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A Reforma Protestante

1517

1
A Reforma do Século XVI

Movimento restaurador.

Primariamente religiosa; dimensões políticas,
econômicas e sociais.

Origem das igrejas históricas do protestantismo.

Quatro manifestações principais: luteranismo,
calvinismo, anabatismo e anglicanismo.

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Causas
Papa Leão X

A situação da Igreja Católica medieval.

A insatisfação política e religiosa dos povos
europeus.

O nacionalismo emergente.

A ansiedade e insegurança provocadas pela
espiritualidade vigente.

Várias tentativas de uma reforma, mas de cunho
clerical, devido o problema do exílio francês, e moral,
devido abusos praticados pelo clero. 3
A PESTE NEGRA E SUAS CONSEQUÊNCIAS
A peste negra tem origem nas estepes da Mongólia, região em
que pulgas hospedeiras da bactéria Yersinia pestis infectaram
vários roedores que entraram em contato com áreas de moradia
humana. No continente asiático, as pulgas infectadas
abrigavam-se nas peças de roupa dos comerciantes e nos
animais de transporte. O comércio entre o Ocidente e o Oriente
é uma explicação para a chegada da peste negra no continente
europeu em1347.
No aspecto religioso, a peste também trouxe profundas
consequências. Por causa do caráter da enfermidade, que
frequentemente parecia atacar de repente pessoas
perfeitamente sãs e matá-las em poucas horas, começou-se a
duvidar do universo racional e ordenado que os escolásticos
conceberam. A superstição, que sempre existira, aumentou
entre o povo menos culto. Outra consequência da praga foi uma
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grande preocupação com o tema da morte.
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Os judeus e ciganos foram vítimas menores da peste
por conta de suas leis religiosas que envolvem a
prática de higiene. Ambos devem lavar as mãos a
cada refeição e separar os gêneros alimentícios. Com
menos mortes, os cristãos os acusaram de terem
criado a doença a fim de dizimar a cristandade em prol
do diabo.
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ORIGEM DO ESTADO MODERNO
Novas condições sociais e políticas, as pequenas
guerras entre senhores vizinhos, os impostos que cada
nobre impunha sobre os produtos que passavam por
seus territórios e o sonho dos grandes barões de criar
unidades autossuficientes atuavam em prejuízo do
comércio. Do ponto de vista da alta burguesia, um
governo centralizado e forte, que protegesse o
comércio, erradicasse o banditismo, regulamentasse a
moeda e evitasse as constantes guerras entre
pequenos vizinhos era altamente desejável. Assim,
essa classe deu apoio decidido aos esforços por parte
dos reis de limitar o poder da nobreza.
Surge o nacionalismo. 7
A guerra dos cem anos
Essa longa guerra teve consequências importantes para a vida
da igreja. O fato de que, durante boa parte dela, o papado
esteve em Avinhão, onde existia à sombra do trono francês,
contribuiu para aumentar a inimizade entre os ingleses e o
papado. Mais tarde, durante o Grande Cisma em que a Europa
se dividiu em sua obediência a dois papas, as alianças
estabelecidas durante a Guerra dos Cem Anos foram um dos
fatores que decidiam por qual papa cada país se decidia. Além
disso, a própria guerra dificultou a tarefa de sanar o cisma. Por
último, tanto na França como na Inglaterra, Escócia e outros
estados beligerantes, a guerra fortaleceu o crescente
sentimento nacionalista, contribuindo assim para debilitar
qualquer pretensão que o papado pudesse ter em termos de
uma autoridade universal.
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O DECLÍNIO PAPAL

O racha que o protestantismo representou para a
Igreja Católica foi, em grande parte, causado pelos
próprios papas durante um período de sessenta
anos entre meados do século XV e começo do XVI.

Perseguindo os despojos do cargo como cães a
farejar a caça, cada um dos seis papas, entre os
quais um Bórgia e dois Médici, revelou-se totalmente
dominado pela ambição de estabelecer a fortuna da
família.

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O papa Sisto IV, eleito em 1471, “inaugurou uma
fase de caça ao ganho pessoal e ao poder político
de forma notória, despudorada, incansável”. O
mais escandaloso de seus atos foi o envolvimento
e possível instigação dos Pazzi no tocante à
conspiração homicida contra os irmãos Médici.
Aliado aos Pazzi, ele teria aprovado ou até tomado
parte no obscuro negócio. Um papa assassino!
Segundo Tuchman, ninguém lamentou sua morte,
e Sisto IV deixou apenas descrédito no seu legado.

CAPELA SISTINA

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Inocêncio VIII, o primeiro papa que reconheceu
publicamente seu filho, Francesco.

A vice-chancelaria do papado de Inocêncio VIII ficou
com o Cardeal Bórgia, que controlava a Cúria.

