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ANÁLISE

INSTRUMENTAL I

MÉTODOS ESPECTROMÉTRICOS
1- INTRODUÇÃO

ESPECTROSCOPIA
Ciência que estuda a interação dos diferentes tipos de radiação
eletromagnética com a matéria (absorve e emite)

ESPECTROMETRIA
Medida da intensidade da radiação absorvida ou emitida pela
materia com o uso de aparelhos apropriados. Há 2 tipos:
-Espectrometria Atômica: medida da absorção e emissão de luz
por átomos no estado atômico livre.
-Espectrometria Molecular: medida da absorção e emissão de
luz por moléculas.
2- PROPRIEDADES DA RADIAÇÃO
ELETROMAGNÉTICA

-Radiação eletromagnética, que é uma onda de energia que se


propaga através do espaço, gerando um campo elétrico e campo
magnético. A luz é uma radiação eletromagnética.

-Dualidade onda-partícula da luz : a


luz tem propriedades de uma onda e
de partícula, sendo composta de
partículas distintas de energia
(fótons)
2.1- A NATUREZA DA LUZ COMO UMA ONDA

Uma onda de luz consiste de um campo elétrico oscilante


produzindo regiões de máxima intensidade (cristas) e regiões de
mínima intensidade (vales).
Comprimento de onda (λ): distância entre duas cristas vizinhas de uma onda.
Unidades: m = 10-6 m; nm = 10-9 m; Å = 10-10 m

Amplitude (A):
Crista
altura da crista

Frequência (ν):
número de oscilações
do campo que ocorrem
Vale por segundo.
- O  e a ν da luz são inversamente proporcionais

- O comprimento de onda e a frequência da luz podem se


relacionar entre si por meio da velocidade da luz, como
demonstram as seguintes relações:

c = ν λ (no vácuo) ou ν=c/λ

c = velocidade da luz no vácuo


λ = comprimento de onda
ν = frequência
2.2- A NATUREZA DA LUZ COMO UMA
PARTICULA
 A radiação eletromagnetica (emitida ou absorvida) pode ser
quantizada (a energia): não como onda, mas como partícula
denominada fóton.

Fóton: a menor porção de uma radiação eletromagnética que pode


existir. Cada fóton apresenta uma energia definida (Efóton) que está
relacionada com sua frequência usando-se a equação de Planck
Efóton = h ν
h = constante de planck (6,626 x 10-34 J s)
ν = frequência

Combinando as equações anteriores:


Efóton = h c / λ
3- O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

O espectro eletromagnético abrange uma faixa muito ampla de


energia, com varios comprimento de onda e frequências.
A energia da radiação aumenta com a diminuição do .
780 nm 380 nm
Espectro Eletromagnético Visível
4- INTERAÇÃO ENTRE A MATÉRIA E
ENERGIA RADIANTE

Átomos, íons e moléculas podem existir somente em certos


estados discretos de energia. Cada espécie tem x possibilidades de
transições eletrônicas (identidade do elemento) que precisam de
qte exata de energia ( especifico). A quantidade de energia
absorvida ou emitida é exatamente igual a diferença de energia
entre os estados (inicial e final). O registros destas energias é
detectado por aparelho e é traçado o espectro de absorção ou
emissão da espécie
2 tipos de interações são estudadas:
• Absorção – a luz é absorvida por um átomo, íon ou molécula indo
para um estado energético mais elevado.
•  Emissão – é a emissão de um fóton pelo atómo, íon ou molécula,
retornando para um estado energético mais baixo.
E2 - E1 = hc / λ
Estado excitado 2
E2 = hc / λ2
Estado excitado 1

E1 = hc / λ1

Estado fundamental 0

Absorção Liberação
de energia de energia
4.1- ABSORÇÃO DE RADIAÇÃO
ELETROMAGNÉTICA

Quando um feixe de radiação atravessa uma matéria, certas


frequências podem ser seletivamente absorvidas  absorção
de radiaçao
A energia absorvida (fóton) é fixada por átomos ou moléculas
da amostra  sofrem excitação.
Quando uma molécula absorve um fóton  a sua energia
aumenta
Excitação pode ser produzida por:
a) Bombardeamento com elétrons
b) Exposição a uma corrente elétrica
c) Exposição ao calor de uma chama
d) Irradiação com uma fonte de radiação eletromagnética
e) Reação química exotérmica.
As partículas excitadas tem uma duração curta. Após
aproximadamente 10-8 segundos, elas voltam ao estado
fundamental, e a energia é liberada:

• Forma de calor (mais frequente);


• Reação fotoquímica (luz, fluorescencia);
• Reemitida como radiação eletromagnética.

