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Medidas e

Materiais
Elétricos
Prof. Msc. Wemerson Rocha Ferreira
Unidade 3:
Materiais magnéticos
Seção 1:
Fundamentos de materiais
magnéticos
Unidade 3 – Seção 1

Vamos estudar as formas de produção de um campo


magnético e o modo como este se manifesta em
materiais de interesse em engenharia, tais como ligas de
aço elétrico.

O conhecimento de algumas propriedades, por exemplo, a


permeabilidade magnética, é útil para avaliarmos o
comportamento de determinado material sob ação de um
campo magnético.
Unidade 3 – Seção 1

No caso das máquinas elétricas, os materiais magnéticos


funcionam como um caminho para a passagem do campo
magnético.

Dessa forma, materiais de alta permeabilidade são


aqueles que oferecem uma menor resistência à passagem
desse campo, que será usado posteriormente em uma
conversão eletromecânica de energia.
Unidade 3 – Seção 1

Em que máquinas são utilizados


materiais magnéticos?
Unidade 3 – Seção 1
Unidade 3 – Seção 1

Forma de geração de campos


magnéticos
Unidade 3 – Seção 1

A primeira forma ocorre a partir de uma corrente elétrica,


fato verificado pelo físico dinamarquês Hanz Oersted, que
observou que o compasso de uma bússola se movimentava
quando um circuito próximo a este conduzia uma corrente
(Figura 3.1a). A direção da corrente em relação ao campo
magnético é dada pela regra da mão direita (Figura 3.1b).
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Uma segunda forma de produzir campos magnéticos é


mediante materiais que produzem um campo magnético
próprio naturalmente, isto é, um campo magnético
intrínseco. Esses materiais são usados na construção de
imãs permanentes (Figura 3.2b).
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Para calcular a intensidade desse campo magnético,


devemos aplicar a Lei de Ampère em um caminho
fechado, podendo ser, neste caso, o comprimento do fio
condutor:

Tomando o caminho fechado como uma circunferência de


raio r, a Lei de Ampère será:
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Quando fazemos vários enrolamentos com a utilização de


fios condutores, criamos uma bobina (Figura 3.3). Para
uma bobina com N enrolamentos, o campo magnético
produzido será calculado como:
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Repare que em nenhum momento nos preocupamos em


saber qual material foi utilizado para construir a bobina.

Se quisermos avaliar o campo magnético no interior de


algum material, normalmente usaremos outra grandeza,
chamada densidade de fluxo magnético (B), medida em
tesla (T), ou Wb/m², e relacionada com a intensidade de
campo magnético de acordo com:

Permeabilidade
magnética do vácuo
Unidade 3 – Seção 1

Repare que em nenhum momento nos preocupamos em


saber qual material foi utilizado para construir a bobina.

Se quisermos avaliar o campo magnético no interior de


algum material, normalmente usaremos outra grandeza,
chamada densidade de fluxo magnético (B), medida em
tesla (T), ou Wb/m², e relacionada com a intensidade de
campo magnético de acordo com:
Unidade 3 – Seção 1

Comportamento do fluxo magnético com relação à


intensidade de campo magnético:
Unidade 3 – Seção 1

Impacto de um campo magnético nos domínios magnéticos:


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Curva de magnetização para um material típico de aço:


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Para algum material específico, a sua permeabilidade será


múltipla dessa constante, de acordo com:

Obs.: a permeabilidade magnética relativa dos materiais


magnéticos lineares apresenta valores típicos entre 2.000 e
80.000 H/m.
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Permeabilidade relativa para um material típico de aço:


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Podemos calcular a intensidade de um campo magnético (H) a


partir da Lei de Ampère, independentemente do material
usado.

Entretanto, caso seja de interesse conhecer o comportamento


desse campo em um material específico, passaremos a utilizar a
densidade de fluxo magnético (B).
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Formação dos campos


magnéticos internos dos materiais
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Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

Rotação do elétron Rotação do elétron


no próprio eixo redor do núcleo
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Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

Rotação do elétron Rotação do elétron


no próprio eixo redor do núcleo
Unidade 3 – Seção 1

Sendo o elétron uma carga elétrica em movimento,


podemos considerá-lo um circuito circular de corrente.

Dessa forma, esse movimento do elétron no seu próprio


eixo cria um campo magnético e, consequentemente, um
momento magnético.
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Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

Rotação do elétron Rotação do elétron


no próprio eixo redor do núcleo
Unidade 3 – Seção 1

Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

Rotação do elétron Rotação do elétron


no próprio eixo redor do núcleo
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Temos um segundo campo e momento magnético, criado


pelo movimento orbital do elétron, conforme apresentado
na figura.
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Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

Rotação do elétron Rotação do elétron


no próprio eixo redor do núcleo
Unidade 3 – Seção 1

Se analisarmos um átomo usando o modelo atômico de


Bohr, isto é, um núcleo pequeno carregado positivamente
com elétrons orbitando ao seu redor, teremos dois
movimentos distintos:

 Rotação do elétron no próprio eixo;


 Rotação do elétron redor do núcleo.

Sendo o elétron uma carga elétrica em movimento,


podemos considerá-lo um circuito circular de corrente.
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É importante ressaltar que o modelo de Bohr, apesar de


apresentar boa aproximação para cálculos, não é realista.

Para um tratamento mais adequado, precisaríamos do conceito


de spin da mecânica quântica, que está fora do escopo deste
livro.
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Voltando ao caso da bobina...