Depois de servir sob cinco papas, tendo perdido a
última eleição, Bórgia teria simplesmente comprado
o papado diretamente de seus dois maiores rivais,
os Cardeais Della Rovere e Ascanio Sforza. O
papado de Alexandre VI, o título que usou, pode
ser resumido na palavra depravação.

Em 1493, o Papa Alexandre VI traçou uma linha que partia ao meio o oceano Atlântico, concedendo à
Espanha autoridade sobre toda a área a oeste.

O decreto de Alexandre e outros decretos similares foram usados pela Espanha para confirmar seu
direito de posse das terras recém-descobertas.

Por séculos, as nações europeias lutaram entre si para defender ou atacar a legitimidade de direitos
territoriais que tinham sido autorizados por decretos papais.

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Preparação

Os pré-reformadores:

João Wyclif (c.1325-1384) e os
lolardos.

João Hus (c.1372-1415) e os
irmãos boêmios/morávios.

A tradução das Escrituras nas
Erasmo de Roterdã línguas locais.

A obra dos humanistas.
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Os Pré-reformadores
Os considerados pré-reformadores foram intelectuais
que manifestaram suas insatisfações espirituais por
não encontrarem na igreja romana, espaço para que
pudessem exercitar sua fé. Essas insatisfações não
tinham por objetivo criar uma nova igreja, mas, sim,
fazer que a igreja romana voltasse à orientação da
Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Dessa maneira, a
Reforma deve ser vista como um movimento interno
por parte de “católicos” comprometidos com a Palavra
de Deus.
Inicialmente esse manifesto foi incorporado à erudição
dos intelectuais John Wycliff, John Huss e William
Tyndale. 13
OS PRE-REFORMADORES
Os valdenses são uma denominação cristã que
tiveram sua origem entre os seguidores de Pierre
Vaudès (Pedro Valdo), na Idade Média (c. 1140 – c.
1220). Eles criam:
• Na morte expiatória e a justificação de Cristo foi a
sua verdade cardeal.
• Na doutrina da Trindade
• A queda do homem, a encarnação do Filho
• Na autoridade perpétua do Decálogo como dado
por Deus
• Na necessidade da graça divina para praticar boas
obras, a necessidade de santidade, a instituição do
ministério, a ressurreição do corpo e a bem-
aventurança eterna do céu.

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As acusações contra os valdenses incluíram uma lista formidável de
"heresias". Eles sustentavam:
• que não houve verdadeiro Papa desde o dia de Silvestre; (Silvestre I –
33º Papa de 314 a 335, durante o reinado do imperador romano
Constantino I, que determinou o fim da perseguição aos cristãos,
iniciando-se a Paz na Igreja);
• que os ofícios temporais e dignidades não são encontrados entre os
pregadores do Evangelho,
• que as indulgências do papa eram uma fraude,
• que o purgatório era uma fábula;
• que relíquias eram simplesmente ossos podres que haviam pertencido a
não se sabia quem;
• que ir em peregrinação não servia para nada, senão para esvaziar as
economias,
• que a carne podia ser consumida em qualquer dia, se o apetite lhe
conviesse; que água benta não foi nem um pouco mais eficaz que a
água da chuva;
• e que a oração em um celeiro era tão eficaz como se oferecida em uma
igreja. 15

Valdo e seus seguidores passaram, então, a
pregar suas ideias pela região. Em virtude
de sua recusa em interromper suas
pregações, eles foram excomungados em
1184.Valdo também foi um tradutor, que
traduziu a Bíblia .

Mesmo após a morte de Pedro Valdo, em
1220, seus discípulos continuaram o
movimento, sendo nomeados, então, OS
VALDENSES.

Condenados pelo papado, os valdenses
foram perseguidos durante a Idade Média e
a Reforma

Protestante, quando juntaram-se ao
nascente protestantismo no Sínodo de
Chanforan em 1532.

Desde então, os valdenses subscrevem ao
Calvinismo.
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John Tauler (1300-1361): Tauler nasceu na cidade de
Strasbourg Alemanha por volta de 1300. Entrou para a
ordem dominicana local aos quinze anos de idade. O
fundamento, para Tauler, é a essência de nossa alma e é o
lugar onde vamos ter contato direto com a Divindade.
Enfatiza que neste nível profundo somos guiados por uma
fome insaciável por Deus e uma predisposição para recebê-
lo. Os textos enfatizam também que devemos abandonar o
egoísmo e nossa vontade própria se queremos nos unir a
Deus, e Tauler dá a maior relevância ao papel de Cristo
neste processo. A atitude que devemos aprender é
essencialmente a passividade, deixando Deus trabalhar em
nós.

