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Direito do

Consumidor

Professora: Tatiana Antunes

 Publicidade Clandestina e
 Publicidade Enganosa no CDC
Breve conceito sobre

Direito do Consumidor
Conceito:  é o ramo do direito que lida com as relações jurídicas entre
fornecedores de bens e serviços e seus consumidores.
 Tem por objetivo assegurar que os consumidores obtenham acesso a
informações quanto a origem e qualidade dos produtos e serviços; assegurar
proteção contra fraudes no mercado de consumo; garantir transparência a
segurança para os usuários dos bens e serviços e harmonizar as relações
consumo por meio da intervenção jurisdicional.O direito do consumidor também
assegura que o consumidor possa recorrer ao judiciário para a prevenção e
reparação de danos patrimoniais decorrentes na falha no fornecimento de bens
e prestação de serviços para o consumidor final.
Publicidade Clandestina

 Conceito: Segundo o Código de Defesa do Consumidor, a publicidade
deve ser veiculada de modo que as pessoas a identifiquem, fácil e
imediatamente, como tal. Caso contrário, ela é tida como clandestina.

 Exemplos: Uma marca que aparece em algum programa, e ali não


está explicito que é propaganda.
Publicidade Enganosa

Conceito: É enganosa toda a publicidade que não reflete a verdade, ou que omite
informações.

Exemplos: A publicidade enganosa omissiva


Pode ser considerada dano moral e se caracteriza como responsabilidade da empresa.
Um exemplo é quando um consumidor passa mal porque não pode consumir glúten e adquire um
produto que não informou que havia essa proteína na sua composição.

Outro Exemplo: A Red Bull também não escapou da lista com exemplos de propaganda
enganosa.
Esse case, aliás, merece atenção. Aqui não falaremos de detalhes, mas de elementos bastante
significativos!
Bom, não é ético prometer resultados que jamais se tornarão realidade, como dar “asas” e
capacidade de voar aos consumidores.
O popular energético Red Bull fez exatamente isso, publicidade que lhe custou nada menos o
prejuízo de US$ 13 milhões em indenizações.
EMENTA - RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO


INDENIZATÓRIA. PROPAGANDA ENGANOSA. COGUMELO DO SOL.
CURA DO CÂNCER. ABUSO DE DIREITO. ART. 39, INCISO IV, DO CDC.
HIPERVULNERABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS
MORAIS. INDENIZAÇÃO DEVIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL
COMPROVADO. 1. Cuida-se de ação por danos morais proposta por
consumidor ludibriado por propaganda enganosa, em ofensa a direito
subjetivo do consumidor de obter informações claras e precisas acerca de
produto medicinal vendido pela recorrida e destinado à cura de doenças
malignas, dentre outras funções. 2. O Código de Defesa do Consumidor
assegura que a oferta e apresentação de produtos ou serviços propiciem
informações corretas, claras, precisas e ostensivas a respeito de
características, qualidades, garantia, composição, preço, garantia, prazos de
validade e origem, além de vedar a publicidade enganosa e abusiva, que
dispensa a demonstração do elemento subjetivo (dolo ou culpa) para sua
configuração.
 3.A propaganda enganosa, como atestado pelas instâncias ordinárias,
tinha aptidão a induzir em erro o consumidor fragilizado, cuja conduta


subsuma-se à hipótese de estado de perigo (art. 156 do Código Civil).
4. A vulnerabilidade informacional agravada ou potencializada,
denominada hipervulnerabilidade – TITULO DE CAPITALIZAÇÃO
QUE PROMETE AO APLICADOR A AQUISIÇÃO DE BEM. Obrigação
de cumprir a oferta  caracteriza publicidade enganosa aquela que
induz o consumidor a erro, fazendo crer que ao final do plano,
adquirira veiculo 0Km. Isso ocorrendo, deve o anunciante e aqueles
que endossaram  a promessa (no caso a Montadora) cumprir o
prometido. DESCUMPRIMENTO CONTRATUTAL – DANO MORAL –
Cabível a indenização por dano moral em caso de descumprimento
contratual, já que o inadimplemento causa no credor transtorno, abalo,
aborrecimento, sentimentos passiveis de serem indenizados
RECURSO PROVIDO EM PARTE.
 Jurisprudências; do consumidor, prevista no art. 39, IV, do CDC, deriva do
manifesto desequilíbrio entre as partes. 5. O dano moral prescinde de
prova e a responsabilidade de seu causador opera-se in reipsa em virtude
do desconforto, da aflição e dos transtornos suportados pelo consumidor.