Emissão de radiação eletromagnética


A interação da radiação com a matéria (absorção de radiação):
detectado traçando espectro absorção  gera estados
energéticos e transições na matéria (que dependem da energia da
radiação incidida)  detectável por aparelhos espectrométricos:
informações sobre presença de um analito.

Estados energéticos/ transições do átomo:

• Transição nuclear: radiação gama (alta energia)


• Transição eletrônica: radiação UV, X e visivel
• Estado vibracional: radiação IV – vibração interatômica
e intermolecular, nas ligações. Gera calor
• Estado rotacional: microndas – rotação em torno centro
de gravidade. Gera calor
Absorção de Radiação Eletromagnética

Experimento de Kirchhoff & Bunsen (1a)


Absorção de Radiação Eletromagnética

Experimento de Kirchhoff & Bunsen

Espectro de absorção atômico (de linhas)


4.1.1 ESPECTRO DE ABSORÇÃO ATÔMICO (DE
LINHAS)

A absorção seletiva da radiaçao pode ser vista em espectro de


absorção. Quando se coloca uma amostra contendo átomos de um
determinado elemento químico no caminho da luz branca, algumas
das radiações da luz branca, são absorvidas por esses átomos.
No espectro da luz branca vão faltar essas radiações absorvidas,
ficando no seu lugar riscas pretas – espectro de absorção de linhas
4.2- EMISSÃO DE RADIAÇÃO
ELETROMAGNÉTICA

 Quando uma espécie perde a excitação ou a energia absorvida, isto


é, passa de um estado energético mais elevado para outro menos
elevado, ele emite a qte exata de energia sob a forma de radiação
eletromagnética  traçando espectro de emissão e uso de aparelhos

Quanto maior é o salto energético que o elétron realiza ao deslocar-


se de uma órbita mais externa para uma órbita mais interna maior
será a energia da radiação emitida (menor ).

Quando submetidos a descargas elétricas, os gases rarefeitos (baixa


pressão) emitem luz
4.2.1 ESPECTRO DE EMISSÃO ATÔMICO (DE
LINHAS)

A energia absorvida () e detectada no espectro de absorção, é igual


a energia liberada (mesmo ) e detectada no espectro de emissão. Ao
dar energia (calor) ao átomo, elétrons excitam e logo liberam a
energia absorvida na forma de luz. A luz emitida é analisada com um
espectroscópio, tendo um espectro de emissão descontínuo ou de
riscas. Esse espectro apresenta uma série de riscas coloridas sobre
um fundo negro.

Elementos diferentes tem espectros de emissão diferentes (digital do


elemento químico) Identificação do elemento químico.
Espectro de emissão atômico (de linhas)
4.3 ESPECTRO DE EMISSÃO X ABSORÇÃO
ATÔMICO (ANÁLISE QUALITATIVA)
• As radiações absorvidas pelos átomos de um elemento químico têm
energia igual as das radiações que constituem o espectro de emissão
desse mesmo elemento químico
O espectro de absorção do elemento é o “negativo” de seu espectro
de emissão.
• Quando a radiação interage com a matéria, ocorre absorção e
emissão seletiva de certos  e energia  ESPECTRO DE
ABSORÇÃO E EMISSÃO que identifica o elemento químico
(Analise Qualitativa)
Origem do espectro de absorção UV-Vis

 Cores complementares
Quando um feixe de luz branca (radiações com todos os λ) incide
sobre uma superfície contendo uma substância absorvente, a
radiação emergente (observada) será um complemento da radiação
branca menos a radiação absorvida pela substância: a cor
complementar
Assim, a cor de uma solução colorida que nossos olhos
percebem é uma cor complementar da radiação absorvida.