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TEOLOGIA DE WYCLIFFE

Wycliffe (1328-1384) enfatizou cada vez mais a autoridade das Escrituras


em detrimento da do papa e da tradição eclesiástica. Ele concordava com o
que Tertuliano escrevera, de que as Escrituras pertencem à igreja, e por
isso devem ser interpretadas dentro dela e por ela, mas não concordava
que a igreja era a hierarquia eclesiástica.
Acompanhando Agostinho, e baseando-se em textos do apóstolo Paulo, ele
chegou à conclusão de que a igreja era o conjunto de predestinados. A
verdadeira igreja é invisível, pois na visível e institucional há perdidos ao
lado dos que foram predestinados para a salvação.
Traduzir a Bíblia ao vernáculo, à língua comum do povo.
Desenvolveu uma doutrina da Ceia na perspectiva Consubstanciação,
valores que influenciarão Lutero mais tarde.
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Os Lollardos
As doutrinas de Wycliffe tiveram sua expressão no movimento dos “
lollardos” — termo pejorativo que seus inimigos lhes aplicavam e que deriva
de uma palavra holandesa que quer dizer “murmuradores”.
As doutrinas do lollardismo eram claras, taxativas e revolucionárias. A Bíblia
deveria ser colocada à disposição do povo no vernáculo. As distinções entre
clero e leigos, com base no rito de ordenação, eram contrárias às
Escrituras. A principal função dos ministros de Deus deveria ser pregar, e
eles deveriam estar proibidos de ocupar cargos públicos, pois “ninguém
pode servir a dois senhores” . Além disso, o celibato de sacerdotes, monges
e monjas era uma abominação que produzia imoralidade, aberrações
sexuais, abortos e infanticídios. O culto às imagens, as peregrinações, as
orações em favor dos mortos e a doutrina da transubstanciação eram pura
magia e superstição.

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JOHN HUSS E OS HUSSITAS
Fortemente influenciado por Wycliffe, reitor
Universidade de Praga e pregador da
capela de Belém. Tal postura de Huss
causou uma forte oposição da Igreja, como
era de se esperar. Entretanto, as condições
sociais a que estava submetida grande
parte da população da região contribuíram
para que a situação se tornasse ainda mais
conflituosa. A pregação de Jan Huss sobre
a criação de um mundo de justiça social
entrava também em conflito com a situação
de exploração e miséria a que estavam
submetidos os camponeses da Boêmia.
Para Huss, a desintegração do mundo
contemporâneo a ele era o indício do
aparecimento do anticristo.
20
JOHN HUSS E OS HUSSITAS
A morte de Huss trouxe três movimento
Hussitas, um grupo de 452 nobres que protestaram contra a morte de Huss,
e passaram a seguir a doutrina de Huss.
Longe da capital, existiam movimentos populares de origens obscuras, que
se opunham à igreja estabelecida. Desses, o principal era o do monte Tabor.
Os taboritas eram revolucionários apocalípticos que criam que o fim estava
próximo, estando dispostos a contribuir para sua vinda usando da espada.
Suas doutrinas eram muito mais radicais que as dos verdadeiros hussitas.
Outra comunidade ou fraternidade semelhante à dos taboritas, mas menos
apocalíptica, era a do monte Horebe.
Os taboritas insistiam que tudo o que não estivesse na Bíblia deveria ser
rejeitado. Contra eles, os hussitas de Praga diziam que somente deveria ser
rejeitado o que contradissesse os ensinos claros das Escrituras. Por isso, os
hussitas mantinham boa parte das cerimônias tradicionais, as vestimentas
eclesiásticas e os ornamentos nas igrejas. Os taboritas rejeitavam tudo isso.
21
John Pupper of Goch (1400-1475), natural dos Países Baixos,
sustentava que “somente a Bíblia tem autoridade
incontestável”, e que a Igreja e mesmo os Pais da Igreja estão
sujeitos a erro e são de valor somente na medida em que
estão de conformidade com as Escrituras. Ele teve íntima
conexão com os Irmãos da Vida Comum, era um sacerdote, e
por quarenta anos foi reitor e confessor de uma casa de
canonisas, em Mechlin, onde se observava a regra de
Agostinho. Profundamente religioso, ele enfatizou o amor de
Deus. Influenciado por Agostinho, deu distinção a graça na
salvação. Ele se opôs ao legalismo e ao pelagianismo e
enfatizou uma disposição interior da alma e o que lhe parecia
a verdadeira liberdade cristã. Parece que nunca teve
dificuldades com as autoridades eclesiásticas, pois o seu
modo de vida quieto e contemplativo o manteve fora da
observação pública.
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Muito diferente foi a trajetória de seu amigo, John Wessel
(c.1410-1481). Um graduado da Universidade de Erfurt,
professor nessa instituição, e mais tarde um reconhecido
pregador em Mainz e Worms, John Wessel mantinha como
fundamental a convicção de que não deveria dizer ou escrever
nada contrário ao que está contido na Bíblia. Ele desafiava a
base sobre a qual as indulgências papais eram concedidas,
declarando que conquanto o papa de Roma poderia absolver
das punições impostas pelo homem ou pela lei positiva, ele não
poderia libertar qualquer pessoa das penalidades impostas por
Deus em razão do pecado. Ele também desafiava a crença no
tesouro da Igreja e dizia que se os santos tivessem adquirido
mérito, ele se atribuiria somente a Deus. Ele intrepidamente
asseverava que ninguém tem autoridade para conceder
indulgência. Sustentava que a graça de Deus levanta um
pecador de sua queda e que não existe razão alguma para a
mediação da Igreja. No final de sua vida, foi arrastado perante a
Inquisição. 23
Um contemporâneo ligeiramente mais jovem desses dois, Wessel Gasvoort
(c. 1420-1489), nativo de Groningen, teve parte de seu primeiro treinamento
com os Irmãos da Vida Comum, impressionouse muito com A imitação de
Cristo, e chegou a conhecer Thomas à Kempis. Ansioso pelo aprendizado,
viajou muito na Europa Ocidental, conheceu Paris e Roma, mas raramente
permaneceu muito tempo em um lugar e não se prendeu por qualquer laço
duradouro. Ele foi profundamente influenciado por Platão e escreveu
extensamente sobre teologia. Procurando com seriedade a verdade, em
seus anos de maturidade afligiu-se por dúvidas, mas eventualmente as
resolveu e declarou que não conhecia nada além de Jesus Cristo e este
crucificado. Sustentava que, sendo inspirada pelo Espírito Santo, a Bíblia é
a autoridade final em matéria de fé. Para ele, a Igreja era a comunhão dos
santos. Ele negou que os sacramentos são em si mesmos eficazes meios
de graça, e declarou que a infusão de amor no coração é o verdadeiro
batismo e que o sacerdote é somente um ministro de Deus e que não
poderia contribuir em nada para o poder do sacramento. Ele rejeitou
completamente as indulgências. Sustentava que tudo o que Cristo fez e
sofreu foi com o propósito de estimular e nutrir o amor e que a eucaristia,
embora uma comida física, é importante, e que a comida espiritual é a única
proveitosa.
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William Tyndale (1494-1536): Nascido em 1494, na parte oeste da
Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde
estudou as sagradas escrituras no hebraico e no grego. Aos trinta anos,
fez uma promessa que haveria de traduzir a bíblia para o inglês para que
todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e
compreender as Escrituras em sua própria língua. Isso porque a Igreja
Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga de ler a bíblia.
Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas
Letras, por isso precisava de sua ajuda. A interpretação era feita segundo
a sua conveniência, e para fins políticos e financeiros. Com esse desejo
em seu coração, Tyndale partiu para Londres em 1523, buscando um
lugar que pudesse dar início ao seu projeto.
Não sendo recebido pelo bispo de Londres, Humphrey Munmouth, um
comerciante de tecido, lhe deu todo apoio necessário. Em 1524, Tyndale
foi obrigado a deixar a Inglaterra e partir para a Alemanha para dar
continuidade ao seu trabalho. 1535 foi preso e no ano seguinte morreu
estrangulado.

