Você está na página 1de 21

BEBÊ CHIADOR OU LACTENTE SIBILANTE

Conceito 

“Qualquer lactente que tenha apresentado pelo menos dois episódios de sibilância em
prazo não superior a 2 meses ou que esteja na vigência de quadro sibilante com mais
de 1 mês de duração”.
 
- Trata-se de uma síndrome (conjunto de causas) que levam à sibilância de
apresentação no primeiro ano de vida.
 
- A etiologia da sibilância envolve qualquer processo fisiopatológico que resulte em
danos ao fluxo de ar mediado pela redução do diâmetro das vias aéreas.

- O lactente com episódios freqüentes de sibilância, pode ter seu diagnóstico


presuntivo de asma estabelecido, porém sempre se terá cautela em definir como asma
"verdadeira", pois muitos destes deixarão de sibilar com o passar do tempo.
 
O sibilo indica obstrução parcial da VA (broncoespasmo, secreções, inflamação ou
alterações estruturais da parede da via aérea)
 O esforço expiratório excede ao requerido para conseguir fluxo aéreo máximo dentro
da VA, ocorrendo vibrações.
 
Conceito
 
Sibilos nas Doenças das Pequenas Vias Aéreas
 
Esforço expiratório para vencer a resistência aumentada

Pressão pleural aumentada

Estreitamento dinâmico de segmentos das VA´s

Sibilos
 
CARACTERÍSTICAS DO SITEMA RESPIRATÓRIO DA
CRIANÇA

 A respiração até o 6º mês é predominantemente


nasal
 As narinas opõem uma resistência de 11 – 41% do
total do fluxo aéreo
 A Laringe é mais superior e estreita
 A epiglote é mais longa, estreita e rígida mais
horizontal em forma de “U” ou “V”
 E a mucosa é mais fina ( traumatiza mais
facilmente e estimula ao reflexo vagal)
VIAS AÉREAS DE CONDUÇÃO
As vias aéreas de condução na criança são
menores e mais estreitas do que as do
adulto.
 A traquéia do recém-nascido tem aproximadamente
5 a 6 cm de comprimento e 4mm de diâmetro,
 Há um sítio de estreitamento nas vias respiratórias à
nível da cricóide (abaixo das cordas vocais)
 O brônquio fonte direito é mais inclinado na criança
do que no adulto
 Vias mais curtas e estreitas favorecendo o aumento
da resistencia das vias aéreas (na criança menor de 5
anos é 4 vezes maio que no adulto) . A lei de Poiseuille
estabelece que a resistência ao fluxo de ar em um tubo é inversamente
proporcional à quarta potência do raio (r) do tubo
 Maior densidade das células produtoras de muco

 Hiperresponsividade brônquica

 Complacência torácica maior

 Complacência pulmonar menor


CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA
RESPIRATÓRIO DA CRIANÇA

O gradil costal do recém nascido é composto


principalmente por cartilagem e tem alta complacência.
Durante períodos de esforço respiratório, a parede torácica
da criança é facilmente tracionada para dentro
 Músculo diafragma principal na determinação do volume
pulmonar (maior parte)
 Músculos intercostais pouca ação como inspiratórios e
expiratórios agem mais como fixadores do gradil costal
 Hipotonia eixo (incluindo músculos abdominais)
CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA
RESPIRATÓRIO DA CRIANÇA

 Músculos respiratórios pouco resistentes à fadiga


(maior nº de fibras pouco oxidativas e de contração
rápida)

 Aparecimento dos poros de Köhn, canais de Lambert


e canais de Martin (permitem a ventilação colateral)
só começam a aparecer por volta do 6º ano de vida e
se completam por volta do 13º
CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA
RESPIRATÓRIO DA CRIANÇA

 Caixa torácica mais circular e plana (costelas


horizontalizadas

 Inserção do diafragma na horizontal (menor área de


aposição
Sibilantes Transitórios Precoces
 
•São sibilantes que não desenvolverão asma.
• Geralmente, associados aos processos infecciosos de etiologia viral.
• Este grupo tem como uma de suas características, a exposição ao tabaco. A
associação entre o fumo materno e o chiado precoce e transitório no lactente pode
se entendida, pelo menos em parte, como um efeito do fumo no desenvolvimento
pulmonar fetal, resultando na diminuição do calibre das vias aéreas e maior
probabilidade de aparecimento de sintomas em situações onde há processo
inflamatório das vias aéreas inferiores, como nas infecções virais. Com o
crescimento pulmonar e aumento do calibre das vias aéreas a predisposição à
sibilância desaparece por volta dos dois anos de idade

 OBS.: Os malefícios do tabagismo passivo, no entanto, persistem. A presença de


um fumante no domicílio se correlaciona a um maior risco de sintomas
respiratórios persistentes, inclusive em indivíduos não atópicos
 