Um objeto tem a cor correspondente aos comprimentos de


onda que ele reflete.
Cor complementar
5- ABSORÇÃO DA RADIAÇÃO
(ANÁLISE QUANTITATIVA)

Potência do
feixe incidente Potência do feixe
transmitido

Caminho óptico
A luz absorvida e emitida pelo
elemento químico (e sua
concentração) podem ser
quantizadas por aparelhos (Analise
Quantitativa).
Quando a luz passa através de uma
amostra, a quantidade de luz
P absorvida é a diferença entre a
P0
radiação incidente (P0) e a radiação
b transmitida (P).
É expressa em Transmitância (T) ou
Absorbância (A).
Equipamento usado: Espectrômetro
5.1 TRANSMITÂNCIA (T)

Transmitância de um meio é a fração da radiação transmitida


pelo meio

 
T= %T = x 100%
 

1,0

0,8 • Transmitância diminui com o


aumento da concentração.
Transmitância

0,6

• Gráfico (transmitância x
0,4
concentração) é uma
0,2
exponencial inversa (não tem
0,0
0 2 4 6 8 10
proporcionalidade entre a T e
Concentração conc)
5.2 ABSORBÂNCIA (A)

Absorbância de um meio é a fração da radiação absorvida pela


amostra
2,0

Absorbância
• Absorbância
1,5
é
diretamente proporcional 1,0

à concentração 0,5

0,0
0,0 2,5 5,0 7,5 10,0
Concentração

Para se ter o gráfico de uma reta, basta aplicar o logaritmo na T.


Como os valores de T são menores que 1, para não ter números
negativos, aplica-se o logaritmo negativo da transmitância
(Absorbância)
5.2 ABSORBÂNCIA (A)

A absorbância A de um meio é definida pela equação:

𝐴=− log𝑇
   
𝐴=−𝑙𝑜𝑔
𝑃  
𝐴 =𝑙𝑜𝑔
𝑃0
𝑃0 𝑃

Observe que, em contraste da transmitância, a absorbância de um


meio aumenta à medida que a atenuação do feixe torna-se maior
5.3 LEI DE BEER
• Para Radiação Monocromática
Absorbância é diretamente proporcional ao caminho óptico
(percorrido pela radiação através do meio), e à concentração da
espécie absorvente. Essas relações são dadas por:
A = abc
Onde:
a = constante de proporcionalidade chamada absortividade (depende da amostra,
do solvente e do comprimento de onda.
b = caminho óptico
c = concentração das espécies absorventes.

Quando a concentração está expressa em mols por litro e a largura da


cela em centímetro, a absortividade é chamada de absortividade
molar, e é dada pelo símbolo ϵ.
A = ϵ bc
Onde ϵ tem como unidade L mol-1cm-1.
ϵ depende da amostra, do solvente e do comprimento de onda.
5.3 LEI DE BEER

O aumento do caminho óptico


aumenta a absorção da radiação
eletromagnética. Caminho óptico ≠
Concentração =
5.3 LEI DE BEER

Aumento da concentração

O aumento da concentração aumenta a absorção da radiação


Exercícios da Lei de Beer
1) Converta os seguintes dados de absorbância em porcentagem de transmitância:
a) 0,278 b) 1,499 c) 0,039

2) Converta os seguintes dados de porcentagem de transmitância em absorbância:


b) 29,9 b) 86,1 c)2,97

3) Um composto apresenta uma absortividade molar igual a 3,03 x 10 3 L/cm mol.


Qual seria a concentração necessária desse composto para produzir uma solução
que tivesse uma transmitância de 9,53% em uma célula de 2,50 cm?

4) O berílio(II) forma um complexo com a acetilacetona (166,2 g/mol). Calcular a


absortividade molar do complexo, dado que uma solução 1,34 ppm (mg/L)
apresenta uma transmitância de 55,7% quando medida em uma célula de 1,00 cm
a 295 nm, o comprimento de onda de máxima absorção.

5) A absortividade molar de uma certa substância 14000 M-1 cm-1 no comprimento


de onda do seu máximo de absorção. Calcular a molaridade dessa substância que
pode ser medida no espectrofotômetro com célula de 1 cm, para uma absorbância
de 0,850.
5.3.1 Curva de Calibração em Análise Quantitativa

