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Romantismo

Contexto sócio-histórico e características literárias

- Início do século XIX;


- Revoluções burguesas – Independência dos EUA, Industrial e Francesa;
- Causaram profundas transformações na sociedade europeia e, por conseguinte, no resto do
mundo;
- Capitalismo como novo sistema econômico;
- Ruptura com os padrões clássicos de beleza. A expressão da imaginação, das emoções e da
criatividade individual do artista são os grandes valores dessa estética;
- Liberdade formal – rompe com os esquemas métricos – mistura de gêneros textuais;
- Amor à pátria;
- Subjetivismo;
- Reconstrução da identidade/ temas medievais.
Romantismo em Portugal

 Início do século XIX;


 Napoleão Bonaparte decreta o bloqueio continental e exige que a coroa portuguesa rompa
relações comerciais com a Inglaterra. Ao ignorar as ordens do imperador francês, o país é
invadido, e a corte de D. João VI se vê forçada a fugir para o Brasil;
 Abertura dos portos brasileiros às nações amigas fortalece o comércio entre Brasil e
Inglaterra;
 A burguesia portuguesa, que vive das exportações para o mercado brasileiro, entra em crise;
 O clero detém grande parte dos direitos sobre a terra;
 Nesse cenário de crises políticas e econômicas, a estética romântica chega a Portugal,
definindo novos temas e dando voz à sociedade transformada pela revolução liberal que,
aos poucos, vai se tornando laica. O retorno para Portugal de jovens exilados no início da
revolução liberal inicia uma onda nacionalista. Seu objetivo inicial era resgatar o passado
glorioso do país, encontrando figuras históricas representativas do caráter do povo e de uma
nação que, apesar de algumas conquistas políticas importantes, precisava de profundas
reformas sociais.
Três gerações: Nacionalista; Ultrarromântica; Social

A primeira geração romântica portuguesa mantém alguns traços clássicos (como na poesia de
Antônio Feliciano de Castilho). Já Almeida Garrett e Alexandre Herculano se voltam para a
recuperação do passado histórico português (medieval), com obras de caráter nacionalista. O
marco cronológico do Romantismo em Portugal é o poema “Camões”, de Almeida Garrett,
publicado em 1825.

Almeida Garret

 estrutura e linguagem inovadoras;


 Viagens na minha terra é um marco para a moderna prosa portuguesa e um importante
documento de referência para entender a decadência do império português.

https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/viagens-na-minha-terra-analise-da-obra-de-almeida-
garret/
Realismo

Contexto Geral
- Segunda metade do século XIX
- Ascensão da burguesia - contradições, tensões e conflitos sociais gerados a partir da consolidação da burguesia como classe
dominante, que encontra na exploração desmedida do proletariado sua forma de enriquecimento
- Revolução industrial;
- Intensificação da exploração da mão de obra operária;
- Progresso Científico e avanços tecnológicos – sistemas de comunicação, aço
- Lutas sociais e debate político / Socialismo
- Positivismo – Pensamento filosófico – analisa a realidade através da observação e constatação racional

Origem do Realismo
- França - publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert (1821-1880). É uma espécie de literatura que coloca em
cena a vida cotidiana burguesa, em sua trivialidade, hipocrisia e desajustes, sem o heroísmo que distingue os protagonistas
românticos. Para tanto, o narrador realista assumiria um ponto de vista que se pretende objetivo, neutro e totalizante, frente à
matéria narrada. Nesses termos, buscava-se, nos romances, reproduzir a realidade sociocultural com a fidelidade alcançada por
uma fotografia, de modo a enfatizar os costumes, as relações sociais e a degradação de determinadas instituições sociais,
como, por exemplo, a família ou a Igreja.
 A realidade das transformações por que passava a Europa fez com que o subjetivismo e a emoção românticos dessem
lugar a uma postura mais objetiva e crítica, com o intuito de analisar e denunciar as mazelas da sociedade.

 Contemporaneidade Assim como ocorria no Romantismo, as obras realistas também faziam referências a eventos da
época. A diferença é que, no Realismo, elas apareciam sempre acompanhadas de um olhar crítico.

 A “anatomia” do caráter Uma estratégia encontrada pelos autores realistas para compreender a sociedade era analisar
os comportamentos e as motivações das personagens, relacionando-os ao contexto e aos problemas da época.