25
RENASENÇA E HUMANISMO

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O artista inova ao retratar um casal de burgueses, fato que
contrariava os padrões artísticos da época que priorizavam
a religiosidade e a nobreza.

27
Renascença e Humanismo
A Renascença estava a caminho com seu companheiro, o
humanismo. A Renascença era multiforme e complexa. Em
seu sentido mais amplo, ela abarcava a maioria das correntes
que moldavam a Europa Ocidental nos séculos 14, 15 e 16.
Ela corria paralela com as descobertas na geografia e
astronomia, com o crescimento no comércio, e com os novos
movimentos na literatura e na arte. Ela estava intimamente
relacionada a um entusiasmo pela literatura pré-cristã da
Grécia e Roma e a um crescente estudo do grego.
Um proeminente e primitivo humanista foi Petrarca (1304-
1374). Em contraste com o ascetismo e desprezo pelo mundo
em que a Idade Média professara ver o caminho para o alvo
do curso do homem, a vida eterna, Petrarca e os humanistas,
em geral, tinham uma exuberante apreciação da vida nesse
presente mundo. Eles foram atraídos pelo que viam em
Virgílio, Cícero, e Horácio. 28
29
De modo crescente, eles se tornaram especialistas
nos grandes poetas, historiadores, ensaístas, e
filósofos da Grécia e de Roma. Eles se regozijavam
na expressão verbal e apreciavam a literatura pela
habilidade e graça que ela mostrava e o presente
desfrute que ela proporcionava. Os homens da
Renascença tinham prazer na natureza e
procuravam explorá-la e entendê-la. Eles eram
fascinados pela beleza do corpo humano e se
esforçavam para estudar sua anatomia e para
reproduzi-lo na arte. Eles se entusiasmavam com os
exemplos sobreviventes da escultura da Grécia e
Roma pré-cristãs com os seus fiéis retratos do corpo
em bronze ou pedra.
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Eram autoconfiantes, crendo em si mesmos e no homem.
Tinham alegria em suas faculdades críticas, e
especialmente em desafiar o que era aceito na Idade Média.
Zombavam do escolasticismo e dos escolásticos.
Admirando e revivendo a arquitetura de Roma e Grécia,
desprezaram a arquitetura da Idade Média, chamando-a
com desdém de gótica, pelo que queriam dizer bárbara.
Buscaram satisfação nas realizações humanas e
acreditavam no poder do homem para entender o mundo e
para dominá-lo. Pensavam do homem como o arquiteto
capaz de seu próprio futuro. Conquanto prestassem culto de
lábios à fé cristã, tendiam a descartar Deus, a necessidade
de redenção, e a encarnação, e a ignorar a vida além-
túmulo. Com frequência ostentavam a moralidade cristã.