Procedimento para calibrar aparelhos para análise em


espectrofotometria:
• Ajustar o 100% T do aparelho com a cubeta contendo somente o
solvente utilizado (normalmente água).
• Ajustar o 0 (zero)% T com o feixe de luz totalmente obstruído.
• Fazer a varredura da solução da substância de interesse para
determinar o comprimento de onda (λ) de maior absorção.
O espectro de varredura é importante, pois muitas vezes a amostra
tem algum componente que interfere na análise. Nesse caso, pelo
espectro de varredura, pode-se escolher um outro λ que tenha boa
sensibilidade mas que não sofra a interferência de outro
componente.
• Com λ escolhido, fazer as medidas de transmitância de uma série
de padrões da substância.
• Calcular as absorbâncias, construir o gráfico de Absorbância x
Concentração, que servirá de base para a análise da amostra
desconhecida:
1,2
y = 0,344x + 0,2412 C, mg/L A
1
Absorbância

2
R =1
0,8 0,000 0,2412
0,6 0,555 0,4322
0,4
0,2
1,111 0,6232
0 1,666 0,8142
0,000 0,500 1,000 1,500 2,000 2,500 2,221 1,0052
Concentração de padrão adicionado, mg/L
De posse do gráfico (ou da equação da reta calculada a partir dos
pontos experimentais) pode-se determinar a concentração da
amostra.

O uso de vários padrões para se fazer uma curva de calibração


diminui a possibilidade de erros grosseiros que poderiam
acontecer com o uso de um só padrão.
A curva de calibração permite também o cálculo de ϵ para o
comprimento de onda utilizado.
Exercício
1) Um composto X deve ser determinado por espectrofotometria
UV/visível. Uma curva de calibração é construída a partir de
soluções padrão de X com os seguintes resultados: (0,50 ppm,
A_0,24); (1,5 ppm, A_0,36); (2,5 ppm, A_0,44); (3,5 ppm, A_0,59);
(4,5 ppm, A_0,70). Uma amostra de X forneceu uma absorbância
igual a 0,50 nas mesmas condições de medida dos padrões.
Encontre a concentração da amostra de X de concentração
desconhecida.
Exercício

2) ) Uma solução de permanganato de potássio 7,5.10-5 mol/L tem


uma transmitância de 36,4% quando medida em uma célula de
1,05 cm a um comprimento de onda de 525 nm. Calcule :

a) absorbância desta solução;


b) a absortividade molar do KMnO4.
Exercício

3) Determinou-se a absorbância de uma série de padrões de


permanganato de potássio, em espectrofotômetro a 525 nm,
fornecendo os seguintes resultados na tabela abaixo:
C (ppm de Mn) Absorbância
1,0 0,014
2,0 0,032
5,0 0,108
10,0 0,216
20,0 0,444
25,0 0,544
35,0 0,754
Uma amostra de 2,53 g de aço foi dissolvida em 20 mL de HNO3
1:3, tratada com agente oxidante e diluída à 50,00 mL com água
destilada. 2,00 mL dessa solução foram avolumados a 50,00 mL
com água destilada. A transmitância, lida nas mesma condições dos
padrões, foi de 55,2%. Faça o gráfico da curva de calibração do
manganês e determine o teor (%) de manganês no aço.
0.8
f(x) = 0.02 x − 0
0.7 R² = 1

0.6

0.5

0.4
Linear ()
0.3

0.2

0.1

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40
Exercício

4) Para analisar o conteúdo de nitrito, uma massa de 20,048 g de uma amostra de


presunto foi cortada, moída, tratada e filtrada quantitativamente para que o nitrito
fosse extraído, reagisse e formasse o composto colorido. O filtrado foi avolumado
a 100,00 mL, mas a solução apresentou transmitância pequena. Sendo assim,
pipetou-se 25,00 mL da solução e diluiu-se a 50,00 mL. Novamente a
transmitância apresentou-se pequena. Fez-se nova diluição, pipetando 10,00 mL
dessa última solução e diluindo-se a 50,00 mL. Leu-se, então uma transmitância
de 65,8%.
De uma solução estoque de NaNO2 a 0,450 g/L, foram feitos padrões retirando-se
alíquotas com uma bureta, acrescentando-se 10 mL do reagente colorimétrico e
diluindo-os. Os dados estão na tabela ao lado.
C (mg/L) de NaNO2 Abs
4,5 0,05
22,5 0,29
36,0 0,44
45,0 0,54
63,0 0,80
Qual é o teor de nitrito (%) na amostra original?
Chart Title
0.9

0.8
f(x) = 0.01 x − 0.01
0.7 R² = 1

0.6

0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0 10 20 30 40 50 60 70
5.4 DESVIOS DA LEI DE BEER