 No lugar das tradicionais histórias de amor românticas, os autores do Realismo tratavam, com frequência, do tema do
adultério. Já na dimensão social, denunciavam a corrupção, o universo político e a superficialidade das elites. Esses
temas refletiam as questões mais pungentes da sociedade da época.

BRASIL
 O fim do tráfico negreiro, em 1850, indica o término do sistema escravista e a ruína dos grandes latifúndios de açúcar,
que dependiam do trabalho escravo para realizar o plantio e a colheita da cana. Com a discussão sobre a abolição em
pauta, a mentalidade escravocrata perde espaço para a ala progressista. Os desdobramentos dessa crise afetam a política,
a economia e até mesmo D. Pedro II, pois com o início do movimento republicano sua autoridade passa a ser
questionada. O cenário político torna-se ainda mais complicado com a entrada do Brasil na Guerra do Paraguai.
 A sociedade do segundo Império passa por fortes mudanças com o enfraquecimento da classe
dominante e o crescimento da classe média. Esse contexto abre caminho para que a literatura
encare as falhas sociais e encontre uma nova estética, mais realista, menos idealizadora.
Machado de Assis seria, no Brasil, o porta-voz desse modo mais racional de interpretar a
realidade.

Machado de Assis
 investigação psicológica do caráter e do comportamento humano, em sua dimensão mais
particular, íntima e subjetiva, com a observação, sempre crítica, dos aspectos sociais,
principalmente no que diz respeito à degradação dos valores éticos e morais, através de um
cinismo que deixa entrever certa melancolia e, por isso mesmo, encontra na ironia um meio
de expressão válido para suas representações.
Memórias póstumas de Brás Cubas,

 Inaugura o Realismo;
 “defunto-autor”;
 envolvimento amoroso com Marcela, Eugênia e Virgília, a amizade com o filósofo Quincas
Borba, personagem do seu romance homônimo, e o planejamento da invenção do emplasto
Brás Cubas, medicamento que curaria todas as doenças;
 narrador em primeira pessoa, o que faz com que o narrador esteja implicado na matéria
narrativa, o fato de escrever suas memórias após a sua morte, a presença marcante de ironia e
os experimentalismos de linguagem, com ênfase na exploração de recursos gráficos,
problematizam, nesse romance machadiano, o conceito de Realismo que busca a objetividade
na narração.
Portugal

A Revolução Industrial, que transformava radicalmente grande parte da Europa, estava longe de ser
uma realidade em Portugal na metade do século XIX, já que o país continuava a ser basicamente
agrário. A pouca prosperidade que havia era privilégio de uma pequena burguesia rural, o que apenas
ampliava a desigualdade social. A decadência econômica de um país que havia sido uma das grandes
potências europeias, a perda de muitas de suas colônias e as difíceis condições sociais e políticas de
Portugal acabaram constituindo um terreno fértil para o surgimento de uma literatura calcada na
crítica e na denúncia da sociedade.

Embora Portugal fosse um país atrasado, jovens como Antero de Quental e Eça de Queirós discutiam
entusiasmadamente, na Universidade de Coimbra, os textos progressistas e inovadores provenientes de
países mais desenvolvidos da Europa. Esses rapazes deram origem à Geração de 70 e à crença de que
a situação portuguesa poderia e deveria ser transformada.

A Questão Coimbrã - Antero de Quental e Teófilo Braga X António Feliciano de Castilho, um poeta
romântico
As Conferências Democráticas do Casino Lisbonense – discutir a decadência do país.
Eça de Queirós

 destruição das ilusões românticas


 visão implacável da sociedade portuguesa da época

A cidade e as serras

 https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/a-cidade-e-as-serras-analise-da-obra-de-eca-
de-queiros/
Pré-Modernismo - Brasil

 Primeiros anos da República;


 alguns autores retratam os conflitos, as dificuldades e as diferenças do Brasil, em busca de
uma identidade nacional.