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CARACTERÍSTICAS DO RENASCIMENTO E DO
HUMANISTA
O hedonismo: O hedonismo (do grego hēdonē que significa prazer) é uma
teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer individual e
imediato o supremo bem da vida humana.
Individualismo: É um conceito político, moral e social que exprime a
afirmação e liberdade do indivíduo frente a um grupo, especialmente à
sociedade e ao Estado. Usualmente toma-se por base a liberdade no que
concerne a propriedade privada e a limitação do poder do Estado.
Otimismo: No Renascimento ele significa poder fazer tudo sem nenhuma
restrição e abertura ao novo.
Racionalismo: O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a
definição do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica.
Política : Na ITÁLIA, Nicolau Machiavelli (1467-1527); Tomás More ou Morus
(1480-1535) Inglaterra; João Althusius (1557-1638) Alemanha; Hugo Grócio
ou de Groot (1583-1645), holandês.
COMBATIAM O PECADO ORIGINAL, ADOTANDO UM SEMI-
PELAGIANISMO, TENDENDO A UM PELAGIANISMO. 34
Botticelli “Alegoria da Primavera”

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Erasmo de Roterdã

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Erasmo de Roterdã

Desiderius Erasmus Roterodamus, mais
conhecido como Erasmo de Roterdã, foi um
escritor, teólogo, filósofo, crítico social e monge
católico holandês. Sua obra principal foi Elogio da
Loucura, em que satirizou a sociedade europeia e
a igreja ocidental (principalmente no tocante a
algumas crenças e superstições). É considerado
um dos grandes pensadores do Renascimento
Cultural.

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Erasmo de Roterdã

Escreveu favoravelmente à doutrina do livre
arbítrio, defendida pela Igreja Católica. Desta
forma, recebeu a oposição do nascente movimento
protestante (principalmente luterano), que defendia
a doutrina da predestinação. (O lire-arbítrio nesta
época estava dominada pelo semipelagianismo).


- Tinha posição favorável à tolerância religiosa e ao
ecumenismo (Se desligou de Lutero, pois via nela a
ideia de prosseguir sua Reforma acompanhada por
um cisma) 38
Erasmo de Roterdã
Na área da Educação, Erasmo defendeu o
conhecimento dos clássicos bem como a autonomia
do saber em relação à religião. Ou seja, ele defendia
o término do domínio religioso na educação.

Adágios (1500)

- Manual do cristão militante (1503)

- O Elogio da Loucura (1509)

- Sobre o método de estudo (1511)

- A educação de um príncipe cristão (1516)

- Eclesiastes (1535)
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ARQUITETURA GÓTICA
Catedral de Notre-Dame de Reims(França)

O estilo arquitetônico gótico prevaleceu na Europa Medieval entre os


séculos XIII e XV. Este estilo foi usado, principalmente, na construção das
grandes catedrais católicas do período.
Principais características da arquitetura gótica:
- Presença de sustentação estrutural através de arcobotantes (suportes
construídos na parte de fora da construção).
- Presença de abóbadas e arcos com formato ogival.
- Planta arquitetônica com formato de cruz latina.
- Presença de vitrais com temas religiosos, principalmente nas catedrais. A
iluminação era também obtida com a presença de grandes janelas.
- Presença de torres pontiagudas e esguias. A verticalidade está ligada a
concepção teológica de que o homem está em busca do contato com
Deus. ( FOI SUBSTITUIDA PELO BARROCO OU ROCOCÓ). 40
INVENÇÃO DA IMPRENSA
A vida intelectual da Europa Ocidental
recebeu um ímpeto adicional pela
invenção da imprensa com tipos móveis.
Isso ocorreu não distante da metade do
século 14. O instrumento se espalhou
rapidamente e, substituindo a lenta e
custosa multiplicação de livros por
transcrição manual, facilitou grandemente
a circulação de ideias. Ele foi favorecido
pelo uso do papel em lugar do caríssimo
pergaminho. A manufatura de papel,
provavelmente derivado indiretamente da
China, tornou-se comum na Europa nos
séculos 13 e 14. 41
O Estopim da Reforma

A experiência religiosa de Lutero.