O que acontecerá se fizermos o enrolamento


em um material em vez de no ar?
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Nesse caso, precisaremos considerar os momentos


magnéticos do material, que contribuirão juntamente com
o campo externo aplicado para aumentar a densidade de
fluxo, de acordo com:
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Classificação de materiais
magnéticos
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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


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Materiais diamagnéticos não possuem campo magnético


permanente, de forma que é necessário haver um campo
externo aplicado para que haja algum efeito magnético.
Permeabilidade relativa <= 1.
Podemos avaliar esse comportamento a partir dos
momentos magnéticos, conforme Figura 3.6.

Sem campo magnético externo Com campo magnético externo


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Exemplos desse tipo de material são:

Cobre

Bismuto

Chumbo

Prata
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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


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Materiais paramagnéticos possuem um campo magnético


permanente fraco. Permeabilidade relativa >= 1.
Ademais, quando aplicamos a um campo externo, ocorrerá
com este o alinhamento parcial dos momentos
magnéticos, aumentando a densidade de fluxo.

Sem campo magnético externo Com campo magnético externo


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Exemplos desse tipo de material são:

Alumínio
Sulfato de Cobre

Magnésio
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Como os materiais diamagnéticos e paramagnéticos exibem


magnetização apenas quando um campo externo é aplicado,
ambos são considerados não magnéticos (CALLISTER;
RETHWISCH, 2016).
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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


Unidade 3 – Seção 1

O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


Unidade 3 – Seção 1

Os materiais ferromagnéticos possuem campo magnético


permanente sem necessidade de um campo externo
aplicado (Figura 3.8). Permeabilidade relativa >>>1.

Sem campo magnético externo


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Exemplos desse tipo de material são:

Ferro
Cobalto

Níquel
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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:

Diamagnético Paramagnético Ferromagnético


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O magnetismo em materiais é classificado em três


categorias:
Unidade 3 – Seção 1

Circuitos magnéticos
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Considere um material ferromagnético que possui uma


bobina com N enrolamentos em seu lado esquerdo.
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Ademais, também haverá o fluxo magnético (medido em


Wb) calculado de acordo com:
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Podemos fazer uma analogia entre circuitos elétricos e


circuitos magnéticos, a fim de facilitar a análise destes
últimos.

Por exemplo, fontes usadas em circuitos elétricos possuem


força eletromotriz (diferença de potencial), ao passo que,
em circuitos magnéticos, à fonte de campo magnético
damos o nome de força magnetomotriz (Fmm ou ℑ)
medida em A.

A corrente elétrica, que representa fluxo de cargas em um


condutor, será o equivalente elétrico do fluxo magnético
(Φ).
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Por fim, a resistência à passagem desse fluxo magnético é


conhecida como relutância (ℜ) e é medida em (Ae)/Wb).

A partir do momento em que convertemos o circuito


magnético em elétrico, todos os teoremas usados em
circuitos elétricos tornam-se válidos, desde que
adequadamente convertidos.

Por exemplo, a Lei de Ohm para circuitos elétricos é V=RI,


em circuitos magnéticos ela se torna Fmm=ℜ Φ.
Unidade 3 – Seção 1

A Figura 3.10 apresenta um circuito elétrico de uma malha e


seu equivalente magnético.
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O Quadro 3.2 apresenta as grandezas magnéticas e seus


equivalentes elétricos.
Unidade 3 – Seção 1

O Quadro 3.2 apresenta as grandezas magnéticas e seus


equivalentes elétricos.
Unidade 3 – Seção 1
Unidade 3 – Seção 1
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Situação-problema 1
Unidade 3 – Seção 1

Você trabalha em uma empresa que fornece consultoria


para projetos de engenharia e um cliente o contratou para
verificar quais materiais podem ser usados para construir o
núcleo de um transformador.

Sabemos que a permeabilidade magnética é diretamente


proporcional à densidade de fluxo elétrico em um
material ferromagnético.

Em outras palavras, quanto maior for μr, mais facilmente o


campo magnético atravessará o material.
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As opções de materiais a serem usados estão


apresentadas no Quadro 3.1.
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Após analisar as permeabilidades relativas apresentadas,


você escolhe o aço porque é o material que possui maior
μr e, consequentemente, terá o maior fluxo magnético
dentre as opções.

Esse resultado deverá ser explicado no relatório técnico.

Vale destacar que, uma vez que a permeabilidade relativa


do aço não é constante, você precisará consultar um
fabricante para escolher o aço com maior μr.
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Situação-problema 2
Unidade 3 – Seção 1

Você trabalha para um fabricante de materiais magnéticos


e, juntamente com a sua equipe, ajudou no
desenvolvimento de um aço elétrico com permeabilidade
relativa de 70.000.

Vocês querem comparar a relutância de um circuito


magnético usando esse novo material em vez do ferro
(μr=4.000).

Ambos os circuitos magnéticos possuem o mesmo


comprimento de caminho médio, mas a seção transversal
do circuito de Fe é um terço do material novo.
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A relutância de um circuito magnético é calculada de acordo


com:

Assim, temos as seguintes relutâncias:


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Como os comprimentos são iguais, a relação entre as


relutâncias será:

Como a área da seção transversal do material novo é um


terço da do ferro:
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Temos:

Portanto, a relutância do novo material para as condições


informadas é aproximadamente 17% da relutância do
ferro.