A Proclamação da República, em 1889, não representou grande mudança no cenário


econômico brasileiro. Dois terços da população do país viviam no campo, e sua situação era
determinada pelos grandes latifundiários. Com a República, os principais centros políticos
passaram por uma transformação do espaço urbano que desencadeou um processo de
“europeização” do país. Uma consequência imediata da reurbanização das grandes cidades foi
o deslocamento de milhares de famílias pobres das áreas centrais, onde moravam em cortiços,
para locais de difícil acesso. Nasciam, assim, as favelas.
Nos centros urbanos, escravos libertos viviam em quase completo abandono. Não tinham acesso à
educação e não eram mais empregados pelos proprietários rurais, que preferiam “importar”
imigrantes europeus. A região Nordeste do país enfrentava o crônico problema da seca. Vivendo de
modo precário, muitos aderiram à pregação messiânica de Antônio Conselheiro, o beato que
profetizava a transformação do sertão em mar, anunciando a aproximação do dia do Juízo Final.
Instalado em uma velha fazenda no interior da Bahia, Conselheiro criou a comunidade de Belo
Monte, para onde iam milhares de fiéis em busca da salvação. O líder religioso se desentendeu com
os poderes republicanos, e os embates locais acabaram se transformando em um dos mais
sangrentos confrontos internos do Brasil: a guerra de Canudos

O sertão nordestino foi palco, também, das batalhas entre a polícia e grupos de cangaceiros, que
exigiam dos principais coronéis o pagamento de “taxas” de proteção para suas fazendas. O mais
famoso líder do cangaço foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. A Amazônia vivia, nesse
momento, a fase áurea da extração da borracha. A riqueza que gerava fez prosperar cidades como
Manaus e Belém, que se tornaram importantes centros culturais. São Paulo também passava por um
momento de expansão econômica graças à cultura do café, que acelerou o processo de urbanização
e de industrialização.
O projeto literário do Pré-Modernismo

 O desejo de revelar o “verdadeiro” Brasil para os brasileiros.


 Personagens que ainda não haviam aparecido na literatura, como o pequeno funcionário público, o
caboclo, os imigrantes, são elevados à condição de protagonistas dos romances do período. Os
sertanejos, que já tinham sido objeto da atenção dos romances regionalistas de José de Alencar e
Franklin Távora, recebem um novo tratamento, mais objetivo e distanciado, bem diferente da
idealização característica dos textos românticos.
 As condições de produção da literatura, naquele momento, são muito influenciadas pelo interesse
da população dos grandes centros pelas notícias diárias.
 Autores como Euclides da Cunha e Monteiro Lobato começam a escrever em jornais e falam sobre
problemas nacionais. As inovações tecnológicas contribuem para favorecer uma circulação mais
rápida dos textos. O telégrafo, por exemplo, permitiu que os correspondentes enviados a Canudos
atuassem como testemunhas oculares do conflito, dando maior veracidade aos fatos notificados
para os leitores distantes. A fotografia também ajuda a estimular a busca pelo real. O exército
brasileiro contrata o fotógrafo Flávio de Barros para registrar o sucesso da campanha de Canudos.
Como consequência natural da maior aproximação entre literatura e realidade, a linguagem utilizada
nos textos modifica-se, torna-se mais direta, mais objetiva, mais próxima da linguagem característica
do texto jornalístico.
Monteiro Lobato: Tendo vivido no interior, observou as dificuldades e os vícios característicos da
vida rural. Suas observações deram origem a uma longa carta, enviada para o jornal O Estado de S.
Paulo, que funcionou como uma denúncia e chamou a atenção das pessoas para um Brasil
desconhecido, não “oficial”. O aspecto literário mais importante da obra de Monteiro Lobato é a sua
preocupação em denunciar problemas que marcam a vida das pessoas do interior. Seu foco é a região
do vale do Paraíba, em decadência após o deslocamento das culturas de café para o oeste paulista.

Negrinha - Monteiro Lobato

O conto de Monteiro Lobato reflete bem o preconceito racial no Brasil. Ele faz uma referência ao
intenso progresso econômico e social pelo qual o Brasil estava passando nas primeiras décadas do
século XX, o qual o autor compara com os tempos da escravidão. A abolição da escravatura também
é retratada, assim como o fato da abolição não garantir o fim do preconceito racial.

https://encontreumconto.wordpress.com/2010/10/08/resenha-sobre-o-conto-negrinha-de-jose-bento-
monteiro-lobato/
Modernismo – Início do século
Contexto sócio-histórico e características literárias

O início do século XX nas Artes foi enfatizado pelo surgimento de novas estéticas artísticas,
denominadas Vanguardas, as quais concatenavam com as profundas mudanças sociais,
políticas e tecnológicas pelas quais o mundo passava. As Vanguardas buscavam romper com
tudo aquilo que estava estabelecido até então, combatendo os modelos e padrões instituídos da
tradição cultural vigente.

