assim, boa parte dos recém-formados numa
universidade está desempregada ou subempregada. O desemprego e o
subemprego são uma consequência necessária das dificuldades que os
jovens encontram de ingressar no mercado de trabalho.”
“Embora seja essencial à formação do representante olímpico, no Brasil, amparo financeiro não faz
parte do cotidiano dos nossos atletas. A exemplo disso, muitos dos nossos atletas, ao longo de suas
carreiras, precisam apelar para ‘vaquinhas online’ e ajuda de amigos e familiares para se manterem
no esporte. Essa falta de estabilidade reflete no desempenho do atletas nas suas competições, o
nadador César Cielo, por exemplo, não conquistou sua vaga olímpica justamente por estar
enfrentando uma má fase fruto da inconstância na sua carreira devido às dificuldades financeiras
[que tipo de argumentação é esta?]. Dessa maneira, vê-se que, muito mais que apenas conquistar
medalhas, um atleta olímpico merece ser reconhecido como um profissional cujas necessidades
financeiras devem ser supridas por um salário mensal muito superior ao ‘bolsa – atleta’ atual, que
desmerece o esforço do representante [conclusão da tese que reforça sua relevância]”

“Ao se desesperar num engarrafamento em São Paulo, daqueles em que o automóvel não se move
nem quando o sinal está verde, o indivíduo deve saber que, por trás de sua irritação crônica e
cotidiana, está uma monumental ignorância histórica. São Paulo só chegou a esse caos porque um
seleto grupo de dirigentes decidiu, no início do século, que não deveríamos ter metrô. Como cresce
dia a dia o número de veículos, a tendência é piorar ainda mais o congestionamento – o que leva
técnicos a preverem como inevitável a implantação de perigos.”
(Adaptado de Folha de S. Paulo. 01/10/2000)
Técnica da bilateralidade
• A técnica de bilateralidade é utilizada, geralmente, em temas complexos
que exigem não apenas um posicionamento contra ou a favor de alguma
prática, mas uma análise de prós e contras que levará a uma valorização de
atitudes positivas e crítica das negativas.
• Observe um exemplo em que o autor enaltece a importância dos limites da liberdade
de expressão quando se trata de estigmatizar minorias, em relação ao tema:
“Liberdade de expressão – limites do humor e a intolerância”.
• “Por um lado, a satirização e ironia de certos indivíduos, grupos ou situações não deve
ser feita quando o propósito é apenas a estigmatização de certos “alvos” para a
obtenção de “vantagens” pelo emissor desse humor. Esse tipo de circunstância
acontece provavelmente entre alguns humoristas, que com o propósito único de divertir
várias plateias e, com isso, ganhar notoriedade e melhorar financeiramente, ofendem,
xingam e criam estereótipos de, principalmente, certos grupos minoritários.”
• Posteriormente, ele faz a relação de causa e consequência, comprovando de que
maneira a ausência de limites no humor gera danos, comprovando a reflexão anterior:
• “Essa atitude é extremamente negativa para essas minorias, pois com esse tipo de humor
inferiorizador cria-se, na sociedade, visões pejorativas e fixas sobre os alvos dessas piadas, fazendo
com que se sintam ofendidos e segregados da coletividade geral. Um exemplo de como isso é
presente atualmente é o caso do humorista Rafinha Bastos, que mesmo sendo processado inúmeras
vezes por suas piadas ofensivas, nega os danos causados e alega “animus jocandi”, ou seja, segundo
ele – e muitos outros humoristas, suas intenções eram apenas de divertir seu público.”
• No parágrafo seguinte, em contrapartida, o autor demonstra de que maneira a liberdade de
expressão pode ser usufruída para a reflexão por meio do humor:
• “Já por outro lado, o humor mostra-se como uma ferramenta viável para o entretenimento quando
seus propósitos vão além das fáceis piadas discriminatórias. Nesse sentido, muitos artistas tentam
promover, através da comicidade, uma visão crítica de aspectos negativos de nosso cotidiano,
utilizando-se do humor como um meio de, sobretudo, fazer os indivíduos pensarem.”
• Logo, partindo do humor como meio de reflexão, o vestibulando justifica o seu posicionamento por
meio de um exemplo:
• “Dessa forma, esse tipo de “humor reflexivo”, além de proporcionar o divertimento, também motiva