A eleição do sacro imperador
romano (Alemanha).
Arcebispo Alberto 
A escolha do arcebispo de Mainz
(Alberto de Brandemburgo)

A venda das indulgências.

As Noventa e Cinco Teses.

Caixa de Coletas 42
Martinho Lutero


1505 - Ingressa no mosteiro
agostiniano de Erfurt.


1512 - Torna-se professor da
Universidade de Wittemberg.

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Wittenberg e Igreja do Castelo

44
Lutero


1517 - 31 de outubro: convoca a
comunidade acadêmica para um
debate sobre as indulgências (as
95 Teses).

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46
Lutero

1519 - Em debate com João Eck,
defende Hus e afirma que papas e
concílios podem errar.

1520 - Bula Exsurge Domine dá-lhe
60 dias para retratar-se. É queimada
em praça pública.

1520 - Escreve À Nobreza Cristã da
Nação Alemã, O Cativeiro Babilônico
Catarina de Bora da Igreja e A Liberdade do Cristão.

47
Lutero


1521 - Bula de excomunhão:
Decet Pontificem Romanum.

Lutero vai à Dieta de Worms:
defende-se e é condenado.

Refugia-se no Castelo de
Wartburg, onde começa a traduzir
a Bíblia.
48
1. Castelo de Wartburg
2. Aposento de Lutero
3. Bíblia Alemã

49
Luteranismo

Idéias de Lutero difundem-se na
Alemanha e na Europa graças à
imprensa.

1529 - Dieta de Spira: surge o
Oficina do nome “protestantes.”
Impressor 
1529 - Filipe de Hesse convoca o
Colóquio de Marburg. Divergência
entre luteranos e zuinglianos sobre
a Ceia do Senhor.
50
Luteranismo

Surgem igrejas nacionais luteranas na
Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia.

Na Alemanha, ocorrem guerras entre
católicos e luteranos, que cessam com
a Paz de Augsburgo (1555).

Princípio: “cuius regio, eius religio.”
Imperador 
Houve novas guerras na primeira
Carlos V
metade do século XVII, até a Paz de
Westfália (1648).

51
2. A Reforma Calvinista

O segundo movimento de reforma
surgiu na Suíça.

Seus primeiros líderes foram Ulrico
Zuínglio (Zurique) e João Calvino
(Genebra).

Esta segunda expressão histórica
do protestantismo ficou conhecida
como “movimento reformado.”

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Ulrico Zuínglio

1484 - Nasce em Wildhaus.

1516 - Lê o Novo Testamento traduzido
por Erasmo.

1518 - É nomeado sacerdote da
catedral de Zurique. Torna-se afamado
pregador bíblico.

1522 - Questiona o jejum da quaresma
e o celibato clerical; abandona o
sacerdócio e torna-se pastor
evangélico.

53
Zuínglio

1523 - Início dos debates públicos
em Zurique. Os Sessenta e Sete
Artigos.

Zuínglio casa-se publicamente
com Ana Reinhart.

1525 - As missas são abolidas em
Zurique. Passa-se a celebrar a
Ceia do Senhor. Surge o
movimento anabatista.
54
Zuínglio

1529 - Encontra-se com Lutero e
outros líderes no Colóquio de
Marburg.

1531 - Morre na segunda batalha
de Kappel.

Movimento reformado difunde-se
Bullinger, sucessor na Suíça e no sul da Alemanha.
de Zuínglio

55
Participantes do Colóquio
de Marburgo

Martinho Lutero
Justus Jonas
Filipe Melanchton
André Osiander
Estêvão Agrícola
João Brentz
João Ecolampádio
Ulrico Zuínglio
Martin Butzer
Gaspar Hedio 56
João Calvino

Com a morte precoce de Zuínglio,
o movimento reformado passou à
liderança de João Calvino.

1509 - Calvino nasce em Noyon,
no nordeste da França. Seus pais
são Gérard Cauvin e Jeanne Le
Franc.

1523 - Estuda e humanidades e
teologia em Paris.
57
Calvino

1528 - Estuda direito em Orléans e
Bourges.

1531 - Retorna a Paris e retoma
seus estudos humanísticos.
Escreve um comentário do tratado
de Sêneca “De Clementia.”

1533 - Converte-se e tem de fugir
de Paris. Começa a escrever a sua
obra magna.
58
Calvino

1536 - Primeira edição da
Instituição da Religião Cristã ou
Institutas (Basiléia).

1536 - Deseja ir para Estrasburgo;
Guilherme Farel convence-o a ficar
em Genebra.

1538 - Devido a conflitos com as
autoridades civis, ambos são
expulsos.
59
Calvino

1538-41 - Calvino passa três anos
felizes em Estrasburgo:

Pastoreia uma igreja de refugiados
Martin Butzer franceses.

