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INADIMPLEMENTO DAS

OBRIGAÇÕES
CONCEITO:  

Para Antunes Varela o inadimplemento é

“a situação objetiva de não realização da prestação debitória”.


CLASSIFICAÇÃO DO
INADIMPLEMENTO
CONCEPÇÃO CONCEPÇÃO
CLÁSSICA: CONTEMPORÂNEA:

EFEITOS: • ABSOLUTO IMPUTÁVEL


E NÃO IMPUTÁVEL; definitivo
- ABSOLUTO E RELATIVO
(MORA) • RELATIVO IMPUTÁVEL
(MORA) mero atraso

CAUSA: NÀO IMPUTÁVEL

- IMPUTÁVEL E • VIOLAÇÃO POSITIVA DO


CONTRATO cumprimento
- NÃO IMPUTÁVEL AO
defeituoso
DEVEDOR
1. INADIMPLEMENTO
ABSOLUTO
Caracterização: Decorre de impossibilidade ou da falta de interesse de
credor em aceitar a prestação, quando esta se apresenta ainda possível.
(389) devedor culpado indenizará os prejuízos;
• a) Da impossibilidade: A impossibilidade ocorre quando existe
“obstáculo invencível ao cumprimento da obrigação, seja de ordem
natural ou jurídica”. Natural: perecimento; Jurídica: coisa fora do
comércio – foi tombada, por exemplo;

Atenção: a impossibilidade deve ser superveniente, tendo em vista


que a impossibilidade originária nulifica o negócio jurídico
• b) Falta de interesse prestação não interessar mais ao credor
(inutilidade da prestação);
1.a) Inadimplemento absoluto inimputável ao devedor

Quando ocorre a impossibilidade superveniente


inimputável ao devedor, a relação obrigacional extingue-
se ipso iure. Como conseqüência, o devedor libera-se de
sua obrigação e não se encontra adstrito ao pagamento
de perdas e danos, conforme artigo art. 396 do diploma
civil.
CONSEQUENCIAS DO Inadimplemento absoluto
imputável ao devedor

• Como não há possibilidade de cumprimento só cabe uma alternativa:

• Pedir a resolução contratual, art. 475 do CC/2002, cumulada como


perdas e danos de acordo com o artigo (389);
2. Do inadimplemento
relativo

Conceito: No inadimplemento relativo a


prestação a que o devedor estava adstrito,
mesmo após o inadimplemento, continua
despertando o desejo do credor, ou seja, a
prestação continua útil para o credor. O
inadimplemento relativo divide-se em mora
e impossibilidade temporária.
2.1) Mora (IMPUTÁVEL)
Art. 394.” Considera-se em mora o devedor que não efetuar o
pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e
forma que a lei ou convenção estabelecer.”

Conceito: A mora é a espécie de inadimplemento relativo decorrente


de atraso culposo do devedor; ou decorrente de recusa do credor em
receber a coisa no tempo, lugar e forma convencionados ou
estabelecidos pela lei.

Requisitos de configuração: a) o retardamento do pagamento ou


pagamento imperfeito – lugar e forma diversa do convencionado ou
previsto em lei; b) conduta culposa; c) utilidade ou interesse da
prestação (395);decorrente
Espécies de mora

• Mora do devedor (solvendi ou debitoris): remanesce proveitosa ao


credor;
• - Mora ex re : É automática. Ocorre com o simples descumprimento da
obrigação. É a regra. Não exige notificação. (boleto em geral, atrasou
o pagamento, já incide os efeitos da mora) Art. 397 e 398
• Mora ex persona  não é automática. Exige notificação, pois não há
termo para o adimplemento da obrigação. É o caso do parágrafo único
do 397. (contrato sem prazo de conclusão);
• Mora do credor (mora accipiendi ou creditoris): 394 quando se
recusa a receber a prestação;
Consequência da mora
• Quando da ocorrência da mora (imputável), o credor poderá:

• a) executar o contrato (exigir o cumprimento) para forçar o


devedor a prestar, sempre com a possibilidade de cumulação do
pedido de perdas e danos. (395);
• b) resolver o contrato + perdas e danos;
Efeitos da mora do devedor
• Art. 395 - o devedor ou os devedores respondem por todos os
prejuízos causados, mais juros de mora, correção monetária e
honorários de advogado.
- Se previsto em contrato cabe ainda cláusula penal.