A lei de Lambert-Beer nem sempre é válida → DESVIOS


Os desvios são classificados em desvios por limitação da lei,
desvios químicos e desvios causados pela instrumentação.

a) Desvios por Limitação da Lei:


Ocorrem em soluções concentradas do analito ou outros solutos,
devido as interações do analito com o solvente e com demais
solutos.
Nestas soluções, as interações soluto-soluto alteram a estrutura do
analito e também modificam sua absortividade molar (ϵ). Esses
efeitos geralmente ocorrem em concentrações maiores que 0,01
mol/L das espécies presentes na amostra. Os desvios são positivos
ou negativos conforme as alterações aumentem ou diminuam a
absortividade.
5.4 DESVIOS DA LEI DE BEER

b) Desvios Químicos:
Ocorrem quando um analito se dissocia, associa ou reage com um
solvente originando um produto com espectro de absorção diferente
do analito. O desvio é negativo. Um exemplo é a mudança de cor de
indicadores ácido-base de acordo com o equilíbrio em função do pH.

c) Desvios de Instrumentação:
-Ocorrem pois a obediência estrita à lei de Beer é dada com radiação
verdadeiramente monocromática. Na prática os monocromadores
produzem uma banda mais ou menos simétrica de comprimentos de
onda em torno daquele desejado. O resultado é um desvio negativo.
-Ocorrem quando há luz espalhada internamente no aparelho por
qualquer superfície refletora e atinge a amostra. Como parte dessa luz
terá diferente do λmax, o desvio é sempre negativo.
-Ocorrem com o uso de cubetas sujas e não uniformes. O desvio é
positivo.
5.4 DESVIOS DA LEI DE BEER

Ao ocorrer um desvio da lei de Beer, ainda pode-se trabalhar com a


curva de calibração, embora ela não seja uma reta. O comportamento
da curva pode ser mostrado no gráfico a seguir:
5.4 DESVIOS DA LEI DE BEER

Como minimizar o desvio?


-Escolher a região (λ) onde o  é constante na região selecionada

-Como os desvios da lei de Beer normalmente ocorrem em


concentrações mais altas, deve-se fazer maior diluição da amostra.
A faixa de trabalho normal dos métodos espectrofotométricos vai de
concentração de 10-2 mol/L a 10-7 mol/L, com várias exceções.
Faixa Ideal para Medidas de Absorbância

O erro relativo é infinito para as transmitâncias de 0 e 1,0 e para as


transmitâncias intermediárias ele diminui até o mínimo e depois
aumenta; entre as transmitâncias 0,20 e 0,65 (20% e 65%) ou
absorbâncias entre 0,7 e 0,2 a curva é quase chata, o que significa
que medidas nesta região implicam um erro menor na concentração.
Portanto, todo trabalho experimental deve ser planejado de modo
que as medidas em transmitância ou absorbância estejam dentro
destas faixas.
6- EQUIPAMENTOS
ESPECTROFOTOMÉTRICO
Seletor de Processador
Fonte de
comprimento Amostra Detector de sinal e
radiação
de onda dispositivo de
leitura

O feixe de radiação da fonte passa pelo seletor de comprimento de


onda e então através da amostra, embora em alguns instrumentos as
posições do seletor e da amostra sejam invertidas.
6.1 FONTES DE RADIAÇÃO

Deve gerar um feixe com potência radiante suficiente para facilitar a


detecção e as medidas.
A potência de saída deve ser estável por períodos razoáveis de
tempo.
Deve gerar uma radiação contínua, isto é, contendo todos os
comprimentos de onda, dentro da região espectral em que o aparelho
vai trabalhar.
Essas fontes são de três tipos:
• Fontes contínuas
• Fontes de linha
• Fonte de laser
6.1 FONTES DE RADIAÇÃO

As fontes de radiação são constituídas por substâncias que podem


ser excitadas a um estado de energia mais elevado mediante uma
descarga elétrica de alta voltagem ou por aquecimento elétrico, e
quando retornam aos estados de energia menores ou a seu estado
fundamental, emitem luz (a radiação que incidirá sobre amostra).