Participa de conferências com o
reformador Martin Butzer.

Leciona na academia de João Sturm.

Casa-se com Idelette de Bure.

Escreve diversas obras.

60
Calvino
Calvino e os pastores  1541 - Calvino retorna a Genebra;
de Genebra
Escreve as Ordenanças
Eclesiásticas. Enfrenta uma longa
luta com os magistrados.

1559 - Torna-se cidadão de
Genebra, funda a Academia e
publica a última edição das
Institutas.

1564 - Morre no dia 27 de maio.
61
Princípios calvinistas

A soberania de Deus na criação,
providência e redenção.

O estudo sério e criterioso das
Escrituras.

A importância da educação, para
os pastores e os crentes em geral.

Governo representativo através de
presbíteros e concílios.

62
3. A Reforma Anabatista

1522 - Grupo de jovens religiosos e
humanistas reúne-se em torno de
Zuínglio, em Zurique (os Irmãos
Suíços).

1525 - Conflitos acerca do batismo
infantil; primeiros batismos de adultos
e primeira congregação anabatista.

Também conhecidos como
reformadores radicais.
Menno Simons

63
Anabatistas


1527 - União Fraternal reúne-se
em Schleitheim e aprova uma
Confissão de Fé escrita por Miguel
Sattler.

Começa um período de intensas
perseguições em diversas partes
da Europa.

64
Anabatistas


1534-36 - Extremistas criam uma
teocracia em Munster e são
destruídos.

1536 - Menno Simons torna-se
líder dos anabatistas da Holanda.
Fundador da Igreja Menonita.

1540 - Simons publica a obra
Fundamento da Doutrina Cristã.
65
Princípios Anabatistas

Volta ao ideal da igreja primitiva.

Separação entre igreja e estado.

Batismo de adultos, por imersão.

Afastamento do mundo.

Fraternidade e igualdade.

Pacifismo: proibição de porte de
armas e serviço militar.

Vida comunitária em colônias
agrícolas.
66
4. A Reforma Anglicana

Ao contrário de outros países da
Europa, na Inglaterra a Reforma
foi introduzida pela ação direta de
alguns reis.

1527 - Henrique VIII procura a
anulação do seu casamento com
Rei Henrique VIII Catarina de Aragão, mas o papa
recusa-se a atendê-lo.

67
Henrique VIII

1533 - Um tribunal eclesiástico
inglês declara nulo o casamento
do rei.

1534 - O Ato de Supremacia
reconhece o rei como “chefe
supremo” da Igreja da Inglaterra.

1547 - Eduardo VI sucede o pai.
Seus conselheiros são todos
protestantes.
68
Esposas de Henrique VIII 69
Eduardo VI e Maria I

1549 - Adotado o Livro de Oração
Comum, escrito por Thomas
Cranmer, Arcebispo de Cantuária.

1552 - Cranmer escreve os
Quarenta e Dois Artigos (teologia
calvinista).

1553 - Eduardo morre e sua irmã
Maria Tudor sobe ao trono.

70
Maria I, a sanguinária

1555 - Muitos evangélicos são
mortos ou exilados. Mártires mais
famosos: Nicolau Ridley e Hugo
Latimer.

1556 - Cranmer também é morto
na fogueira.

1558 - Maria morre e é sucedida
por sua irmã Elizabete.

71
Elizabete I

Elizabete tem um longo governo
de 45 anos (1558-1603) e implanta
definitivamente o protestantismo
na Inglaterra.

O anglicanismo reúne elementos
católicos (hierarquia, liturgia) e
reformados (teologia).

Compõe-se da Igreja Alta e da
Igreja Baixa (evangélica).
72
Rainha Elizabete I
73
A Reforma Escocesa

A Reforma na Escócia é parte da
Reforma Calvinista.

O líder que mais contribuiu para
implantar o calvinismo na Escócia
foi João Knox (c.1514-1572).

No continente europeu, as igrejas
calvinistas foram chamadas de
igrejas reformadas; na Escócia,
igrejas presbiterianas.
Estátua de Knox na Universidade de Edinburgo 74
OS SANGUE DOS MARTIRES DA REFOMA

Os primeiros mártires da Reforma veio da Holanda,
monges que estudaram em Wittenberg, e começaram
a divulgar a Reforma, Heinrich Voes e Johann Esch
em julho de 1523, morrem numa estaca, e o líder
Lamberth Thorn em 1528. Surge o primeiro
martirológico, e uma canção de Lutero (agosto de
1523). Por ordem de Carlo V.