Na política, várias correntes ideológicas foram criadas e difundidas, como o Nazismo, o


Fascismo e o Comunismo.
Portugal

 Século XX
 Crise política do regime monárquico: Ultimatum inglês (1890), assassinato, em fevereiro de
1908, do rei Carlos I e de seu herdeiro, o príncipe Luís Felipe.
 Em outubro de 1910 eclodiria a revolução que pôs fim à monarquia portuguesa. O partido
democrático, responsável pela condução do país nesse primeiro momento, enfrentou dura
resistência dos setores burgueses. Associados ao capital estrangeiro, os burgueses eram
politicamente representados pelos partidos conservadores.
 Início da Primeira Guerra Mundial – saiu devastado
 O cenário político permanecia em estado de turbulência e os governos parlamentares
enfrentavam oposição tanto dos setores de esquerda, quanto dos de direita. Uma reação
burguesa contra a “corrupção” política deu origem ao golpe militar de 1926. Favorecidos pela
desarticulação das forças político- -partidárias, os militares prometiam restaurar a ordem
pública e impor um duro controle à economia portuguesa. Para desenvolver a nova política
econômica foi convocado Antonio de Oliveira Salazar que aos poucos foi conquistando maior
poder dentro do governo até que, em 1933, fez aprovar uma nova Constituição e deu início à
ditadura do Estado Novo, que só chegaria ao fim em 1974
Modernismo Português,

 Principal característica criticar o conservadorismo e o academicismo instituídos na literatura


do país até então.
 Literatura esteve sempre associado a outras modalidades artísticas, principalmente às artes
plásticas, as quais influenciaram de maneira decisiva as composições literárias. Viram nas
vanguardas o meu para renovar o panorama cultural.
 Fernando Pessoa, Sá Carneiro e Almada Negreiros são os autores de maior destaque no
Modernismo de Portugal.
 Revista Orpheu, que acabou dando o nome à primeira fase do Modernismo Português, o
Orfismo.

Mensagem: releitura mítica do destino português


 Foi o único livro publicado em vida por Pessoa (1934). Nesse livro, o poeta promove uma
releitura do destino de Portugal, tendo como base o fenômeno das navegações, a ligação entre
os portugueses e o mar e o mito do encoberto, associado ao desaparecimento misterioso de D.
Sebastião. Os poemas de Mensagem revelam a crença em um futuro no qual Portugal voltará
a ocupar uma posição de destaque entre as nações, cumprindo, assim, o destino que lhe foi
atribuído pelos deuses.
Brasil – Primeira Geração Modernista

Com propostas revolucionárias e iconoclastas, a Semana de Arte Moderna de 1922 inaugurou o


Modernismo brasileiro, definindo novos rumos literários para uma sociedade em transformação

O começo dos anos 1920 no Brasil foi marcado pela insatisfação e revoltas de militares,
principalmente tenentes, devido aos baixos salários, pouco treinamento e armamentos antigos. Do
ponto de vista econômico, a quebra da Bolsa de Nova York causou muita instabilidade no país,
bastante dependente da exportação de café. A situação econômica agravou-se progressivamente,
prejudicando o clima político. A recusa da oligarquia política paulista de continuar a alternância de
poder com os mineiros criou ainda mais insatisfação, levando à deposição de Washington Luís e à
posse de Getúlio Vargas.
1922 “Semana de Arte Moderna”

inicia-se o que hoje chamamos de Primeira Geração do Modernismo brasileiro, também


conhecida como 'Fase Heroica”, que segue até aproximadamente 1930, caracterizada,
sobretudo, por um profundo compromisso dos artistas com a renovação estética, fundada
pela influência das Vanguardas Europeias, assimilando tendências culturais daqueles
movimentos. Foi o período mais radical do Modernismo brasileiro. Buscou-se a criação
de uma linguagem nova e original, que conseguisse romper os limites da tradição,
mudando vigorosamente a forma como se escrevia até o momento. O verso livre, o
abandono das formas fixas tradicionais, a linguagem coloquial, a ausência de pontuação
e a valorização do cotidiano foram suas características mais comuns. Nacionalistas, os
autores desse período criaram Movimentos e Revistas, como a Revista Klaxon, o Manifesto
da Poesia Pau-Brasil, o Manifesto Regionalista de 1926 e a Revista de Antropofagia. Os
autores mais importantes da Primeira Geração do Modernismo, no Brasil, foram: Mário de
Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira
Segunda Geração do Modernismo - CONTEXTO

