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Engenharia Ambiental

Potabilização da água

Aula Teórica 4
Sumario

 Água potável. Potabilização das águas.


 Etapas gerais de potabilização.
Introdução

Água potável:
é a água que pode ser de consumo humano sem restrição. Este termino se aplica à
água que cumpre com as normas de qualidade promulgadas quanto ao conteúdo de
minerais, cloretos, nitratos, nitritos, amônio, cálcio, magnésio, fosfato, etc. ademas
dos germes patógenos.

Água mineral:
é a água que contém minerais ou outras substâncias dissolvidas que alteram seu sabor
ou lhe dão valor terapêutico. Pode ser preparada (engarrafada) ou pode produzir-se
naturalmente em alguns mananciais.
A potabilização

A potabilização é um processo que se leva a cabo sobre a água na natureza para


transforma-la em absolutamente apta para o consumo humano. Geralmente,
realiza-se sobre águas originadas em mananciais naturais e em águas subterrâneas.

O objetivo é obter uma água limpa de sólidos suspensos, aglomeração, de coloides,


de organismos patógenos, de ferro e manganésio, sedimentação e corrosão, entre
outros aspectos.
O processo convencional pode resumir-se nos seguintes passos:
• captação
• condução
• coagulação
• floculação
clarificaçã
• sedimentação
o
• filtração
• desinfeção

Dependendo da fonte de abasto e da composição da água bruta, pode necessitar


depois da captação uma sedimentação simples para eliminar grandes partículas
(resíduos de alimentos, papel, cartões, plásticos, areia, rochas, etc.) mediante
sistema de grades fixas, que podem afectar as bombas.
Também pode requerer tratamento de pré-cloração (oxidação) dependendo da
quantidade de matéria orgânica presente que determina-se pela carga microbiana
inicial, (o alerta é dado quando atingido um número superior a 1000
microrganismos/mL) e se faz o tratamento assim que chega à estacão de
tratamento.
Pode ocorrer que antes do processo de desinfecção há que ajustar o pH para garantir
a presença de HClO.
• Captação: Geralmente se faz de poços de águas subterrâneas por meio de
bombeamento ou perfurações, de águas superficiais por meio de tomadas que se
fazem nos rios ou diques.
• Condução: A água se conduz por aquedutos ou canais abertos do ponto de origem
à planta de tratamento. Geralmente se empregam “desareadores”.
• Coagulação: Consiste basicamente na desestabilização das partículas coloidais ou
neutralização das moléculas de substâncias húmicas* através de reacções químicas
Adicionam-se produtos químicos (coagulantes) para a desestabilização do coloide
ou turbidez da água.
• Floculação: A floculação tem por objectivo promover o contacto, através de uma
mistura lenta, das partículas desestabilizadas e favorecer a sua agregação em flocos
facilmente sedimentáveis. Nesta etapa é onde as partículas de impurezas suspensas
vão se aglomerando em flocos maiores nos floculadores (unidade de mistura lenta)
para serem removidas pelo decantador.
• Sedimentação: A decantação consiste na separação das partículas ou flocos pré-
formados na floculação, com densidade superior à da água devido as forças
gravitacionais. Ocorre a remoção das partículas em suspensão que se depositam no
fundo do tanque formando o lodo; é a etapa responsável pela clarificação da água. A
eficiência alcançada no decantador deve ser maior de 90 % de remoção da turbidez.
• Filtração: Retêm-se as impurezas ou turbidez residual que fica na etapa de
decantação ou sedimentação.
• Desinfeção: A água filtrada passa à reserva e ali se desinfeta por diferentes
métodos, geralmente adicionam-se produtos químicos (desinfectantes).
• Correção do pH: Poderá ser necessária uma etapa de pós condicionamento
em que se corrige a alcalinidade da água para valores de pH próximos à
neutralidade, com o intuito de evitar problemas de corrosão devido a água está
com baixos valores de pH e incrustações causada por águas com altos valores
de pH
Grades

Canal de água bruta entrada Entrada da Água Bruta na ETA


Desareador: empregam-se para retene a areia ou outras partículas solidas como
quebrasse, pedras, objetos, etc. que trazem as águas a fim de evitar que ingressem no
processo de tratamento e o obstaculizem criando sérios problemas.