Lactente sibilante com Tendência Asmática Lactente Sibilante com Tendência Não
Asmática

História familiar de asma Sem história familiar de asma

História familiar de sibilância transitória nos História familiar de sibilância transitória nos
primeiros anos de vida primeiros anos de vida

Níveis séricos elevados de IgE Níveis séricos normais de IgE

Exposição ao tabaco durante a gestação e Exposição ao tabaco durante a gestação e


após o nascimento após o nascimento

Hiperresponsividade brônquica Redução de calibre das vias aéreas (antes de


expostos à infecção viral)

Com dermatite atópica e rinite alérgica Sem manifestações clínicas de atopia

Sibilos associados a infecções virais Sibilância principalmente associada a


respiratórias e outros desencadeantes infecções respiratórias virais
Causas de Sibilos
 
Causas Mais Freqüentes:

•- Doença aspirativa: disturbio de deglutição ou refluxo gastroesofageano.


•Asma de apresentação precoce;
•- Sibilos associados a infecções virais ou decorrentes de bronquiolite viral aguda;

•- Causas Frequente:

• Aspiração de corpo estranho:


•Displasia Broncopulmonar:
•Imunodeficiência:
•Tuberculose:
• Bronquiolite Obliterante:
• Fibrose Cística:
• Malformações:
•Cardiopatia:
Dados da História que Sugerem Asma no Lactente Sibilante
 
• História familiar de asma, rinite alérgica, conjuntivite atópica ou eczema.
• Sintomas nasais (obstrução, prurido, coriza, espirros) podem ser devidos à rinite alérgica.
Alguns lactentes podem apresentar nas primeiras semanas de vida, sintomas não
associados à infecção viral, podendo isto ser expressão de doença alérgica.
Achados Radiológico diferenciais
Achado ao RX de tórax Diagnóstico
Hiperinsuflação pulmonar uniforme e Fibrose cística, bronquiolite obliterante
persistente
Hiperinsuflação localizada que não se Corpo estranho(mecanismo valvular),
desinsufla no radiograma expirado bronquiolite obliterante,
malformação com compressão em VA,
Tbc (compressão por gânglio)
RX inicial com hiperinsuflação e infiltrados Pneumonia viral grave com bronquiolite
intersticias e alveolares intensos obliterante como seqüela
Infiltrados bilaterais com mudanças de Pneumonia eosinofílica por parasitas
localização em poucos dias
Imagens císticas ou aspecto de massa Malformações, neoplasias
que não se modificam em RX subseqüentes
Infiltrados bilaterais com espessamento, Displasia broncopulmonar
hiperinsuflação pulmonar, presença de
estrias, lesões bolhosas
Consolidações em diferentes locais em Imunodeficiência
RX diversos
Cardiomegalia, Cardiopatia
vasculatura pulmonar proeminente
Atelectasias Aspiração (RGE, distúrbio de deglutição)
(lobos superiores e regiões posteriores)
Tratamento
 
Controle ambiental
 
- É nessa faixa etária que os aspectos ambientais têm mais importância:
 Exposição ao tabaco: maior número de infecções respiratórias e quadros de sibilância.
Aqueles com predisposição para asma terão maior freqüência de crises.
Inalantes (fumaça de queima de lenha ou outros combustíveis, inseticidas e produtos de
limpeza) podem aumentar freqüência de crises sibilantes.
Exposição precoce a infecções virais (creches ou ambientes com aglomeração) predispõe
os lactentes a desenvolverem sintomas respiratórios.
 
Medicamentos Inalatórios
 → Corticosteróides e Broncodilatadores
 → Esteróides Inalatórios: vantajosos em crianças asmáticas com crises freqüentes, graves
e que necessitam do uso de costicosteróides orais.
 
Quando Encaminhar para o Pneumologista?
 - Lactentes com sibilância recorrente ou crônica com repercussão clínica devem ter acesso
a investigações específicas.
- Crianças com crises eventuais que respondem aos broncodilatadores e corticosteróides
orais por prazos curtos, podem ser acompanhadas sem investigações ou tratamentos
especializados.
 
 
Achados do exame físico que podem ajudar na definição
diagnóstica diferencial
 
-Peso e altura: baixo peso e crescimento alterado podem sugerir causas como fibrose
cística, bronquiolite obliterante, imunodeficiências e cardiopatias.

 
Exame Físico
 - Mucosa nasal pálida e hipertrofia de cornetos sugerem rinite alérgica (apóia
diagnóstico de asma), assim como sinais de dermatite atópica.
-Ausculta pulmonar: sibilos localizados podem sugerir aspiração de corpo estranho ou
compressão de VA (malformação ou adenopatia mediastinal). Estertores crepitantes
fixos, que não mudam com a tosse podem sugerir quadros crônicos com
bronquiectasias.
- Abdômen distendido pode sugerir fibrose cística.
 

Você também pode gostar