Atenção: responsabilidade pelo risco da destruição da coisa,


durante o período de mora:

Art. 399. “O devedor em mora responde pela impossibilidade da


prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de
força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação
fosse oportunamente desempenhada”.
Purgação da mora
• Purgar ou emendar significa neutralizar seus efeitos
com a oferta da prestação
• Art. 401 – Corrente tradicional diz ser possível até o
ajuizamento da ação; outros até o prazo da defesa;
Outros defendem que enquanto o credor aceitar.
• Locação – até 15 dias após a citação – desde que não
tenha utilizado nos 24 meses anteriores (para não
caracterizar abuso de direito)
2.2 Impossibilidade temporária
(inimputável)

A prestação se torna impossível momentaneamente, porém, tem


como ser cumprida e ainda interessa ao credor.

Ex. Entrega de 30 caixas de uva. Em razão das chuvas atrasa a


colheita, o inadimplemento é relativo.

Entregar 50 caixas de leite, em razão da greve, atrasa a entrega.

 
• Atenção: Verificar sempre o ponto de mutação: é o ponto em
que o inadimplemento relativo se torna absoluto.
VIOLAÇÃO POSITIVA DO
CONTRATO
“pode-se definir a violação positiva do contrato como o
inadimplemento decorrente do descumprimento culposo de
dever lateral, quando este dever não tenha uma vinculação
direta com os interesses do credor na prestação”. (Jorge
Cesa Ferreira da Silva)

• Enunciado 24 CJF: “em virtude do princípio da boa-fé,


positivado no artigo 422 do novo Código Civil, a violação
dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento,
independente de culpa.”
CONFIGURAÇÃO DA
VIOLAÇÃO POSITIVA
1) Casos em que existe o adimplemento do dever jurídico
obrigacional principal, mas há violação dos princípios
anexos como a boa-fé objetiva, o dever de informar, o
de cooperar;

2) Situação em que além do inadimplemento do dever


jurídico obrigacional, ainda causa dano maior aos
princípios anexos (ex: entrega de maças podres que
acabarão estragando as demais; animal doente que acaba
pestiando parte da rebanho.).
Configuração
3) Contratos de trato sucessivo. A mora neste caso pode tanto
gerar o dever de reparar os danos quanto resolver o contrato, além
disso pode abalar o dever de confiança em relação ao
adimplemento de prestações futuras que é exatamente o que
configura a violação positiva do contrato.

4) Quebra antecipada do contrato – se a outra parte dá indícios de


que não irá cumprir o contrato no seu tempo ou por recusa
expressa (lesão do dever de confiança); se em relação ao
inadimplemento se portar contrariamente ao deveres anexos ou
laterais – configurará a violação positiva.
• A primeira situação é do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e envolve ocultação de
informação substancial dos alunos, em relação a alteração de limites de integralização de carga
horária. 
• DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. ENSINO SUPERIOR. VIOLAÇÃO POSITIVA
DO CONTRATO. DEVER DE INFORMAÇÃO. BOA-FÉ OBJETIVA. FUNÇÃO
INTEGRADORA. DANOS MORAIS. SUPERVENIENTEMENTE ALTERADOS OS
LIMITES MÍNIMOS PARA A INTEGRALIZAÇÃO DA CARGA HORÁRIA POR ATO DO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, CUMPRIA À INSTITUIÇÃO DE ENSINO, EM
OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ E AO DEVER ANEXO DE
INFORMAÇÃO, COMUNICAR IMEDIATAMENTE AOS DISCENTES, TENDO EM
VISTA TRATAR-SE DE SUBSTANCIAL MODIFICAÇÃO CONTRATUAL.
• Gera violação positiva do contrato a ocultação desta circunstância por mais de dois anos,
acarretando a frustração das legítimas expectativas dos autores em colar grau na data inicialmente
anunciada. Caracterização de transtornos que excedem o tolerável, visto que inviabilizado o
planejamento profissional e pessoal.
• Danos morais configurados em decorrência da frustração da legítima expectativa quanto ao
momento de ingresso no mercado de trabalho, observadas as peculiaridades do caso.
• DANOS MATERIAIS. Não restou comprovada a ocorrência dos alegados danos materiais, na
forma de lucros cessantes ou danos emergentes, desmerecendo acolhida o pleito no ponto.
(APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. (TJRS, AC 70066786310, 19 Câmara Cível, Rel.
Mylene Maria Michel, julg. em 10/03/16, Dj 18/03/16) (grifos não existentes no original).
• Colhe-se do Tribunal do Rio de Janeiro, um acórdão que trata da violação
positiva do contrato diante da falha do dever de informação em venda de imóvel.

