Você está na página 1de 20

SUJEITO E

PREDICADO:
A ORGANIZAÇÃO DA ORAÇÃO
SUJEITO E PREDICADO: ORGANIZAÇÃO DA ORAÇÃO

No caminho com Maiakoviski


Na primeira noite eles se aproximam Até que um dia
e roubam uma flor, o mais frágil deles
do nosso jardim. entra sozinho em nossa casa,
E não dizem nada. rouba-nos a luz, e,
Na segunda noite, já não se escondem: conhecendo nosso medo,
pisam as flores, arranca-nos a voz da garganta.
matam nosso cão, E já não podemos dizer nada.
e não dizemos nada.
Eduardo Alves da Costa
Frase: qualquer
palavra ou conjunto
de palavras capaz
de estabelecer
comunicação,
formar uma
mensagem. Ex.:
Socorro!, Está
bem.; Você viu o
que ele anda
fazendo?
ENUNCIADOS DA LÍNGUA

Oração: é o enunciado que se organiza em torno de um verbo ou de uma locução verbal.


Enunciados da língua
 Período: é o enunciado que se estrutura em torno de uma ou mais oração. Pode ser
simples ou composto. Simples quando é constituído de uma só oração. Composto
quando é constituído de duas ou mais orações.
TERMOS ESSENCIAIS,
INTEGRANTES, E ACESSÓRIOS
 Os termos essenciais são o sujeito e o predicado, responsáveis pela estrutura básica da oração. A
maioria das orações apresenta um sujeito e um predicado. Podem ocorrer orações sem sujeito, mas
não sem predicado.

 Os termos integrantes têm a função de complementar o sentido de determinados verbos e nomes.


São eles: o objeto direto e o objeto indireto (complementos verbais), o complemento nominal
e o agente da passiva.

 Os termos acessórios modificam ou especificam outros termos, não sendo fundamentais para a
estrutura sintática das orações. São eles: o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto.
Sua ocorrência nas orações se justifica por razões de ordem semântica e discursiva.
Estudo do sujeito
Tipos de sujeito
 Os sujeitos das orações podem ser simples ou compostos, determinados ou indeterminados.
Existem também orações sem sujeito, um caso que será analisado mais adiante.

 Uma noção importante para a análise dos diferentes tipos de sujeito é a de núcleo de um
sintagma.
Sujeito simples ou composto

 Com base na identificação da quantidade de núcleos apresentados por um sujeito, estabelece-se a


diferença entre o sujeito simples e o sujeito composto.
 O sujeito simples apresenta um único núcleo, enquanto o sujeito composto apresenta mais de
um núcleo.
Sujeito elíptico
Através das janelas

Janelas são molduras dos acontecimentos. Testemunham


o tempo e a vida que corre por fora e por dentro. Mostram e
escondem. Quando abertas, fazem a conexão da casa com a
vida lá fora. Fechadas, preservam o lar do frio e dos olhares
externos. Ainda assim, sempre deixam escapar detalhes, como
um vaso de flor ou uma garrafa de café. [...]
SANTOS, Priscilla. Horizontes: destinos para sua viagem interior. Vida simples. São
Paulo: Abril, ed. 42, p. 48, jun. 2006. (Fragmento).
Sujeito determinado X Sujeito Indeterminado
 Querem acabar com este país!
 Estão fazendo uma confusão terrível no centro da cidade.
 “Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar” (Assis Valente, E o mundo não se
acabou. Público: BMG).
A estrutura sintática dos sujeitos indeterminados

Os sujeitos indeterminados podem ser caracterizados, no


português, por duas estruturas sintáticas.

• Verbo transitivo direto flexionado na 3a pessoa do plural.


Incendiaram vários ônibus.

• Verbo transitivo indireto, verbo intransitivo ou verbo de


ligação flexionado na 3a pessoa do singular +
pronome se (índice de indeterminação do sujeito).
Índice de Indeterminação do Sujeito ou
Partícula Apassivadora?
“Queimem-se as lembranças, quebrem-se as garrafas; enterrem-se cinzas e cacos”. (Flávio Aguiar, in
26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano).

• Junto aos verbos queimar, quebrar e enterrar do poema que lemos acima, aparece a partícula se.
Essa partícula tem diferentes funções na língua portuguesa. Aqui, ela exerce função de partícula
apassivadora e indica a flexão de voz do verbo – voz passiva. Pois então, a voz passiva indica que
algo ou alguém (o sujeito determinado) sofre uma ação ou processo.
• Pratique:
“Aluga-se casas” ou “Alugam-se casas”?
“Precisa-se de professores” ou “Precisam-se de professores”?
Orações sem sujeito
 Oração sem sujeito é aquela que apresenta um verbo impessoal. Também se diz, nesses casos, que o sujeito é
inexistente.