os cidadãos a buscarem por mudanças em fatos adversos à vida em coletividade. Por conta desses
tantos pontos positivos, essa maneira de se fazer o humor tem se tornado preferência de muitos
públicos, como o exemplo do canal humorístico ‘Porta dos Fundos’, que é o que possui mais inscritos
no Youtube no país dos brasileiros.”
• Assim, o autor abordou tanto a necessidade de limites para a liberdade de expressão quanto o uso
benéfico do livre discurso para o humor, mostrando que ambas as práticas coexistem em sociedade.
Exercícios
(UERJ – 1º Exame de Qualificação 2010)
                Juventude e participação
Inicialmente, gostaria de destacar que toda avaliação é feita a partir de uma comparação. Neste caso, essa comparação
poderia ser feita em duas direções. Uma delas em relação a outras faixas etárias e a outra em relação à juventude de
épocas passadas. Em relação à primeira dimensão, me parece que o comportamento político da juventude não seja
diferente do de outras faixas etárias. Os que avaliam como baixa a participação política da juventude atual não podem
afirmar que seja diferente da participação política das outras faixas. Existem parcelas da população passivas (e entre
elas há jovens e também adultos), assim como existem parcelas da população com alta taxa de participação política, e
entre elas podemos igualmente identificar jovens e adultos.
Logo, uma comparação entre faixas etárias não nos leva a concluir que seja baixa a participação política da juventude.
(...) 
A grande diferença está nos meios de que dispõem os jovens para desenvolver sua consciência crítica ou para
manifestar sua postura política. Aí, sim, registramos mudanças radicais em relação a outras épocas.
Atualmente, os jovens têm acesso aos meios de comunicação que permitem ampliar a velocidade e a abrangência da
transmissão de ideias, o que favorece facilidades nunca antes disponíveis para a pressão política da juventude.
A minha resposta pode parecer otimista e tenho plena consciência de que ela é. Os jovens  da atualidade não são
diferentes dos jovens de outras épocas, aceitam ou rechaçam valores, assumem ou não atitudes políticas com a mesma
postura dos jovens do passado a diferença não está no grau e sim  na forma. Não muda o caminho, muda a forma de
caminhar.
(LUÍS DE MOURA – Adaptado de www.cipo.org.br) 
A argumentação do autor se pauta pela cautela, combatendo principalmente os
discursos que fazem generalizações apressadas. A frase do texto que melhor
comprova essa afirmativa está indicada em: 
(A) “Os que avaliam como baixa a participação política da juventude atual não
podem afirmar que seja diferente da participação política das outras faixas.”
(B) “O comportamento juvenil expressa as tendências gerais da sociedade como
um todo.”
(C) “A grande diferença está nos meios de que dispõem os jovens para
desenvolver sua consciência crítica ou para manifestar  sua postura política.”
(D) “Atualmente, os jovens têm acesso aos meios de comunicação que permitem
 ampliar a velocidade e a abrangência da transmissão de idéias, o que oferece
facilidades nunca antes disponíveis para a expressão política da juventude.”
Os textos que defendem uma opinião possuem diversos mecanismos
para garantir sua eficácia ou poder de convencimento. Pode-se dizer
que a estrutura geral do texto contribui para sua eficácia
argumentativa porque
(A) Detalha e comenta certos aspectos encontrados em outros textos
(B) Analisa e critica a opinião apresentada ao final pelo próprio autor
(C) Descreve e exemplifica um fenômeno definido como objeto de
análise
(D) Desconstrói algumas opiniões  cristalizadas pela sociedade  
Respostas
Respectivamente:
• Letra A. O autor por meio de comparações reafirma a sua tese de que os
jovens de hoje participam politicamente do processo político. A
juventude é atuante, apresenta consciência crítica como é a tendência
da sociedade em geral.  Dessa forma, considera falsos os discursos que
têm como argumento “generalizações apressadas.”

• Letra D. O autor, a partir de provas concretas, apresenta informações e


fatos consistentes para a desconstrução do pensamento inequívoco de
alguns membros da sociedade.  

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