• Apelação Cível. Ação indenizatória. Frustração com relação à celebração de


contrato de compra e venda de imóvel intermediado por corretora, por ser o
bem irregular, haja vista não possuir habite-se. Falha do dever anexo de
informação. Violação positiva do contrato que não pode ser tolerada, ao
argumento de que a consumidora poderia esperar a regularização do imóvel, para
então adquiri-lo. Diante disso, impõe-se a devolução do sinal pago, pois do
contrário seria prestigiar o enriquecimento sem causa. (...) (TJRJ, AC
2009.001.47366, 8 Câmara Cível, Rel. Des. Luiz Felipe Francisco, j. 17.11.2009,
DORJ 1.12.2009)
•  
PERDAS E DANOS
PERDAS E DANOS
• Abrangência: art. 402 do CC abrangem tanto os danos emergentes,
quanto os lucros cessantes, ou seja, todo o prejuízo experimentado
pela vítima; (salvo outras previsões – a exemplo da cláusula penal)
• a) Dano emergente – aquilo que efetivamente perdeu.  É o prejuízo
efetivo;
• b) Lucro cessante – o que razoavelmente deixou de lucrar. Frustração
da expectativa de lucro.

- o que o bom senso diz que lucraria, presunção de que os fatos se


desenrolariam dentro de um curso normal - STJ 
• Obs. Quando for um prejuízo decorrente de quebra contratual pode
ter a previsão de cláusula penal – previsão antecipada de indenização.
PERDAS E DANOS
• Art. 403 “ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor,
as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros
cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do
disposto na lei processual”.

• Referência às teorias do nexo causal: (É o liame de


causalidade entre o fato ou ato lesivo e a ação que o produziu,
sendo ela entendida como sua causa. É necessária, portanto,
uma relação de causa e efeito. É o elemento de referência
entre conduta e o resultado)
Nexo causal
• Causalidade simples (causa única) e múltipla (várias
causas)
• Equivalência das condições: toda condição seria causa
eficiente a produzir o resultado. Ex. homicídio;
• Teoria da causalidade adequada ou imediata/necessário:
na multiplicidade de fatores causais somente o que for
considerado apto a produzir os efeitos diretos e imediatos;
o mais adequado; o necessário; Ex. avião.
Perdas e danos
• Art. 404 “as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em
dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e
honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional”.
Parágrafo único – se os juros de mora não cobrirem o prejuízo, o
juiz pode conceder indenização suplementar

Ex. Viagem cancelada por causa do inadimplemento do devedor e a


mora não cobre a despesa que teve com o cancelamento da viagem.
• -Correção – citação até o pagamento.