Os tipos de desareadores que há são:


• Desareador longitudinal: é o mas utilizado. As partículas sedimentam ao diminuir a
velocidade com que vem a água. Geralmente são de forma retangular e alargada.
• Desareador de vórtice

Uso de grade

em geral se divide em 2 canais para que um sirva


como by-pass

O uso de grades e crivos impedem a entrada de


suspensões grosseiras.
Coagulação e floculação:
Esta é uma das fases principais nas instalações para o tratamento de água.
• Coagulação é o processo de adicionar produtos químicos à água (coagulantes) para
reduzir ou anular as forças que tendem a manter separadas as partículas em
suspensão (desestabilização das partículas).
• Floculação é a aglomeração das partículas por um movimento lento da água para
formar partículas de maior tamanho (flóculos) que possam sedimentar por
gravidade.
Coagulantes empregados:
Estas substâncias devem ser capazes de produzir uma reação química com os
componentes químicos da água, especialmente com a alcalinidade para formar
precipitados volumosos, constituídos geralmente pelo hidróxido metálico do
coagulante que se emprega.
Estes são:
a) Sulfato de Alumínio
b) Aluminato de Sódio Como produtos das reações se formam os
hidróxidos de alumínio e de ferro III que são
c) Cloreto de Alumínio muito pouco solúveis em água
d) Cloreto de Ferro III
e) Sulfato de Ferro III
f) Sulfato de Ferro II
g) Poli-electrólitos (como ajudante da floculação). Sao polímeros orgánicos com carga
elétrica. Inicialmente empregaram de origem natural como amido, celulosa, gomas de
polissacarideos, etc. Hoje se empregam polieletrolitos sintéticos.
Fatores que influem na coagulação:
• pH (mas importante). Depende da natureza dos iões e da alcalinidade. Cada água
tem um pH óptimo para a coagulação.
• turbidez
• sai dissolvidas
• temperatura da água (temperaturas elevadas não favorecem a coagulação)
• tipo de coagulante empregado
• condições de mescla (mescla rapida 60 seg. máx.)
• sistema de aplicação dos coagulantes
• tipos de mescla

A seleção do coagulante, a dose ótima de aplicação e o pH ótimo se determinam


mediante ensaios de Teste de Jarros (Jar Test). Outra técnica é por eletroforeses.
A coagulação ocorre em regímen de turbulência, uma inadequada mescla rapida
suporta a um incremento de produtos cogulantes. Há misturadores mecánicos e
hidraúlicos (muito empregados nas estações de tratamento). Ex. Calha Parshall
CALHA PARSHALL
É um dispositivo funcionando com queda livre instalado nas ETA´s que serve para:
• Medir vazão
• Misturar os produtos químicos
O ponto de aplicação dos produtos químicos é exatamente no ressalto hidráulico.
garganta
Calha de Hidróxido de Cálcio Calha de Sulfato de alumínio

O processo de coagulação se leva a cabo em um misturador rápido (1 min.) que


consiste em uma camara de mescla provida de um sistema de agitação que pode ser
de hélice ou de turbina. O tempo de retenção varia de 30 a 45 segundos para 250
rpm, 1 minuto a 200 rpm o 2-3 min a 85 rpm.
A dosificação do coagulante é em forma constante e uniforme para garantir que o
cogulante seja completamente dispersado e misturado com a água. A melhor mescla
é quando o coagulante cai em sua totalidade à massa de água

Jar Test
Sulfato de aluminio: Conhecido como alumbre. O produto comercial pode ser
realizada em pó seco ou numa solução concentrada. Em solução muitas vezes esta
hidratado, sendo o mais comum com 14 ou 16 moléculas de água.
A solução de sulfato de alumínio comercial é uma solução ácida como demonstra a
Figura que representa o pH do coagulante em função da concentração.

Quando o pH da água a tratar não se encontra nessa


faixa, costuma-se adicionar Ca(OH)2, CaO, Na2CO3,
etc. a fim de elevar o pH permitindo a formação dos
flóculos de hidróxido de aluminio.