6. Em virtude das especificidades fáticas da demanda, afigura-se razoável
a fixação da verba indenizatória por danos morais no valor de R$
30.000,00 (trinta mil reais). 7. RECURSO ESPECIAL PROVIDO”.
5.3 Processo: APL 7180510400 SP
Órgão Julgador: 11ª Câmara de Direito Privado
Publicação: 16/10/2008
Julgamento: 03 de Outubro de 2008
Relator: Paulo Jorge Scartezzini Guimarães
EMENTA: APELACAO - INDENIZAÇÃO PUBLICIDADE ENGANOSA
RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E
MATERIAIS - RELAÇÃO DE CONSUMO - PUBLICIDADE ENGANOSA -
OMISSÃO DE INFORMAÇÕES - PREJUÍZOS AO CONSUMIDOR - DEVER


DE INDENIZAR PELOS DANOS MATERIAIS E MORAIS - RECURSO
PROVIDO. Hipótese: Trata-se de ação de indenização por danos morais e
materiais decorrentes da publicidade enganosa realizada por instituição de
ensino, que ofertou ao consumidor o curso de Comércio Exterior, em
desacordo com Resolução do Ministério da Educação, o que ensejou,
posteriormente, na realocação do aluno no curso de Administração de
Empresas, sem chances de o acadêmico prosseguir com a formação
originariamente almejada. 1. O artigo 37, caput, do CDC proíbe
expressamente a publicidade enganosa, vale dizer, aquela que induz o
consumidor ao engano. 1.1. Se a informação se refere a dados essenciais
capazes de onerar o consumidor ou restringir seus direitos, deve integrar o
próprio anúncio/contrato, de forma clara, precisa e ostensiva, nos termos do
artigo 31 do CDC, sob pena de configurar publicidade enganosa por omissão.
Precedentes. 1.2. Na hipótese, a ausência de informação acerca do teor da
Resolução 4/2005/MEC, a qual prevê a extinção do curso de administração
em comércio exterior, dados estes essenciais sobre o produto/serviço
fornecido pela demandada, configura a prática de publicidade enganosa por
omissão.

2. A situação vivenciada pelo autor, em razão da omissão na publicidade do
curso pela instituição de ensino, ultrapassou a barreira do mero
aborrecimento, porquanto atentou contra o direito do consumidor de não ser
enganado, por criar falsas expectativas de obter um título de graduação que,
ante as condições concretas do caso, jamais terá como obter, gerando
angústias e frustrações passíveis de ser indenizadas. Danos morais
caracterizados. 3. As despesas com matrículas e mensalidades do curso, do
qual o recorrente desistiu por não ter interesse na graduação em
Administração de Empresas, merecem ser indenizadas a título de danos
materiais. 4. Recurso especial conhecido e provido.
(STJ - REsp: 1342571 MG 2011/0224968-5, Relator: Ministro MARCO BUZZI,
Data de Julgamento: 07/02/2017, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 16/02/2017)
Conclusão

 A publicidade é um processo de cooptação, com intenção argumentativa. É prática admitida pelo
direito desde que não se configure a publicidade enganosa ou abusiva. Os recursos tendentes ao
convencimento do destinatário da mensagem, no entanto, devem se limitar ao seu conteúdo e não ao
modo de empregá-los.
 Como a mensagem é persuasiva, deve ser identificada como tal desde logo, nos termos do artigo 36
do Código de Defesa do Consumidor. Trata-se de norma que deriva da boa-fé objetiva e determina
deveres de lealdade e transparência entre as partes, originando-se para o fornecedor o dever de
caracterizar a publicidade. Há necessidade de se distinguir em determinado veículo de comunicação
a publicidade do restante de sua programação editorial, o que possibilita ao destinatário que se
previna e resista aos argumentos. A lei brasileira admite o assédio honesto e declarado ao
consumidor, rechaçando a clandestinidade. O anunciante pode utilizar métodos de persuasão, mas
não pode esconder seu emprego.
 O Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária, em seu artigo 28, traz a necessidade de
identificação da publicidade, que deve ser fácil e imediata, ou seja, realizada sem esforço ou exigência
de capacitação técnica. Quando isso não ocorre, não é somente o consumidor que é enganado,
havendo também fraude à lei, pois a falta de identificação possibilita a transgressão de regras.
 A identificação da publicidade como tal retira parte da credibilidade da mensagem e isso leva alguns
anunciantes a mascará-la. Há, dessa forma, espécies de procedimentos que configuram violação ao
princípio da identificação.
Equipe

 Erick Lopes Dias
 Elaine F Nunes Santos 
 Dominique Nicolacci Mota
 Karoline Alves Souza
 Laura Karinne 
 Rafael Vinícius 
 Reinaldo do Carmo 
 Tamara Lopes Pereira
 Wanderson Coutinho Santos

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