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A CONSTRUÇÃO DA SEGURANÇA

ALIMENTAR NO BRASIL
OS DIREITOS DOS HOMENS

 Depois da II Guerra Mundial existia na comunidade internacional um


sentimento generalizado de que era necessário encontrar uma forma de
manter a paz entre os países → ONU

1948 – Declaração dos Direitos Humanos

Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os


seres humanos, independentemente de raça, sexo,
nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer
outra condição.
Reação contra as atrocidades cometidas durante a
Segunda Guerra Mundial
OS DIREITOS DOS HOMENS

 Os direitos do homem são direitos válidos para todos os povos e em todos os


tempos

 Esses direitos advêm da própria natureza humana, daí seu caráter inviolável,
intemporal e universal
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

SÃO AQUELES FUNDAMENTAIS E ESSENCIAIS PARA GARANTIR A TODOS A


EXISTÊNCIA DE UMA VIDA DIGNA

Dentre os direitos humanos está o Direito Humano à Alimentação Adequada


(DHAA), já que a alimentação é uma necessidade básica do ser humano
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

O direito humano à alimentação adequada está contemplado no artigo 25


da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948
Artigo XXV

1. “Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-


lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, INCLUSIVE ALIMENTAÇÃO...”
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

“O direito à alimentação adequada é um


direito humano inerente a todas as
pessoas de ter acesso regular,
permanente e irrestrito, quer diretamente
ou por meio de aquisições financeiras, a
alimentos seguros e saudáveis, em
quantidade e qualidade adequadas e
suficientes, correspondentes às tradições
culturais do seu povo e que garanta uma
vida livre do medo, digna e plena nas
dimensões física e mental, individual e
coletiva”, ONU, 2002.
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

Para que esse direito seja


assegurado, é
preciso que outros direitos
essenciais sejam alcançados,
tais como moradia, trabalho e
saúde, além de que sejam
adotadas políticas e estratégias
sustentáveis de produção,
distribuição, acesso, consumo
de alimentos seguros e de
qualidade
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

DHAA
(Dimensões)

Direito de Direito à
estar livre da alimentação
fome adequada
Direito Humano à Alimentação Adequada

 Disponibilidade

 Adequação

 Estabilidade

 Acessibilidade
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

ASPECTOS INERENTES À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

 Disponibilidade
Pode ocorrer de três formas:

a) diretamente, a partir de terras produtivas (agricultura, criação de animais,


cultivo de frutas), ou de outros recursos naturais como pesca e caça

b) a partir de alimentos in natura ou obtidos na rede de comércio local

c) doação de cestas básicas


DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA
ASPECTOS INERENTES À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

 Adequação

O consumo apropriado de padrões alimentares, inclusive o aleitamento materno, é essencial


para o alcance do bem-estar nutricional.

Estas substâncias são toxinas, poluentes resultantes de processos agrícolas e industriais,


inclusive resíduos de drogas veterinárias, promotores de crescimento e hormônios, entre outros.

Alimentação adequada implica acesso a alimentos saudáveis que tenham como atributos:
acessibilidade física e financeira, sabor, variedade, cor, bem como aceitabilidade cultural como,
por exemplo, respeito a questões religiosas, étnicas e às peculiaridades dos diversos grupos e
indivíduos.
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

ASPECTOS INERENTES À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

 Acesso
Acessibilidade econômica
A acessibilidade econômica implica acesso aos recursos necessários para a obtenção de
alimentos para uma alimentação adequada com regularidade durante todo o ano.

Acessibilidade física
A alimentação deve ser acessível a todos: lactentes, crianças, idosos, deficientes físicos,
doentes terminais ou pessoas com problemas de saúde, presos, entre outros. A alimentação
também deve estar acessível para as pessoas que vivem em áreas de difícil acesso, vítimas de
desastres naturais ou provocados pelo homem, vítimas de conflitos armados e guerras e aos
povos indígenas e outros grupos étnicos
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

ASPECTOS INERENTES À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

 Estabilidade
Significa que alimentos adequados devem estar disponíveis e acessíveis, de
forma regular e permanente, durante todo o ano
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

Exemplo 1 - As comunidades indígenas Guaranis-Kaiowás do Município de


Dourados, Estado do Mato Grosso do Sul, vivem em uma área de terra tão
pequena que não lhes dá condições de viver dignamente e de produzir ou obter
seus alimentos tradicionais por meio da agricultura, pesca, caça e coleta. Em
decorrência dessa situação 17 crianças morreram por desnutrição em 2005. Os
governos, federal e estadual, como medida emergencial, distribuíram cestas
básicas de alimentos. Porém alguns alimentos (farinha de trigo e leite em pó)
não faziam parte da cultura alimentar do povo Guarani-Kaiowá. Assim, essa
medida não foi eficaz para reverter o quadro de desnutrição que afetou a aldeia
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