Quimicamente, podemos explicar assim: o sulfato de alumínio gera os seguintes íões


na água cuja dissociação ocorre rapidamente:

Al2(SO4)3 + 6 H2O → 2 Al3+ + 6 OH- + 6 H+ + 3 SO42-


O ião Al3+ formado da dissolução do coagulante é disperso pelo compartimento de
tratamento formando diferentes iões complexos do aluminio com a água pelas reacções
de hidrólise.
As principais espécies presentes na fase de tratamento referente a nível químico do
aluminio são o Al3+, Al(OH)2+ e o Al(OH)4– que se encontram em equilíbrio com o Al(OH)3.
Uma menor parte dos cátiões Al3+ neutraliza as cargas negativas das impurezas presentes
na água, e a maior parte deles interage com os íões hidroxila (OH -) da água, formando o
hidróxido de alumínio:
Al3+ (aq) + 3OH-(aq) ⇄ Al(OH)3 (s)

Então, o sulfato de aluminio é um


coagulante efetivo em intervalos
de pH entre 6,0 e 8.
Nestas condições existe um
controlo do alumínio residual
dissolvido, bem como o aumento
da concentração de flocos para
que haja a adsorção de matéria
orgânica.
Esse hidróxido de alumínio é um coloide carregado positivamente que neutraliza as
impurezas coloidais carregadas negativamente que estiverem na água. Observe que
há formação de H+, o que torna o meio ácido e pode impedir a formação do hidróxido
de alumínio.
Devido a dissolução do sulfato de alumínio na água cria um aumento da concentração
de iões de hidrogénio, provoca assim a diminuição do pH ou o consumo de alcalinidade
natural.

Este processo é representado através da seguinte reacção:

Al2(SO4)3.14H2O(aq) + 3Ca(HCO3)2(aq)  2Al(OH)3(aq) + 3CaSO4(aq) + 6CO2(g) + 14H2O

Através da reação pode verificar-se que há um consumo de seis moles de alcalinidade


na forma de  HCO3- e produz seis moles de dióxido de carbono.
Quando a alcalinidade presente na água bruta não é suficiente para suportar a não
alteração do pH, visto que é um fator com bastante influência no processo, é
necessário a adição de uma fonte de alcalinidade. Esta fonte pode surgir pela adição
de cal segundo a reacção da Eq. 1 ou pela do carbonato de sódio representado na Eq. 2.

Al2(SO4)3.14H2O(aq) + 3Ca(OH)2(aq)  2Al(OH)3(aq) + 3CaSO4(aq) + 14H2O Eq. 1

Al2(SO4)3.14H2O(aq) + 3Na2CO3(aq) + 3H2O  2Al(OH)3(aq) + 3Na2SO4(aq) + 3CO2(g) Eq.2

A adição de cal é a mais comum devido ao seu preço mais acessível, contudo o
carbonato de sódio apresenta uma vantagem sobre a cal ao não provocar um aumento
da dureza.
Dosagem de sulfato de alumínio
dependendo da alcalinidade
Floculação
A floculação se realiza a baixa velocidade, garantindo um regimen laminar com um
Re<500.
Fatores que influem na floculação:
• Grau de agitação: Mecánica o Hidráulica
• Gradiente de Velocidade (energía necesaria para producir la mezcla)
• Número de colisões (choque entre microfloculos)
• Tempo de retenção
• Densidade e tamano do floculo.
• Volume de lodos

Nas estacões de tratamento os mais empregados são os floculadores hidraúlicos.

O processo de floculação é com velocidade lenta permitindo o contato entre as


partículas.
Floculador hidraúlico horizontal e vertical
Observe a água à saída da turbulência da coagulação e a entrada do floculador com
barreiras para diminuir a velocidade.
Sedimentação:
O processo esta governado pela Lei de Stokes (as particulas sedimentam mais
facilmente quanto maior o diâmetro, a sua gravidade específica em relação ao líquido e
menor a viscosidade deste). Neste caso é uma sedimentação induzida.
O equipamento mais utilizado para o tratamento da água é o decantador ou
sedimentador.
Dos diferentes tipos de sedimentadores, os mais empregados são os sedimentadores
de fluxo horizontal.