- década de 1930 – período entreguerras


- Getúlio Vargas assume o governo, os paulistas, inconformados com a perda de poder político,
desencadearam, em 1932, a Revolução Constitucionalista, mas foram logo derrotados.
- Em 1934, com a promulgação de nova Constituição Vargas foi efetivado como presidente.
- Em 1937, o presidente fechou o Congresso e deu início à ditadura do Estado Novo. O
Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) passou a perseguir e prender muitos
escritores, acusados de subversão

-“Fase de Consolidação”, conta com o aparecimento de grandes escritores na produção ficcional


em prosa. A temática nacionalista continua latente e o autor vai ao encontro do povo brasileiro,
criando uma narrativa regionalista. Além dos novos autores em prosa, surge um dos maiores
poetas do Brasil de todos os tempos: Carlos Drummond de Andrade. Tal geração é tida como
mais séria e mais grave, evitando as piadas e os exageros da primeira geração, com uma postura
dolorida, austera e circunspecta em relação ao mundo. São muitos os principais autores desse
período.
Os autores passaram a dedicar-se à reflexão sobre o mundo contemporâneo, usando todos os
recursos à disposição da criação poética. Maior preocupação social, denúncias das injustiças,
caráter reflexivo do eu com o mundo.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): poeta, contista e cronista, Drummond nasceu em


Itabira-MG, cidade que ganharia relevo em sua obra lírica. Apesar de herdar a liberdade métrica e
linguística dos Modernistas, Carlos Drummond transcende a escola literária e representa o ponto
máximo da poesia brasileira. Em uma dicotomia 'eu x mundo', segundo o escritor e crítico Affonso
Romano de Sant'Anna, Drummond demonstra três atitudes destacadas em sua obra: a poesia
irônica como 'eu maior que o mundo', a poesia social como 'eu menor que o mundo' e a poesia
metafísica como 'eu igual ao mundo'. Suas obras de maior destaque, entre muitas outras, são
Alguma poesia (1930), Sentimento do mundo (1940), A Rosa do povo (1945) e Claro enigma
(1951).
Sentimento do Mundo- Neste livro, o poeta abraça de vez a poesia de cunho social, refletindo o
momento de instabilidade e inquietação dos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.
Os poemas deste livro foram escritos entre 1935 e 1940, época em que o mundo tentava se
recuperar da Primeira Guerra Mundial e enfrentava a ascensão de regimes totalitários: a
Alemanha de Hitler, Fran

Apesar de em “Sentimento do Mundo” Drummond ter tomado consciência do indivíduo num


mundo que precisa ser salvo, ele reconhece também o fatal distanciamento entre os homens.
Através da utilização constante do vocativo, como se chamasse o povo para uma união coletiva,
dá-se vazão à ânsia do eu-poético de reunir os homens.
Essa vontade de união entre os homens contrasta com a pessimista e sombria visão de mundo do
autor. Embora o eu-lírico seja completamente descrente do presente e não acredita em dias
melhores, no fundo há uma utópica esperança permeando todos os poemas do livro. Através do
uso constante do vocativo e da terceira pessoa do plural, pode-se concluir que esta esperança de
dias melhores nasce do ser coletivo, do “nós”. Somente com a união entre os homens é que se
pode escapar desse presente sombrio e tenebroso.

https://faciletrando.wordpress.com/2015/08/28/analise-de-sentimento-do-mundo/
O romance de 30

 Narrativa como instrumento de denúncia de uma realidade que, principalmente na região


Nordeste, condenava milhares de brasileiros à miséria.