“Não há um chamado dos céus. Não há trombetas. Nem sombra de um anjo anunciador
aparecendo diante de um canério azul turquesa. (...).
SAMARTZ, Lendro. Você é artista. Vida simples. São Paulo: ABril., ed. 42, jun. 2006.

 No trecho, os verbos destacados em vermelho são impessoais, porque não têm sua flexão de número-pessoa
determinada por um termo específico da oração.

 A forma gramatical utilizada para marcar a impessoalidade verbal é a 3a pessoa do singular.


Orações sem sujeito
 Verbos que indicam fenômenos da natureza. Exemplos: chover, nevar, trovejar, anoitecer,
amanhecer.

Chove muito na região Amazônica.

No inverno, anoitece mais cedo.

Uso figurativo dos verbos que indicam fenômenos da natureza


Como aprendem que verbos indicadores de fenômenos da natureza são impessoais, é comum as pessoas
cometerem um “deslize” na concordância quando utilizam esses verbos em sentido figurado.

“E o caseiro mantém a estratégia de ficar na dele. Segundo advogado do caseiro, chove convites para


programas de TV — de Hebe a Jô Soares, diz ele —, mas a ordem é recusar todos [...]”.

BERGAMO, Mônica. Folha de S.Paulo. São Paulo, 5 abr. 2006. Ilustrada. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/ fq0504200609.htm>. Acesso em: 18 maio 2006.
Orações sem sujeito
Ser, estar, fazer, haver relacionados a fenômenos da natureza ou a expressões temporais.

É ainda muito cedo.


Está muito tarde.
Faz dois anos que não vejo meus pais.
Há séculos que esperamos uma solução para o problema da falta d'água.

• Um caso particular de concordância verbal ocorre com o uso do verbo ser na indicação de uma hora
precisa. Mesmo impessoal, ele deve concordar em número com a expressão temporal que o acompanha.
Observe:

• Essas orações não têm sujeito,


mas a concordância verbal precisa ser realizada.
Orações sem sujeito
• Verbo haver usado no sentido de “existir”.

Há muitos políticos que só pensam em enriquecer.


Houve sérios casos de dengue hemorrágica em alguns estados, recentemente.
Havia momentos em que o professor não sabia o que fazer para manter a atenção dos alunos.

• É importante lembrar que o


verbo existir é pessoal. Quando ele
for utilizado, portanto, deve ser feita
a concordância com o sujeito a
que se refere.
Exercícios
O TRAPICHE
SOB A LUA, NUM VELHO TRAPICHE ABANDONADO, as crianças dormem.
Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se
rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a
qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram
inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura
das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje
comidas. Hoje a noite é alva em frente ao trapiche. É que na sua frente se estende agora o areal do
cais do porto. Por baixo da ponte não há mais rumor de ondas. A areia invadiu tudo, fez o mar recuar
de muitos metros.
Exercícios
Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a frente do trapiche. Não mais atracaram na sua
ponte os veleiros que iam partir carregados. Não mais trabalharam ali os negros musculosos que
vieram da escravatura. Não mais cantou na velha ponte uma canção um marinheiro nostálgico. A
areia se estendeu muito alva em frente ao trapiche. E nunca mais encheram de fardos, de sacos, de
caixões, o imenso casarão. Ficou abandonado em meio ao areal, mancha negra na brancura do cais.
(AMADO, Jorge. O trapiche. Capitães de Areia. São Paulo: Livraria Martins Ed., 1937.)

Para fazer uma leitura proficiente do fragmento, é necessário que o leitor, entre outros
procedimentos, recupere as relações sintático-semânticas ali estabelecidas. Assim, os sujeitos dos
quatro últimos períodos do fragmento, considerando-se a ordem de ocorrência, são:
Exercícios
Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a frente do trapiche. Não mais atracaram na sua
ponte os veleiros que iam partir carregados. Não mais trabalharam ali os negros musculosos que
vieram da escravatura. Não mais cantou na velha ponte uma canção um marinheiro nostálgico. A
areia se estendeu muito alva em frente ao trapiche. E nunca mais encheram de fardos, de sacos, de
caixões, o imenso casarão. Ficou abandonado em meio ao areal, mancha negra na brancura do cais.
(AMADO, Jorge. O trapiche. Capitães de Areia. São Paulo: Livraria Martins Ed., 1937.)

Para fazer uma leitura proficiente do fragmento, é necessário que o leitor, entre outros
procedimentos, recupere as relações sintático-semânticas ali estabelecidas. Assim, os sujeitos dos
quatro últimos períodos do fragmento, considerando-se a ordem de ocorrência, são:
"um marinheiro nostálgico", "a areia", "os negros musculosos" e "o imenso casarão"

Você também pode gostar