• -honorários sucumbenciais – art. 85 CPC


Atualização monetária
• Atualização Monetária é o nome que se dá no Brasil
para os ajustes contábeis e financeiros, realizados com
o intuito de se demonstrar os preços de aquisição em
moeda em circulação no país (atualmente o Real), em
relação ao valor de outras moedas (ajuste cambial) ou
índices de inflação ou cotação do mercado financeiro
(atualização monetária propriamente dita). Em
Economia é também chamado de "Correção
Monetária", ou seja, um ajuste feito periodicamente de
certos valores na economia tendo em base o valor da
inflação de um período, objetivando compensar a
perda de valor da moeda.’
• IPCA – INPC – IGP-M – INCC - IPA
• IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo: Calculado pelo IBGE desde 1980, esse índice leva em
conta o custo de vida para famílias de 1 a 40 salários mínimos. É o índice utilizado pelo Banco Central para
definir a meta de inflação.
• INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor: muito semelhante ao IPCA, porém tem como
população-objetivo famílias de 1 a 5 salários mínimos. Isto é, ele é mais sensível aos produtos consumidos
pela população com menor renda. Também é calculado pelo IBGE. (UTILIZADO PELO TJSC desde 1995)
• INCC – Índice Nacional de Custos da Construção: calculado desde 1944, atualmente publicado pela
Fundação Getúlio Vargas, o índice acompanha a evolução dos custos no setor da construção que incluem
preços de materiais, equipamentos, serviços e mão-de-obra.
• IPA – Índice de Preços por Atacado: também chamado de “Índice de Preços ao Produtor Amplo” mede a
variação dos preços no mercado atacadista, principalmente nos produtos agropecuários e industriais antes do
consumo final. É publicado pela FGV.
• IGP – Índice Geral de Preços: é um dos índices mais utilizados, ele não possui uma cesta de produtos, e
sim formado por uma composição de outros índices, sendo:
• )
JUROS
JUROS

• Definição: é o preço do uso do capital alheio; são os


rendimentos (são considerados como acessórios – frutos
civis – art. 92)

Espécies:
• Compensatórios e moratórios (conforme a destinação)

• Convencionais e legais (origem)

• simples e compostos (incidência)


Juros Compensatórios

É a compensação pela utilização de capital pertencente a outrem;

- normalmente são decorrentes de previsão contratual, mas podem


decorrer da lei –ex. art. 591 (contrato de mútuo);

- CC não estabeleceu nada sobre os juros compensatórios, porém a


doutrina diz que se aplica também a eles o artigo 406.
• (se não convencionada outra taxa prevista - art. 161, par 1 CTN - 12%
ao ano ou vinculados a taxa SELIC (7,50% ano)?
Juros moratórios

Definição: incidem em caso de retardamento da prestação ou de


descumprimento da obrigação.

- Podem ser livremente estabelecidos pelas partes ou previstos em lei –


art. 406 do CC.

- (se não convencionado, ou se não tiverem taxa estipulada, ou provierem


de lei, serão fixados de acordo com a taxa em vigor para a mora do
pagamento de impostos à Fazenda Nacional- art. 161, par 1 CTN) CTN
1% mês.

- Dúvida – aplica máximo 12% ao ano ou pode ser vinculados a taxa


SELIC? – STJ entende que pode ser vinculada a taxa SELIC (taxa
básica de juros). A taxa SELIC já prevê juros e atualização.
- A taxa Selic é a média de juros que o governo brasileiro paga
por empréstimos tomados dos bancos. E também é ela que
regula as taxas de juros bancários.

- Dec.lei 22.626/33 (lei de Usura) limita o pacto de juros


convencionais ao dobro da taxa legal para todos os contratos, com
excecão do mútuo (591) é de 2% ao mês portanto;

- Atenção: os juros moratórios mesmo que não convencionados ou


pleiteados pelas partes em ação judicial, serão aplicáveis – art. 407
(são considerados pedidos implícitos).
Juros bancários
- Súmula 297 “o CDC é aplicável aos contratos bancários”

- os contratos bancários apesar de sujeito ao CDC, podem praticar as


taxas de juros de mercado na praça de empréstimos – tabela
estabelecida pelo Banco Central – Súm. 530 STJ;
- STJ definiu que nos contratos de mútuo feneratício dos agentes
pertencentes ao sistema financeiro não estão limitados ao art. 591 e
406 do CC, por terem previsão especial (Lei 4.595/64 – lei de reforma
bancária).
- - também não se sujeitam a lei de usura.
Aquisiçao veículos – mes
maio
Santander 1,51/19,67a

BB 1,63/21,41

Bradesco 1,49/19,44
Cheque especial

BRADESCO 11,90/285,63

BBRASIL 11,93/286,75

CEF 12,45/308,62

SANTANDER 14,78/422.69
CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO TAXAS PRÉ-FIXADAS

BB 7,54/139.25

BRADESCO 5,42/88,35

CEF 7,81/146,58

SANTANDER 7,39/135,15
BB 2,44/33,49

BRADESCO 2,54/35,10

CEF 2,32/31,61

SANTANDER 2,63/36,52
CARTÃO DE CRÉDITO ROTATIVO PRÉ-FIXADO

BB 10,01/214,09

BRADESCO 18,90/698,16

CEF 11,10/253,62

SANTA DER 10,83/243,33


AgINT no resp 1399511/RS, Min. João Otávio Noronha, j.
18/08016

• AGRAVO INTERNO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CPC.


RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO. AÇÃO
REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO.
ABUSIVIDADE DA TAXA CONTRATADA EM RELAÇÃO À TAXA MÉDIA
DE MERCADO DAS OPERAÇÕES DE CHEQUE ESPECIAL. LIMITAÇÃO
DOS JUROS À TAXA DAS OPERAÇÕES DA ESPÉCIE. ANÁLISE DAS
DEMAIS QUESTÕES DISCUTIDAS NO RECURSO PREJUDICADA.
• 1. A limitação da taxa de juros remuneratórios pactuada no contrato de cartão
de crédito à taxa média de mercado aplicada aos contratos de cheque especial é
inviável em razão da diversidade da natureza jurídica das operações.
• 2. A alteração da taxa de juros remuneratórios pactuada em contrato de cartão
de crédito depende da demonstração cabal de sua abusividade em relação à
taxa média do mercado apurada nas operações da espécie.
Juros bancários
• Súmula 283 STJ “as empresas administradoras de cartão
de crédito são instituições financeiras e, por isso, os juros
remuneratórios por ela cobrados não sofrem limitações da
lei de Usura”.
• Sumula 297 “o CDC é aplicável aos contratos bancários”
Juros simples

São calculados sobre o capital inicial;

Se A deve R$ 500,00, com juros de 3% ao mês, cujo pagamento se


dará em 8 meses:
Juros compostos

• incidem sobre o capital mais os juros acumulados;


Conhecidos como capitalizados, juros sobre juros;
Juros compostos
ANATOCISMO.
• -Dec. 22.626/33 (lei Usura: aplicável aos contratos em geral) limitação
a período anual;

Med. Provisória 1963-17 de 2000 e MP2170-36/01 permitiu capitalização


juros em período inferior a um ano nas operações financeiras;

Comum nos contratos bancários com periodicidade diversa, (mensal,


semestral, anual)– súm. 539 STJ (ago. 2015)

“É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual


em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema
Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000,
reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que expressamente
pactuada.”
STJ AgRG 1266124/SC, Min.Sidnei Benetti, T3, j. 15/04/10

• AGRAVO REGIMENTAL. CONTRATO BANCÁRIO. JUROS


REMUNERATÓRIOS. TAXA. MÉDIA DE MERCADO. CAPITALIZAÇÃO
MENSAL DOS JUROS. POSSIBILIDADE NOS CONTRATOS CELEBRADOS
APÓS 31.3.00. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA COBRANÇA CUMULADA
COM OS DEMAIS ENCARGOS MORATÓRIOS. SÚMULAS STF/282 E 356.
• I - Os juros pactuados em taxa superior a 12% ao ano não são considerados abusivos.

• II - Permite-se a capitalização mensal dos juros nas cédulas de crédito rural,


comercial e industrial (Decreto-lei n. 167/67 e Decreto-lei n. 413/69), bem como nas
demais operações realizadas pelas instituições financeiras integrantes do Sistema
Financeiro Nacional, desde que celebradas a partir da publicação da Medida
Provisória n. 1.963-17 (31.3.00) e que pactuada.
• III - É vedada a cobrança cumulada da comissão de permanência com juros
remuneratórios, correção monetária e/ou juros e multa moratórios, nos contratos
bancários.
Início de incidência dos juros
• Art. 405 “contam-se os juros de mora desde a citação”
(aplica-se apenas para a responsabilidade contratual)

• Art 398 “Nas obrigações provenientes de ato ilícito,


considera-se o devedor em mora, desde que o
praticou”, (ou seja os juros na responsabilidade
extracontratual conta-se desde que o praticou (súm. 54
STJ);
Cláusula penal
CLÁUSULA PENAL
• também denominada pena convencional ou multa contratual;

• “É obrigação acessória, pela qual se estipula pena ou multa


destinada a evitar o inadimplemento da obrigação principal, ou
o retardamento de seu cumprimento.”
• Pode ser estipulada em conjunto com a obrigação principal ou
como adendo – art. 409
• Art. 408 – o devedor incorre automaticamente na cláusula
penal, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação
ou se constitua em mora.