a) Fontes de radiação ultravioleta


Lâmpadas de hidrogênio e de deutério: São constituídas por um
par de eletrodos colocados dentro de um tubo de vidro com uma
janela de quartzo, cheio de hidrogênio ou deutério à pressões
relativamente altas; quando se aplica uma alta voltagem constante
aos eletrodos, se provoca uma descarga elétrica que excita os
elétrons dos gases a estados de maior energia; quando os elétrons
retornam ao seu estado fundamental, emitem radiação que é contínua
na região entre 180 e 350 nm aproximadamente.
6.1 FONTES DE RADIAÇÃO
b) Fontes de radiação visível
Lâmpada de tungstênio: constituída por um filamento de
tungstênio que se aquece mediante uma corrente contínua e emite
radiação contínua na região entre 350 e 2.500 nm.

c) A fonte mais usada em espectrofotômetros de absorção atômica é


a Lâmpada de cátodo oco (preenchida com gases neônio ou argônio
a baixas pressões, possui um catodo, anodo e o elemento a ser
determinado):
emite o espectro de emissão do
elemento de interesse, emite
raias com larguras muito
menores do que as das raias de
absorção o que permite uma
maior linearidade da lei de
Beer.
6.2 SELETORES DE COMPRIMENTO DE ONDA

São aparelhos usados para selecionar regiões particulares de


comprimento de onda na região visível e ultravioleta do espectro
eletromagnético. Incluem:

a) Filtros Ópticos
Permitem somente a transmissão de regiões de comprimento de
onda limitado, absorvendo a maior parte da radiação de outros .
A cor da luz absorvida pelo filtro é o complemento da cor da
própria solução: um líquido parece vermelho, porque transmite a
porção vermelha do espectro eletromagnético, mas absorve a
verde. É a intensidade da radiação verde (absorvida) que varia com
a concentração: um filtro verde, portanto, deveria ser usado. Assim,
em geral, o filtro mais apropriado para análise fotométrica será a
cor complementar da solução que está sendo analisada.
Filtros Ópticos de Absorção
6.2 SELETORES DE COMPRIMENTO DE ONDA
b) Monocromadores:
Permite isolar (transmitir) uma banda de comprimentos de onda mais
estreita que a obtida por um filtro
Usados para ter uma resolução maior do espectro visível e UV. Um
monocromador desdobra a radiação policromática nos  que a
formam, e separa estes comprimentos de onda em bandas. É
constituído por:
Lente colimadora
Lente de foco

Fenda de entrada
Elemento dispersor
da radiação
Fenda de saída
-Fenda de entrada: por onde penetra a radiação policromática da
fonte de luz (lâmpada);
-Espelho ou lente colimadora: para colimar (estreitar) o feixe
admitido;
-Elemento dispersor da radiação (prisma
ou rede de difração): desdobra a radiação
nos vários comprimentos de onda
componentes;
-Lente ou espelho de foco: para focar
(direcionar) a radiação dispersa;
-Fenda de saída: seleciona o comprimento
de onda da radiação que irá incidir sobre a
amostra.
Lentes

Fonte
luminosa

Fenda

Rede de
difração

Detector

Cubeta Fenda Lentes


6.3 RECIPIENTES DA AMOSTRA

Os recipientes usados nas medidas espectrofotométricas são


denominados de cubetas.

Os espectrofotômetros utilizam normalmente cubetas retangulares


com percurso óptico de 1cm. Encontra-se, comercialmente, cubetas
com espessuras de 0,1cm até 10 cm.

As cubetas devem ser construídas de material que seja


transparente a radiação da região espectral de interesse: vidro,
quartzo e plástico
6.3 RECIPIENTES DA AMOSTRA

• Os vidros de silicatos
podem ser empregados na
região entre 350 e 2000 nm.
• Os recipientes plasticos
também tem sido
empregados na região do
visível.
• O quartzo é necessário para
se trabalhar na região U.V.
(abaixo de 350 nm)
6.3 RECIPIENTES DA AMOSTRA

As cubetas devem ser alojadas em direções perpendiculares à


direção do feixe, a fim de reduzir as perdas por reflexão.
As cubetas devem se encontrar perfeitamente limpas, pois as
impressões digitais, manchas de gordura e qualquer material sobre
as paredes da cubeta afetam de maneira acentuada as medidas.
Influência do solvente no espectro