Graciliano Ramos: mestre das palavras secas

A linguagem constrói o olhar realista O cuidado com as palavras é um dos traços mais
importantes da prosa de Graciliano Ramos. A economia no uso de adjetivos e advérbios, a
escolha cuidadosa dos substantivos, todos os aspectos da construção de seus romances
colaboram para a criação do “realismo bruto” que define o olhar neorrealista do autor. Por
meio da linguagem, Graciliano constrói seus protagonistas: homens atormentados, cheios de
conflito, solitários, destruídos pela vida
Vidas secas
- um livro singular em diferentes aspectos;
- é o único romance desse autor com foco narrativo em terceira pessoa;
- não apresenta um aprofundamento da análise psicológica das personagens, como acontece em São
Bernardo e Angústia. O livro faz um retrato da dura existência no sertão nordestino. No início da
narrativa, Fabiano, sinha Vitória, os dois filhos e a cachorrinha Baleia procuram um lugar melhor
para viver. Após longa caminhada pela caatinga, chegam a uma fazenda abandonada, onde
resolvem se instalar. A aridez do cenário se expande e atinge também o comportamento das
personagens, caracterizado por falas monossilábicas e gestos voltados para a sobrevivência
imediata. A animalização das personagens se manifesta de diversas formas nesse romance: as
crianças não chegam a ser nomeadas (são referidas como “menino mais novo” e “menino mais
velho”); como acontece com os animais, seu comportamento é determinado pela necessidade de
sobreviver a um espaço inóspito. A questão central da obra está na relação entre o indivíduo e a
sociedade, agora atravessada também pelo espaço dominado pela seca que empurra as pessoas
para uma condição de vida completamente desumana e as torna vítimas de “patrões”
inescrupulosos. Vidas secas permanece, ainda hoje, uma obra assustadoramente atual no retrato
que faz dos retirantes nordestinos que acalentam um único sonho: sobreviver
A Geração de 1945 e o Concretismo

A Geração de 1945 distancia-se da irreverência dos modernistas do início do século XX e


investe no trabalho formal da obra poética. O Concretismo representa um desdobramento
inesperado e radical do projeto de 1945: pela experimentação e exploração dos vários
aspectos da palavra, a sociedade é posta em análise.

 Fim da Segunda Guerra Mundial - Europa destroçada começa um lento processo de


reconstrução.
 Guerra Fria - dividi o mundo em dois blocos: o capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e
o socialista, conduzido pela União Soviética. O Brasil torna-se aliado do bloco capitalista, o
Partido Comunista entra na ilegalidade e tem início a perseguição aos intelectuais de
esquerda, entre eles Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e Jorge Amado

 Getúlio Vargas volta à presidência da República em 1951. No entanto, pressionado por


“forças ocultas” (exército e elite), não conclui seu mandato e comete suicídio.
 Juscelino Kubitschek.
 Desenvolvimento urbano

 A crise de valores sociais, ideológicos e estéticos instaurada após a Primeira Guerra


Mundial acentua- -se com o fim da Segunda Guerra. O Pós-Modernismo, cujo surgimento
está associado a esse período histórico, é marcado pela ruptura com algumas certezas que
sustentavam diversos campos da atividade humana: as fronteiras que definiam os conceitos
de belo e feio, bem e mal, certo e errado tornam-se tênues, e os artistas começam a
questionar os modelos modernos.

 O trabalho com a materialidade textual e a retomada de formas fixas e de modelos poéticos


clássicos são valorizados pelos autores da década de 1940 para delinear mais claramente os
limites entre o poético (trabalho com a forma) e o não poético (registro do elemento
prosaico do cotidiano). Péricles Eugênio da Silva Ramos, Ledo Ivo, Geir Campos, José
Paulo Paes e João Cabral de Melo Neto fazem parte dessa retomada dessa forma
A reinvenção da narrativa