Nessas unidades, a massa de líquido


move-se com movimento uniforme e
velocidade constante.
Fatores que influem na sedimentação:
• Temperatura da agua
• Condições hidraulicas do equipo (tipo de
fluxo)
• Fatores externos (processos de coagulação
– floculação previos, condições ambientais
Um sedimentador consta das seguintes partes:
• zona de entrada: estrutura hidráulica de transição que permite uma distribuição
uniforme do fluxo dentro do sedimentador

• zona de sedimentação: consta


de um canal retangular com
volume, longitude e condições
de fluxo adequados para que
sedimentem as partículas. A
direção do fluido é horizontal
e a velocidade é a mesma em
todos os pontos (fluxo pistom)
• zona de saída: constituída por
um vertedor, canaletes ou
tubos com perflorações que
tem a finalidade de compilar o
efluente sem perturbar a
sedimentação das partículas
depositadas.
Esquema de um decantador lamelar rectangular

Os decantadores de fluxo horizontal devem possuir uma relação apropriada entre


comprimento e a largura pois comprimentos relativamente pequenos dificultam a boa
distribuição da água, no entanto, comprimentos grandes podem resultar em
velocidades longitudinais elevadas, causando o arrasto das partículas sedimentadas.
Critérios de desenho das dimensões:
L: comprimento
B: largura
H: altura ou profundidade H=3á5
Taxa de escoamento ou carga superficial hidráulica (q):
É a relação entre a vazão e a área horizontal do decantador e é expressa em (m 3/m2d),
sendo numericamente igual à velocidade crítica de sedimentação. Para Estações de
tratamento de vazão maior de 10 000 m3/d, o valor de q deve ser aproximadamente
40 m3/m2d.
Q Critério: Quando o valor de q = 30 á 40 m3/m2d, o
q=
As tempo de detenção hidráulica (TDH) deve estar
entre 2,0 á 3,0 horas.
Onde:
Q = fluxo volumétrico (m3/d)
As = área superficial do decantador

Velocidade longitudinal ou horizontal (VH)


Q
VH =
B*H
Onde:
Q = fluxo volumétrico (m3/s)
Critério: Para decantadores horizontais, a VH deve ser menor
B= largura
H= altura de 0,75 cm/s
Tempo de detenção ou retenção hidráulica (TDH) de desenho

V
Onde: TDH =
Vd = volume do decantador (m3) = L*H*B Q
Q = vazão de fluxo (m3/d) Critério: O TDH de operação deve ser menor que o
de desenho

Cumprimento do regímen laminar e estável:


O critério do regímen laminar é o número de Reynold e de estabilidade demonstra-se
com o número de Froude.
O número de Reynolds para regímen laminar em canais fechados deve ser menor de 500
e calcula-se segundo a seguinte equação

Onde:
Rh
v = viscosidade cinemática do fluido (1.10-4 m2/s) Re = Vmax
Vmax = velocidade máxima do fluido longitudinal ν
(m/s)
Rh = rádio hidráulicoB(m)
.H
Rh =
(B + 2H)

B = largura
H = altura
Quando o número de Froude é menor que 1 é regime de escoamento subcritico onde garantia-se
a estabilidade do fluido. Para sistemas do fluxo em canais, o número de Froude expressa-se:
VH2
Fr =
g .R h
Onde:
VH= velocidade longitudinal ou horizontal (m/s)
g = gravidade (9,81 m/s2)
Rh = rádio hidráulico (m)

Velocidade de sedimentação: VS

Relação VH e VS Critério de desenho

Calculo da velocidade de sedimentação de operação:


H
VS = De forma geral deve cumprir-se que a
TDH
VSoperação > VSdesenho
Silva (2014) recomenda quando não tem-se resultados experimentais considerar para estações
com capacidade superior a 10 mil m3/d, uma velocidade de sedimentação de 2,8 cm/min (para
uma q = 40 m3/m2.d)
Eficiência do decantador (deve ser ≥ 90 %)

TAB - TAD
E= * 100
TAB

TAB = turbidez água bruta


TAD = turbidez água decantada
Filtração:
O meio poroso mais utilizado na areia, areia + antracite, carvão ativado.
Os filtros destas instalações, são geralmente abertos, com taxas de filtração entre 6 y
15 m/h.  Recorde-se que os filtros de areia ficam obstruídos após um período de uso e
devem ser lavados.
Camada de carvão: retém as partículas de
turbidez. Tem uma altura de 45 cm.