Patrick Hamilton, martirizado em 1528 na Escócia,
conhecido como um pré-reformador.
Surge o Livro dos Martires, escrito por John Foxe e publicado pela primeira
vez em latim, em 1559, e depois em inglês, em 1563, entre 1563 e 1684
teve nove edições. Narra as histórias de reformadores e mártires famosos,
como Policarpo, John Wycliffe, John Huss, Lutero, Hugh Latimer, Thomas
Cranmer e muitos outros que sofreram perseguição e martírio pelos
pagãos e pela Inquisição. O livro foi também ilustrado com gravuras. 75
Surgimento das confissões

1) CONFISSÃO GAULESA: (1559)

A Confissão Gaulesa exerceu grande influência doutrinária
sobre outras Confissões Reformadas. Ela foi escrita por
Calvino (1509-1564) e seu discípulo Antoine de la Roche
Chandieu (De Chandieu) (1534-1591).


2) CONFISSÃO ESCOCESA: (1560)

Esta Confissão foi escrita sob a liderança de John Knox
(1505-1572), em quatro dias por seis homens que tinham
como prenome “John”: Spottiswoode, Millock, Rowe,
Douglas, Winram e Knox. A Confissão Escocesa foi adotada
pelo Parlamento escocês em 17 de agosto de 1560

76

CONFISSÃO BELGA: (1561)
A Confissão Belga que se inspirou na Confissão Gaulesa
(1559), foi escrita em francês em 1561 por Guido (ou Guy,
Wido) de Brès (1523-1567), com a ajuda de M. Modetus,
Adrien de Saravia (1513-1613) – um dos primeiros
protestantes a advogar a ideia de missões estrangeiras e G.
Wingen, sendo revisada por Francis Junius (1545-1602) e,
publicada a sua tradução em holandês em 1562.
XXXIX ARTIGOS DA IGREJA DA INGLATERRA:
(1563)
Em 1552, o Arcebispo de Cantebury, T. Cranmer (1489-1556),
elaborou juntamente com outros clérigos, Quarenta e Dois
Artigos da Religião, última revisão e redução, foi ratificada
pelas duas Casas de Convocação, sendo os Trinta e Nove
Artigos publicados por autoridade da rainha em 1563.
77

CATECISMO DE HEIDELBERG:(1563)

Esta Confissão foi escrita por dois jovens teólogos:
Caspar Olevianus (1536-c. 1587) – quem recebeu
influência de Melanchton (1497-1560) e de Peter
Martyr Vermigli (1560-1562).

SEGUNDA CONFISSÃO HELVÉTICA: (1562-1566)

A Segunda Confissão Helvética, foi primariamente
elaborada em latim, em 1562, pelo amigo,

discípulo e sucessor de Zuínglio (1484-1531),
Henry Bullinger (1504-1575). Esta Confissão “veio
a ser o elo de união para as igrejas calvinis-

tas espalhadas por toda a Europa”
78

CÂNONES DE DORT: (1618-1619)
O Sínodo de Dort reuniu-se por autoridade dos
Estados Gerais dos Países Baixos, em Dordrecht,
Holanda.

CONFISSÃO E CATECISMOS DE
WESTMINSTER:(1647-1648)
A Confissão de Westminster bem como os
Catecismos Maior (1648) e Menor (1647), foram
redigidos na Inglaterra, na Abadia de Westminster,
conforme convocação do Parlamento Britânico.

79
As teologias sistemáticas

A produção d e obras d e teologia sistemática. O
resgate do escolasticismo nos círculos teológicos
luterano, calvinista e católico romano levou ao
aparecimento de obras extensas na área de
teologia sistemática, em muitos aspectos
comparáveis à Summa theologiae [Suma
teológica], de Tomás de Aquino. Essas obras
objetivavam a apresentação de explicações
elaboradas e abrangentes sobre a teologia cristã,
demonstrando os pontos fortes de uma posição
frente às deficiências de posições contrárias.
80

Teodoro d e Beza (1519-1605), notável escritor
calvinista, professor de teologia na Academia de
Genebra, de 1559 a 1599. Os três volumes de sua
obra Tractationes theologicae [Tratados teológicos],
de 1570 a 1582, apresentam uma descrição
racionalmente coerente dos principais elementos
da teologia reformada mediante o uso da lógica
aristotélica. O resultado é uma descrição que
apresenta argumentação consistente e defesa
racional da teologia de João Calvino, na qual
algumas das tensões não resolvidas dessa teologia
(principalmente em relação às doutrinas da
predestinação e da expiação) são esclarecidas.
81

Johann Gerhard (1582-1637), escritor luterano,
indicado como professor de teologia na
Universidade de Jena, em 1616, onde permaneceu
pelo restante de sua carreira. Gerhard reconheceu
a necessidade de uma apresentação sistemática
da teologia luterana, face à intensa oposição
calvinista. A forma básica das obras luteranas de
teologia sistemática havia sido definida em 1521,
quando Filipe Melancton publicou a primeira edição
de sua obra Loci com mu nes [Lugares comuns], na
qual os assuntos eram tratados topicamente, não,
de forma sistemática.
82