 João Guimarães Rosa e Clarice Lispector são os principais responsáveis pela


transformação da narrativa ficcional no Brasil.
 A prosa de Clarice Lispector investiga os processos que tornam o ser humano único: para
reconhecer a própria identidade, as personagens mergulham em seu universo interior. Esse
reconhecimento leva à reavaliação do contexto em que se encontram e ao questionamento
de sua submissão em relação à família e à sociedade.
 Na obra de Clarice, o narrador às vezes ocupa o lugar de uma consciência crítica que
auxilia o leitor a refletir sobre esse processo de individuação. Para os dois autores, a
principal ferramenta da criação literária é o trabalho com a linguagem. Em Clarice
Lispector, a experimentação com a linguagem afeta principalmente a estrutura da
narrativa: o domínio da técnica do fluxo de consciência é sua principal característica.
Sem se preocupar com a linearidade da narrativa, a literatura de Clarice busca a compreensão da
consciência individual, marcada sempre pela grande introspecção das personagens. A epifania, na
obra de Clarice Lispector, representa o momento em que as personagens descobrem a própria
identidade a partir de um estímulo externo (um fato corriqueiro, como a visão de um cego
mascando chiclete), capaz de abalar a estrutura prosaica de suas vidas. Affonso Romano de
Sant’Anna identificou assim a estrutura das narrativas de Clarice: 1. A personagem encontra-se
numa determinada situação cotidiana. 2. Prepara-se um evento que é pressentido discretamente
pela personagem (algo como uma inquietação). 3. Ocorre o momento que ilumina sua vida
(epifania). 4. Apresenta-se o desfecho, no qual a situação da vida da personagem, após a epifania,
é reexaminada. Em seus contos, a presença constante de animais representa o “coração selvagem
da vida”, ou seja, simboliza a busca das personagens por sua individuação e pela libertação das
amarras sociais. Em Clarice, o trabalho com a linguagem revela uma desconstrução equivalente
àquela vivida pelas personagens, assumindo uma função libertária.

https://www.culturagenial.com/conto-amor-de-clarice-lispector/
João Paulo Paes

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2445/jose-paulo-paes

Osman Lins – Lisbela e o Prisioneiro

https://www.youtube.com/watch?v=ybg3ie_dJLc

https://www.youtube.com/watch?v=AZpUUjY962o

http://notaterapia.com.br/2017/03/15/leituras-47-lisbela-e-o-prisioneiro-de-osman-
lins/
A narrativa africana de língua portuguesa

A rica tradição de literatura oral das colônias africanas lusófonas foi aproveitada pelos
escritores engajados nos processos de independência e na construção de literaturas
verdadeiramente nacionais.

O aparecimento das literaturas de língua portuguesa na África resultou, por um lado, de um


longo processo histórico de quase quinhentos anos de assimilação de parte a parte e, por
outro, de um processo de conscientização que se iniciou nos anos 40 e 50 do século XIX,
relacionado com o grau de desenvolvimento cultural nas ex-colônias e com o surgimento de
um jornalismo por vezes ativo e polêmico que, destoando do cenário geral, se pautava numa
crítica severa à máquina colonial.
Em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, o escritor africano
vivia, até a data da independência, no meio de duas realidades às quais não podia ficar alheio: a
sociedade colonial e a sociedade africana. A escrita literária expressava a tensão existente entre
esses dois mundos e revelava que o escritor, porque iria sempre utilizar uma língua europeia, era
um “homem-de-dois-mundos”, e a sua escrita, de forma mais intensa ou não, registrava a tensão
nascida da utilização da língua portuguesa em realidades bastante complexas.

Ao produzir literatura, os escritores forçosamente transitavam pelos dois espaços, pois assumiam as
heranças oriundas de movimentos e correntes literárias da Europa e das Américas e as
manifestações advindas do contato com as línguas locais. Esse embate que se realizou no campo da
linguagem literária foi o impulso gerador de projetos literários característicos dos cinco países
africanos que assumiram o português como língua oficial.
Mia Couto
 Escreve e descreve as próprias raízes do mundo, explorando a própria natureza humana na sua
relação umbilical com a terra.
 Linguagem extremamente rica e muito fértil em neologismos, confere-lhe um atributo de
singular percepção e interpretação da beleza interna das coisas. Cada palavra inventada como
que adivinha a secreta natureza daquilo a que se refere, entende-se como se nenhuma outra
pudesse ter sido utilizada em seu lugar. As imagens de Mia Couto evocam a intuição de mundos
fantásticos e em certa medida um pouco surrealistas, subjacentes ao mundo em que se vive, que
envolve de uma ambiência terna e pacífica de sonhos – o mundo vivo das histórias.

Seu romance Terra sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.
Em 1999, o autor recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra e, em 2007 o
prêmio União Latina de Literaturas Românicas. Primeiro livro em 1983.

https://www.guiaestudo.com.br/terra-sonambula