Exemplo 2 - Uma área propensa a ocorrência de secas, habitada majoritariamente por agricultores
familiares, não dispõe de recursos para investir em irrigação, dependendo, então, da água da chuva para o
cultivo das lavouras

Exemplo 3 - Em um assentamento rural, onde ainda não existem condições para produção de
alimentos, há fornecimento de cestas básicas. Entretanto, este fornecimento não é estável e
regular. A entrega de cestas básicas deveria ser suficiente, regular e permanente até que essas
famílias tenham condições, por seus próprios meios, de ter acesso à alimentação adequada

• Exemplo 4 - Nas décadas 70 e 80, as altas taxas de desemprego em áreas rurais, e a falta de
oportunidades, causaram migração em massa para os centros urbanos. Os migrantes
encontravam trabalho nos setores informais, onde os salários eram baixos e irregulares,
não permitindo a aquisição e consumo de alimentos nutritivos de forma regular e
permanente
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA
Refrigerante e doce provocam epidemia de diabetes em índios em MT

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/08/1666360-xavantes-trocam-dieta-tradicional-por-refrigerante-e-pao-de-for
ma-no-mt.shtml
DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA

Deserto Alimentar

O Deserto Alimentar é um fenômeno com diversas


facetas, componentes e variáveis. O conceito diz
respeito à ausência de alimentos que contribuam
para a saúde e bem estar na alimentação de uma
pessoa. O Deserto Alimentar pode ser evidenciado
a partir da falta de informação, renda, tempo e
distância dos locais que ofereçam alimentos in
natura e minimamente processados. Assim, ele é o
resultado da combinação dessa série de variáveis
que dialogam com o cotidiano de cada um de nós
de maneira singular e complexa.
Direito Humano à Alimentação Adequada

NÍVEIS DE OBRIGAÇÃO

OBRIGAÇÃO O QUE SIGNIFICA?


Um Estado não pode adotar quaisquer medidas que possam resultar na
Respeitar privação da capacidade de indivíduos ou grupos de prover sua própria
alimentação.
O Estado deve agir para impedir que terceiros (indivíduos, grupos,
Proteger empresas e outras entidades) interfiram na realização ou atuem no
sentido da violação do DHAA das pessoas ou grupos populacionais.
O Estado deve criar condições que permitam a realização efetiva do
Promover DHAA.
O Estado deve prover alimentos diretamente a indivíduos ou grupos
Prover incapazes de obtê-los por conta própria, até que alcancem condições de
fazê-lo.
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Agrega-se o aspecto nutricional


Capacidade de Década de 90 e sanitário ao conceito, que
cada país produzir 1ª GUERRA Conferência passa a ser denominado
sua própria MUNDIAL Internacional de Segurança Alimentar e
alimentação Nutrição  nutricional

Direito humano
Garantia de acesso físico e
X Década de 80
Mecanismos de 2ª GUERRA I Conferência Nacional
econômico de todos – e de
mercado MUNDIAL de Alimentação e forma permanente – a
Nutrição quantidades suficientes de
alimentos

Década de 50 Década de 70
Insuficiente Política de armazenamento
Revolução I Conferência
disponibilidade Mundial de estratégico e de oferta de
de alimentos
verde Segurança Alimentar alimentos
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

O conceito de Segurança Alimentar


e Nutricional está em constante
construção.

Isso porque engloba diversos


aspectos, como o social, político e
econômico, e está inserido em um
mundo em constante evolução
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

“Garantia, a todos, de condições de acesso a alimentos básicos de


qualidade, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem
comprometer o acesso a outras necessidades básicas, com base em
práticas alimentares que possibilitem a saudável reprodução do
organismo humano, contribuindo, assim, para uma existência digna”

1ª Conferência Nacional de Alimentação e Nutrição (1986) proposta

1ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar (1994)


SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a


alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o
acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas
alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e
que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”.

(Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006)


SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Soberania Alimentar

Dimensão
DIMENSÕES Nutricional
Dimensão Alimentar

Sustentabilidade
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

o Exemplo 1: preço dos alimentos (ou de grupos de alimentos) aumenta


muito e a renda da população não acompanha esse aumento,
possivelmente as famílias, principalmente as de baixa renda, diminuirão a
quantidade e/ou a qualidade de alimentos adquiridos

o Exemplo 2: alimentos ricos em açúcar, gordura e sal forem muito mais


baratos e acessíveis do que alimentos integrais, frutas e verduras, a
tendência é que seu consumo cresça, provocando o aumento do excesso
de peso e doenças associadas a ele na população
Soberania Alimentar
“A soberania alimentar é [...] “o
O que?
direito dos povos de decidir seu
próprio sistema alimentar e
produtivo, pautado em alimentos PRODUZ
saudáveis e culturalmente
Para
adequados, produzidos de forma Como?
quê?
sustentável e ecológica...”