Camada de areia: também tem o propósito de


filtrar partículas remanentes. Altura da camada de
20 cm.
Os filtros empregados nas ETAs (grandes volumes de água) são rápidos e por gravidade.
Tem forma retangular. São lavados com água tratada introduzida de baixo para cima.
São de concreto com sistema de canalização central.
Desinfecção:
Os processos de desinfecção têm como objetivo a destruição ou inativação de
organismos patogênicos, capazes de produzir doenças, ou de outros organismos
indesejáveis.
O cloro e seus compostos (cloro gasoso, dióxido de cloro, hipoclorito de sodio
(10%), hipoclorito de calcio (35-70%) ou monóxido de dicloro) e são fortes agentes
oxidantes empregados no tratamento das aguas.
A desinfecção da água pode ocorrer por meio de outros métodos químicos, como
ozônio, ou por métodos físicos, como a radiação ultravioleta e a filtração por
membranas. 

O Cloro, atua por difusão através da parede celular, para então agir sobre os
elementos vitais no interior da célula, como enzimas, proteínas, DNA e RNA.
Quando o cloro é adicionado a uma água isenta de impurezas, ocorre a seguinte
reação:
Cl2 (g) + 2 H2O (l) ⇄ HClO (aq) + H3O+(aq) + Cl- (aq)

Dependendo do pH da água, o HClO se ioniza, formando o ião ClO -, segundo a


reação a seguir:
HClO(aq) + H2O(l) ⇄ H3O+(aq) + ClO- (aq)

Ambos os compostos possuem accão desinfetante e oxidante; porém o HClO é


mais eficiente que o ião ClO- na destruição dos microrganismos em geral.

Antes de ser bombeada para os tanques de armazenamento e para o sistema de


distribuição aos consumidores, equipamentos de cloração garantem a manutenção
de uma quantidade de cloro residual, que continua exercendo a sua função de
desinfectante até o destino final.
Conforme se observa, nos exemplos dados, na reação do produto que contém cloro
com a água, há formação do ácido hipocloroso (HClO) que é o agente desinfetante.
Esse ácido hipocloroso formado, dependendo do pH da água, se dissocia formando
ião hipoclorito (OCl-).
A extensão dessa dissociação está ligada ao valor do pH. Em pH ácido há maior
formação de ácido hipocloroso e em pH alcalino acima de 7,5 há maior formação de
ião hipoclorito. O cloro presente na água na forma de ácido hipocloroso e de ião
hipoclorito é denominado de cloro residual livre.

O ácido hipocloroso formado na reacção do cloro com água, é um desinfectante


mais potente que o ião hipoclorito, sob mesmas condições de tempo de contacto e
dosagem. Dessa forma, é recomendado que a desinfecção com cloro livre residual
seja realizada em valores de pH mais baixos, preferencialmente menores que 7.
A figura mostra as percentagens de
dissociação do HClO e ião hipoclorito
formados em função do pH, em
temperatura de 20ºC.
Quando na água há matéria orgânica como as proteínas, ou outras que contem
grupos com nitrogénio, esses compostos amoniacais reagem com o cloro formando
as cloraminas (monocloraminas, dicloraminas e tricloreto de nitrogénio) segundo as
seguintes reacções:
Esse processo da atividade do cloro na água como agente oxidante, desinfetante e
reagir com substâncias orgânicas produzindo subprodutos clorados denomina-se
demanda de cloro. A curva a seguir, mostra o comportamento do cloro na água.

Interpretação da curva
AB: O cloro introduzido na água é
imediatamente consumido na oxidação da
matéria orgânica e inorgânica. Enquanto
esses compostos não forem totalmente
destruídos, não ocorrerá desinfecção e o
cloro residual será nulo.
BB’: O cloro combina-se com compostos
nitrogenados, produzindo cloro residual
combinado. São as cloraminas.

B’C: O cloro oxida as cloraminas formadas na fase anterior, reduzindo os teores de cloro residual
combinado.
C em diante: completada a oxidação do cloro residual combinado, elevam-se os teores de cloro
residual livre, mais eficaz como desinfetante.
A lama produzida durante o processo de potabilização da água nas ETAs é constituído
de resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos (maioritario) provenientes da água bruta e,
principalmente, grandes concentrações de metais, decorrentes da adição de produtos
químicos e polímeros condicionantes do processo. O lodo de ETA é gerado,
normalmente, em grandes quantidades e diariamente, visto que todo dia há demanda
por água tratada. As possibilidades do reuso dessas lamas são: na produção de
materiais cerâmicos, em processo de recuperação de áreas degradadas, cobertura de
aterros sanitários, recuperar o coagulante, dentre outras alternativas.

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