Aplicável, portanto, em casos de inadimplemento culposo.


Espécies
• 1) cláusula penal compensatória: estipulada para o caso
de total inadimplemento da obrigação (art. 410)
• Valor normalmente mais elevado;

• 2) cláusula penal moratória: quando se destina a


assegurar o cumprimento de outra cláusula ou evitar o
atraso, a mora (art. 411)
• Valor normalmente mais reduzido;
Funções da cláusula penal

Dupla função:
• A) Ressarcitório - atua como forma de prefixar perdas e danos
em razão de inadimplemento contratual (cláusula penal
compensatória)
• Art. 416 “Para exigir a pena convencional, não é necessário que
o credor alegue prejuízo”.
• B) Coercitiva - meio de coerção para compelir o devedor a
cumprir a obrigação (cláusula penal moratória)
Efeitos:
• Compensatória (inadimplemento): pode o credor (art. 410)

• a) pleitear a pena compensatória;

• b) postular o ressarcimento das perdas e danos (ônus de


provar o prejuízo)
• c) exigir o cumprimento da prestação;

• Moratória (mora): pode o credor (art. 411)

• Cobrar cumulativamente a multa com a prestação não


cumprida
Valor da cláusula penal
• Art.412 “o valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o
da obrigação principal.”
• art. 416. par. único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal,
não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi
convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização,
competindo ao credor provar o prejuízo excedente.”
• Situações específicas:

• Art.1336, par. 1 do CC – 2% (condomínio edilício);

• CDC, art. 52, par. 1 – 2% (contratos que envolvam outorga de crédito ou


concessão de financiamento ao consumidor);
• Dec.lei 58/37 e Lei 6.766/79 – 10% (compromisso de compra e venda de
imóveis loteados)
Redução cláusula penal
• Art. 413 – prevê possibilidade de redução:

a) cumprimento parcial da obrigação;

b) excessividade da cláusula penal (natureza e finalidade do


negócio);
• Cabe ao juiz analisar (de ofício)– juízo de ponderação;
arras
ARRAS ou sinal
• Definição: “importância em dinheiro ou a coisa dada por um
contratante ao outro, por ocasião da conclusão do contrato, com
o escopo de afirmar a presunção de acordo final e tornar
obrigatório o ajuste; ou ainda, excepcionalmente, com o
propósito de assegurar, para cada um dos contratantes, o direito
de arrependimento.”( Sílvio Rodrigues)
• Dupla função: a) garantir o cumprimento da obrigação principal
(confirmatórias) ou b) prefixar perdas e danos em caso de
desistência (penitencial);
Arras confirmatórias

• Art. 417 “Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der
à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as
arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na
prestação devida, se do mesmo gênero da principal.”
• Atuam como modo de garantia e princípio de pagamento, sem
direito de arrependimento. (conhecida como entrada ou sinal)
Descumprimento contratual
• Art. 418: “Se a parte que deu as arras não executar o contrato,
poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for
de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato
por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, juros e honorários de advogado.”

Pode a parte inocente: a) se foi quem recebeu, poderá exercitar o


direito de retenção (indenização); b) se foi quem pagou, além do
desfazimento do contrato, poderá exigir a devolução em dobro.
Arras confirmatórias– possibilidade de cumulação com
indenização

• Art. 419 “A parte inocente pode pedir indenização


suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras
como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir
a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo
as arras como o mínimo da indenização.”

arras=taxa mínima

indenização suplementar;
Arras penitenciais
• Art. 420. “Se no contrato for estipulado o direito de
arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal
terão função unicamente indenizatória. Neste caso,
• a) quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte;

• b) e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente.

Em ambos os casos não haverá direito a indenização


suplementar.