Autonomia e adequadas condição de vida e trabalho


para agricultores familiares e camponeses
Soberania
Alimentar
https://www.youtube.com/watch?v=fKYxM5I2QBM

https://www.youtube.com/watch?v=_SXgeicvuj4
Órgão de assessoramento da Presidência da República, cuja
presidência é da sociedade civil e a composição é de 2/3 de
representantes da sociedade civil e 1/3 de representantes
governamentais
Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(CONSEA)

As principais atribuições do CONSEA são:

a) Propor diretrizes e prioridades da política e do Plano Nacional de Segurança


Alimentar e Nutricional, considerando as deliberações das conferências
nacionais de SAN;

b) monitorar e acompanhar a implementação e a convergência das ações


inerentes à política e ao plano de SAN; e,

c) mobilizar e apoiar entidades da sociedade civil na discussão e implementação


de ações públicas de Segurança Alimentar e Nutricional
A Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(PNSAN)

• Objetivos:

• I - identificar, analisar, divulgar e atuar sobre os fatores condicionantes da insegurança alimentar e nutricional no Brasil;

• II - articular programas e ações de diversos setores que respeitem, protejam, promovam e provejam o direito humano à alimentação
adequada, observando as diversidades social, cultural, ambiental, étnico-racial, a equidade de gênero e a orientação sexual, bem como
disponibilizar instrumentos para sua exigibilidade;

• III - promover sistemas sustentáveis de base agroecológica, de produção e distribuição de alimentos que respeitem a biodiversidade e
fortaleçam a agricultura familiar, os povos indígenas e as comunidades tradicionais e que assegurem o consumo e o acesso à alimentação
adequada e saudável, respeitada a diversidade da cultura alimentar nacional; e

• IV - incorporar à política de Estado o respeito à soberania alimentar e a garantia do direito humano à alimentação adequada, inclusive o
acesso à água, e promovê-los no âmbito das negociações e cooperações internacionais.
A Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(PNSAN)

Princípios
Universalidade e equidade no acesso à alimentação adequada e saudável

Preservação da autonomia e respeito à dignidade humana

Intersetorialidade das políticas, programas e ações governamentais e não governamentais

Descentralização e articulação das esferas de governo, participação social

Transparência e responsabilização na implementação da política


A Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(PNSAN)

Decreto nº 7.272, de 25 de agosto de 2010: promover a SAN e o DHAA

Diretrizes para orientar a elaboração do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional:

I - promoção do acesso universal à alimentação adequada e saudável, com prioridade para as famílias e
pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional;

II - promoção do abastecimento e estruturação de sistemas sustentáveis e descentralizados, de base


agroecológica, de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos;

III - instituição de processos permanentes de educação alimentar e nutricional, pesquisa e formação nas áreas
de segurança alimentar e nutricional e do direito humano à alimentação adequada;
IV - promoção, universalização e coordenação das ações de segurança alimentar e nutricional voltadas para
quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais de que trata o art. 3º, inciso I, do Decreto nº 6040, de
7 de fevereiro de 2007, povos indígenas e assentados da reforma agrária;
A Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
(PNSAN)

Diretrizes para orientar a elaboração do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional:

V - fortalecimento das ações de alimentação e nutrição em todos os níveis da atenção à saúde, de modo articulado às
demais ações de segurança alimentar e nutricional;

VI - promoção do acesso universal à água de qualidade e em quantidade suficiente, com prioridade para as famílias em
situação de insegurança hídrica e para a produção de alimentos da agricultura familiar e da pesca e aquicultura;

VII - apoio a iniciativas de promoção da soberania alimentar, segurança alimentar e nutricional e do direito humano à
alimentação adequada em âmbito internacional e a negociações internacionais baseadas nos princípios e diretrizes da Lei
no 11.346, de 2006; e

VIII - monitoramento da realização do direito humano à alimentação adequada


Referências
• Documentário: O Veneno está na mesa  https://www.youtube.com/watch?v=zR_gasl1irc
• BRASIL. LEI ORGÂNICA DE SEGURANÇA ALIMENTAR. LEI Nº 11.346, DE 15 DE SETEMBRO DE 2006.Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11346.htm. Acesso em: 06/04/2019
• BRASIL. PLANSAN. Disponível em:
http://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/seguranca_alimentar/caisan/Publicacao/Caisan_Nacional/PLANSAN%20201
6-2019_revisado_completo.pdf
. Acesso em 06/04/2019.
• O Direito Humano à Alimentação e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar. Disponível em:
http://www.nutricao.ufsc.br/files/2013/11/ApostilaABRANDHModulo1.pdf. Acesso em 06/04/2019

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