Os solventes empregados no estudo do espectro de absorção devem


ser escolhidos do ponto de vista de sua TRANSPARÊNCIA e
possíveis INTERAÇÕES com as espécies absorventes. Na tabela
seguinte indicam-se alguns solventes mais usuais e o comprimento
de onda abaixo do qual não podem ser usados.
6.4 DETECTORES (TRANSDUTORES) DE
RADIAÇÃO

Os detectores de radiação UV-visível são transdutores de entrada que


convertem a energia radiante que sai da amostra em sinal elétrico.
Devem apresentar as seguintes características básicas:
• Responder à energia radiante dentro da faixa espectral;
• Ser sensível para baixos níveis de potência radiante;
• Ter resposta muito rápida;
• Apresentar uma relação linear entre a potência radiante incidente
e o sinal elétrico produzido

Os principais tipos de detectores de radiação para operar nas regiões


UV-VIS são:
• Células Fotoelétricas ou Fototubos;
• Tubos Fotomultiplicadores;
6.5 PROCESSADORES DE SINAIS (DISPOSITIVOS
DE LEITURA)

Dispositivo eletrônico que amplifica o sinal elétrico produzido por


um transdutor (detector).

Diversos tipos de dispositivos de leitura são encontrados nos


instrumentos modernos: painéis digitais, painéis LCD, monitores
de computadores, etc.
6.6 INSTRUMENTOS FOTOELÉTRICOS

Os instrumentos fotoelétricos podem ser classificados conforme o


tipo de seletor de radiação eletromagnética para as medidas de
transmitância ou absorbância. Assim:

• Quando o seletor de  é um filtro ótico denomina-se o


instrumento de fotômetro, fotocolorímetro ou colorímetro.

• Quando o seletor de  é um monocromador denomina-se de


espectrofotômetro.
A) Fotômetro (Colorímetro)

Fotômetros (Colorímetros) Visuais


São instrumentos onde se utiliza o olho humano como detector e o
cérebro como amplificador e como dispositivo de apresentação.
A dificuldade esta relacionada as desvantagens da detecção visual:
• Região espectral limitada;
• Pouca exatidão para distinguir as intensidades das cores;
• Alto grau de fadiga e lentidão de respostas.

Fotômetros (Colorímetros) Fotoelétricos


São instrumentos simples, baratos e de fácil manutenção. Eles são
usados convenientemente sempre que não se requer faixas espectrais
muito estreitas.
Não costumam operar fora da região visível e não alcançam o grau
de precisão dos espectrofotômetros.
B) Espectrofotômetro

Os espectrofotômetros utilizam monocromadores para selecionar


uma banda espectral desejada, empregada na faixa do visível ao UV.

O campo de trabalho desse instrumento se estende de 200 nm a 1000


nm, e dispõem de duas fontes de radiação: uma lâmpada de
hidrogênio ou deutério para a região UV, e uma lâmpada de
tungstênio para a região visível e infravermelho.

O monocromador é constituído por um prisma ou uma rede de


difração.
1) O professor Reche dissolveu 0,400 g de amostra e completou o volume em um balão de
50,0 mL. Logo após, transferiu uma alíquota de 25 mL e tratou com 2,3-quinoxalineditiolpara
eliminar possíveis interferentes na análise e ajustou o volume para 50,0 mL. Após a Leitura
em espectrofotômetro, obtiveram-se as seguintes absorvâncias e absortividades, utilizando
cubetas de 1,00 cm em 656 e 510 nm. Calcule a concentração de cobalto e níquel por grama
na mistura. DADOS: MMCo = 58,9 g/mol e MMNi = 58,7 g/mol.

2) Os metais paládio Pd(II) e ouro Au(II) podem ser determinados simultaneamente pela
reação com metiomeprazina (C19H24N2S2). O máximo de absorção para o Pd ocorre em 480
nm, enquanto para o complexo de Au está a 635 nm. Uma amostra de 25 mL foi tratada com
excesso do complexante e depois diluída para 50,0 mL em balão volumétrico. Calcular as
concentrações molares de Pd(II) e Au(II), sabendo que a cubeta usada foi de 1 cm.
3) A tabela abaixo mostra as absorbâncias na região do ultravioleta de uma solução 1,00 x
10-4 mol L-1 de permanganato, 1,00 x 10-4 mol L-1 de dicromato e de uma mistura das duas
soluções de concentrações desconhecidas. Determine a concentração de cada espécie
presente na mistura, sabendo que as medidas foram realizadas em cubetas de 1,00 cm.